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Por que dos impasses em relação ao Morumbi?

Todas as cidades escolhidas como sede de jogos da Copa levaram os seus projetos para o Comitê Organizador da Copa 2014. Receberam algumas sugestões de alterações, sem maiores problemas. Exceção, mais uma vez, com São Paulo e com o Morumbi. 

Ainda não foram resolvidos alguns dos impasses, refletindo implicâncias de um lado e teimosia de outro. A Fifa insiste na infraestrutura para hospitalidade dos seus patrocinadores e para as transmissões de TV. 

O São Paulo resiste, por falta de entendimento ou porque não quer financiar essa parte, repassando para o Poder Público. 

O problema não está apenas no atendimento às exigências da Fifa para a Copa 2014, mas no que fazer depois. Para o Mundial será necessário todo um aparato de infraestrutura para as televisões do mundo. Depois, apenas uma parte será utilizada para a mesma finalidade. 

O estádio para a abertura deverá ter toda uma infraestrutura para o atendimento do público VIP e VVIP, que são os convidados da Fifa e dos seus patrocinadores. 

Seria o caso de empreender um condomínio de alto padrão (AAA), com partes residenciais, hotelaria, comércio e serviços junto ao estádio? As exigências interestádio parecem ter sido resolvidas ou equacionadas. Faltam as extra estádio, permanecendo o impasse em relação ao estacionamento, quando a solução mais adequada já existe. 

O local mais adequado para o estacionamento, com 4.000 vagas é junto à Estação Vila Sônia do Metrô. Ou junto à Estação Morumbi. Nesse caso, com menores áreas disponíveis. Será um estacionamento de transferência, a cargo da concessionária da linha, a Via Quatro, uma subsidiária da CCR, dessa forma, uma empresa do grupo Camargo Correa. 

A Camargo Correa seria a principal parceira do São Paulo Futebol Clube na reforma do estádio do Morumbi, sendo a construtora encarregada das obras. Ela tem interesse na construção também do estacionamento. A sua contratação para as obras do Estádio independem de licitação, uma vez que se trata de uma relação duplamente privada. Já o estacionamento, proposto por ser em via pública, dependerá de licitação. 

A Via Quatro, como concessionária da linha 4 do Metrô (Vila Sônia – Luz), dentro de uma PPP (Parceria Público-Privada) é responsável pelo suprimento dos trens e sistema de controle já em andamento. E será responsável também pela operação, com o direito à cobrança das tarifas. Como exploradora dos serviços, tem grande interesse no aumento da demanda, para o qual deverá contar com um Terminal de ônibus junto à Estação Vila Sônia, e a exploração de um corredor de ônibus até o Taboão. 

Uma importante demanda será representada pelos moradores de todo o eixo da Giovanni Gronchi, que poderão chegar de carro até a Estação Vila Sônia ou a Morumbi, em regime “park-and-ride” (ou seja, com o estacionamento do veículo) ou “Kiss-and-ride”, ou seja, com uma carona e “beiinhos tchau-tchau”. 

Para atender ao “park-and-ride” deveria empreender ou promover a construção de grandes estacionamentos de 3 a 4 mil vagas, podendo se multiplicar em diversos estabelecimentos. O acesso das áreas do Jardim Sul ou do Portal do Morumbi a estação Vila Sônia envolve a passagem por bairros residenciais, sem uma via estrutural. A alternativa estaria na rota Guilherme Dumont Villares e Francisco Morato, com a concorrência do fluxo vindo do Taboão da Serra e cidades além. Já um estacionamento junto á estação Morumbi teria o acesso pelas Avenidas Giovanni Gronchi e João Jorge Saad. 

Tanto num caso, como em outro, não há terrenos desocupados e disponíveis, requerendo sempre desapropriações. 

No caso da Vila Sônia poderiam ser utilizados terrenos já desapropriados pelos Metrôs, funcionando como canteiros de obras que poderiam ficar liberados, depois de concluída a obra civil. A praça Roberto Gomes Pedrosa, em frente ao Estádio do Morumbi, é um ponto de conexão dos fluxos vindo pela Avenida Morumbi e Giovanni Gronchi, podendo comportar um estacionamento de conexão que atenderia também ao estádio, nos dias de jogos. No entanto, está a cerca de 1,5 km da estação Morumbi, do Metrô. 

Não é uma grande distância para os espectadores de jogos, mas excessiva para o “park-and-ride”. Uma alternativa seria um sistema rápido o que está previsto como um monotrilho entre o Aeroporto de Congonhas e a estação Vila Sônia. Poderia então haver uma estação junto ao Estádio. Ademais é preciso considerar a questão tarifária, vis a vis a viabilidade econômica. 

O modelo atual de uma tarifa de R$ 7,50, para 12 horas, com direito a duas passagens de metrô (ida e volta) não deixa margem suficiente, nem para um como para outro.
A questão é que quase dois anos após a escolha do Brasil como sede da Copa, sendo São Paulo uma das cidades indispensáveis como sede de jogos, insiste-se em soluções inviáveis para o estacionamento. Sem a busca de alternativas mais adequadas.

Autor: Sinaenco

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