março, 2026

2026qua25mar(mar 25)09:00qui30abr(abr 30)22:00Casa Superlimão marca presença na Bienal de Arquitetura Brasileira com projeto que une saberes ancestrais e novas tecnologias09:00 - (abril 30) 22:00 Área externa da marquise, entre o Pavilhão das Culturas Brasileiras e o Museu Afro Brasil Visitação gratuitaTipo de evento:Agenda,Apoio Institucional,Encontros

Detalhes do evento

A Casa Superlimão integra a programação da primeira edição da BAB (Bienal de Arquitetura Brasileira), que acontece de 25 de março a 30 de abril, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Instalada na área externa da marquise, entre o Pavilhão das Culturas Brasileiras e o Museu Afro Brasil, a construção poderá ser visitada gratuitamente pelo público.

Neste projeto, a investigação parte das diferentes formas de construir no Brasil, articulando saberes vernaculares e tecnologias contemporâneas a partir da relação entre arquitetura, território e clima, em diálogo direto com as questões propostas pela BAB.

Essa articulação se expressa na própria concepção do projeto, que adota um desenho hexagonal como estrutura espacial que combina a racionalidade da forma quadrada com a eficiência estrutural da forma circular, aproximando a casa de padrões recorrentes na natureza.

Para Lula Gouveia, engenheiro civil, arquiteto e sócio do Superlimão, o projeto propõe olhar para o futuro da construção a partir de conhecimentos acumulados ao longo do tempo. “A arquitetura sempre respondeu ao clima, ao território e às condições disponíveis. Muitas soluções que hoje chamamos de tradicionais surgiram dessa inteligência construtiva. O projeto revisita esses saberes e os coloca em diálogo com as tecnologias atuais.”

Entre as estratégias adotadas está o uso de um piso elevado, solução presente em diferentes regiões do Brasil, das palafitas do norte, adaptadas a áreas sujeitas a inundações,às casas elevadas do sul, utilizadas para proteger contra o frio. Além de funcionar como proteção, o sistema cria uma camada de ventilação sob a edificação, contribuindo para o conforto térmico e reduzindo o impacto sobre o terreno ao preservar a permeabilidade do solo. No projeto, essa base é executada com madeira de reuso, incorporando um material que carrega uma história anterior e ganha um novo ciclo de uso.

A investigação sobre sistemas construtivos se estende aos elementos estruturais. Os pilares são produzidos com impressão 3D em concreto, técnica ainda pouco utilizada no Brasil e explorada no projeto como parte de um campo emergente de fabricação digital, e partem de uma lógica biomimética inspirada no corte transversal do caule das folhas de bananeira. Nessa estrutura natural, cavidades e fibras se organizam de forma a equilibrar leveza e resistência, princípio que orienta o desenho dos pilares.

A partir dessa lógica, os elementos adotam uma configuração alveolar, que permite reduzir o volume de material sem comprometer o desempenho estrutural, resultando em peças mais leves, resistentes e eficientes no uso de recursos. A fabricação digital viabiliza esse sistema ao permitir o posicionamento preciso do material, aplicado apenas onde é necessário incorporando uma tecnologia que ainda se encontra em processo de difusão e que amplia o campo de possibilidades construtivas. Nesse sentido, o projeto passa a testar e incorporar tecnologias emergentes como exercícios, articulando referências históricas e investigação sobre o futuro da construção.

Além de diminuir o consumo de cimento e, consequentemente, o impacto ambiental, as cavidades internas também possibilitam integrar infraestrutura e sistemas hidráulicos no interior dos próprios elementos estruturais.

“A biomimética orienta o projeto ao olhar para a natureza como referência de eficiência no uso de recursos. Ao incorporar esses princípios, a arquitetura passa a trabalhar com menos matéria, menos desperdício e maior desempenho, alinhando construção e sustentabilidade de forma integrada”, afirma o arquiteto.

Na cobertura, a casa adota uma estrutura recíproca em madeira engenheirada, na qual cada peça apoia e é apoiada pelas demais, formando um sistema interdependente que distribui melhor os esforços estruturais. Inspirada em padrões encontrados na organização de folhas e flores, essa configuração resulta em uma estrutura leve e resistente. “É um sistema em que todas as partes trabalham juntas. Existe uma lógica coletiva na estrutura, muito próxima do que vemos na natureza.”

