{"id":27923,"date":"2017-09-11T00:51:33","date_gmt":"2017-09-11T00:51:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=27923"},"modified":"2017-09-11T15:07:30","modified_gmt":"2017-09-11T15:07:30","slug":"veiculos-eletricos-a-as-condicoes-estao-lancadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/09\/11\/veiculos-eletricos-a-as-condicoes-estao-lancadas\/","title":{"rendered":"Ve\u00edculos El\u00e9tricos \u2013 as condi\u00e7\u00f5es est\u00e3o lan\u00e7adas?"},"content":{"rendered":"<p>O governo federal estuda a redu\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que incide sobre os ve\u00edculos el\u00e9tricos dos atuais 25% para 7,5%, a mesma al\u00edquota dos ve\u00edculos flex, conforme declara\u00e7\u00f5es aos jornais do Ministro Fernando Coelho Filho das Minas e Energia. A not\u00edcia \u00e9 muito boa porque nunca ocorreu qualquer iniciativa governamental significativa para incrementar os ve\u00edculos el\u00e9tricos, ou melhor, ve\u00edculos cuja emiss\u00e3o de poluentes \u00e9 zero. A polui\u00e7\u00e3o do ar nas cidades brasileiras de hoje \u00e9 resultante, principalmente, da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, sendo mais de 80 % das emiss\u00f5es produzidas pelo sistema de transporte. <\/p>\n<p>O incentivo fiscal \u00e9 importante, mas n\u00e3o basta. Muitas outras a\u00e7\u00f5es s\u00e3o necess\u00e1rias para impulsionar o uso de ve\u00edculos el\u00e9tricos. Uma medida complementar seria o governo fomentar a produ\u00e7\u00e3o de baterias mais baratas e que garantam maior autonomia aos ve\u00edculos el\u00e9tricos, assim como estimular a cria\u00e7\u00e3o de pontos de recarga ao longo das cidades e at\u00e9 em estradas. Se as medidas estimularem o crescimento s\u00fabito do consumo de energia, o governo precisaria inovar em produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de energia para n\u00e3o sofrer impacto de demanda no setor el\u00e9trico. Uma op\u00e7\u00e3o em outros pa\u00edses \u2013 por exemplo, no Jap\u00e3o &#8211; seria difundir a instala\u00e7\u00e3o de placas captadoras de energia solar para carregar as baterias. Se houvesse um excedente de energia, ele poderia at\u00e9 ser vendido para a rede de distribui\u00e7\u00e3o. No Brasil j\u00e1 existe legisla\u00e7\u00e3o, regulamentando essa atividade. O propriet\u00e1rio de ve\u00edculo el\u00e9trico poderia carregar seu carro em casa, ou no local do seu neg\u00f3cio, com energia solar e, ainda, vender o excedente produzido pelo seu carregador.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o de imposto, complementada pelos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, no abastecimento do ve\u00edculo el\u00e9trico, s\u00e3o importantes para crescimento da frota de ve\u00edculos el\u00e9tricos, mas n\u00e3o s\u00e3o suficientes para a melhoria da qualidade do ar das cidades. Precisamos de a\u00e7\u00f5es mais amplas sobre toda a frota a combust\u00e3o que opera tanto no sistema de transporte quanto no \u00e2mbito da gest\u00e3o das cidades, tais como: programas de substitui\u00e7\u00e3o das frotas de \u00f4nibus e de t\u00e1xis por ve\u00edculos el\u00e9tricos, ou ainda, englobar as frotas de prestadores de servi\u00e7os p\u00fablicos que circulam pelas ruas. Na cidade de S\u00e3o Paulo, poderiam ser utilizados ve\u00edculos zero emiss\u00e3o por entidades prestadores de servi\u00e7os, como: Companhia de Engenharia de Tr\u00e1fego (CET), SPTrans,  Sabesp, Eletropaulo, Congas, Corpo de Bombeiros, Ambul\u00e2ncias, Pol\u00edcia Militar e Civil, Empresas de Telefonia, Empresas de Seguro Veicular, Correios, transportadoras de cargas, ve\u00edculos escolares fiscaliza\u00e7\u00e3o e v\u00e1rios outros. E muito mais, as empresas de Car-sharing, ou ainda o transporte por aplicativo, que s\u00f3 em S\u00e3o Paulo conta com mais de 50 mil ve\u00edculos, deveriam aderir ao sistema el\u00e9trico.