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Brasileiros constroem barco não tripulado para monitorar meio ambiente

Pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), da USP, apresentaram o primeiro protótipo de seu novo barco robotizado, uma embarcação não tripulada voltada para o monitoramento ambiental.

A embarcação foi projetada para realizar observações de peixes, da qualidade da água, bem como outros tipos de observações em águas fluviais – rios, lagos e represas.

Seu grande diferencial é a autonomia, com menor exigência de reabastecimentos devido ao uso de um sistema combinado de propulsão que inclui velas, motor elétrico e energia solar.

Quando o veículo é impulsionado pelas velas, entra em ação um sistema regenerativo de energia: a energia do deslocamento é aproveitada para gerar eletricidade, que é acumulada em uma bateria.

Quando necessário, a energia da bateria é usada nos motores. “O funcionamento pode prosseguir por até 48 horas, caso não haja luz solar ou ventos.”

Trimarã

A embarcação possui 1,80 metro de comprimento por 1,60 metro de largura. Construída em isopor de alta densidade, ela pesa 25 quilos.

“A construção utilizou um material que não cause danos a outras embarcações,” explica o professor José Roberto Monteiro, coordenador do projeto.

O barco possui uma estrutura com três cascos, denominada trimarã, com um casco principal e dois laterais. “Essa distribuição permite maior estabilidade lateral, favorecendo a colocação de velas para impulsionar a embarcação”, conta o professor.

O veículo pode ser dirigido por controle remoto, e a navegação é feita por meio de coordenadas de GPS. “Os indicadores de posicionamento servem para ajustar os ângulos da vela e do leme, conduzindo o barco ao local desejado”, acrescenta o pesquisador.

A embarcação é projetada para água doce, mas a utilização no mar poderá ser viabilizada com a construção de uma versão de maior porte.

Barco elétrico

Além das velas, a embarcação possui motores elétricos alimentados pela energia de baterias – estas por sua vez recarregadas continuamente por um painel solar e pelo sistema de energia regenerativa. “Desse modo, não há necessidade de paradas para reabastecimento, aumentando sua autonomia,” aponta Monteiro.

As principais aplicações do protótipo estão na área ambiental, como a observação do comportamento de peixes por meio câmeras submersíveis. “A presença de um mergulhador poderia espantar os peixes, enquanto o veículo pode permanecer todo o tempo no local, realizando filmagens.”

A aplicação do veículo na observação de peixes tem tanto objetivos econômicos, na produção para alimentação humana, como ecológicos, como no estudo de hábitos de espécies ameaçadas, com vistas à sua preservação.

Outra utilização prevista para o barco é o monitoramento da qualidade da água em grandes represas.

O protótipo está em fase final de construção e deverá ser testado em uma represa no interior de São Paulo ainda neste ano.

Autor: Agência USP

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