Discurso de Eduardo Lafraia, presidente do Instituto de Engenharia, durante cerimônia de entrega do título de Eminente Engenheiro do Ano

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Boa noite a todos.

Estamos aqui para celebrar o Dia do Engenheiro e a premiação do Eminente Engenheiro do Ano de 2017.
Vamos também premiar o incansável trabalho das nossas Divisões Técnicas e agradecer aos associados remidos que têm mais de 35 anos de colaboração.

Quero iniciar ressaltando as profundas transformações pelas quais o mundo passa e o papel que o futuro impõe ao Instituto de Engenharia.

Nos últimos 100 anos, o número de habitantes da Terra mais do que quadruplicou. O que não aumentou foram os espaços disponíveis no mundo e seus recursos naturais. Recursos finitos diante de demandas que crescem exponencialmente e sugerem cenários de estresse como por exemplo, a desertificação, a acidificação dos oceanos, as migrações, a demanda crescente de energia, a poluição química, o lixo urbano, a mobilidade urbana e as alterações climáticas, entre outros.

O Instituto de Engenharia está consciente deste dilema e seus desafios. E, assim, revigorando sua estrutura interna, investe no Instituto do Futuro – capaz de acompanhar e identificar as principais demandas e contribuir para suas soluções. A engenharia terá papel fundamental no equacionamento desses problemas.

O Instituto de Engenharia, conectado com o futuro, vai colaborar ativamente com esta reformulação e quer ser, antes de mais nada, um centro onde os engenheiros possam conciliar o conhecimento técnico com o exercício da cidadania.

Como? Além da preocupação com o futuro global, quer, dentro de suas possibilidades, ajudar e estimular a concepção, o desenho, e a construção de um projeto para o Brasil. Hoje nos sentimos numa nau sem rumo. Falta planejamento. Faltam objetivos claros. Faltam prioridades verdadeiras, que nos direcionem para a nação que queremos ser.
Precisamos de um Projeto de País:

Que privilegie figuras de estadistas e não os salvadores da pátria;

Que nossos políticos sejam eleitos para trabalhar por sua cidade, por seu estado, pelo País, e não apenas pela eleição seguinte;

Que quebre as amarras cartoriais e corporativas que trabalham para si próprias e não para o bem comum;
Que priorize a educação. A educação de qualidade.
Que valorize quem trabalha, quem empreende, quem investe, quem produz e gera emprego e desenvolvimento;
Que promova um Estado mais eficiente e eficaz. Simples assim.

Estamos fazendo a nossa parte. Somos uma entidade de adesão voluntária. Trabalhamos com apoio de nossos associados e de empresas que querem, como o Instituto de Engenharia faz há 101 anos, apostar em bons projetos e no avanço da engenharia e do Brasil. Por isso, o apoio de novos associados e novas empresas é fundamental.

O Instituto de Engenharia conta hoje com 31 Divisões Técnicas e 10 Departamentos. Entre outros trabalhos, elaboramos o projeto de Ocupação Sustentável do Território Nacional pela Ferrovia associada ao Agronegócio. Ainda na área de logística, está em discussão a Integração do Cone Sul pelas hidrovias. Recentemente, foi lançado um programa de Mentoria para unir a experiência dos engenheiros veteranos com as necessidades dos jovens engenheiros que ainda têm toda carreira pela frente. Temos realizado encontros com especialistas para debater a eficiência do estado brasileiro. Estamos ultimando o projeto de certificação profissional que estimulará os engenheiros ao aprendizado contínuo. Em paralelo, há um grupo criando o modelo de negócios e atuação para o Instituto de Engenharia do Futuro.

Lembro que esses projetos e iniciativas estão abertos para participação de todos.

Com essa visão de desafios futuros e da necessidade de um projeto para o Brasil, o Instituto de Engenharia, ao escolher o nome de Pedro Parente como o Eminente Engenheiro do Ano de 2017, está prestigiando a gestão eficaz, a competência técnica e a eficiência empresarial por meio de um gestor público e privado de sucesso, de um líder com uma sólida carreira a serviço do País. Um executivo chamado para gerenciar duas situações críticas da história recente do Brasil: a crise de abastecimento no setor elétrico, em 2001, e a atual crise da Petrobras.
Apesar da homenagem ser ao engenheiro Pedro Parente por sua trajetória, não posso deixar de fazer um comentário sobre a Petrobras.

A empresa enfrenta esta crise num momento em que o mercado global de energia tem se transformado, alterando sua matriz de oferta. O Brasil precisa de uma empresa ágil para atuar nesse ambiente. Para nossa satisfação, observamos que, apesar de tudo, já temos na Petrobras esta empresa. Empresa cuja capacidade no setor de petróleo foi adquirida ao longo de muitos anos, muita luta e muita engenharia.

É uma empresa respeitada mundialmente, e com o comando firme de Pedro Parente será preparada para cumprir seu papel nos próximos 25 anos, quando então o petróleo já terá iniciado seu declínio como fonte fundamental de energia primária.

Para sobreviver e cumprir o que o País espera dela, terá que ser eficiente e vencedora, pois somente os campos e poços rentáveis permanecerão operando e produzindo riquezas.

Pedro Parente está sendo homenageado por representar a virada que o Brasil precisa: a gestão pública eficiente, com mais autonomia, ética, transparência e resultados.

É necessário também que cumpra mais um importante papel, e que é de especial interesse desta casa: dar à engenharia nacional a importância devida e necessária para que o País se recupere. Não há recuperação possível para o Brasil sem a recuperação do seu setor de engenharia.

Não confundam minha fala com um pedido corporativo de privilégios. Ela é um alerta para a necessidadede criar condições de igualdade de competição para as empresas nacionais. A engenharia brasileira é muito penalizada pelo custo Brasil -excesso de impostos, burocracia, falta de infraestrutura, logística, dificuldade de licenciamentos, prazos excessivos – a lista é longa. Empresas geram renda, geram emprego, geram riqueza. Geram progresso e desenvolvimento.
Esse cenário impõe um dilema importante ao governo brasileiro, a nossa justiça e a própria Petrobras: o desafio de penalizar os gestores criminosos e os acionistas e, ao mesmo tempo, preservar as empresas que geram riquezas e empregos, assim como fazem outros países neste mundo extremamente competitivo.

Quero finalizar enfatizando o significado maior desta cerimônia. É uma mensagem a todos que acreditam que, para o Brasil seguir em frente, é preciso apostar em planejamento, em gestão eficiente e inovadora. E reafirmar o papel da engenharia, em sua capacidade de criar e executar soluções para os principais problemas do Brasil.

É uma mensagem para a sociedade e, em especial, para os políticos, da necessidade de gestores engajados, com autonomia e comprometidos com o uso eficiente dos recursos. É uma mensagem para a sociedade acreditar na viabilidade de políticas públicas consistentes, bons projetos e escolhas técnicas adequadas.

Parabéns, Engenheiro Pedro Parente, nosso Eminente Engenheiro do Ano de 2017 e que hoje simboliza as nossas esperanças desse projeto de Brasil.

Autor: Eduardo Lafraia

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