{"id":87654,"date":"2021-11-03T16:39:50","date_gmt":"2021-11-03T19:39:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/?p=87654"},"modified":"2021-11-03T16:39:50","modified_gmt":"2021-11-03T19:39:50","slug":"por-reginaldo-assis-de-paiva-ronda-e-fantasmas-urbanos-em-sampa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2021\/11\/03\/por-reginaldo-assis-de-paiva-ronda-e-fantasmas-urbanos-em-sampa\/","title":{"rendered":"Por Reginaldo Assis de Paiva \u2013 Ronda e fantasmas urbanos em Sampa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>\u201cJe vous parle d\u2019un temps, que le moins de vingt ans ne peuvent pas conna\u00eetre\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\nAo ouvir a m\u00fasica Ronda, de Paulo Vanzolini, um crime na avenida S\u00e3o Jo\u00e3o, pensei, foi na Pra\u00e7a J\u00falio Mesquita, em nenhum outro local poderia acontecer. Imaginei onde, imaginei a Pra\u00e7a com seu formato triangular, sua fonte com aquelas enormes lagostas de cimento no centro da pra\u00e7a. Antevi o enorme pr\u00e9dio, n\u00famero 69, na S\u00e3o Paulo, todo um prost\u00edbulo, os bares que o circundam, ponto de encontro com as prostitutas em suas rondas noturnas. Era, l\u00e1, sim, o cen\u00e1rio da m\u00fasica, na cal\u00e7ada da S\u00e3o Jo\u00e3o, entre os bares e o prost\u00edbulo.<\/p>\n<p>Pagano Sobrinho morava na regi\u00e3o. Era apresentador de um programa de televis\u00e3o de grande audi\u00eancia. No final da tarde, come\u00e7o da noite, era sempre visto na porta de uma farm\u00e1cia, ainda hoje existente na mesma quadra do prost\u00edbulo e dos bares. Perdido entre as perdidas, trazia sempre o rosto coberto de maquiagem, falando com uma gesticula\u00e7\u00e3o bastante afetada. Conversava, em descontra\u00e7\u00e3o e atencioso, com todos que o reconheciam. Bem pr\u00f3ximo \u00e0 farm\u00e1cia, na transversal da S\u00e3o Jo\u00e3o, ficava o Fil\u00e9 do Moraes, restaurante famoso. Muito o frequentei. Pagano Sobrinho foi um humorista inteligente, c\u00e1ustico, humor ferino, falava com o sotaque t\u00edpico dos imigrantes italianos do Br\u00e1s. Em suas apresenta\u00e7\u00f5es usava sempre frases que bem definiam o seu cultivado estilo \u201cfinocchio\u201d. Algumas de suas hist\u00f3rias e piadas nem sempre eram de compreens\u00e3o imediata, ao silencio do audit\u00f3rio, dizia \u201cessa \u00e9 para pensar em casa\u201d. N\u00e3o raramente ouviam-se risadas retardadas, compreens\u00e3o tardia. Nenhum palavr\u00e3o falava, nenhuma cita\u00e7\u00e3o pornogr\u00e1fica. Era assim. Um amigo, editor do caderno de cultura de um jornal, contou-me de uma longa entrevista feita com ele. O acompanhou, na entrevista, uma jornalista. \u201cPassamos horas conversando. De repente, ele me chamou &#8211; vamos ali na cozinha, quero lhe contar uma piada que tem palavr\u00e3o\u201d. A rep\u00f3rter disse, \u201cpode contar aqui mesmo, eu n\u00e3o me importo\u201d. Ele respondeu, \u201dmas eu me importo\u201d. Era assim. Seu humor, dizia ele, vinha do olho cl\u00ednico com que percebia o comportamento dos moradores italianos do Br\u00e1s e da ronda das prostitutas que, com ele, partilhavam a S\u00e3o Jo\u00e3o. E exemplificava, \u201ceu, crian\u00e7a, ali no Br\u00e1s, convivia com os imigrantes, todos pobres. Andar de taxi, para eles era demonstrar sinais claros de ascens\u00e3o