Saudação de José Roberto Bernasconi, presidente Nacional do Sinaenco e ex-presidente do Instituto de Engenharia, na ocasião da entrega do título de Eminente Engenheiro do Ano 2014

Senhoras e Senhores.

Meu caro amigo e distinguido colega Engenheiro Romeu Chap Chap

A amizade, o respeito e a admiração por Você e por tudo aquilo que V. tem conseguido realizar são o combustível desta modesta manifestação na noite memorável em que o nosso Instituto, casa da Engenharia paulista e brasileira desde 1916, reconhece em um de seus membros, as condições diferenciadas para outorgar-lhe o galardão de Eminente Engenheiro do Ano de 2014.

O IE faz isso há 51 anos, tendo gerado uma nova tradição que se estendeu por quase todas as entidades profissionais e empresariais do país.

Ao fazê-lo (e o faz consultando uma imensa gama de pessoas e instituições) o IE declara, alto e bom som, que identificou um “Primus inter Pares”, alguém que indubitavelmente, é fora de série, diferenciado, especial, melhor.

Pois é este o caso do nosso colega Romeu Chap Chap.

E, meus caros amigos, senhoras e senhores, na tarefa de saudá-lo, o primeiro grande desafio é encontrar o tom adequado, porque o nosso Eminente Engenheiro apesar de muito ativo e realizador é modesto e simples na sua essência. Tento não ser demasiado formal e eloqüente, para não contrariar sua maneira de ser.

Pelo protocolo é meu dever fazer um brevíssimo resumo de seu curriculum.

Vou fazê-lo, mas uma descrição mais detalhada será encontrada nas publicações do IE.

Nascido em 13 de outubro de 1933 (libriano, com ascendente em Touro), em São Paulo, filho de Salim Chapchap e de Dª Naziha Kairala, ambos imigrantes libaneses, ambos nascidos em Hasbaya.

Nos 37 anos em que estiveram casados tiveram 2 filhas, Leila e René e 3 filhos, Ramis, Romeu e Roberto.
Moravam numa casa da Rua Cubatão, no bairro paulistano do Paraíso, tradicional reduto de imigrantes libaneses e onde, depois, Romeu construiu muitos de seus empreendimentos imobiliários.

Faz o curso fundamental no Grupo Escolar Rodrigues Alves, que ainda existe na Av. Paulista.

Ingressou em 1955 na Universidade Mackenzie, tendo concluído o curso de engenharia, nas modalidades civil e elétrica, em 1959.

É casado com a advogada Ivone Zeger e tem três filhas de seu primeiro casamento (Mara, Regina e Luciana), que já lhe deram 4 netos (3 meninas e um menino).

Não disponho de tempo para contar aqui as histórias saborosas de suas iniciativas buscando trabalho, desde a mais tenra idade. Para conhecer melhor as aventuras juvenis de nosso homenageado os convido à leitura deste livro, “Romeu Chap Chap – uma vida em construção”, lançado em 2007. É uma leitura fácil, agradável e surpreendente!

Voltando aos tempos do Mackenzie, ainda no 4º ano do curso de Engenharia, sua inquietação empreendedora o levou a alugar um escritório na Barão de Itapetininga e a vender seu fusquinha, e, junto com Anuar Hindi, pode comprar um terreno e, assim, iniciou a construção de suas duas primeiras casas no bairro de Indianópolis.

Formou-se em 1959, e a convite do Gov. Carvalho Pinto, paraninfo de sua turma, foi trabalhar no IPESP com jornada de trabalho das 12 às 18h.

Durante 3 anos a jornada dupla coexistiu até que se demitiu do IPESP e dedicou-se à sua empresa por mais de 40 anos, tendo construído mais de 100 edifícios, Shopping Centers, Flats etc, granjeando o respeito e admiração de seus pares e do mercado pela alta qualidade de seus empreendimentos.

Hoje se dedica à Consultoria Imobiliária bem como à incorporação de empreendimentos.

Sua atuação institucional está registrada em diversas entidades de classe. Iniciou-se em 1970 no Centro e na Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio), onde foi diretor até 1978 e acompanhou discussões relativas à questão urbana.

Chap Chap começou a participar do Secovi-SP em 1970. Em 1981, foi eleito presidente. Cumpriu duas gestões consecutivas (81 a 87). Na sequencia, presidiu o Conselho Consultivo da entidade (1987 a 1993).

