País amplia exportação a China, Rússia e Índia

A crise econômica e as dificuldades enfrentadas pelos exportadores brasileiros estão mudando a geografia do destino das exportações do País, em processo cada vez mais rápido. Desta maneira, o aumento das relações comerciais com parceiros estratégicos, como Rússia, Índia e China, integrantes, junto com o Brasil, do BRIC, possibilitou uma forte inversão no sinal da balança comercial brasileira com esses três países, ao passar de déficit de US$ 1.781 bilhão para um superávit de US$ 2.757 bilhões, na comparação entre os cinco primeiros meses de 2008 e deste ano. 

De acordo com o professor do departamento de economia da ESPM, Frederico Turolla, a inversão do resultado do comércio exterior positivo para o Brasil deu-se por dois fatores. O primeiro foi a queda nas importações brasileiras e o segundo pelo redirecionamento das compras de produtos brasileiros que passaram a ser efetuadas em maior quantidade por esses países. 

As compras feitas pelo Brasil de produtos dos três países, de acordo com as projeções da Pezco Consultoria, devem, na sua maioria, manter uma tendência de queda. Até o final do ano, a Rússia perderá 10% de suas exportações, enquanto a China terá uma queda em suas vendas de 15% e a Índia apresentará um crescimento de 5% em seu comércio. No caso do Brasil, conforme o estudo, o nível de exportações para o grupo permanecerá igual ao do ano passado. 

As importações brasileiras vindas da China, nos cinco primeiros meses do ano, representam 4,5% das compras do Brasil para o país, enquanto em 2008 o montante era de 6,7%. Com relação à Índia houve queda nas importações de diesel, ao passar de 30% em 2008 para 8% este ano. No entanto, o comércio com a Rússia inverte essa tendência por conta do crescimento nas importações de ureia e enxofre. 

No período de janeiro a maio deste ano o Brasil aumentou suas exportações dos principais produtos vendidos aos países do BRIC, informou o professor de economia do Mackenzie, Francisco Américo Cassano. “As vendas para a China de minério de ferro e soja passaram de 57% do total negociado entre os dois países no ano passado para 68% em 2009, enquanto para a Índia a exportação de açúcar e sulfeto de cobre era equivalente 10% do comércio bilateral e hoje aumentamos para 56%. Com relação a Rússia, nós aumentamos para 79% as vendas de carne bovina, açúcar bruto e carne suína, e em 2008 o percentual era de 61%”. 

A principal parceria comercial do Brasil acontece com a China, nação que apresenta o maior crescimento mundial e que atualmente, ocupa a primeira colocação no comércio bilateral brasileiro.
Durante o mês de maio, o comércio bilateral com a China somou US$ 3.124 bilhões, sendo o saldo de US$ 996 milhões favorável ao Brasil em decorrência das exportações em US$ 2.060 bilhões e das importações de US$ 1.064 bilhões. 

A colocação chinesa como principal parceira comercial do Brasil poderá influenciar com maior intensidade a balança brasileira nos próximos meses, uma vez que o Brasil e a China irão comercializar seus produtos com suas moedas locais. 

O início das transações comerciais com a utilização Sistema de Moeda Local (SML), que elimina o dólar das transações comerciais, foi marcado para o mês de junho, em caráter experimental, e deverá ser apresentado em julho pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). 

A expansão do SML para os demais países do Bric tem sido largamente discutida durante as reuniões entre os chefes de estado dos países do grupo. 

Segundo o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Roberto Mangabeira Unger, há grandes preocupações com o futuro do dólar entre os países integrantes do BRIC. “A primeira está relacionada ao temor dos países com as grandes reservas em dólar. Eles correm o risco de ter desvalorizadas suas reservas a partir de uma eventual queda abrupta ou substancial da moeda norte americana”, disse. 

De acordo com o Cassano, o Brasil deve pegar uma carona no crescimento da China. “Devemos vender produtos para os chineses e utilizá-los como exemplo de expansão para que o Brasil tenha maiores possibilidades de crescer diante da crise mundial”, explicou o professor.
Índia 

O comércio bilateral entre o Brasil e a Índia no mês de maio apresentou números surpreendentes, em razão do aumento nas exportações de minérios, afirmou o professor Turolla. 

O aumento em 54,32% no valor das exportações e a queda de 48% nas importações de produtos indianos, possibilitou que a balança comercial do mês apresentasse superávit, fato este que não ocorria desde 2004. 

A corrente de comércio com a Índia registrou US$ 332 milhões, sendo o saldo de US$ 142 milhões favorável ao Brasil em decorrência das exportações em US$ 237 milhões e das importações de US$ 94 milhões. 

Rússia
Entre todos os países do Bric, a Rússia mantém a menor relação bilateral com o Brasil, no mês passado, no entanto houve um aumento nas transações bilaterais. A corrente de comércio finalizou em US$ 325 milhões e o saldo em US$ 211 milhões. As exportações fecharam o mês em US$ 268 milhões, da mesma maneira, as importações atingiram os US$ 56 milhões. 

Mesmo se denominando mais pessimista dentre a média dos economistas, Turolla disse que os BRICs deverão sair primeiro da crise, “mas não tão rápido quanto se espera. No segundo semestre haverá uma pressão sobre os mercados de capitais, isso vai pressionar economias dos BRICs. O mercado está superestimando o valor da crise, é otimismo exagerado. Temos uma recuperação pequena neste momento, nada muito grande”, concluiu.

Autor: DCI