Conforme a indústria automotiva trabalha para dar uma polida em sua reputação, apostando em biocombustíveis e outras tecnologias verdes, ela de debate com velhas questões de negócios, como preço e disponibilidade.
Melhorias ambientais ainda precisam ser harmônicas com objetivos econômicos, disse John Viera, diretor de sustentabilidade da Ford, em um congresso sobre o tema.
“Às vezes eu preciso lembrar às pessoas que não estamos no ramo da filantropia”, disse.
A Ford usou espuma de uretano e uma resina baseada em óleo de soja em 2 milhões de carros, além de fabricar peças internas tendo com matéria-prima resina reciclada.
Mas Viera notou que cada nova parte ecologicamente correta precisa também convencer pelo peso, desempenho e preço, claro. Além disso, toda a cadeia de fornecedores precisa estar ligada no “econegócio”.
Parte do problema em colocar mais materiais reciclados os carros é encontrar uma fonte limpa e confiável para os materiais que a indústria precisa, diz Rose Ryntz, diretor de engenharia avançada da International Automotive Components.
Mas alguns materiais são difíceis de usar. Por exemplo, fibras naturais usadas em partes estruturais precisam de padrões específicos, e não é tão fácil comprá-las na fazenda do lado.
A IAC, por exempo, fabrica um painel para portas que usa uma fibra natural – kenaf – em vez de vidro. Essa peça reduz o peso do carro e atende a padrões de segurança. Mas as melhores fibras de kenaf crescem em Bangladesh e são colhidas no terço médio de uma planta de mais de 5m. Tudo isso sujeito ao clima.
No fim das contas, a fibra natural, embora ambientalmente correta, pode custar mais que o vidro ou a resina química. Isso dá uma ideia das dificuldades que a indústria como um todo ainda precisa superar para produzir carros totalmente “verdes”.
Autor: Depois da Roda





