{"id":35144,"date":"2018-04-24T14:20:39","date_gmt":"2018-04-24T17:20:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/?p=35144"},"modified":"2018-04-24T14:20:39","modified_gmt":"2018-04-24T17:20:39","slug":"mapa-tectonico-da-america-do-sul-e-lancado-em-formato-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2018\/04\/24\/mapa-tectonico-da-america-do-sul-e-lancado-em-formato-digital\/","title":{"rendered":"Mapa Tect\u00f4nico da Am\u00e9rica do Sul \u00e9 lan\u00e7ado em formato digital"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"wpsdc-drop-cap\">E<\/span>mbora<b>,<\/b>\u00a0para os brasileiros, a realidade muitas vezes tr\u00e1gica dos grandes terremotos esteja literalmente a milhares de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, n\u00e3o \u00e9 incomum que tremores sejam sentidos ocasionalmente,\u00a0como aconteceu na segunda-feira, 2 de abril, nas regi\u00f5es Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ocorrido na Bol\u00edvia, a uma profundidade de 557 km e grau de magnitude 6.8 na escala Richter, o terremoto fez trabalhadores da Avenida Paulista, na capital de S\u00e3o Paulo, evacuarem pr\u00e9dios. O susto, que n\u00e3o causou maiores problemas, \u00e9 mais um indicativo de que todos, independentemente das fronteiras geogr\u00e1ficas, estamos conectados pela terra que habitamos.<\/p>\n<p>Disponibilizado no final do m\u00eas de mar\u00e7o, no portal do Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil (CPRM), o Sistema de Informa\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica (SIG) do Mapa Tect\u00f4nico da Am\u00e9rica do Sul e o mapa georreferenciado \u00e9 o primeiro de seu g\u00eanero a ser lan\u00e7ado neste formato. A inova\u00e7\u00e3o veio dar acesso a um banco de dados em formato digital que conta com atributos de cerca de 8 mil pol\u00edgonos individuais, cada um deles caracterizado pela sua idade e pelo seu ambiente tect\u00f4nico.<\/p>\n<p>Desenvolvido em coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica internacional com a coordena\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o do Mapa Geol\u00f3gico do Mundo (Commission of the Geological Map of the World \u2013 CGMW)<b>,<\/b>\u00a0o projeto \u00e9 a digitaliza\u00e7\u00e3o da vers\u00e3o impressa do mapa, que foi lan\u00e7ada em 2016, no Congresso Internacional de Geologia em Cape Town, \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<h3><b>\u201cUma vida cient\u00edfica\u201d<\/b><\/h3>\n<p>Elaborado em escala 1:5.000.000, o SIG \u00e9 produto da parceria entre CPRM e\u00a0Servi\u00e7o Geol\u00f3gico e Mineiro da Argentina (Segemar),\u00a0com a colabora\u00e7\u00e3o de cientistas de todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul e sob a coordena\u00e7\u00e3o continental dos pesquisadores Umberto Cordani, do Instituto de Geoci\u00eancias (IGc) da USP, e Victor Ramos, da Universidade de Buenos Aires (UBA).<\/p>\n<p>O mapa tect\u00f4nico da Am\u00e9rica do Sul impresso, que hoje \u00e9 amplamente distribu\u00eddo para uso em v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es, empresas, universidades, servi\u00e7os geol\u00f3gicos e demais organiza\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 o primeiro a ser comissionado. A sua primeira edi\u00e7\u00e3o foi realizada sob a coordena\u00e7\u00e3o do professor Fernando de Almeida, da USP, em 1971, e a vers\u00e3o que foi lan\u00e7ada na \u00c1frica do Sul, 45 anos mais tarde, \u00e9 apenas a segunda.<\/p>\n<p>Os dois coordenadores repartiram os trabalhos. \u201cAo Victor couberam os Andes, e a mim coube a assim denominada Plataforma Sul-Americana\u201d, conta Cordani que, diante do mapa impresso, aponta cada uma das diversas fei\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em o detalhado projeto.<\/p>\n<p>\u201cFomos indicados para fazer isso em 2002 e a primeira vez que conversamos foi em Buenos Aires, em mar\u00e7o de 2003\u201d relembra ele, ao destacar que o trabalho levou 13 anos para ser finalizado. \u201c\u00c9 uma vida cient\u00edfica, um mapa tem\u00e1tico de uma regi\u00e3o enorme\u201d, explana o professor.<\/p>\n<p>Por meio de diversos encontros com institui\u00e7\u00f5es locais que trabalham com mapas geol\u00f3gicos, os dois cientistas coordenaram uma tarefa herc\u00falea que envolveu estudar e interpretar muitas estruturas geol\u00f3gicas, bem como datar um grande n\u00famero de rochas, em toda a Am\u00e9rica do Sul. Foram inclu\u00eddos no mapa componentes vis\u00edveis de conhecimento geral da popula\u00e7\u00e3o, tais como a presen\u00e7a de vulc\u00f5es ativos e tamb\u00e9m marca\u00e7\u00f5es mais complexas que representam fei\u00e7\u00f5es da chamada tect\u00f4nica de placas, ou seja, o campo que explica \u201ccomo s\u00e3o placas que se mexem, se afastam, se juntam e caracterizam regi\u00f5es diferenciadas denominadas prov\u00edncias tect\u00f4nicas\u201d, detalha o cientista, ao refor\u00e7ar que, durante a confec\u00e7\u00e3o do primeiro mapa, a tect\u00f4nica de placas ainda n\u00e3o era um campo plenamente consolidado.