<\/p>\n<p>Uma a\u00e7\u00e3o ben\u00e9fica para intensificar os ve\u00edculos el\u00e9tricos seria a reativa\u00e7\u00e3o de programas j\u00e1 iniciados em nosso pa\u00eds e que n\u00e3o tiveram continuidade pelas administra\u00e7\u00f5es que se sucederam. H\u00e1 alguns anos, mais precisamente em junho de 2012, a Prefeitura de S\u00e3o Paulo foi a primeira cidade das Am\u00e9ricas a implantar um programa com dez unidades de t\u00e1xis el\u00e9tricos, complementado por outros 116 t\u00e1xis h\u00edbridos. Na \u00e9poca, ainda foram noticiadas as instala\u00e7\u00f5es dos postos de recarga lenta (e r\u00e1pida) em revendedoras de autom\u00f3veis e nas frotas de t\u00e1xis e at\u00e9 em estacionamento de shoppings centers. Embora o n\u00famero desses t\u00e1xis com energia limpa seja insignificante, em face da frota de t\u00e1xis que supera 35 mil ve\u00edculos, seriam importantes como semente.<\/p>\n<p>Excluindo o transporte coletivo sobre trilhos, poucos avan\u00e7os ocorreram em termos de energia limpa. Em S\u00e3o Paulo, houve um esfor\u00e7o do legislativo atrav\u00e9s da Lei de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas de 2009 que determinava que a frota de transporte coletivo utilizasse apenas energias n\u00e3o f\u00f3sseis, at\u00e9 2018. Por\u00e9m, a poucos meses de expirar o prazo legal, os resultados do Programa Ecofrota \u2013 criado para atender as metas da lei das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u2013 est\u00e3o muito distantes de serem alcan\u00e7ados. Acho at\u00e9 que o programa foi desativado. E pior: foi apresentado um projeto na C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo que empurra as medidas de redu\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel f\u00f3ssil para 2037 e, ainda assim, com uma substitui\u00e7\u00e3o apenas parcial: 7.125 \u00f4nibus com biodiesel B100 e 1.500 el\u00e9tricos, numa frota atual de 14.700 ve\u00edculos. Mas, as not\u00edcias est\u00e3o um pouco contradit\u00f3rias. A Secretaria da Mobilidade e Transportes (SMT) de S\u00e3o Paulo estuda uma alternativa para a nova licita\u00e7\u00e3o do sistema de transporte coletivo que inclui metas claras para a ado\u00e7\u00e3o de energias renov\u00e1veis na frota.<\/p>\n<p>A realidade \u00e9 que os transportes eletrificados tiveram avan\u00e7os insignificantes em nosso pa\u00eds e quase todas as redes de tr\u00f3leibus do pa\u00eds foram extintas. A rede de tr\u00f3lebus da cidade de S\u00e3o Paulo, inserida no programa EcoFrota da SPTrans, foi renovada h\u00e1 seis anos, mas conta com apenas 203 unidades em circula\u00e7\u00e3o, frente a uma frota com mais de 14 mil \u00f4nibus a diesel. H\u00e1, ainda, dois \u00f4nibus h\u00edbridos (diesel\/energia el\u00e9trica) em teste. No munic\u00edpio de S\u00e3o Bernardo do Campo, existe um corredor de tr\u00f3leibus que acrescenta uma inova\u00e7\u00e3o: testes com tr\u00eas \u00f4nibus a hidrog\u00eanio. J\u00e1 em Campinas, h\u00e1 12 \u00f4nibus el\u00e9tricos em circula\u00e7\u00e3o e a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 chegar a uma frota de 150, ap\u00f3s a instala\u00e7\u00e3o de uma montadora de ve\u00edculos el\u00e9tricos na cidade. Em Curitiba, foi apresentado um modelo in\u00e9dito de \u00f4nibus el\u00e9trico h\u00edbrido \u201cplug-in\u201d, ou seja, permite a recarga de bateria em pontos de embarque e desembarque de passageiros. Outras iniciativas est\u00e3o em andamento em cidades brasileiras, mas