Como tornar o compliance real e factível?

Por Paulo V. Sanchez Jr.*

Em contato com a minha network e com clientes e parceiros, sempre surge o assunto de como efetivar o compliance. Qual o ponto de partida, os recursos necessários, como planejar e executar este projeto.

O primeiro passo é ter um patrocinador forte e empenhado em demonstrar a necessidade de um compliance bem planejado e estruturado.

É fundamental ter à disposição todos os recursos necessários, segundo o que foi planejado.

Existem inúmeras organizações importantes que possuem uma área de compliance muitas vezes com apenas uma pessoa atuando, o Compliance Officer. Não é incomum que este responda por essa função para a América do Sul ou Latina.

Essa configuração demonstra a seguinte intenção em relação ao compliance: a do “quiero pero no mucho”.

As organizações, através dos seus gestores, precisam resolver se efetivamente querem ter compliance, se existe a vontade para tal empreitada.

Tem que existir uma comunicação muito amigável e palatável para todos na organização, bem como, com terceiros, para que o seu significado flua e seja adequadamente absorvido por todos.

Nós estamos no Brasil no início de um longo ciclo que será muito importante, em que teremos que repensar hábitos e modificar comportamentos, para sermos éticos e estarmos em conformidade com leis e regras.

Existe uma função relativamente recente, a monitoria, que é um trabalho de acompanhamento através de um terceiro (monitor) devidamente habilitado e de reputação ilibada para aferir se o compliance, auditoria, gestão e governança corporativa de uma organização são efetivos e produzem resultados rastreáveis e comprovados.

O monitor tem uma função intimamente ligada ao compliance, pois afere o tratamento que a organização implementa quando, da ocorrência de infrações, más condutas e corrupção e se as medidas corretivas e até as preventivas são as necessárias e suficientes.

Existem hoje inúmeras funções e ferramentas que podem contribuir com a implantação e manutenção de um compliance efetivo e cabe as organizações utilizá-las.

Não devemos esquecer também do monitoramento que em tempos de big data, a partir do momento que conseguimos quantificar e qualificar as operações de uma organização, podemos criar algoritmos para controlá-la e gerar relatórios de ocorrências e inconformidades.

Em suma o compliance tem que ser e parecer efetivo.

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Paulo Vito Sanchez Junior*
Diretor da NP Soluções Empresariais, executivo com ampla experiência em Auditoria, Finanças, Consultoria Tributária, Perícia, Gerenciamento de Contratos Comerciais e Administração de Vendas. Desenvolveu inúmeros trabalhos de estruturação de processos, controles e sistemas, bem como análise econômico-financeira e orçamentos em empresas tais como: Bunge, Whirlpool, Bridgestone, Santher e Deloitte. Bacharel em Ciências Contábeis, pós-graduado em Administração Financeira e Finanças.
*Os artigos publicados com assinatura, não traduzem necessariamente a opinião do Instituto de Engenharia. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo
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