Por Eng. Alfredo Mario Savelli (*)
Os países emergentes cresceram 4,2% em 2025, enquanto o Brasil 2,3%, com previsão de 1,8% para 2026. No período 1950/80 crescemos em média 7,1% aa e na presidência Juscelino Kubitscheck, periodo1955/60, em média de 8,1% aa (IBGE).
O Brasil, a partir da estabilização monetária com o Plano Real em 1994, vivenciou: oito anos de social-democracia, quatorze anos de populismo, três anos de liberalismo, três anos sob o domínio da pandemia e o retorno para mais três anos de populismo. Portanto, muito populismo e pouca racionalidade.
A condição para o desenvolvimento democrático é a alternância de poder, seja liberal, conservador ou socialista, com rejeição ao autoritarismo e a oclocracia.
Introdução – O Brasil com 8,5 milhões de km2 demonstra ampla biodiversidade: a Amazonia, a Caatinga, a Mata Atlântica, o Cerrado, o Pantanal e o Pampa. Destaque para a Amazonia, a maior floresta tropical, 400 milhões de hectares a ser adequadamente estudada, beneficiada, preservada de queimadas, da extração clandestina de madeira, do garimpo irregular, da biopirataria.
O clima tropical no norte e temperado no sul do País, livre de tormentas, mas com o risco de colapso, caso os biomas percam a capacidade na recuperação de impactos ambientais, devido ao aquecimento global pela emissão de gases de efeito estufa, no limite de 1,5°C até 2040 (IPCC).
O Brasil oferece ampla riqueza mineral e vegetal, extenso litoral, autossuficiência em água, alimentos, petróleo, terras raras, energia limpa: hídrica, solar, eólica, nuclear, biomassa.
A população de 213 milhões de habitantes com identidade multirracial, descende de europeus, africanos, asiáticos, árabes e povos originários. Hoje, são 147 milhões com idade entre 15 e 64 anos, sendo 103 milhões ocupados em trabalho, 68 milhões contribuintes da seguridade social (IBGE). O baixo crescimento da produtividade no Brasil só possibilitará a redução de jornada de trabalho em determinadas atividades, pela livre negociação entre trabalhadores e empresas.
O País oferece modelar sistema bancário digital, energia elétrica universalizada, intensidade na intercomunicação pela mídia, imprensa, telefonia, rádio, televisão, redes sociais. Mas, apresenta atualmente vulnerabilidade na infraestrutura digital, com os dados de bancos e de serviços públicos hospedados em data centers dos EUA, dependendo de softwares e licenças estrangeiras.
O Estado – Na democracia do Brasil os cidadãos elegem seus representantes por votação direta, mas também dispõe de instrumentos políticos de iniciativa popular, plebiscito e referendo.
Os Poderes da República: Executivo, Legislativo e Judiciário são independentes, mas poderiam ser mais harmônicos. O Poder Judiciário, quando acionado, exerce a função de órgão de Estado a serviço dos cidadãos.
Quanto aos instrumentos do Poder Executivo na gestão das finanças da União temos: o Plano Plurianual que estabelece diretrizes, objetivos e metas da administração para despesas de capital e programas de duração continuada; a Lei Orçamentária Anual que detalha a previsão de receitas e a fixação de despesas, incluindo os orçamentos fiscal, de investimento e da seguridade social, orientada pela Lei de Diretrizes Orçamentárias que define metas e prioridades, estabelece diretrizes de política fiscal e metas de dívida pública. (Art. 165, Constituição Federal).
O Presidente sancionou a Lei Orçamentária Anual para o exercício de 2026 com previsão de R$ 6,54 trilhões nas despesas, sendo R$ 1,8 trilhão para o refinanciamento de dívida pública (Agencia Senado, Br).
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2025 foi de R$ 12,7 trilhões, com 16,8% do PIB em investimentos contra 42% na China e 33% na Índia. Os pagamentos do orçamento federal totalizaram R$ 5,05 trilhões, sendo 42% em juros e amortização de dívida, 20% em Previdência Social, 11% em transferências para os 27 estados e 5.570 municípios. As arrecadações federal, estaduais e municipais totalizaram R$ 3,98 trilhões (ACSP).
O arcabouço fiscal hoje substitui o teto de gastos no controle da dívida pública, excluindo as despesas avaliadas como fortuitas. As contas de 2025 do governo central alcançam déficit primário de R$ 61,8 bilhões, sem contar os R$ 44,5 bilhões de despesas em precatórios judiciais, projetos de defesa, adiantamentos em educação e saúde, ressarcimento de vítimas de fraudes do INSS (Tesouro).
A Dívida Pública que compreende o governo federal, os estaduais, os municipais e o INSS em 2025 atingiram R$ 10,99 trilhões (Banco Central). O custo financeiro da dívida supera a capacidade de amortização gerada pela economia. O governo emite nova dívida para pagar os juros da dívida antiga, ciclo que dificulta a estabilização das contas. Quando a dívida sobe sem uma âncora clara, o mercado exige juros maiores, retroalimentando o sistema.
A ordem social – A renda nacional per capita de USD 11.350, enfraquecida pela baixa capacidade institucional, corresponde à metade da renda per capita da Grécia e a um quarto da do estado do Mississipi (Banco Mundial).
