IE NA MÍDIA – A grande oportunidade brasileira do século 21

O futuro do País está no seu agronegócio completo, que vai além do desenvolvimento da agropecuária florestal

A população mundial, atualmente de 7,7 bilhões de pessoas, passará a ter, em 2030, 8,5 bilhões de pessoas, um aumento de 800 milhões em 11 anos. E continuará crescendo, com 9,7 bilhões em 2050 e 10,9 bilhões em 2100. Toda essa multidão precisará ser alimentada, com adicional de consumo, em razão da melhoria de renda. E o Brasil ganha forte destaque neste contexto, uma vez que será o principal supridor mundial da demanda adicional por alimentos, um papel central associado por dispor de ampla disponibilidade de água e de terras produtivas.

Só em grãos, o Brasil já produziu 237 milhões de toneladas na safra 2017-2018, e poderá chegar a 350 milhões em 2029, segundo as projeções do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Uma das bases elementares para consolidar as projeções se baseia no ciclo de investimentos dentro das fazendas. Outro fato é a maximização de projetos e soluções logísticas eficientes (ferrovias, hidrovias, portos) que permitam o escoamento de uma produção ano a ano superior. Para chegar lá, são necessárias algumas considerações.

No curto prazo, é preciso melhorar as condições de conservação das rotas rodoviárias, notadamente as dos eixos de saída Norte, como a BR-163 e a BR-364, e ampliar a capacidade de armazenagem.

No médio prazo, investimentos devem ser direcionados à melhoria das condições operacionais das ferrovias, com prioridade para a plena operação da Ferrovia Norte-Sul; e a renovação e extensão do prazo de concessão da malha paulista – com contrapartida em investimentos adicionais e outras ampliações de capacidade.

É preciso haver mais investimentos nos entroncamentos rodoviários e ferroviários junto à Ferrovia Norte-Sul.

A melhoria e a ampliação do escoamento interno devem ser acompanhadas pela melhoria dos portos de embarque, associados ao desembarque de insumos.

No longo prazo, no eixo Tapajós, é importante avaliar a viabilidade da hidrovia para o transporte de grãos, notadamente pelo Rio Teles Pires, que tem extensão de 1.457 km e passa por uma das principais regiões produtoras de commodities do País, a cidade de Sorriso (MT).

Do lado leste, a complementação da Transnordestina – em Pernambuco e entre Eliseu Martins (PI) e o Porto de Pecém (CE) -, bem como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), na Bahia até Ilhéus.

Todas essas alternativas serão necessárias, diante dos aumentos da produção e da diversificação dos modos de transporte.

Agronegócio 4.0. A expansão da agropecuária moderna tem sido acompanhada e promovida pela tecnologia, caracterizando-a como Agronegócio 4.0. Para a sua consolidação, deverá ser desenvolvida a infraestrutura de telecomunicações, contemplando todos os avanços tecnológicos e o suporte de uma rede de cidades inteligentes.

Além do investimento em logística, o Brasil deverá buscar agregar valor às suas commodities agropecuárias para se tornar o principal supridor mundial de alimentos saudáveis, prontos ou semiprontos para consumo. O Instituto de Engenharia formulou uma proposta nesse sentido, sob o título Brasil: alimentos para o mundo.

O futuro do País está no seu agronegócio completo. Não apenas na agropecuária florestal, hoje já em franco desenvolvimento, mas com o crescimento da agroindústria, agregando valor aos produtos, e do agrosserviço.

A agroindústria deverá contemplar três vertentes: a cadeia logística do frio para assegurar o suprimento de alimentos frescos e saudáveis; o processamento industrial dos alimentos; e o fornecimento de tecnologias e equipamentos para o processamento nos locais mais próximos aos consumidores, em qualquer lugar do mundo.

A agrofinanças será essencial para viabilizar os investimentos que serão predominantemente privados. A agrologística é o elemento crítico e poderá contar com o apoio da agrotecnologia e da agroengenharia. Esta última, da nossa responsabilidade profissional e principal contribuição que podemos dar ao futuro do Brasil.

Eduardo Lafraia, presidente do Instituto de Engenharia, e Jorge Hori, Consultor do IE para o jornal O Estado de S.Paulo.

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