{"id":27699,"date":"2017-07-13T00:48:47","date_gmt":"2017-07-13T00:48:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=27699"},"modified":"2017-07-13T14:19:41","modified_gmt":"2017-07-13T14:19:41","slug":"a-tecnologia-desenvolvida-na-f1-que-pode-ajudar-a-salvar-vidas-de-bebes-doentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/07\/13\/a-tecnologia-desenvolvida-na-f1-que-pode-ajudar-a-salvar-vidas-de-bebes-doentes\/","title":{"rendered":"A tecnologia desenvolvida na F-1 que pode ajudar a salvar vidas de beb\u00eas doentes"},"content":{"rendered":"<p>\n<em>O &#8220;Babypod&#8221; foi desenvolvido para ser leve, forte e acess\u00edvel<\/em><\/p>\n<p>A tecnologia da F\u00f3rmula 1 impactou muitos outros setores, da aeron\u00e1utica ao ciclismo, do transporte p\u00fablico \u00e0 an\u00e1lise de dados &#8211; e agora ajuda no desenvolvimento de um carrinho especial para beb\u00eas gravemente doentes.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea ignorar o apelo das disputas palmo a palmo entre os carros de corrida mais velozes do mundo, tudo pode parecer meio sem gra\u00e7a. Mas a tecnologia desenvolvida no calor da competi\u00e7\u00e3o pode terminar em lugares inesperados.<\/p>\n<p>A equipe Williams, do piloto brasileiro Felipe Massa, por exemplo, que gasta mais de \u00a3 100 milh\u00f5es (R$ 426 milh\u00f5es) a cada ano nos seus carros, usou seus conhecimentos t\u00e9cnicos e materiais para criar um tipo diferente de transporte &#8211; para beb\u00eas rec\u00e9m-nascidos.<\/p>\n<p>O Babypod 20, como \u00e9 conhecido, \u00e9 uma caixa leve e macia com uma tampa transparente e um interior altamente acolchoado. Foi feito para transportar beb\u00eas que est\u00e3o gravemente doentes seja por carro, ambul\u00e2ncia ou helic\u00f3ptero.<br \/>\nEle parece b\u00e1sico, mas \u00e9 resultado de um processo de desenvolvimento intenso. O material usado no design, fibra de carbono, \u00e9 o mesmo &#8211; extremamente resistente &#8211; utilizado tamb\u00e9m nos carros da F1.<\/p>\n<p>O porta-beb\u00ea est\u00e1 sendo constru\u00eddo pela Williams Advanced Engineering, a &#8220;irm\u00e3 dos neg\u00f3cios&#8221; do time da F\u00f3rmula 1, em Grove, no Reino Unido.<\/p>\n<p>A empresa tem trabalhado no novo design ao lado da Advanced Healthcare Technology (AHT), uma companhia que desenvolve sistemas de transporte para beb\u00eas h\u00e1 v\u00e1rios anos.<\/p>\n<p>Carregar rec\u00e9m-nascidos de um lugar para outro n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil.<br \/>\nEles precisam ser mantidos em uma temperatura constante e protegidos de vibra\u00e7\u00e3o e barulhos enquanto s\u00e3o monitorados de perto por uma equipe m\u00e9dica.<\/p>\n<p>No passado, eram usadas incubadoras. Mas elas s\u00e3o equipamentos pesados e desajeitados que demandam um fornecimento el\u00e9trico externo e muitas vezes ve\u00edculos feitos para carreg\u00e1-las tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>O Babypod inicialmente foi desenvolvido pela AHT como uma alternativa leve e mais pr\u00e1tica. A Williams ent\u00e3o foi chamada para desenvolver um design novo e mais avan\u00e7ado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C159\/production\/_96779494_baby-3.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"349\" \/><br \/>\n<em>O carrinho Babypod da Williams deve muito \u00e0 tecnologia dos carros da F1<\/em><\/p>\n<p>O resultado \u00e9 um equipamento que pesa 9,1 kgs &#8211; o mesmo de cerca de tr\u00eas tijolos grandes &#8211; e ocupa relativamente pouco espa\u00e7o, al\u00e9m de poder suportar o impacto de at\u00e9 20 vezes a for\u00e7a da gravidade (para o caso de a ambul\u00e2ncia que o estiver carregando se envolver em um acidente, por exemplo).<\/p>\n<p>O porta-beb\u00ea j\u00e1 est\u00e1 sendo usado pelo Servi\u00e7o de Transporte de Crian\u00e7as (CATS, na sigla em ingl\u00eas) do Hospital Infantil Great Ormond Street em Londres.<\/p>\n<p>O gerente operacional do CATS Eithne Polke diz que o servi\u00e7o est\u00e1 encantado com o novo carrinho, que custa \u00a3 5,000 (R$ 21,3 mil) cada unidade.