A desorganização social resulta em êxodo de pessoas das áreas rurais miseráveis para as favelas urbanas, que sofrem com o crime organizado e a violência devastadora. A população em favelas cresceu de 11,4 milhões (6,0% da população) em 2010 para 16,4 milhões (8,1% da população) em 2022. As favelas no período dobraram: 6.329 em 323 municípios para 12.348 em 656 municípios (IBGE).
A desordem da vida familiar e as relações toxicas propagam a imoralidade, o crime, exigindo da segurança pública alto investimento em pessoal, inteligência e equipamentos para operações estaduais, com insuficiente apoio da União.
No Brasil a pobreza tem sido contida pelo Programa Bolsa Família, com transferência direta de renda para famílias em situação de vulnerabilidade. Atualmente, são 50 milhões de pessoas atendidas por 20 milhões de bolsas família totalizando R$ 160 bilhões por ano (MDS, Br). No Norte e Nordeste o número de beneficiários pelo Bolsa Família supera o de empregos formais.
Os serviços – As políticas educacionais e de qualificação profissional devem objetivar o desenvolvimento da capacidade evolutiva do cidadão, com o aprendizado durante toda a vida. Os sistemas de ensino público e privado no País apresentam dificuldades na formação profissional, a incapacidade de educar os 7% de analfabetos funcionais e a contaminação por doutrinação ideológica.
No Brasil a saúde é um direito de todos e dever do Estado através do SUS, desde a gestação e por toda a vida, compreendendo: a atenção primária e hospitalar, os serviços de urgência e emergência, as ações e serviços das vigilâncias epidemiológicas, sanitária, ambiental e a assistência farmacêutica.
Os serviços públicos devem ser regulamentados, modernizados e controlados por Agências Reguladoras, a serem dirigidas por especialistas de alta competência.
O abastecimento de água potável no País atende 83% da população, a coleta de esgotos apenas 55% e o destino aos resíduos urbanos ainda é insatisfatório. A infraestrutura de logística e transportes: ferroviário, rodoviário e de navegação ainda é insuficiente, mas tem sido progressivamente atendida por concessão pública ao capital privado. Em 2025 o Brasil investiu em infraestrutura R$ 288 bilhões, onde R$ 222 bilhões foram pela iniciativa privada (Abdib).
A Economia – Na agricultura, a safra de 2025 totaliza 346 milhões de toneladas em área de 81 milhões de hectares (IBGE). A produção de soja saltou de 4,4 milhões de hectares cultivados em1985 para 40 milhões de hectares; o agro das demais culturas corresponde a mais 41 milhões de hectares, com dependência de insumos como os fertilizantes importados. A pecuária ocupa 164 milhões de hectares de pastagem, com 238 milhões de bovinos. Há 300 milhões de hectares de áreas degradadas, recuperáveis para a agricultura (SFA/MAPA, Br). O Plano Safra 2025/26 corresponde a R$ 405,9 bilhões, sem incluir as Cédulas de Produto Rural que em 2024/25 tiveram a liberação de R$ 316,5 bilhões (Sicor/ BCB). O Brasil, como macro potência do agronegócio, dispõe de especiais condições para comercializar com China, Índia e Europa.
A estabilidade dos negócios industriais e comerciais deve ser garantida por segurança jurídica. O parque industrial está em declínio causado por elevados tributos, pouca inovação tecnológica, baixa produtividade e acirrada concorrência internacional. A indústria de transformação que constituía 36% do PIB em 1985, hoje está reduzida a 11% do PIB (MDIC, Br).
A balança comercial apresenta superavit de USD 68,3 bilhões para 2025, sendo USD 280,4 bilhões em importações e USD 348,7 bilhões em exportações. Estas se constituem em 63% de produtos primários contra 44% em 2000, pelo declínio na produção industrial exportada. As transações correntes com déficit de USD 68,8 bilhões. Aporte de USD 77,6 bilhões em investimentos estrangeiros (MDIC, Br).
O Brasil tem USD 312 bilhões de reservas internacionais, mas o Comité de Política Monetária do Banco Central (COPOM) manteve em 2025 a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) em 15% aa, para IPCA de 4,32% aa (IBGE). Situação causadora de 29,6% das famílias brasileiras terem dívidas vencidas e 5.680 empresas estarem em recuperação judicial (CNC).
O Futuro – O Brasil, potência agropecuária, mineral e energética, tem que conquistar maior presença na produção industrial de alto valor agregado e sua administração pública melhor atender aos princípios garantidores de gestão com eficácia e transparência.
O Futuro exige: melhores condições de saúde, educação, segurança pública e governança; a urgência na redução das despesas públicas com o expurgo nos custos de ministérios, autarquias e estatais deficitárias; a extinção dos inapropriados benefícios destinados a privilegiados servidores públicos.
Os partidos políticos devem ser programáticos e autossuficientes, com a sustação do populismo inconsequente e a depuração das emendas parlamentares, constituídas por R$ 48 bilhões em 2025. A ética, a responsabilidade e a cultura ocidental têm que estimular o liberalismo econômico no Brasil.
A Engenharia, vetor de tecnologia e eficiência, deve ser o instrumento central de soberania, segurança econômica e resiliência estratégica.
(*) Ex-presidente do Instituto de Engenharia, Doutor em Arquitetura/ Urbanismo UPMack, Mestre em Engenharia Civil Poli/USP, engenheiro Civil e engenheiro Industrial UPMack, ex-secretário do Município de São Paulo.





