Livro une Engenharia, política e história do Brasil

Nos últimos sessenta anos, a realidade nacional foi moldada por obras imponentes, como a Via Dutra, a implantação de Brasília, a Usina de Itaipu e a Ponte Rio-Niterói. O livro “História da Engenharia Geotécnica no Brasil”, escrito pelo professor Alberto Sayão, do Departamento de Engenharia Civil do Centro Técnico Científico da PUC-Rio (CTC/PUC-Rio), detalha cerca de 70 grandes obras, em linguagem simples e atraente. 

Além do texto, redigido em português e em inglês ao longo de dois anos, o livro vem ilustrado com mais de cem fotos, muitas delas históricas, e recheado de episódios que marcaram o desenvolvimento do país.
Pioneirismo, coragem, ousadia e competência são detalhes comuns a todas as obras selecionadas. E o livro mostra ainda que a engenharia geotécnica esteve sempre presente no planejamento e na execução dessas obras, em especial no estudo dos solos e das rochas, aliado ao desenvolvimento de novas técnicas de construção. O texto, elaborado com o apoio de um Conselho Editorial que reuniu 20 dos mais renomados engenheiros do país, celebra os 60 anos da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS) e reúne obras desde os tempos do Brasil Império. A importância do livro pode ser evidenciada pelo apoio técnico e financeiro de 42 empresas ligadas à engenharia geotécnica. 

O professor Sayão fala com conhecimento de causa, pois teve participação em alguns dos emblemáticos casos citados, como as escavações na cortina grampeada de Niterói e na Usina Nuclear de Angra, e pesquisas sobre a Barragem de Serra da Mesa e o Terminal Portuário de Sergipe. Sempre ressaltando em sua narrativa as ligações da engenharia com a economia e a história do Brasil, Sayão defende que “não há como separar a realidade política dos investimentos feitos no país”. Desde o Império, com a Estrada de Ferro Rio-Petrópolis, até o final de 2010, com o Rodoanel de São Paulo e a Refinaria do Nordeste, Sayão descreve a evolução da engenharia no país e o quanto isso trouxe de positivo para a economia e a população. Por outro lado, o livro não deixa de citar fracassos históricos, como a Ferrovia Madeira-Mamoré, no início do século XX, e a Rodovia Transamazônica, nos anos 70, ambas implantadas em plena selva tropical, com ambiente extremamente adverso. 

Passeio por uma seleção de obras brasileiras 

Entre os diversos fatos curiosos do livro, o autor cita a enorme dificuldade na estabilização da base do mirante do Corcovado, em 1969, após terem sido detectadas fendas profundas no alto do morro, a 700m de altitude. Com essas condições, os riscos e a sensação de vertigem eram enormes e a rotatividade na equipe era constante. No entanto, as obras de drenagem e estabilização foram concluídas ao final de um ano de trabalho, com o uso de 270 tirantes (barras de aço) para reforço do maciço rochoso. 

Sayão revela também detalhes da construção da Ferrovia Curitiba-Paranaguá, ainda no século XIX, cujo traçado incluiu muitos viadutos e túneis para vencer uma serra de 955 m de altitude, com 110 km de extensão. Segundo o autor, esta ferrovia é reconhecida como uma verdadeira obra de arte da engenharia brasileira e ainda hoje é um dos destinos turísticos mais procurados no sul do país. 

Outro destaque no livro foi a construção do Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso, no Nordeste. Com o inédito desvio e controle do Rio São Francisco e a instalação subterrânea da usina a 80m na rocha, a engenharia brasileira conquistou definitivamente o reconhecimento internacional. 

O livro discorre ainda sobre a construção da Rodovia dos Imigrantes, em São Paulo, na década de 70, apontada como a maior obra de engenharia rodoviária da América Latina. Em uma época em que questões ambientais não tinham ainda a importância de hoje, a Imigrantes procurou respeitar ao máximo as condições topográficas e geológicas da Serra do Mar, dando origem a uma obra moderna, com poucas curvas, 11 túneis e 20 viadutos, um dos primeiros exemplos nacionais de preservação do meio ambiente.
Perspectivas da construção no Brasil 

O livro traz um capítulo final sobre as perspectivas e as tendências da engenharia geotécnica para a próxima década. O autor enfatiza a importância dos novos materiais, do monitoramento da segurança das obras, e os avanços tecnológicos nas áreas de fundações, barragens, túneis, estradas, portos e offshore, mantendo o foco nas demandas ambientais, cada vez mais importantes. Sayão destaca ainda o potencial e as oportunidades que se apresentam com a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 e finaliza o texto com uma mensagem otimista sobre o futuro da engenharia brasileira. 

Sobre o autor
Alberto Sayão, engenheiro civil formado pela PUC-Rio e doutor em engenharia geotécnica pela University of British Columbia (Canadá), foi presidente da ABMS de 2004 a 2008 e é professor e pesquisador na PUC-Rio desde 1980.
Título: História da Engenharia Geotécnica no Brasil / 60 anos da ABMS
Autor: Alberto Sayão
Editora: Andrea Jakobsson Estúdio Editorial
Categoria: História
Formato: 21 x 28 cm, capa dura
Páginas: 252
Preço: R$ 80,00 (oitenta reais)

Autor: Assessoria de imprensa

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