<\/p>\n<p>Por meio de uma s\u00e9rie de workshops, Cordani convocou ge\u00f3logos do Pa\u00eds inteiro e tamb\u00e9m dos pa\u00edses vizinhos que comp\u00f5em a Plataforma Sul-Americana, como Venezuela, Col\u00f4mbia, Bol\u00edvia, Paraguai, Argentina e Uruguai, para auxiliar no trabalho. \u201cNo total, centenas de geocientistas nos ajudaram de uma maneira significativa e cerca de 50 est\u00e3o nomeadas no mapa\u201d, revela o professor.<\/p>\n<p>De acordo com Cordani, \u201ccada s\u00edmbolo gr\u00e1fico, inclu\u00eddo num dos pol\u00edgonos do mapa<b>,<\/b>\u00a0indica o ambiente tect\u00f4nico que o formou, durante um dos epis\u00f3dios da tect\u00f4nica de placas. E um dado conjunto de pol\u00edgonos, com seus s\u00edmbolos, forma uma unidade tect\u00f4nica\u201d.<\/p>\n<p>O SIG \u00e9 uma vers\u00e3o digital que conta com informa\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas, geocronol\u00f3gicas e geof\u00edsicas, al\u00e9m de outros temas relevantes, que permitem a apresenta\u00e7\u00e3o, na forma de cores e tramas, das idades e do ambiente original de forma\u00e7\u00e3o das rochas do continente sul-americano e das \u00e1reas oce\u00e2nicas adjacentes. \u201cNa \u00e1rea ocupada pela cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, o SIG nos permite observar que as rochas foram formadas entre 700 e 540 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s e que a atual \u2018calmaria\u2019 geol\u00f3gica esconde um passado de turbul\u00eancias com prov\u00e1veis terremotos, altas cadeias de montanhas e oceanos que foram totalmente fechados e extintos\u201d, explica a pesquisadora L\u00eada Maria Fraga<b>,\u00a0<\/b>que foi a respons\u00e1vel t\u00e9cnica pela elabora\u00e7\u00e3o final do mapa, por parte da CPRM.<\/p>\n<h3><b>Mapa \u00e9 uma conquista da sociedade<\/b><\/h3>\n<p>Ao utilizar a nova tecnologia, o mapa eletr\u00f4nico integra dados provenientes de diversas fontes e permite consultar e analisar informa\u00e7\u00f5es espacialmente referenciadas, que podem ser combinadas e dar origem a novos mapas.<\/p>\n<p>Inicialmente, para a realiza\u00e7\u00e3o do mapa, foi elaborada uma nova base geogr\u00e1fica georreferenciada da Am\u00e9rica do Sul. Em seguida, foi criada uma base geol\u00f3gica a partir da harmoniza\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o dos dados dispon\u00edveis para todos os pa\u00edses do continente, bem como para as regi\u00f5es oce\u00e2nicas adjacentes, e foram ent\u00e3o compiladas as informa\u00e7\u00f5es mais relevantes. Essa base de dados de abrang\u00eancia continental permitiu a elabora\u00e7\u00e3o do Mapa Tect\u00f4nico apresentado em SIG, que sintetiza o estado da arte sobre o conhecimento da evolu\u00e7\u00e3o tect\u00f4nica do continente sul-americano.<\/p>\n<p>Para Cordani, o mapa e seu lan\u00e7amento digital s\u00e3o uma conquista muito relevante das Geoci\u00eancias e um retorno \u00e0 sociedade, que pode aplicar o conhecimento ali reunido. \u201cA geologia tem como fun\u00e7\u00e3o produzir esse conhecimento do territ\u00f3rio de um pa\u00eds. O mapa oferecido para a comunidade pode servir para pessoas ou empresas fazerem explora\u00e7\u00e3o mineral, por exemplo, ou para ensino de geologia nas universidades, ou mesmo planejamento para organiza\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o\u201d, enumera.<\/p>\n<p>O SIG permite atualiza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, \u00e0 medida que novos conhecimentos s\u00e3o obtidos, e a vers\u00e3o eletr\u00f4nica atual foi disponibilizada para download no site da CPRM e na plataforma internacional\u00a0<em>One Geology<\/em>, que permite acesso via web a mapas geol\u00f3gicos e outros dados geocient\u00edficos de diferentes naturezas no contexto global.<\/p>\n<p>Clique\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cprm.gov.br\/tecams\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>\u00a0para acessar o SIG do Mapa Tect\u00f4nico da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p><em>Fonte Jornal da USP<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora,\u00a0para os brasileiros, a realidade muitas vezes tr\u00e1gica dos grandes terremotos esteja literalmente a milhares de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, n\u00e3o \u00e9 incomum que tremores sejam sentidos ocasionalmente,\u00a0como aconteceu na segunda-feira, 2 de abril, nas regi\u00f5es Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Pa\u00eds. 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