social. Um dia, uma \u201cnona\u201d italiana, estava na janela de sua casa quando viu a filha chegar de taxi e, aos berros, gritou \u00e0 filha \u201cdemora<br \/>\nbastante pra todo mundo ver\u201d. Hist\u00f3rias como essa, contada no sotaque \u201citaliano-do-Br\u00e1s\u201d, carrega um humor muito caro aos paulistanos, maismente quando contadas no falar carcamano, afetado. Outro caso de suas apresenta\u00e7\u00f5es, \u201cum garoto, no vel\u00f3rio do pai, entra correndo na sala, saltitando e gritando para a m\u00e3e, chegou mais uma coroa, chegou mais uma coroa\u201d. Quando do lan\u00e7amento de LPs de decadentes cantores, ele o mostrava, ao p\u00fablico, \u00e0s c\u00e2meras dizendo, \u201ccompre minha amiga, compre, porque daqui h\u00e1 algum tempo voc\u00ea vai poder dizer, s\u00f3 eu tenho\u201d. Seu humor, excessivamente paulistano e bairrista, n\u00e3o conseguia muito espa\u00e7o, principalmente entre os cariocas, angustiados, na \u00e9poca, com a constata\u00e7\u00e3o de que o Rio come\u00e7ava a perder a condi\u00e7\u00e3o de \u201ccapital cultural do pa\u00eds\u201d. Muitos, principalmente a turma da Bossa Nova, tudo faziam para desqualificar o surgimento de novos centros culturais do pa\u00eds, principalmente os de S\u00e3o Paulo e os do Nordeste. Na m\u00fasica, por exemplo, os paulistas Izaurinha Garcia e Agostinho dos Santos, eram ignorados pela imprensa carioca. Vinicius de Moraes vem a S\u00e3o Paulo, quando a Record, com o Fino da Bossa e os Festivais, dominava o mundo musical, dizer que \u201cS\u00e3o Paulo \u00e9 o t\u00famulo do samba\u201d. As agress\u00f5es preconceituosas do Paulo Francis eram piores: \u201cos baianos vieram para o Rio para cantar \u2018\u00f3 que saudades tenho da Bahia\u201d. Se \u00e9 por falta de adeus, Pt, sauda\u00e7\u00f5es\u201d. Citava a m\u00fasica de Dorival Caymmi, um grande sucesso na<br \/>\n\u00e9poca.<\/p>\n<p>O restaurante Fil\u00e9 do Morais ficava na rua Vit\u00f3ria, junto \u00e0 fonte das esculturas de lagostas da pra\u00e7a. O prato que lhe fez a fama e que o identificava na cidade era um alentado peda\u00e7o de picanha, regado a doses generosas de alho e uma florestal salada de agri\u00e3o. Ir ao Morais era um programa rotineiro de minha turma. Meus companheiros de mesa<br \/>\nsempre pediam cerveja, eu n\u00e3o, alho e agri\u00e3o deturpam sobremaneira o paladar da cerveja. Horr\u00edvel. A pra\u00e7a era, portanto, assim, em um de seus lados, as prostitutas e seus clientes, em outro o restaurante e seus sofisticados fregueses. Entre uns e outros uma invis\u00edvel barreira de separa\u00e7\u00e3o social, dela fazendo um centro de conviv\u00eancia de ignor\u00e2ncia m\u00fatua entre marginais, prostitutas e classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Dizem de Sampa, de Caetano Veloso, ser a \u201cmais completa tradu\u00e7\u00e3o\u201d da cidade. N\u00e3o \u00e9. Sampa \u00e9 uma vis\u00e3o alienada e alienante da cidade, como vista pelos m\u00fasicos errantes do pa\u00eds, atra\u00eddos a S\u00e3o Paulo pelos espet\u00e1culos musicais, os festivais nos teatros Paramount e Bandeirantes, os programas musicais da Rede Record \u2013 o Fino da Bossa, a Jovem<br \/>\nGuarda e o pouco conhecido Bossaudade, maldosamente apelidado pelos jovens de \u201cfestival de pelancas\u201d &#8211; os barzinhos de m\u00fasica e