A despoluição da Baia de Guanabara

Muito se tem falado acerca da necessidade da despoluição da Baia da Guanabara, santuário de enorme beleza que orna a “Cidade Maravilhosa”. Este assunto veio à baila com bastante ênfase mais recentemente por força dos eventos olímpicos e paralímpicos. 

Na prática, além do visual, a preocupação se justificava tendo em vista que grande parte das provas náuticas seria realizada nas águas da baia e a boa qualidade desta água seria uma condição imperiosa para a preservação da saúde dos atletas. 

Como a maior parte das obras de poluição não foi realizada, emergiram fatos e boatos acerca das condições sanitárias da baia apontadas como “críticas” a ponto de o Comitê Olímpico internacional cogitar em transferir os jogos para Londres! 

Mas, felizmente, os jogos ocorreram na mais perfeita ordem surpreendendo o Brasil e o mundo com a excelência de nossa organização a ponto de elevar o grau de auto estima do brasileiro bastante afetada até os dias que antecederam os jogos. 

Entretanto, com relação a despoluição da baia da Guanabara, embora muita coisa pudesse ter sido feita, por várias razões acabaram não se efetivando. Sob minha responsabilidade e ao meu inteiro juízo passo a elencar estas razões: 

a) Inicialmente, deve-se dizer, a bem da verdade, que a despoluição da baia da Guanabara no prazo irresponsavelmente acordado se revestiria de uma intervenção “hercúlea” e inimaginável a curto prazo. Seria comparável aos esforços que foram necessários para a despoluição dos rios Tâmisa e do Sena, tarefas que levaram mais de 50 anos para serem concluídas com êxito. Comparativamente, em termos de Brasil, seria como despoluir em curto prazo os rios da bacia do Alto Tietê como o próprio Tietê, Pinheiros, Tamanduateí e seus afluentes que banham uma região onde vivem mais de 20 milhões de habitantes;

b) Na prática, a despoluição da baia da Guanabara só seria possível se houvesse um grande incremento no tratamento dos esgotos sanitários e industriais além da poluição difusa oriundos principalmente das cidades da Baixada Fluminense, cujo índice de atendimento é baixo. Deve-se lembrar que na região metropolitana, convivem caoticamente espremidos entre a montanha e o mar cerca de 10 milhões de habitantes.

c) Percebe-se com essas constatações que seria necessário um grande aporte de recursos (inviável atualmente) para todas estas intervenções numa região carente de infraestrutura sanitária.

Diante deste quadro,dada a carência de recursos financeiros, e da baixa relação resultante de benefício-custo, é compreensível que as autoridades nas várias esferas de governo acabaram por priorizar outras demandas da sociedade carioca como o transporte rodo e ferroviário além de viabilizar como um todo as Olimpíadas e Paralimpíadas.

Desta forma, o Comitê Olímpico Rio 2016 não deveria ter se comprometido por ocasião da candidatura da cidade em sediar a Olimpíada e a Paralimpíada na tarefa de sanear a baia da Guanabara até o início dos Jogos. Soou ilusória como se verificou. Agora estão sendo “cobradas”.

De qualquer forma, urge prosseguir nos esforços de despoluição da Baia da Guanabara para que se complete o legado desejado, mesmo que as custas de um prazo mais longo.

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