A associação de moradores AME Jardins vai apresentar, na próxima terça-feira,10, estudos a favor do “projeto original da linha 20-Rosa do Metrô”, que vai conectar o ABC Paulista à Zona Oeste da capital.
De acordo com a entidade, inicialmente, o órgão havia projetado acessos mais próximos à Avenida Faria Lima, principal via da região.
No entanto, o traçado trabalhado atualmente prevê apenas duas entradas: na Tabapuã e Jerônimo da Veiga. “Após receber resposta oficial do Metrô, em 2024, informando que a opção pelo novo traçado havia sido baseada em questões de custo, e não em critérios de engenharia, a AME Jardins contratou a Urucuia Mobilidade Urbana para elaborar um estudo técnico sobre o traçado da futura Linha 20-Rosa do Metrô”, esclarece, em nota, a associação.
O levantamento apontou que o trajeto pela Avenida Faria Lima teria maior demanda de usuários, maior retorno financeiro e melhor aproveitamento da infraestrutura, com a possibilidade de implantação de seis estações ao longo da via.
O documento é liderado por Sérgio Avelleda, ex-presidente da CPTM e do Metrô de São Paulo. Ao lado de Ivan M. Whately, vice-presidente de Relações Externas do Instituto de Engenharia, Avelleda já defendeu, em artigo escrito para o Estadão, que “implantar a linha 20-Rosa sem atender ao trecho da Faria Lima seria como construir a linha 02-Verde com o metrô passando pela Alameda Itu, ao invés da Avenida Paulista.
Tecnicamente possível, talvez. Urbanisticamente e funcionalmente, um contrassenso”. Ambos devem participar de uma audiência pública com moradores na Associação Comercial de São Paulo – Distrital de Pinheiros, na terça-feira que vem. O estudo ainda deve mostrar que a estação Fradique Coutinho não teria sido planejada para ter interligações com outras linhas. De acordo com presidente da AME Jardins, Fernando Sampaio, os estudos serão entregues ao Metrô, ARTESP (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), Secretaria Estadual e Municipal de Transportes e Comissão Paulista de Parcerias.
“A AME Jardins é favorável ao projeto do metrô. É um meio de transporte sustentável, tira carros da rua e atende a população que precisa de transporte. Queremos mais estações no eixo da Faria Lima, conforme traçado original”, explica Sampaio. A AME Jardins encaminhará novo ofício ao Metrô para aprofundar o diálogo e cobrar explicações mais completas.
Pessoas próximas ao conselho da AME Jardins contaram, sob reserva, à Coluna, que o estudo foi apresentado à integrantes do governo Tarcísio de Freitas que moram na região, e a recepção foi favorável. Os nomes, no entanto, ainda não se colocaram publicamente favoráveis às mudanças.
O que diz o metrô
Em nota enviada à Coluna, o metrô diz que o percurso foi definido no início do anteprojeto de engenharia, fase que leva em consideração informações técnicas mais precisas para definir o trajeto e a localização das estações. Estudos realizados pela companhia indicam restrições geológicas, limitações de geometria do traçado e intensa verticalização das quadras no entorno da estação Faria Lima, da linha 4-Amarela, o que impossibilita a integração com a 20-Rosa.
O projeto atual trabalha com a integração entre as duas linhas na estação Fradique Coutinho. Imóveis no entorno já começaram a receber notificação de desapropriação.
O Metrô diz que analisou contribuições apresentadas pela AME Jardins, “porém as alternativas sugeridas não comprovaram viabilidade técnica”. A companhia descarta mudanças significativas no desenvolvimento do projeto e diz que mantém diálogo com moradores e comerciantes para esclarecer as decisões adotadas.
A linha 20-Rosa do Metrô está em fase de elaboração do Projeto Básico, que define detalhes de túneis, estações e outros ativos necessários para as operações. A expectativa é atender 1,3 milhão de passageiros por dia.