restaurantes italianos que proliferavam no bairro do Bexiga e os audit\u00f3rios de alguns hot\u00e9is de maior padr\u00e3o. Milton Nascimento relata como foi resgatado do anonimato por Agostinho dos Santos quando se apresentava em um destes hot\u00e9is. Sampa \u00e9 a vis\u00e3o de uma cidade concebida em quartos de hot\u00e9is e em passagens espor\u00e1dicas pelo cruzamento das avenidas Ipiranga e S\u00e3o Jo\u00e3o, esquina que era o resumo da vida cultural e bo\u00eamia da S\u00e3o Paulo de ent\u00e3o. \u201cQuando vim por aqui, eu nada entendi\u201d, o pr\u00f3prio Caetano confessa em Sampa.<\/p>\n<p>Apenas uma pequena quadra separa o cruzamento da S\u00e3o Jo\u00e3o com a Ipiranga e a Pra\u00e7a J\u00falio Mesquita. Nesta quadra ficava o Cine Metro, hoje, uma igreja evang\u00e9lica. O Metr\u00f4 exibia, \u00e0 noite, filmes para adultos, proibidos para menores de 18 anos; aos s\u00e1bados as \u201cmatin\u00eas\u201d, filmes e seriados para os adolescentes; nas manh\u00e3s de domingo, havia o<br \/>\nprograma Zig Zag, exclusivo para crian\u00e7as, com os desenhos que todos conheciam das revistas em quadrinhos. Entrada de adultos, s\u00f3 para os que estivessem acompanhando as crian\u00e7as. Costum\u00e1vamos burlar a vigil\u00e2ncia dos funcion\u00e1rios, pedindo a um pai, com v\u00e1rias crian\u00e7as, que nos \u201cemprestasse\u201d uma delas, para que pud\u00e9ssemos entrar.<\/p>\n<p>As portas de sa\u00edda do cinema se abriam para a rua Timbiras, estreita, quase um beco, entre a S\u00e3o Jo\u00e3o e a Pra\u00e7a da Rep\u00fablica. Defronte \u00e0s portas do cinema ficava a cantina Giovanni, restaurante italiano, t\u00edpico, ao estilo da \u00e9poca, um longo balc\u00e3o em U, usado como mesa. Sentava-se em banquetas sem encosto. Os pratos eram servidos diretamente<br \/>\nno balc\u00e3o. Esperava-se por um assento, em p\u00e9, atr\u00e1s daquele que ocupava a banqueta. Todos os pratos constavam do card\u00e1pio em italiano. Certa vez assisti a um c\u00f4mico di\u00e1logo entre um fregu\u00eas e o gar\u00e7om. Consultando o card\u00e1pio, perguntou ele, o que \u00e9 \u201cenvoltini\u201d? O gar\u00e7om, sol\u00edcito, explicou em detalhes o que era o prato. Constrangido por pedir<br \/>\ndetalhes de um prato dispon\u00edvel em qualquer bar da cidade, o fregu\u00eas reagiu, \u201cpor que escreve tudo em italiano e n\u00e3o em portugu\u00eas? Escreve bife rol\u00ea, todo mundo sabe o que \u00e9\u201d. Pensei, sem dizer, que completaria a frase com \u201cclaro, na Avenue Champs Elys\u00e9e, todo mundo sabe o que \u00e9\u201d.<\/p>\n<p>Ao lado do Giovanni, ficava o caf\u00e9 Mocambo. De minhas mem\u00f3rias, foi o primeiro caf\u00e9 expresso de S\u00e3o Paulo. Uma enorme m\u00e1quina Gaggia, dominava o ambiente, o nome em grandes letras prateadas ao lado da frase \u201cfunziona sensa vapore\u201d. Giovanni e Mocambo eram os locais onde, aos s\u00e1bados, no final do dia, se reuniam estudantes das escolas<br \/>\nda \u00e1rea central da S\u00e3o Paulo, os da FAU, os da Sociologia, os da Filosofia, os da Economia e os da Poli. Jantava-se no Giovanni, tomava-se caf\u00e9 no Mocambo. Depois, grupos de amigos se deixavam ficar na cal\u00e7ada, conversando. Um dia um chofer inexperiente, ensaia estacionar em frente ao Mocambo, onde est\u00e1vamos em um pequeno grupo. Uma<br \/>\nprimeira