carecem de um volume expressivo que cause impacto nas emiss\u00f5es, mais do que o da simples inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O principal argumento que serve de obst\u00e1culo para o uso dos ve\u00edculos el\u00e9tricos \u00e9 a baixa autonomia de carga da bateria, que gira em torno de 80 a 120 quil\u00f4metros. Isso, por\u00e9m, j\u00e1 foi superado. Mais recentemente, baterias de \u00edons de l\u00edtio e de ferro-l\u00edtio j\u00e1 alcan\u00e7am 240 km de autonomia por dia. Al\u00e9m dessa limita\u00e7\u00e3o, muitos apontam o alto custo de aquisi\u00e7\u00e3o dos modelos el\u00e9tricos como empecilho \u00e0 ado\u00e7\u00e3o do sistema. Realmente, o pre\u00e7o de um el\u00e9trico \u00e9 pelo menos o dobro do a diesel, ou mais. Contudo, a vida \u00fatil de um tr\u00f3lebus ou do \u00f4nibus el\u00e9trico a bateria \u00e9 de 30 a 40 anos. J\u00e1 os ve\u00edculos a combust\u00e3o, al\u00e9m de poluir mais, t\u00eam vida \u00fatil de cerca de 8 a 10 anos. Com o aumento da produ\u00e7\u00e3o, com certeza, haver\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o nos valores. \u00c9 a lei de mercado.<\/p>\n<p>Contornando tecnologicamente os empecilhos relativos \u00e0 autonomia das baterias, j\u00e1 existem em opera\u00e7\u00e3o modelos de \u00f4nibus, que usam baterias recarreg\u00e1veis ao longo do percurso, ou supercapacitores, em que o ve\u00edculo recebe a energia por contato ou indu\u00e7\u00e3o magn\u00e9tica. Os carregadores ao longo do percurso recarregam em 15 a 20 segundos, quando o ve\u00edculo estaciona ou durante embarque e desembarque de passageiros. Os tr\u00f3lebus modernos, os \u00f4nibus el\u00e9tricos a bateria, os h\u00edbridos e o modelo de indu\u00e7\u00e3o magn\u00e9tica, ou melhor, todos os el\u00e9tricos, tanto autom\u00f3veis quanto \u00f4nibus, usam a frenagem ao mesmo tempo para produzir energia. Existe muita evolu\u00e7\u00e3o teconol\u00f3gica. <\/p>\n<p>O n\u00famero de ve\u00edculos el\u00e9tricos aumenta a cada ano no mundo devido \u00e0s cont\u00ednuas inova\u00e7\u00f5es dos modelos e ao empenho dos fabricantes no desenvolvimento das infraestruturas de recarga. Al\u00e9m dos usu\u00e1rios estarem satisfeitos, os incentivos governamentais s\u00e3o fatores que motivam o crescimento da produ\u00e7\u00e3o mundial. Faltam incentivos no Brasil, enquanto o uso desse tipo de sistema vem crescendo no mundo inteiro \u2013 Fran\u00e7a, EUA, Jap\u00e3o e China, especialmente. Nesse contexto, a iniciativa inovadora do Ministro de Minas e Energia, que at\u00e9 se prop\u00f5e a utilizar um ve\u00edculo el\u00e9trico (Renault &#8211; preto) como carro oficial e instalou um eletroposto para recarreg\u00e1-lo em frente ao pr\u00e9dio do minist\u00e9rio, merece apoio e precisa ter continuidade.<\/p>\n<p>Est\u00e1 mais do que na hora do governo brasileiro adotar pol\u00edticas que enxerguem os benef\u00edcios para a popula\u00e7\u00e3o com a redu\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o do ar em nossas cidades.<\/p>\n<p><strong><em>*Por Ivan Metran Whately &#8211; Engenheiro especializado em planejamento de transporte e Diretor do Departamento de Mobilidade e Log\u00edstica do Instituto de Engenharia.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><b>Autor: * site ANTP<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo federal estuda a redu\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que incide sobre os ve\u00edculos el\u00e9tricos dos atuais 25% para 7,5%, a mesma al\u00edquota dos ve\u00edculos flex, conforme declara\u00e7\u00f5es aos jornais do Ministro Fernando Coelho Filho das Minas e Energia. 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