{"id":27404,"date":"2017-03-08T00:44:29","date_gmt":"2017-03-08T00:44:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=27404"},"modified":"2018-04-18T12:02:52","modified_gmt":"2018-04-18T15:02:52","slug":"apos-15-anos-mulheres-continuam-sendo-minoria-nos-cursos-universitarios-de-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/03\/08\/apos-15-anos-mulheres-continuam-sendo-minoria-nos-cursos-universitarios-de-ciencia\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s 15 anos, mulheres continuam sendo minoria nos cursos universit\u00e1rios de ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>As mulheres representam 60% das pessoas que conclu\u00edram cursos superiores no Brasil em 2015, de acordo com o Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior. No entanto, quando s\u00e3o considerados apenas os cursos relacionados \u00e0s ci\u00eancias (biologia, farm\u00e1cia, engenharias, matem\u00e1tica, medicina, f\u00edsica, qu\u00edmica, ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o, entre outros), a participa\u00e7\u00e3o feminina cai para 41% &#8211; \u00edndice que n\u00e3o registra aumento desde 2000.<\/p>\n<p>Considerando isoladamente os cursos de engenharia, o desequil\u00edbrio entre homens e mulheres \u00e9 ainda maior: dos 81.194 estudantes que se formaram em 2015 no pa\u00eds, 29,3% s\u00e3o do sexo feminino e 70,7%, do masculino. Nesse segmento, apesar da despropor\u00e7\u00e3o, houve avan\u00e7o nos \u00faltimos anos: em 2000, as meninas representavam 22,1% dos concluintes de engenharia.<\/p>\n<p>O G1 entrevistou adolescentes e mulheres que j\u00e1 esbarraram em quest\u00f5es de preconceito de g\u00eanero por terem rela\u00e7\u00e3o com a ci\u00eancia. Especialistas tamb\u00e9m comentam as raz\u00f5es de ainda existir desigualdade de oportunidades.<\/p>\n<p>Desde a inf\u00e2ncia<br \/>\nMarcia Barbosa, professora titular da UFRGS e diretora da Academia Brasileira de Ci\u00eancia, afirma que a forma como as meninas s\u00e3o educadas na inf\u00e2ncia pode influenciar na escolha da profiss\u00e3o que seguir\u00e3o na vida adulta. \u201cN\u00f3s formamos as garotas para serem princesinhas, mas uma cientista tem que ser o oposto disso: precisa sujar o vestido\u201d, diz. \u201cO contato com o mundo natural n\u00e3o \u00e9 isento de risco nem \u2018limpinho\u2019. Precisamos eliminar o \u2018princesismo\u2019 que assola a humanidade\u201d.<\/p>\n<p>Ela usa o termo \u201cv\u00edrus pink\u201d (rosa, em ingl\u00eas) para explicar que, ao instituir que as meninas devem ficar apenas sentadas e arrumadas, os pais deixam de incentiv\u00e1-las a explorar o universo. Os garotos, por outro lado, costumam ser associados a atividades como correr e brincar em \u00e1rvores e em terra.<\/p>\n<p>Para a psic\u00f3loga Rita Calegari, as fam\u00edlias e os professores n\u00e3o devem especificar o que \u00e9 \u201cbrincadeira de menino\u201d e o que \u00e9 \u201cbrincadeira de menina\u201d. \u201cEstimulem a garota a v\u00e1rias possibilidades l\u00fadicas: carrinho, futebol, montar pecinhas. Por que sempre o pai s\u00f3 convida o filho menino para acompanh\u00e1-lo ao posto de gasolina ou ao est\u00e1dio?\u201d, questiona a especialista.<\/p>\n<p>\u201cPode ser que a crian\u00e7a n\u00e3o goste. Mas se n\u00e3o houver um convite ou um incentivo a participar de outras atividades, como um museu de ci\u00eancia ou uma exposi\u00e7\u00e3o de carros antigos, as meninas v\u00e3o deixar de descobrir poss\u00edveis talentos e<br \/>\nprefer\u00eancias.