manobra, desastrada, recebeu de algu\u00e9m do grupo um coment\u00e1rio jocoso sobre a imper\u00edcia do motorista, que reagiu com uma express\u00e3o de irado desconforto. Uma segunda manobra, igualmente desastrosa e, o motorista, mais e sempre mais nervoso e irritado com os coment\u00e1rios, tenta uma terceira manobra. Na terceira e \u00faltima manobra<br \/>\no carro entrou atravessado na vaga. Ouviu-se o coment\u00e1rio, \u201csai, turma, que ele vai subir na cal\u00e7ada\u201d. O motorista estacionou de qualquer jeito, desceu do carro com sua companheira e, n\u00e3o sabendo o que dizer e nem como enfrentar o grupo de jovens que o olhavam com ar de riso, disse \u00e1 sua companheira, \u201cvamos, querida, n\u00e3o se irrite, deve ser um grupo de invertidos\u201d. E se foram, bra\u00e7os dados. Invertido era um sin\u00f4nimo, n\u00e3o muito ofensivo, que se usava, na \u00e9poca, para homossexual, uma forma cautelosa de se mostrar chateado, sem retalia\u00e7\u00f5es. Para o grupo foi a piada final.<\/p>\n<p>\u201cEt nous avions tous de g\u00e9nie,<\/p>\n<p>Sobre a presen\u00e7a de estudantes em balc\u00f5es de caf\u00e9, encontrei certo dia, na sede do Gr\u00eamio da Poli, uma revista da UIC, associa\u00e7\u00e3o internacional de estudantes, sediada em Praga, com uma s\u00e9rie de charges de identifica\u00e7\u00e3o dos diferentes estudantes universit\u00e1rios. Ris\u00edvel constatar que, na Tchecoslov\u00e1quia, os diferentes grupos de universit\u00e1rios usavam as mesmas roupas, frequentavam os mesmos ambientes que em S\u00e3o Paulo. Era como se o chargista tivesse se baseado em nosso grupo do Mocambo para fazer seus desenhos. O estudante tcheco de arquitetura foi retratado, de p\u00e9, frente a um balc\u00e3o de caf\u00e9, vestindo um blus\u00e3o folgado, sem bot\u00f5es, com pequenas al\u00e7as de tecido por onde se podia passar tamborzinhos, fechando-o. Atr\u00e1s do balc\u00e3o, a m\u00e1quina Gaggia e a mesma frase, \u201cfunziona sensa vapore\u201d. Um dos arquitetos da nossa turma de s\u00e1bado \u00e0 noite no Caf\u00e9 Mocambo usava um blus\u00e3o como aquele, folgado, com tamborzinhos no lugar de bot\u00f5es.<\/p>\n<p>Das conversas aleat\u00f3rias na porta do Mocambo algu\u00e9m perguntou, como se filosofando, sem querer resposta: \u201cpor que o lado esquerdo da S\u00e3o Jo\u00e3o \u00e9 mais valorizado que o da direita?\u201d Repeti a pergunta ao jornalista amigo Odon Pereira, e dele ouvi a explica\u00e7\u00e3o, \u201cpara quem circula pela S\u00e3o Jo\u00e3o, o lado esquerdo oferece menos obst\u00e1culos, menos<br \/>\ncruzamentos, tem mais lojas e restaurantes, os cinemas est\u00e3o l\u00e1, o Art Pal\u00e1cio, o Olido, o Marrocos, o Teatro Municipal, o acesso \u00e0s ruas centrais e \u00e0 Pra\u00e7a da Rep\u00fablica\u201d.<\/p>\n<p>Saindo da J\u00falio Mesquita e percorrendo a pequena quadra da S\u00e3o Jo\u00e3o, chega-se ao cruzamento com a Ipiranga, o ambiente da m\u00fasica Sampa do Caetano. Tr\u00eas de seus cantos s\u00e3o ocupados por bares e, o quarto, por um Banco. Bancos n\u00e3o pertencem \u00e0 mem\u00f3ria da cidade, nenhuma import\u00e2ncia, mas a seu lado, ficava um dos mais tradicionais restaurantes de S\u00e3o Paulo, o Parreirinha. Uma vitrine, aberta para a cal\u00e7ada da Ipiranga, mostrava, como em um licencioso bailado, v\u00e1rias r\u00e3s sem pele, j\u00e1 