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Dersa quer atuar como “incorporadora” de obras de infraestrutura

A Dersa (Desenvolvimento Rodoviário), sociedade de economia mista vinculada à Secretaria Estadual de Logística e Transportes do estado de São Paulo, planeja oferecer serviços de implantação de empreendimentos de infraestrutura (não só rodoviária) a grandes estatais brasileiras, como Metrô, Departamento de Estradas e Rodagem e Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Quem afirma é Laurence Casagrande Lourenço, diretor-presidente da companhia. Nessa entrevista, a ser publicada na íntegra, na próxima edição da revista Infraestrutura Urbana, Lourenço detalha os planos da empresa para atingir esse plano de negócio, que incluirá contratação de novos 40 engenheiros.

O senhor tem afirmado que a Dersa quer atuar como uma incorporadora. O que significa isso, poderia explicar melhor?

A Dersa historicamente operou como uma concessionária de rodovia, mas desde julho de 2009, deixou esse modelo e, desde então, tem sido reestruturada para atuar como uma espécie de incorporadora de empreendimentos de infraestrutura de transportes. Assim como uma incorporadora do mercado de edificação gerencia toda a implantação de um empreendimento imobiliário, ou seja, compra o terreno, estrutura o projeto, contrata construtora, e faz a comercialização dos imóveis, nossa ideia é que a Dersa assuma a implantação da infraestutura de empreendimentos de empresas estatais como o Metrô, o DER (Departamento de Estradas e Rodagem) e a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). O negócio dessas empresas não é a implantação e, sim, a operação, os serviços. É aí que está o expertise e o negócio delas. Então, nossa proposta é oferecer a implantação do empreendimento, assumindo desde o licenciamento ambiental, o projeto básico e o projeto executivo, até o reassentamento de pessoas.

Que tipo de obras vocês fariam, por exemplo?

O Metrô planeja fazer um monotrilho. A Dersa poderia aprender mais sobre esse assunto e ajudar o Metrô a viabilizar o monotrilho, sendo parceira dele em projetos futuros. O Ferroanel é outro caso. As áreas por onde passará o Ferroanel estão no domínio do Rodoanel, que estamos gerenciando. Conhecemos muito bem, portanto, o perfil geológico da região e podemos emprestar nosso conhecimento e aprendermos, mais ainda, a trabalhar com ferrovia.

Mas é um crescimento bastante expressivo, com entrada em novos segmentos. Vocês têm corpo técnico para isso?

Vamos crescer nosso corpo técnico, com base em nosso planejamento de médio e longo prazos. Não posso contratar pessoal rapidamente porque a estrutura de concursos, com litígios etc., a que estamos submetidos, não é adequada para isso. O processo demora muito. Mas três fatores nos permitirão chegar lá. O primeiro: a Dersa tem expertise em manter pessoal altamente qualificado. Segundo: começamos um processo de manualizar nossos procedimentos para poder multiplicar conhecimento e repassá-lo aos profissionais mais jovens. E por fim: podemos contar com apoio externo em alguns contratos por meio de convênios com institutos, por exemplo, e, com isso, trazer conhecimento especializado para dentro da Dersa. Estamos estudando formas de viabilizar essas contratações de profissionais de nível sênior dentro da lei.

Vocês pretendem ampliar o quadro de profissionais da Dersa, então?

Hoje a Dersa tem 60 engenheiros e queremos chegar a, pelo menos, 100 engenheiros.

E há recursos para isso?

Não tenho a ilusão de que a Dersa seja competitiva, em termos financeiros, para atrair engenheiros. Temos limites salariais, não há como negar. Um engenheiro da Dersa recebe, em média, entre R$ 5 mil e R$ 6 mil. Mas eu posso, sim, ser muito competitivo para talentos em início de carreira porque, para esse profissional, trabalhar na Dersa é uma oportunidade de aprendizado, de trabalhar em projetos de alta complexidade e com um dos melhores corpos técnicos do país.

Seria um celeiro de talentos.

A Dersa sempre foi um celeiro. Por outro lado, também posso ser muito competitivo para atrair engenheiros que tenham a intenção de traçar uma carreira acadêmica em paralelo à vivência de mercado. Para esse profissional, como professores da Poli (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo) ou pesquisadores do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo), por exemplo, trabalhar na Dersa pode ser uma oportunidade excelente.

Quais os principais projetos que a Dersa vem desenvolvendo hoje?

A implantação de um túnel submerso que vai ligar Santos ao Guarujá [no litoral paulista] é a grande inovação. É o primeiro projeto desse tipo realizado no Brasil, e consiste num túnel construído com perfis de concreto armado, moldados numa doca seca e depois imerso no canal. Também estamos trabalhando no processo de licenciamento para iniciar a duplicação da Rodovia dos Tamoios, do DER, e que o Estado delegou à Dersa o gerenciamento do empreendimento. O trecho do Rodoanel tem licença ambiental prévia, emitida no dia 28 de junho de 2011, e agora caminhamos para obtenção da licença de instalação. Estamos nas vésperas de lançar o decreto de utilidade pública da área e também os editais de pré-qualificação das obras brutas desse trecho do Rodoanel, que tem custo estimado em R$ 6 bilhões e 100 milhões. As obras do Rodoanel estão sendo iniciadas e, no Rodoanel Sul, estamos na parte de compensação ambiental. Já finalizamos as obras que cabiam a nós na Marginal Tietê, com exceção de algumas contenções de barrancos, e ainda restam obras na Jacú-Pêssego.

Autor: PiniWeb

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