Alerta: As considerações envolvendo este assunto feitas em três artigos anteriores foram baseadas apenas nos relatos obtidos através de entrevistas concedidas à imprensa por parte de engenheiros da SABESP. (Parte 1 e 2) e com base no relato verbal do Eng. Meunin Oliveira Junior, atual Diretor de Relações Contratuais e Institucionais da Sabesp, proferido na reunião ordinária do Conselho Estadual de Recursos Hídricos realizada em 1 de outubro de 2025.
O presente texto se refere ao encerramento das obras também com base no relato da imprensa, uma vez que não houve manifestações de cunho técnico por parte da SABESP a respeito
Histórico
Em 10 de abril de 2025 abriu-se repentinamente uma cratera em uma das vias da pista central da Marginal do Tietê próximo à ponte Atílio Fontana no sentido Castelo. Assim que se constatou que o acidente foi decorrente de solapamento do terreno devido a infiltração de água, a SABESP foi acionada e prontamente reparou em 3 dias as fissuras na laje inferior da caixa principal do poço de visita PV 09 do interceptor ITi-3 que margeia o Tietê pela sua margem direita, localizada a 18 m de profundidade.
Contudo, em 11 de maio, a pista voltou a ceder no mesmo local. A previsão inicial divulgada em 12 de maio para os reparos que exigiam intervenções mais robustas era de 30 dias.
Na realidade, a obra somente foi concluída em 17 de março de 2026, decorridos mais de 11 meses após o acidente;
Em entrevistas concedidas à imprensa à época do acidente, o diretor de engenharia da Sabesp, Roberval Tavares especulou sobre a origem da cratera como sendo o acúmulo de águas pluviais lançadas indevidamente na rede de esgotos sobrecarregando-a. Em consequência, o interceptor operando sob pressão a 18 m de profundidade teria ocasionado a ruptura da caixa localizada sob o poço de visita com o consequente solapamento da via resultando na formação de uma cratera na via expressa da Marginal.
Não houve até o momento, por parte da SABESP, a confirmação oficial desta hipótese sobre o ocorrido nem de quaisquer outras causas.
Foram apenas divulgados o custo destas obras (R$ 75 milhões) a multa de R$ 2.5 milhões lavrada pela CETESB devido ao lançamento de esgotos “in natura” no Tietê (medida necessária para esvaziar a rede e garantir a segurança das equipes que atuavam no local encarregada dos reparos no interceptor afetado), bem como Pinheiros e Billings, além de
R$ 1,5 milhão como medida compensatória ao FinaclimaSP, fundo de financiamento do governo paulista para bancar iniciativas de restauração ambiental.
José Eduardo Cavalcanti é engenheiro consultor, diretor do Departamento de Engenharia da Ambiental do Brasil, diretor da Divisão de Saneamento do Deinfra – Departamento de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), conselheiro do Instituto de Engenharia, e membro da Comissão Editorial da Revista Engenharia. E-mail: [email protected]
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