\u201d<\/p>\n<p>Brincadeira de menino, profiss\u00e3o de menino<\/p>\n<p>Na adolesc\u00eancia, as mulheres continuam enfrentando os r\u00f3tulos: as \u201cbrincadeiras de menino\u201d viram \u201cprofiss\u00f5es de menino\u201d. Thalita Pinheiro, de 17 anos, \u00e9 estudante de escola p\u00fablica em S\u00e3o Paulo e quer cursar engenharia civil \u2013 mas sua fam\u00edlia cr\u00ea que ela deveria seguir a carreira de pedagoga. \u201cA gente aprende a ser dona de casa, n\u00e3o a construir a casa.<\/p>\n<p>Foi dif\u00edcil discordar dos meus pais, mas desde que conheci laborat\u00f3rios, tive a certeza de que era ali onde eu queria estar\u201d, afirma a menina.<\/p>\n<p>Ela faz um curso de desenho online e, tr\u00eas vezes por semana, tem aulas de edifica\u00e7\u00f5es em uma escola t\u00e9cnica. Para enfrentar o preconceito, Thalita conta com o apoio do professor de matem\u00e1tica. \u201cEle procura cursos para mim e me mostra que \u00e9 poss\u00edvel. Eu n\u00e3o ouvi de ningu\u00e9m que engenharia poderia ser para mulher tamb\u00e9m \u2013 e isso me fez falta. Meu colega diz que sou fr\u00e1gil, que n\u00e3o vou me adaptar. Mas sei que tenho capacidade\u201d, diz.<\/p>\n<p>A escola e a fam\u00edlia s\u00e3o elementos importantes para incentivar as meninas a entenderem que podem seguir qualquer carreira \u2013 inclusive as de ci\u00eancia. Jamile Falc\u00e3o, de Fortaleza (CE), teve o apoio de ambas para ser a \u00fanica menina medalhista de ouro na Olimp\u00edada Brasileira de Matem\u00e1tica (OBM) 2016, aos 14 anos. Ao todo, foram distribu\u00eddas 22 medalhas de ouro naquela edi\u00e7\u00e3o da OBM.<\/p>\n<p>Ela conta que tinha dificuldade em entender os enunciados dos problemas matem\u00e1ticos, mas recebeu ajuda da irm\u00e3 mais velha e \u201cas coisas come\u00e7aram a fazer mais sentido\u201d. \u201cQueria participar de olimp\u00edada, mas minha escola em Pacaju (interior do Cear\u00e1) n\u00e3o demonstrou interesse em me apoiar. Ent\u00e3o fui morar com as minhas irm\u00e3s em Fortaleza e a escola nova fez toda a diferen\u00e7a. Os professores tiram d\u00favidas e n\u00e3o cultivam diferen\u00e7a de g\u00eaneros\u201d, conta.<\/p>\n<p>Jamile ainda n\u00e3o sabe se quer seguir a carreira de engenharia ou de medicina \u2013 mas diz j\u00e1 perceber que enfrentar\u00e1 preconceito. \u201cTento ignorar e caminhar para frente. A sociedade ainda tem esse comportamento de dizer que s\u00f3 garoto consegue as coisas, como se ser menina fosse alguma limita\u00e7\u00e3o. Tive a sorte de crescer em uma fam\u00edlia que n\u00e3o cultivou isso. Nem todas as minhas amigas t\u00eam essa liberdade\u201d, completa.<\/p>\n<p>Sobreviventes<\/p>\n<p>Aquelas mulheres que conseguiram concluir o curso e se consolidar na carreira tentam mostrar \u00e0s meninas mais novas que \u00e9 poss\u00edvel ser cientista. Aos 33 anos, Elisa Orth \u00e9 um exemplo: ela ganhou o pr\u00eamio Rising Talents, da L\u00b4\u00d3real-Unesco, que reconhece jovens pesquisadoras em ascens\u00e3o no mundo inteiro. Ela trabalha na UFPR, com o foco de encontrar alternativas para combater o excesso de pesticida que \u00e9 usado nos alimentos, j\u00e1 que o Brasil \u00e9 o maior consumidor de agrot\u00f3xicos do mundo.<\/p>\n<p>\u201cAcho que n\u00f3s, cientistas, temos que nos mobilizar para estimular as crian\u00e7as, porque \u00e9 nessa fase que podemos despertar o verdadeiro interesse delas. Aqui no departamento de qu\u00edmica da UFPR, recebemos crian\u00e7as de v\u00e1rios col\u00e9gios para apresentarmos a rotina dos laborat\u00f3rios. Elas ficam fascinadas\u201d, conta.