Onde aplicar o dinheiro

Quem tem dinheiro disponível para aplicar, vive um momento delicado. Digamos, um bom problema, já que nem todos possuem sobras. 

Os Estados Unidos passaram por uma crise seríssima em 2008 e a EUROPA está vivenciando outra de dimensão equivalente. Os Estados Unidos por descontrole do financiamento imobiliário, turbinado por descontrole do mercado de derivativos e a Europa por indigestão, no caso, de mistura de países completamente diferentes submetidos á unicidade do EURO. Ambos vão encontrar seu caminho, mas ainda levam uns 2 anos no mínimo.
Diante disso o preço do ouro foi para as nuvens. 

A crise já chegou ao Brasil? Tivemos sorte num primeiro momento, pois nosso modelo exportador (frágil e arriscado) baseava-se em exportação de commodities e a sede da China ainda era voraz. Resultado: os preços dispararam e nossas mazelas foram compensadas. 

Como resultado prático – o porquê é demorado para explicar – as taxas de juros (não dos tomadores em Bancos) despencaram. Nossa taxa SELIC hoje é de 8% a.a.
Paralelamente, nossa Bolsa está em níveis mais baixos que os de 5 anos atrás (explicação também demorada) e nossos imóveis subiram a preços exorbitantes, não restando margem para subir e render mais. 

Diante das incertezas, onde aplicar nossas reservas?
Afora aplicações complexas, como hedges/swaps, operações estruturadas, alavancagens, mercado futuro, apostas em moedas, em risco de países etc., o que não recomendo para não especialistas, sobram as aplicações mais convencionais: 

• Renda Fixa 

Com uma taxa SELIC de 8% a.a., descontando-se o imposto de renda nominal de 20%, ou 1,6%, sobram 6,4%. Não vou entrar no detalhe se a aplicação está sujeita a taxa de administração. Se estiver, no caso de Fundos – e a mesma varia de 0,5% a 4% – pode ser melhor que deixar o dinheiro embaixo do colchão, por ser mais seguro, num país com criminalidade impune e polícia pouco eficaz como o nosso. Se não estiver sujeita a essa taxa, depende da inflação e particularmente da inflação pessoal do leitor, que varia, dependendo de seus hábitos de consumo. Um índio analfabeto, assistido por um bom pajé, na Ilha de Marajó, que vive de pesca e se veste com casca de bananeira tem inflação zero. 

Já um consumidor de whiskie escocês com o dólar passando de R$ 1,70 para R$ 2,04 teve uma inflação de 20% em alguns poucos dias. 

Mas se a inflação ficar nuns 5% terá um ganho anual da ordem de 1,4%, algo como 0,12% ao mês. DESTAQUE: em termos reais o aplicador ganhou 1,4% e o Governo 1,6%. O Imposto de renda real não foi de 20% como se alardeia e sim de incríveis 53,3%. Ninguém faz essa conta.
• Renda variável
Eu diria que, salvo alguma catástrofe no mundo árabe, ou uma desconstrução do euro, estamos no limiar de uma boa recuperação de nossa Bolsa, pois mesmo com a nossa economia andando de lado, nesses 5 anos de apatia, muitas empresas ficaram baratas. Mas pode demorar ainda alguns meses. Nossa Bolsa tem uma grande qualidade, que no momento atual se afigura como desvantagem. É muito líquida. Se você quer vender, consegue, Mas como a presença do investidor estrangeiro é muito forte, até por esse motivo, se qualquer investidor, de qualquer pais, precisar fazer caixa rápido é para cá que ele vem. Então em momento de incerteza mundial, pagamos por isso. É líquida, mas extremamente volátil.
• Ouro
É o porto seguro dos grandes investidores, daqueles que ousaram muito para fazer um grande patrimônio e que diante de uma situação mundial complicada, se dispõem até a perder os anéis, sabem que até podem perder uns 30%, mas nunca tudo. O ouro dobrou de preço após a crise americana. Até já esteve mais alto, mas, para nós, mortais comuns, que aparentemente não estamos à beira do abismo, não se afigura como aplicação rentável.
• Imóveis – aquisição
Subiram tudo e mais alguma coisa que tinham direito. Não despencam porque não estamos em crise, mas vão patinar no mesmo patamar por uns bons anos. Sempre poderão surgir oportunidades pontuais, mas a regra é muita oferta e procura prudente.
• Imóveis – locação
Ainda se consegue em alguns casos até 0,4% ao mês, o que comparativamente com renda fixa é excepcional, mas exige muita competência na sua aquisição e administração. Se o vizinho ceder no preço o locatário entrega o imóvel. A inadimplência também pode aparecer, as reformas a cada troca, mais o tempo de espera para relocar, mais a comissão do corretor, mais o imposto de renda fazem, com que às vezes as aparências sejam enganosas.
• Imóveis – Fundos 

Há que se entender de mercado imobiliário, analisar a composição da carteira e ter certeza da idoneidade do administrador. Pode ser uma grande fria. 

Como vemos, o momento é de incerteza. A grande festa acabou, a próxima ocorrerá (porque a memória é curta e todas as novas gerações são ousadas), mas ainda demora um pouco. 

Recado final: cuidado com as aventuras, nestes momentos de incerteza é muito comum milagreiros ofertarem negócios mirabolantes.

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