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Por Alfredo Mario Savelli – O Brasil e a Engenharia

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Por Eng. Alfredo Mario Savelli (*)

O Brasil e os brasileiros ainda aproveitam de forma insuficiente a racionalidade, a multiplicidade e a versatilidade de sua Engenharia e de seus engenheiros.

Formada pelos vetores da inovação, da tecnologia e da eficiência, a Engenharia constitui instrumento central para a soberania nacional, a segurança econômica e a resiliência estratégica do País.

Segundo pesquisa realizada, em 2025, pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA), o Brasil contava com aproximadamente 936 mil engenheiros registrados.

Em uma comparação internacional de densidade de engenheiros, o Brasil apresenta 4,4 engenheiros por mil habitantes, enquanto o México registra 7,0, a Argentina 7,5 e a Índia 14,0 engenheiros por mil habitantes.

A diferença se torna ainda mais expressiva quando observados países de maior desenvolvimento econômico e tecnológico: França, 15,2; Alemanha, 21,0; e Japão, 21,9 engenheiros por mil habitantes.

Os números evidenciam que o Brasil, apesar de possuir uma importante tradição de Engenharia e uma expressiva base de profissionais, ainda apresenta baixa densidade de engenheiros em relação à população, especialmente quando comparado às economias mais desenvolvidas.

A dinâmica de formação desses profissionais também preocupa. Segundo o Censo da Educação Superior do INEP/MEC, em 2024, as instituições de ensino superior ofereciam aproximadamente 753 mil vagas nos cursos de Engenharia e Agronomia. Entretanto, apenas cerca de 355 mil estudantes ingressaram efetivamente nesses cursos, e aproximadamente 110 mil concluíram sua formação.

A formação de engenheiros no Brasil vem apresentando retração. Em 2018, foram formados 128.871 engenheiros; em 2025, esse número havia recuado para aproximadamente 95.607, revelando uma redução significativa justamente em um período em que o País necessita ampliar sua capacidade tecnológica e produtiva.

Em contraste, China e Índia formam contingentes extraordinariamente maiores de profissionais de Engenharia. Em 2020, estimativas apontavam para 2,47 milhões de engenheiros formados na China e 1,98 milhão na Índia.

Essa diferença não é apenas quantitativa. Ela representa capacidade potencial de inovação, desenvolvimento tecnológico, implantação de infraestrutura, aumento de produtividade e transformação industrial.

Estudos e manifestações da Confederação Nacional da Indústria (CNI) também apontam para dificuldades na disponibilidade de profissionais qualificados diante das novas demandas da economia, especialmente em áreas relacionadas à transição digital, data centers, energia renovável e novas tecnologias.

Nesse cenário, a Engenharia assume papel estratégico. Energia limpa, semicondutores, inteligência artificial, digitalização, infraestrutura, produtividade, sustentabilidade e segurança tecnológica estão entre os grandes desafios contemporâneos, cuja solução depende diretamente da capacidade de Engenharia de cada país.

A Engenharia, portanto, deixou de ser apenas uma atividade profissional voltada à execução de obras, sistemas e processos. Ela se coloca no centro da competição tecnológica, econômica e geopolítica do século XXI.

Para o Brasil, ampliar e valorizar sua capacidade de Engenharia não é apenas uma questão de formação profissional. É uma questão de desenvolvimento, competitividade, soberania e futuro nacional.

(*) Presidente do Conselho Consultivo do Instituto de Engenharia, ex-presidente da mesma entidade, Doutor em Arquitetura/ Urbanismo UPMack, Mestre em Engenharia Civil Poli/USP, engenheiro Civil e engenheiro Industrial UPMack, ex-secretário do Município de São Paulo.

 

 

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