… E o Airport Express não chega ao Aeroporto

182

Aliás, também não chega ao aeroporto nem o serviço Connect, que liga a Linha 13 – Jade até a estação Brás, local de integração entre os trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e do Metrô de São Paulo, importante entroncamento entre outras três linhas da rede – linhas 11-Coral, 10-Turquesa da CPTM e 3-Vermelha do Metrô.

Isto porque a Estação Aeroporto não está localizada dentro de qualquer dos três Terminais do Aeroporto de São Paulo em Guarulhos. Situa-se próxima, atrás do estacionamento do Terminal 1 Em razão disto, o trajeto complementar até os Terminais distante até cerca de 2 km está sendo feito por meio de serviço gratuito de “shuttle service” composto por 6 ônibus circulares com capacidade de até 50 passageiros oferecidos pela Concessionária Gru Airport que disponibiliza gratuitamente o transporte que passam a cada 15 minutos.

O trajeto por ônibus é feito em 3 minutos até o Terminal 1, 6 minutos até o Terminal 2 e 9 minutos até o Terminal 3 desde que não haja paradas nos Terminais para pegar ou deixar passageiros. Neste caso, o tempo de percurso se alonga. Segundo a Infraero e a própria concessionária do aeroporto, a solução definitiva para este problema criado será a instalação, sem prazo para acontecer, de um people mover que ligue a Estação Aeroporto aos Terminais.

O Airport Express, inaugurado no último dia 16 de outubro, parte da Estação da Luz, correndo durante 32 minutos, sem paradas nas estações intermediárias (Brás, Tatuapé, Eng. Goulart e Guarulhos CECAP) até a estação Aeroporto de Guarulhos. São cinco partidas diárias em cada direção ao preço cobrado a parte de R$ 8,00. Da Estação da Luz, os trens sairão às 10h, 12h, 14h, 16h e 22h; já da Estação Aeroporto Guarulhos as partidas ocorrerão às 9h, 11h, 13h, 15h e 21h.

Já o serviço Connect da CPTM que estreou no dia 3 de outubro de 2018, por enquanto, terá seis partidas diárias, três pela manhã (6h20, 7h00 e 7h40) e três à noite (18h00, 18h40 e 19h20).

O que se questiona, é saber quantos passageiros do aeroporto se interessarão pela ligação direta que, apesar de bastante rápida comparativamente ao deslocamento de carro em horários de congestionamentos, tem como ponto crítico a necessidade de utilizar os serviços rodoviários da GRU Airport para chegar aos  Terminais.

Tendo que viajar por Guarulhos, resolvi testar o Airport Express no próprio dia de sua inauguração. Peguei o trem na plataforma reformada da Estação da Luz. Junto comigo alguns outros passageiros, alguns com malas volumosas mas todas com rodinhas. Todos viajaram sentados pois os vagões não estavam cheios.  Exatamente, no horário previsto, 16:00, a composição partiu com destino ao aeroporto. O trem é o mesmo da frota regular da CPTM, uma vez que as novas composições dotadas de bagageiros ainda estão em processo de fabricação na China.

Viagem ótima e rápida, non stop, até a Estação Aeroporto. O desembarque em direção ao ônibus da GRU Airport deu-se sem atropelos. Gastou-se cerca de 10 minutos no trajeto até o ônibus que estava esperando à saída da estação do outro lado da pista da rodovia. Após 10 minutos para todos se acomodarem o ônibus partiu levando a maior parte dos passageiros desembarcados. Alguns de nós, no entanto, eu inclusive, esperamos por outro durante 15 minutos. Dez minutos depois ele partiu diretamente em direção ao Terminal 2 onde desci (Não parou no Terminal 1). Este translado desde o desembarque do trem levou cerca de 40 minutos, mais do que o gasto pela viagem de trem.

Mas a pergunta que não quer calar é porque não foi prevista locar a Estação ferroviária dentro das dependências do próprio aeroporto?

Fiz esta pergunta aos diretores da CPTM ao final do seminário promovido pelo Instituto de Engenharia em 28 de fevereiro de 2018 “Apresentação da Linha 13 Jade da CPTM”. (Disponível em vídeo na TV Engenharia no site do IE). Textualmente, indaguei “que uma vez que não havia sido autorizada pela Concessionária GRU Airport a construção da Estação dentro do Aeroporto o Governo do Estado não teria como impor tendo em vista o interesse público?

A resposta foi no sentido de que “esta questão havia sido discutida com a Infraero antes mesmo da concessão e a dificuldade que tiveram foi a de conciliar a estação lá dentro com os planos de expansão da concessionária e que o projeto da forma que ele está não perde qualidade, uma vez que o “people mover” desde aquela época, como agora, está previsto acontecer e a grande dificuldade foi a de não ter acontecido ainda”. Ainda: “se tivéssemos colocado a Estação lá perto do Terminal 2 teríamos um ganho talvez imediato agora mas de qualquer forma para interligar o Terminal 1 o Terminal 3 e o futuro Terminal 4 de cargas iria ser necessário o “people mover”. “Então, o que precisa se fazer é instalar o “people mover” o que a CPTM está aguardando. a conclusão pela GRU”. Foi acrescentado ainda que o “Governo do Estado não abriu mão do “people mover” e que ele será executado nos próximos períodos, pois há pressão do Governo Federal junto a Infraero”.

Pode ser, mas o fato é que o modal ferroviário neste caso não atinge plenamente os objetivos pretendidos, razão pela qual o transporte rodoviário continuará sendo o preferido pelos usuários de Guarulhos, malgrado o congestionamento recorrente das vias de acesso.

Trata-se sem dúvida de uma grande obra de engenharia mas, na verdade, a sensação que fica é a de mais uma obra pública incompleta.

 

*JOSÉ EDUARDO W. DE A.  CAVALCANTI

É engenheiro consultor, diretor do Departamento de Engenharia da Ambiental do Brasil, diretor da Divisão de Saneamento do Deinfra – Departamento de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), conselheiro do Instituto de Engenharia, e membro da Comissão Editorial da Revista Engenharia

E-mail: [email protected]

*Os artigos publicados com assinatura, não traduzem necessariamente a opinião do Instituto de Engenharia. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

COMPARTILHAR