<\/p>\n<p>Elisa expressa que ainda existe um estranhamento dos homens ao verem mulheres que tiram boas notas, t\u00eam coloca\u00e7\u00f5es de destaque em concursos p\u00fablicos ou seguem carreiras de sucesso. \u201cAcho que ainda tem muito a imagem de cientista maluco na figura de um homem de cabelo arrepiado. As crian\u00e7as precisam crescer acostumadas a verem mulheres fazendo ci\u00eancia tamb\u00e9m\u201d, diz.<\/p>\n<p>A pesquisadora conta que tem a carreira que sempre sonhou e que isso lhe d\u00e1 perseveran\u00e7a para continuar. No entanto, a situa\u00e7\u00e3o de Elisa \u00e9 incomum: existe o fen\u00f4meno chamado \u201ccano com goteira\u201d ou \u201cefeito tesoura\u201d entre as mulheres que buscam avan\u00e7ar na ci\u00eancia &#8211; conforme as etapas de ensino s\u00e3o percorridas, a porcentagem de indiv\u00edduos do sexo feminino diminui. (gr\u00e1fico abaixo)<br \/>\nEfeito tesoura: participa\u00e7\u00e3o das mulheres decai com o decorrer da carreira (Foto: Arte\/G1)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"\/site\/userfiles\/mulheres-na-ciencia-2.jpg\" alt=\"\" width=\"684\" height=\"1123\" \/>Uma das raz\u00f5es que continua fazendo com que menos mulheres cheguem ao doutorado \u00e9 a maternidade. \u201c\u00c9 algo cultural, n\u00e3o biol\u00f3gico. H\u00e1 uma press\u00e3o de que a fam\u00edlia ficar\u00e1 abandonada se a mulher n\u00e3o estiver presente no lar\u201d, explica a professora Marcia Barbosa.<\/p>\n<p>Ela menciona que ocorreu um avan\u00e7o no Brasil para tentar conter o efeito de abandono dos estudos: desde 2010, as mulheres que fazem p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o com bolsa concedida pela Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes) t\u00eam direito \u00e0 licen\u00e7a-maternidade de at\u00e9 quatro meses, desde que o parto ocorra durante a vig\u00eancia do programa.<\/p>\n<p>O preconceito que existe com mulheres que querem seguir a carreira de pesquisa em ci\u00eancia \u00e9 chamado de \u201cbullying social\u201d pela professora Marcia, ap\u00f3s os estudos sobre g\u00eanero que realizou. \u201cAs meninas que conseguem chegar \u00e0 universidade j\u00e1 s\u00e3o sobreviventes\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Samira Saab estudou em escola estadual e foi aprovada na UFABC, onde pretende cursar neuroci\u00eancia, f\u00edsica ou engenharia aeroespecial (nessa universidade, a escolha da carreira \u00e9 feita ap\u00f3s o ciclo b\u00e1sico, no meio do curso). Aos 18 anos, ela j\u00e1 sente a press\u00e3o de querer sempre estudar: desde a inf\u00e2ncia, carrega livros para todo lado.<\/p>\n<p>Fez interc\u00e2mbio no Jap\u00e3o, por um programa do governo, e aprendeu a falar japon\u00eas; estudou chin\u00eas e, atualmente, come\u00e7a um curso de \u00e1rabe. \u201cQuero estudar sempre, meu ber\u00e7o \u00e9 de humanas, mas o que me alimenta a alma \u00e9 a ci\u00eancia. Quando falo isso, as pessoas apontam o dedo e dizem que sou mulher, que preciso cuidar de casa, criar filho, que vai ser imposs\u00edvel conciliar tudo. A gente tem que ser livre para escolher, mas dizem que n\u00e3o vou conseguir, que preciso cuidar do casamento em vez de um doutorado\u201d, lamenta.