Voltou a liderar a entidade na gestão 2000/2002, sendo reeleito sucessivamente para mais três mandatos até 2007. Sua administração se caracterizou por um objetivo muito claro: exercer uma atuação essencialmente política, centrada no corpo a corpo com autoridades governamentais e imprensa, projeto consubstanciado na política “Olho no Olho”, que totalizou centenas de audiências com autoridades governamentais, nos níveis federal, estadual e municipal e inúmeras visitas de personalidades à sede do Sindicato.
Nas palavras do próprio Romeu, podemos compreender a sua visão do que seria necessário fazer:

“Durante os anos em que atuei à frente do Secovi, uma das minhas principais prioridades sempre foi fazer com que esse órgão adquirisse representatividade política e se tornasse uma instituição vista e ouvida com respeito e credibilidade, seja pelo governo, seja pela imprensa e pela opinião pública em geral. Essa era, a meu ver, a única forma de abrir um diálogo consistente e duradouro com o poder público e com a sociedade, fazendo com que as reivindicações e propostas do setor da construção civil produzissem resultados práticos, capazes de contribuir concretamente para a melhoria do complexo problema da habitação no Brasil.”

E ao longo dos anos, incansável em sua busca, multiplicando-se em centenas de ações, e com o apoio de um notável elenco de jovens líderes empresariais e de equipe competente e dedicada de funcionários, colocou o Secovi na posição de destaque que hoje, merecidamente, ocupa.

Além disso, ocupou as seguintes funções: presidente da Fiabci/Brasil – Capítulo Brasileiro da Federação Internacional das Profissões Imobiliárias (1988 a 1994); presidente do Comitê da América Latina da Fiabci Mundial (1987 a 1989); presidente mundial da Fiabci para as Américas (1994 a 1995); vice-presidente da Abrasce – Associação Brasileira de Shopping Centers (1992 a 1997). Também foi vice-presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) até 2014.

Desde 1980, Chap Chap frequenta os congressos mundiais da Fiabci. Foi dos primeiros brasileiros a proferir palestra no Exterior sobre a potencialidade e as oportunidades do mercado imobiliário nacional, fato que se repete regularmente, também a convite de outras organizações internacionais.

O conjunto dessas atuações justifica as 16 premiações como “Líder Empresarial”, conferidas pelo extinto Jornal Gazeta Mercantil.

Recebeu os títulos de “Empresário Internacional” em 2008, no Barcelona Meeting Point e o título de Honra ao Mérito Empresarial da GCSM – Global Council Sales Marketing (Conselho Global de Marketing de Vendas), em 2012.

Por sua liderança e militância em prol da indústria imobiliária, Romeu Chap Chap é chamado por muitos de “O Senhor Habitação”.

Atualmente, coordena o Núcleo de Altos Temas do Sindicato, o NAT (que reúne lideranças de diversos segmentos econômicos, sociais e culturais), é diretor conselheiro da Fiabci/Brasil e da ADVB (Associação Brasileira de Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil), dentre outras funções em diferentes entidades.

Procurando ser fiel e verdadeiro, fui buscar informações, opiniões e impressões sobre a personalidade do Romeu junto a várias pessoas, auscultando antigos subordinados, colegas, amigos e pessoas próximas.

Objetivo: somar as minhas próprias impressões, desenvolvidas ao longo de mais de 3 décadas de convivência com as de muitas pessoas que tiveram a oportunidade de conviver, trabalhar, viver com o Romeu Chap Chap.

Passo, então, agora, a citar, entre aspas, várias declarações sobre a maneira de ser e de agir do Romeu, preservando “as minhas fontes”.

De um líder setorial:
“ É meu mentor há 25 anos. Só fala coisas boas e de interesse coletivo. Nunca o ouvi falar algo em defesa de seu próprio interesse individual…”

“…O Presidente X é meu irmão, mas o Romeu é meu Pai…”

“…Em qualquer lugar do mundo, no mercado imobiliário, o nome dele é conhecido: Miami, Dubai, Singapura, Kong Kong. Ninguém tem a projeção que ele tem…”

De um ex-Presidente de entidade:
“…quando eu assumi pela primeira vez a Presidência, Romeu me alertou: fique atento e se esforce para agradar a metade dos associados. Se achar que agradou a 100% desconfie de que algo está errado…”

“… Ele é autêntico. Ele é sempre igual para qualquer pessoa. Seja o operário, o Governador, a filha, o Presidente da República ou o faxineiro. Sempre o mesmo timbre de voz…”

“… Sempre de bem com a vida.