prontas para a panela. E \u00e9 de todos sabido como as r\u00e3s muito se parecem ao corpo feminino. \u201cN\u00e3o como r\u00e3s, me sentiria um antrop\u00f3fago\u201d, disse-me um amigo. Os restaurantes das esquinas do cruzamento ficavam o Bar Brahma, o Jeca e um do qual n\u00e3o mais me lembro do nome. Deste, dizia-se servir o melhor sanduiche de pernil da cidade; nunca testei se verdade ou n\u00e3o. Ao lado da porta ficava um dos personagens mais estranhos da noite paulistana, um homem com uma capa de chuva de xantungue, modelo europeu, as que chegam \u00e0s<br \/>\ncanelas. Ele se encostava na parede, dobrava o corpo e dormia. Em p\u00e9, curvado, as m\u00e3os ao longo das pernas. \u201cSer\u00e1 que ele est\u00e1 mesmo dormindo?\u201d, foi a d\u00favida de um amigo, que foi at\u00e9 l\u00e1 e encostou levemente no homem. Ele apenas deu um passo para o lado, sem se erguer e continuou dormindo.<\/p>\n<p>O Jeca foi um dos melhores e mais frequentados bares da avenida Ipiranga. Pequeno, com portas para as duas avenidas. Ali se comia de p\u00e9, no balc\u00e3o, alheiras e morcilhas. Ao contr\u00e1rio do Giovanni, ponto dos universit\u00e1rios, o Jeca era palco de uma fauna de dif\u00edcil identifica\u00e7\u00e3o. Nos fins de semana, em sua porta, ficava uma mulher, vestida como prostituta, se dizia prostituta, agia como prostituta e n\u00e3o era prostituta. Nunca, ningu\u00e9m conseguiu seus favores. Sei de quem a testou, lhe fazendo vari\u00e1veis propostas sem nada conseguir. Aos s\u00e1bados, por volta da meia noite, surgia sempre um grupo em v\u00e1rios carros de luxo, a cada dia com fantasias improvisadas as mais bizarras, desciam, tomavam caf\u00e9 no balc\u00e3o do Jeca, n\u00e3o conversavam com ningu\u00e9m e depois desapareciam. N\u00e3o se sabia para onde. Um dia chegaram fantasiados de Nero, carregando liras feitas com tampas de<br \/>\nprivada.<\/p>\n<p>\u201cEt nous vivions de l\u2019air du temps\u201d<br \/>\nAl\u00e9m dos restaurantes, na pequena quadra entre a S\u00e3o Jo\u00e3o e a Pra\u00e7a da Rep\u00fablica, situavam-se dois cinemas, um frente ao outro, o Excelsior, ao lado do Jeca e o Marab\u00e1, do outro lado da rua. Ao lado do Excelsior, um grande restaurante, a Salada Paulista, com bonitos pain\u00e9is de cer\u00e2mica nas paredes, com motivos lusitanos. Logo depois do cruzamento da Ipiranga com a rua 24 de Maio, uma grande livraria, o Pal\u00e1cio do Livro, muito frequentado por estudantes. Na \u00e9poca, as editoras de livros t\u00e9cnicos brasileiros ainda n\u00e3o eram estruturadas, a maioria dos livros eram importados e muito caros. Roubar livros n\u00e3o era pecado, principalmente para os que consideravam o acesso \u00e0 cultura como privil\u00e9gio injustificado da sociedade burguesa. Sei de estudantes de arquitetura<br \/>\nque transformaram o avantajado livro Neufert, em uma caixa onde cabiam livros de tamanho normal. Entravam com ele debaixo do bra\u00e7o e, debaixo do bra\u00e7o com ele saiam, sem, aparentemente, nada levar, mas levando algum dentro do Neufert. Passei por uma experi\u00eancia interessante na Livraria Francesa, localizada no in\u00edcio da Bar\u00e3o de Itapetininga.