Início Notícias Energia Cientistas criam bateria orgânica barata, que não pega fogo nem explode

Cientistas criam bateria orgânica barata, que não pega fogo nem explode

Pesquisadores da Universidade Linköping, na Suécia, desenvolveram uma nova tecnologia de armazenamento de energia que é mais barata e sustentável em comparação com técnicas usadas atualmente. Eles usaram eletrodos feitos de madeira laminada e um eletrólito à base de água.

O novo conceito de armazenamento também é mais seguro e ideal para aplicações de fornecimento de energia em grande escala. Outra vantagem é que o dispositivo não sofre com problemas observados anteriormente, como uma autodescarga muito rápida — inferior a um dia — que inviabilizava a produção industrial.

“Nossos resultados permitem o armazenamento de energia orgânica segura e ambientalmente sustentável com alta densidade de potência de 5 kW/kg. Nossas baterias orgânicas são melhores que os supercapacitores normais e têm quase o mesmo desempenho que as baterias de chumbo-ácido”, explica o professor de engenharia eletrônica Xavier Crispin, autor principal do estudo.

Eletrodos orgânicos

O novo método criado pelos pesquisadores se baseia em duas grandes descobertas: um polieletrólito aquoso altamente concentrado e eletrodos orgânicos feitos de lignina — um subproduto barato obtido durante a fabricação de papel — combinados com poliacrilato de potássio.

A lignina de biopolímero funciona como um eletrodo positivo e uma porção de poliimida misturada com carbono condutor reage como eletrodo negativo. Esse sistema garante uma baixa queda de tensão, tornando as baterias mais eficientes e menos propensas a incêndios ou explosões.

“A queda de tensão, que mede a autodescarga, foi inferior a 0,5 V em um intervalo de 100 horas durante os experimentos, o que é um recorde mundial para armazenamento de energia com eletrodos orgânicos em eletrólitos de base aquosa”, acrescenta o professor.

Mais baratas

As baterias fabricadas com essa tecnologia inovadora também são efetivamente mais baratas e fáceis de produzir que as células de energia convencionais. Segundo os cientistas, a lignina, o carbono condutor e os polieletrólitos custam menos de US$ 1 por quilo (R$ 5,60 na contação atual).

Para os pesquisadores, os avanços conquistados durante esses estudos representam um passo importante para a construção de baterias orgânicas de baixo custo, tornando-se uma solução sustentável e segura para o armazenamento de energia em larga escala nos próximos anos.

“Essa descoberta abre um novo caminho para dispositivos orgânicos de armazenamento de energia não inflamáveis e de alta potência. Em vez de consumirmos a eletricidade no momento em que ela é gerada, poderemos guardá-la para utilização posterior de maneira sustentável e segura”, encerra o professor Xavier Crispin.

Fonte: Canal Tech

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