<br \/>\nO ITA \u00e9 um dos principais institutos de forma\u00e7\u00e3o na ci\u00eancia no Brasil (Foto: Arte\/G1)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"\/site\/userfiles\/mulheres-na-ciencia-3(1).jpg\" alt=\"\" width=\"688\" height=\"896\" \/><br \/>\nA pesquisadora Fernanda Werneck, premiada no programa \u201cMulheres na Ci\u00eancia\u201d em 2016, enfrentou o desafio de administrar a fam\u00edlia sem abandonar a carreira. Ela \u00e9 bi\u00f3loga e estuda os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na biodiversidade da Amaz\u00f4nia e do Cerrado. Sua filha, Lara, de 11 anos, nasceu enquanto Fernanda e o marido faziam mestrado. \u201cCostumamos brincar que ela j\u00e1 fez a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o conosco. Encarou cinco anos puxados quando faz\u00edamos doutorado no exterior e passou por muitas mudan\u00e7as e viagens ao longo do caminho\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201cConciliar trabalho de campo (na Amaz\u00f4nia) e maternidade pode ser um pouco desafiador. Felizmente me acostumei porque tenho uma fam\u00edlia muito solid\u00e1ria e um marido que tamb\u00e9m \u00e9 cientista. Mas sacrif\u00edcios precisam ser feitos. Espero que com o tempo e com a experi\u00eancia, eu consiga encontrar um bom equil\u00edbrio entre a vida e a pesquisa\u201d, conta.<br \/>\nFernanda lista as dificuldades que as mulheres enfrentam para alcan\u00e7ar uma carreira de sucesso na ci\u00eancia: benef\u00edcios e direitos desiguais no emprego, oferta desigual de oportunidades, preconceito de g\u00eanero, discrimina\u00e7\u00e3o e julgamento com base na apar\u00eancia, acesso mais dif\u00edcil \u00e0s fontes de financiamento. A biologia \u00e9 um campo com pouca disparidade nas universidades no n\u00famero de alunos homens e mulheres, mas um levantamento da revista Nature mostra que o sexo feminino ocupa uma quantidade significativamente menor de cargos efetivos na carreira do que os colegas homens.<br \/>\nIntelectualmente inferiores?<br \/>\nOutro aspecto cultural que interfere na luta das mulheres para seguir a carreira na \u00e1rea de ci\u00eancia \u00e9 a cren\u00e7a de que elas s\u00e3o \u201cintelectualmente inferiores\u201d aos homens. Esta mentalidade aparece desde cedo: Gabriela Fleury, de 19 anos, foi aprovada em engenharia civil, costeira e portu\u00e1ria, na Universidade Federal do Rio Grande (Furg), no Rio Grande do Sul.<br \/>\nEla havia estudado em uma Etec, no curso de edifica\u00e7\u00f5es, e passou por situa\u00e7\u00f5es de constrangimento. \u201cUm menino copiou o meu trabalho e o professor disse que foi o contr\u00e1rio, que eu que tinha copiado. Falou que eu n\u00e3o teria capacidade para fazer sozinha, deu nota m\u00e1xima para o garoto e zero para mim\u201d, diz. \u201cEm outros trabalhos, n\u00e3o deixavam que as meninas cortassem madeira, achavam que era carreira para homem, porque mulher \u00e9 sens\u00edvel\u201d, conta.<\/p>\n<p>Segundo Gabriela, ela tamb\u00e9m ouviu de um menino com quem se relacionava: \u201cvoc\u00ea precisa fazer academia, porque engenheiro s\u00f3 contrata \u2018gostosa\u2019\u201d. J\u00e1 temendo o preconceito que sofreria no ensino superior, a jovem n\u00e3o quis prestar vestibular para cursar engenharia na Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo (Poli-USP). Na Fuvest 2016, 73,9% dos candidatos pda Poli eram homens e 26,1%, mulheres. \u201c\u00c9 uma luta di\u00e1ria. J\u00e1 luto contra o mundo e ouvi hist\u00f3rias horr\u00edveis de l\u00e1. As meninas que ficam na Poli s\u00e3o guerreiras\u201d, diz.