<br \/>\nComo muito a frequentava, conhecia o gerente e sempre convers\u00e1vamos. Contou-me ele que uma garota, bonitinha, tentou sair, acintosamente, da livraria com um avantajado livro do Rouault. \u201cEu a detive e ela teve o desplante de dizer que muito admirava o pintor, que queria um livro dele, mas que n\u00e3o tinha dinheiro. N\u00e3o soube o que fazer, mandei que ela ficasse sentada enquanto eu ia decidir o que fazer. Ela ficou ali, quieta, sem falar nada. Fazer o que? Falei, olha vai embora e n\u00e3o volte mais aqui. Sabe o que ela me disse? T\u00e1 bom, mas pelo menos me d\u00e1 um livrinho pequeno do Rouault. Sabe o que fiz? Dei a ela um livrinho do Rouault, ela agradeceu e foi embora. Acha poss\u00edvel?\u201d. Acho, respondi.<\/p>\n<p>Enfim, dizer que as m\u00fasicas de Paulo Vanzolini, n\u00e3o, n\u00e3o retratavam o mundo artificial dos artistas, n\u00e3o retratavam a S\u00e3o Jo\u00e3o com a Ipiranga. Retratavam esta cidade a partir de seus pr\u00f3prios umbigos, a J\u00falio Mesquita, com suas prostitutas e proxenetas, a Pra\u00e7a Clovis, com seus oper\u00e1rios e seus \u201clanceiros\u201d batendo carteiras. Ronda \u00e9 a cidade dos marginalizados, dos trabalhadores. Ouvi de Paulo Vanzolini, em um show, que achava \u00f3timo que, ao se escolher a m\u00fasica s\u00edmbolo de S\u00e3o Paulo, se tenha escolhido Ronda, uma m\u00fasica de putaria. Sampa \u00e9 a da cidade dos adolescentes rebeldes, da classe m\u00e9dia e dos estudantes.<\/p>\n<p>J\u00falio Mesquita e Ipiranga foram ambientes incomunic\u00e1veis, apesar de separados apenas por uma pequena quadra na avenida S\u00e3o Jo\u00e3o. Hoje, nenhum destes locais subsistiu, a Ipiranga se transformou em uma via expressa, os restaurantes desapareceram, as livrarias fecharam, os cinemas viraram igrejas, edif\u00edcios foram invadidos por semtetos, os bares s\u00f3 servem hamb\u00fargueres e, nas cal\u00e7adas, pessoas dormem sob gastos cobertores. Nem Sampa, nem Ronda. Se ali voltarmos ser\u00e1 como nos versos de Caetano, \u201cquando vim por aqui, eu nada entendi\u201d.<\/p>\n<p>_______________________________________________________________________<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-41624 td-animation-stack-type0-2\" src=\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/reginaldo-A.-Paiva.jpg\" alt=\"\" width=\"134\" height=\"88\" \/><\/p>\n<p><strong>REGINALDO A. DE PAIVA*<\/strong><\/p>\n<p>Diretor secret\u00e1rio da Diretoria Executiva (2014\/2015); representante do Instituto de Engenharia na Comiss\u00e3o Pr\u00e9-Centro e na Opera\u00e7\u00e3o Urbana \u00c1guas Espraiadas e na Comiss\u00e3o Licitat\u00f3ria de Concess\u00f5es Rodovi\u00e1rias (Secretaria de Estado dos Transportes); membro do Conselho Editorial da Revista Engenharia.<\/p>\n<p>*<em>Os artigos publicados com assinatura, n\u00e3o traduzem necessariamente a opini\u00e3o do Instituto de Engenharia. Sua publica\u00e7\u00e3o obedece ao prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cJe vous parle d\u2019un temps, que le moins de vingt ans ne peuvent pas conna\u00eetre\u201d Ao ouvir a m\u00fasica Ronda, de Paulo Vanzolini, um crime na avenida S\u00e3o Jo\u00e3o, pensei, foi na Pra\u00e7a J\u00falio Mesquita, em nenhum outro local poderia acontecer. 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Imaginei onde, imaginei a Pra\u00e7a com seu formato triangular, sua fonte comaquelas enormes lagostas de cimento no centro da pra\u00e7a. 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