“… Bem humorado. Leva tudo numa boa…”

“… Não tem tempo ocioso. Sempre ocupado com alguma coisa…”

“… Nadador, esportista, desde sempre.

“… Já fez todos os tipos de esportes, incluindo os radicais: asa delta, esqui aquático com paraquedas etc…”

“… Não sofre por antecipação. Não se preocupa com o que ainda não aconteceu. Enfrenta os desafios com os pés no chão…”

“… Não cultiva o negativo. Acredita nas pessoas até prova em contrário…”

“… Extremamente determinado. Não vê obstáculo intransponível. Pra ele tudo é possível…”

“… Adora viajar. Já fez perto de 300 viagens internacionais…”

“… Viaja pra caramba. É um eterno viajante…”

“… Dedicado e perfeccionista. Cada prédio foi construído com muito cuidado, com muito capricho…”
“… Sua produção imobiliária é de tal qualidade que virou grife. O cliente comprava um Chap Chap e não vendia, só alugava…”

“…Tem gosto, amor e prazer pelo trabalho e pela causa da habitação…”

“… Característica principal: energia juvenil, inesgotável…”

“… É um animal político por excelência. Sua energia é infindável. Tenacidade impressionante. Resistente.
O Romeu não desiste nunca…”

“… Apesar de ter recebido muitos convites nunca aceitou cargos políticos…”

“…Coração enorme. Relação de amizade muito forte com todos…”
“… Apaziguador, manteve o Secovi unido. Vida dedicada ao setor…”

“… Agregador, assim reuniu pessoas e talentos. Fez o SECOVI crescer e ganhar espaço na mídia e ser reconhecido na sociedade…”

“… Ele não cabe dentro dele mesmo, tão grande é seu talento e dimensão…”

“… Até os anos 70 o setor imobiliário não estava na tela. Não era considerado e não era organizado. Aí se viu o talento do Romeu para fazer o Secovi ganhar espaço, força e reconhecimento social e político
Exemplo: a coluna Secovi, no Estadão…”

“… A veia internacional do Romeu o levou à FIABCI. Seu primeiro Congresso foi em Atenas, no início dos anos 80, e a partir daí, recolheu idéias e exemplos de boas práticas internacionais que trouxe para o Brasil.
Exemplos: O Projeto Cingapura, o City Manager; os Fundos de Investimento Imobiliário, as Operações Interligadas, o Leilão de Imóveis entre outros…”

E, informação interessante:
“… Um dos mestres de obra do Romeu, na Construtora Chap Chap, virou líder sindical dos trabalhadores. É o hoje Deputado Ramalho, presidente do SINTRACON…”

Compartilho das impressões trazidas pelos seus amigos e colaboradores, pois tenho tido o privilégio de testemunhar a dimensão de seu prestígio internacional nos últimos anos, participando dos Congressos da FIABCI e de 3 edições do MIPIM, em Cannes.

Mas devo destacar aqui algo que o diferencia e qualifica ainda mais.

É a combinação de sua ousadia em propor idéias, ousadia calibrada por uma incrível habilidade na sua formulação.

Chamaria de “ousadia no conteúdo e habilidade na forma.”

Essa competência foi lapidada em 30 anos de interlocução com 5 Presidentes da República, dezenas de Governadores, Prefeitos, Ministros e Secretários de Estado.

Exemplo disso foi seu discurso de homenagem ao Ex-Presidente Lula, em Julho/2011, quando demonstrou que cada período governamental acrescentou algo positivo na nossa evolução e que o mérito de cada contribuição tinha que ser reconhecido e respeitado por fazer parte de nossa história.

Ouçam trechos dessa fala em que Romeu lembrava a frase de De Gaule: – “Quando a construção vai bem, tudo vai bem no país.”, e prestava homenagem ao ex-presidente, destacando o apoio que o Governo Lula dera à Construção.

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Apesar de ainda criticado, o período militar foi o que chegou a uma das maiores e mais importantes conquistas de nossa economia, com a criação do BNH e do Sistema Financeiro da Habitação, o SFH.