<\/p>\n<p>Uma delas \u00e9 Aline de Souza, que faz engenharia mec\u00e2nica na USP \u2013 segundo ela, o curso de engenharia com menos mulheres na universidade paulistana. Ela administra a p\u00e1gina no Facebook chamada \u201cPolit\u00e9cnicas R.existem\u201d, projeto que recebe relatos de alunas que passaram por situa\u00e7\u00f5es de humilha\u00e7\u00e3o pelo machismo de professores e de colegas.<br \/>\nA identidade das v\u00edtimas \u00e9 mantida sob sigilo. \u201cAlguns nos ignoram, outros chamam a menina com roupa mais curta para apresentar o trabalho. Perguntamos algo e os professores fazem quest\u00e3o de mostrar que nossa d\u00favida \u00e9 muito b\u00e1sica. Tenho amigas que tiveram dificuldade para conseguir orientador no TCC, j\u00e1 que n\u00e3o temos professora mulher\u201d, conta.<\/p>\n<p>Solu\u00e7\u00f5es<br \/>\nAs mulheres entrevistadas pelo G1 apresentam propostas para tentar combater o machismo e incentivar meninas a seguir as carreiras de ci\u00eancia. Marcia Barbosa refor\u00e7a a import\u00e2ncia de haver a\u00e7\u00f5es afirmativas que estimulem a contra\u00e7\u00e3o de pessoas do sexo feminino. \u201c\u00c9 um assunto que precisa ser discutido. O Brasil tende a achar que \u00e9 uma quest\u00e3o resolvida, mas estamos longe disso\u201d, diz.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"\/site\/userfiles\/mulheres-na-ciencia-4.jpg\" alt=\"\" width=\"618\" height=\"517\" \/><\/p>\n<p>Para ela, al\u00e9m da descoberta de outros talentos, a entrada de mais mulheres na ci\u00eancia pode contribuir para que as equipes tenham pessoas com diferentes bagagens culturais e maneiras de olhar o mundo. \u201cH\u00e1 uma necessidade de maior diversidade\u201d, afirma Marcia.<br \/>\nA professora tamb\u00e9m ressalta a import\u00e2ncia de todas as m\u00eddias divulgarem as conquistas das mulheres \u2013 seja em descobertas, em olimp\u00edadas ou em cargos de relev\u00e2ncia. \u201cElas v\u00e3o ver, por exemplo, que uma garota abriu uma startup de sucesso e pensar\u00e3o: por que n\u00e3o posso tamb\u00e9m?\u201d, afirma.<br \/>\nFilmes recentes contribuem para o debate: &#8220;Estrelas Al\u00e9m do Tempo&#8221; mostra a trajet\u00f3ria das matem\u00e1ticas Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson, mulheres negras que enfrentaram o preconceito e contribu\u00edram para os avan\u00e7os da Nasa na corrida espacial. Outro exemplo \u00e9 o longa &#8220;Moana: Um Mar de Aventuras&#8221;, que mostra a coragem e o impulso de uma garota em desbravar o oceano.<\/p>\n<p>Rita Calegari menciona a import\u00e2ncia de sempre manter portas abertas: desde a inf\u00e2ncia, estimular que conhe\u00e7am diferentes tipos de atividade. Ela sugere tamb\u00e9m que as escolas sempre apresentem as biografias de grandes mulheres cientistas, importantes na hist\u00f3ria. \u201cQuando vemos mulheres empoderadas, damos o exemplo para as crian\u00e7as\u201d, diz.<br \/>\nAs pr\u00f3prias alunas concordam. Renata Nascimento, de 13 anos, ganhou duas medalhas de ouro na Olimp\u00edada de Matem\u00e1tica das Escolas P\u00fablicas (Obmep). \u201cDesde cedo, todo mundo precisa ser incentivado a gostar de qualquer coisa.&#8221; Samira complementa: \u201cMais exemplos encorajariam a gente\u201d, conta Samira. \u201cNos meus onze anos de escola estadual, vi muita gente desistindo pelo caminho. Ent\u00e3o incentivo todo mundo.\u201d<\/p>\n<p><b>Autor: G1<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda existe resist\u00eancia em aceitar que mulheres sigam carreiras cient\u00edficas. 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