<\/p>\n<p>O transporte r\u00e1pido e eficiente pode salvar vidas em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia, diz ela, e o carrinho &#8220;permite uma flexibilidade e uma manobra maiores quando transportamos crian\u00e7as gravemente doentes&#8221;.<\/p>\n<p>A Williams Advanced Engineering foi criada em 2010 para fazer um uso maior da tecnologia e do conhecimento desenvolvidos com os altos custos da F\u00f3rmula 1.<\/p>\n<p>Boa parte de seu trabalho ainda est\u00e1 ligado ao setor automotivo. Ela ajudou a desenvolver um carro h\u00edbrido para a Jaguar, por exemplo, e uma vers\u00e3o el\u00e9trica para o carro esportivo Aston Martin rapide, conhecido como RapidE.<\/p>\n<p>Mas ele tamb\u00e9m \u00e9 utilizado em outras \u00e1reas, desenvolvendo sistemas de armazenamento de energia para projetos de energia solar e geladeiras mais eficientes, por exemplo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/132A1\/production\/_96779487_w54i2287.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"349\" \/><br \/>\n<em>A Williams gasta mais de R$ 426 milh\u00f5es ao ano tentando fazer seus carros se tornarem mais r\u00e1pidos<\/em><\/p>\n<p>De acordo com Clare Williams, vice-diretora da equipe de F1, h\u00e1 muito mais oportunidades para esse tipo de explora\u00e7\u00e3o do conhecimento da F1.<\/p>\n<p>&#8220;Materiais leves, compostos, aerodin\u00e2micos&#8230; Todas essas tecnologias podem ser facilmente aplicadas a outras ind\u00fastrias, outros setores, outros projetos e produtos&#8221;, disse ela, &#8220;para invariavelmente melhor\u00e1-los, mas, mais importante que isso, torn\u00e1-los mais seguros&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Esse \u00e9 o caso do Babypod&#8221;.<\/p>\n<p>Um dos rivais da Williams, a McLaren, tamb\u00e9m tem seu bra\u00e7o de engenharia e design &#8211; a McLaren Applied Technologies &#8211; que oferece sua per\u00edcia a v\u00e1rias empresas, da fabricante de bicicletas Specialized at\u00e9 a empresa de perfura\u00e7\u00e3o Ecofisk.<\/p>\n<p>Essas aplica\u00e7\u00f5es de engenharia t\u00eam um objetivo em comum: gerar dinheiro para a equipe da F1.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4C29\/production\/_96779491_banner-1.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"349\" \/><br \/>\n<em>Williams fez uma equipe com a Jaguar para criar o supercarro h\u00edbrido C-X75 da Jaguar<\/em><\/p>\n<p>At\u00e9 agora, a Williams Advanced Engineering tem sido bem-sucedida.<\/p>\n<p>A empresa contribuiu com \u00a3 37 milh\u00f5es (R$ 157 milh\u00f5es) para as receitas do grupo no ano passado, de \u00a3 167 milh\u00f5es (R$ 712 milh\u00f5es). E seu lucro foi de \u00a3 4,2 milh\u00f5es (R$ 18 milh\u00f5es).<\/p>\n<p>Em um esporte que consome dinheiro com a mesma rapidez em que seus carros consomem combust\u00edvel, essa quantia pode parecer pequena. Mas enquanto a Williams batalha para competir com equipes muito mais ricas como Ferrari, Mercedes e Red Bull, cada centavo \u00e9 necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8220;A equipe da F1 ainda est\u00e1 no cerne do que fazemos&#8221;, diz Williams.<\/p>\n<p>&#8220;A corrida est\u00e1 no nosso DNA, mas nos espalhamos e diversificamos, e ter essa receita da Advanced Engineering ser\u00e1 imensamente importante para n\u00f3s no futuro&#8221;.<\/p>\n<p>E se o Babypod for um sucesso, no futuro podemos ter algumas pessoas que devem suas vidas \u00e0 tecnologia desenvolvida por engenheiros da F\u00f3rmula 1.<\/p>\n<p><b>Autor: BBC Brasil<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O &#8220;Babypod&#8221; foi desenvolvido para ser leve, forte e acess\u00edvel A tecnologia da F\u00f3rmula 1 impactou muitos outros setores, da aeron\u00e1utica ao ciclismo, do transporte p\u00fablico \u00e0 an\u00e1lise de dados &#8211; e agora ajuda no desenvolvimento de um carrinho especial para beb\u00eas gravemente doentes. 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