Poucos brasileiros sabem que, não fosse aquela aposta dos militares na indústria da construção, seguindo o preceito de De Gaulle, Lula não teria conseguido fazer do Brasil essa bola da vez de primeira grandeza que é hoje.

Depois, veio a Nova República. Por mais que tivesse errado, Fernando Collor de Mello foi quem nos brindou com a tão ansiada abertura econômica, sem a qual Lula também não teria alcançado sucesso na construção desse novo “Brasil Grande” que aí está.

Em seguida, tivemos Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, a quem peço aplausos…

Os dois nos agraciaram com novos marcos regulatórios e a necessária segurança jurídica, acabando com o fantasma da inflação. Sem isto, também não teria sido possível, a Lula, fazer esse surpreendente “up grade” no nosso querido Brasil.

Em suma, tudo o que Lula fez até aqui pelo País- e não foi pouco – só pôde ter sido viabilizado graças a esses feitos heróicos de nossa História.

São atos de quem, como De Gaulle e Lula, teve a grandeza e a perspicácia de enxergar, na indústria da construção, a verdadeira saída rumo ao desenvolvimento sustentado.

São feitos gloriosos de quem foi capaz de entender com rapidez que só por essa via – da aposta na indústria da construção – poderemos fazer do Brasil um país melhor, realmente de Primeiro Mundo.
São feitos que precisam ser reconhecidos, valorizados e estimulados.

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Mais para o final, Romeu declara:

A franqueza e a honestidade me obrigam agora a admitir que a maioria de nós, do setor imobiliário, não é petista nem provavelmente votou em Lula e em Dilma.

Mas essa mesma franqueza e honestidade também me obrigam dizer que não poderíamos jamais deixar de reconhecer esse valoroso empenho de Lula e da Presidente Dilma em prol da atividade da construção e, portanto, do País.

Sim, porque – como já vimos – todo homem público e todo empreendedor que aposta na construção está apostando no desenvolvimento Nação.

Trechos extraídos do discurso de Romeu Chap Chap na Solenidade de entrega do Prêmio Personalidade 2011, da Revista Vida Imobiliária ao Ex Presidente Lula e a Eduardo Gorayeb, da Rodobens, em 25/Julho/2011, no Clube Monte Líbano.

Temos aqui nesta peça oratória, um exemplo precioso de Diplomacia Empresarial de alta qualidade, disciplina na qual Romeu Chap Chap é mestre!

Depois de ouvir muitas pessoas, ler seus depoimentos e procurar recordar-me de minhas próprias impressões fruto do convívio com o Romeu saí em busca de um resumo e de um fecho. (Afinal eu preciso encerrar esta fala!!…)

A capacidade e a necessidade permanentes de sonhar de nosso homenageado e de trabalhar incansável e obstinadamente para torná-los em realidade imediatamente o qualificam e podemos, portanto, afirmar que o Eminente Engenheiro de 2014 é um jovem, visionário, líder, empreendedor, construtor, realizador e um excepcional ser humano, um tremendo BOM CARÁTER.

Sua juventude gera sonhos permanentemente e sua energia e seu espírito empreendedor e construtor o impulsionam para realizá-los. Sua liderança mansa, porém firme, orienta o grupo e, se necessário, o conduz.

E ainda mais:

Sua capacidade agregadora atrai os talentosos líderes que o acompanham e que, estimulados pelos seus exemplos, vão assumindo papéis destacados, garantindo continuidade e qualidade à sua obra maior, que é manter vivo o sonho de entregar a casa própria para todas as famílias deste país.

Sendo assim, unimo-nos todos, nos votos de que Deus o proteja e inspire, para que o Brasil, a engenharia brasileira, o nosso IE e o SECOVI, seus familiares e nós, seus amigos e admiradores, possamos desfrutar por muito tempo de seus exemplos, de suas realizações e da camaradagem gostosa e da convivência fraterna com que V. nos brinda a todos.

Parabéns, caríssimo Romeu Chap Chap, nosso Eminente Engenheiro de 2014. 

Discurso de José Roberto Bernasconi,
Presidente Nacional do Sinaenco
Ex-Presidente do Instituto de Engenharia
10/12/2014

Autor: José Roberto Bernasconi

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