Já nos fechamentos laterais, o projeto retoma um elemento recorrente da arquitetura brasileira, o cobogó, que permite a passagem de ar e luz e favorece a ventilação cruzada permanente. As paredes são compostas por painéis de lã de PET reciclado, que aliam reaproveitamento de resíduos a desempenho térmico e acústico, enquanto, nas áreas opacas, recebem acabamento com revestimento natural de terra, permitindo que as superfícies funcionem como paredes respiráveis e contribuam para a regulação da umidade interna.

Essas estratégias configuram um ambiente eficiente, no qual a ventilação cruzada é complementada por uma claraboia central, responsável por ampliar a entrada de luz natural e favorecer a saída do ar quente. Ao mesmo tempo, o projeto amplia a relação entre interior e exterior ao valorizar a vista do parque enquadrada pelas janelas e pelos cobogós, incorporando-a diretamente à experiência espacial.

Apesar da linguagem contemporânea, o projeto dialoga com referências reconhecíveis da arquitetura brasileira, evocando estruturas como ocas indígenas, coretos de cidades do interior e construções vernaculares abertas e permeáveis. “A ideia foi trazer algo com que qualquer brasileiro pudesse se identificar, independentemente da região em que vive.” afirma Lula.

Ao reunir técnicas tradicionais, sistemas naturais e tecnologias digitais, a Casa Superlimão sintetiza a reflexão proposta pela Bienal e aponta para uma arquitetura brasileira que
reconhece no território, no clima e nos saberes vernaculares não um passado a ser superado, mas um repertório ativo, capaz de se atualizar e ganhar novas formas a partir das tecnologias e ferramentas do presente, incluindo abordagens como a biomimética, que aproximam a construção de lógicas mais eficientes e integradas à natureza, ao mesmo tempo em que ampliam o campo de investigação sobre o futuro da arquitetura.

Serviço

Casa Superlimão
Bienal de Arquitetura Brasileira
25 de março a 30 de abril, das 9h às 22h
Área externa da marquise, entre o Pavilhão das Culturas Brasileiras e o Museu Afro Brasil
Visitação gratuita

PROJETO / Project: Casa Superlimão Ficha Técnica / Data Sheet Arquitetura / Architecture: Superlimão Equipe de Arquitetura / Architecture Team: Antonio Carlos Figueira de Mello, Diogo Matsui, ináia Botura, Leticia Domingues, Leticia Reis, Lula Gouveia, Thiago Rodrigues, Vitória Mendes. Ano / Year: 2026 Endereço / Address: R. Aspicuelta, 205 – Alto de Pinheiros, São Paulo – SP, 05433-010 Fotos / Fotografia: Fornecedores / Suppliers:

Projeto Estrutura concreto Pasqua & Graziano associados Gerenciamento Projeto – Tools Engenharia – @toolsengenharia Gerenciamento e Execução Obra – Edifisa Engenharia – @edifisaengenharia Projeto Luminotécnico e Luminárias – Samlux Iluminação – @samluxiluminacao Lã de Pet – Trisoft – @trisoftoficial Mão de Obra Lã de Pet – Amazonia Moveis – @amazoniamoveisoficial Piso de Madeira – Tetrus – @tetrusmadeira Cobertura – Omni Trade – @omnitradebrasil Painel Lona Tensionada – Dress All – @dress.all Estrutura de Madeira – Rewood – @brarewood Revestimento de Terra – Taipal – @taipalbrasil Impressão 3D Pilares – Portal 3D – @_portal3d Oculus Cobertura – Vaique – @vaique.vaique Consultoria Bioclimática – CTE – @cte_consultoria Esquadrias de Aluminio – Alumitemper Esquadrias de Aluminio – @alumitemperesquadrias
Paisagismo – Kawai Garden – @kawaigarden Destinação – Instituto de Engenharia – @institutodeengenharia Audio e Vídeo – Vshhh – @vshhh.cine Equipamentos – Madloc Locadora – @madloc.locadora Materiais – Atlanta Materiais – @atlanta_materiais Apoiadores e Parceiros – @abra.cime, @protendemhk, @nidus_usp, @hubic.inovacao, DCLab e CN2 – Smart Construction, @sketchup_official

Hora

Março 25 (Quarta-feira) 12:00 - Abril 30 (Quinta-feira) 22:00

Localização

Área externa da marquise, entre o Pavilhão das Culturas Brasileiras e o Museu Afro Brasil Visitação gratuita

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