{"id":27281,"date":"2017-01-17T00:42:57","date_gmt":"2017-01-17T00:42:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=27281"},"modified":"2017-01-17T12:21:17","modified_gmt":"2017-01-17T12:21:17","slug":"o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/","title":{"rendered":"O engenheiro que consertou seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Hora do almo\u00e7o em uma pequena companhia de engenharia m\u00e9dica em Tewkesbury. Para entreter as pessoas ao lado dos sandu\u00edches, est\u00e1 um colorido v\u00eddeo: um belo trecho de uma cirurgia cardiovascular mostrando o cora\u00e7\u00e3o e vasos sangu\u00edneos de algu\u00e9m. <\/p>\n<p>Algu\u00e9m, mas n\u00e3o qualquer um. O cora\u00e7\u00e3o batendo exposto que estamos vendo pertence a um dos companheiros de almo\u00e7o. Tal Golesworthy, 60 anos, est\u00e1 ficando careca, fala de maneira r\u00e1pida e eloquente. Ele tamb\u00e9m \u00e9, e esse \u00e9 um detalhe importante, alto, com dedos estranhamente compridos. <\/p>\n<p>H\u00e1 quinze anos Golesworthy descobriu que a n\u00e3o ser que estivesse preparado para uma s\u00e9ria cirurgia em um dos vasos que levam o sangue para fora do seu cora\u00e7\u00e3o, ele enfrentaria um crescente risco de morte prematura. Ele n\u00e3o gostou da ideia de ser operado, mas mais perturbador era saber o que essa cirurgia envolveria especificamente. <\/p>\n<p>Golesworthy n\u00e3o \u00e9 um m\u00e9dico nem qualquer outro tipo de pesquisador em medicina. Ele \u00e9 um engenheiro. Mas com uma autoconfian\u00e7a caracter\u00edstica, ele achou que poderia apresentar uma solu\u00e7\u00e3o mais simples e segura para resolver o seu problema. E ele o fez. Ele convenceu um cirurgi\u00e3o a lev\u00e1-lo a s\u00e9rio, virou a cobaia para a primeira opera\u00e7\u00e3o, e agora \u00e9 dono de uma empresa que fabrica implantes como o que ele guarda no seu peito. O implante est\u00e1 l\u00e1 h\u00e1 uma d\u00e9cada, e mant\u00e9m Golesworthy vivo. <\/p>\n<p>A experi\u00eancia de Golesworthy \u00e9 not\u00e1vel por sua persist\u00eancia e firme determina\u00e7\u00e3o. Mas h\u00e1 mais do que isso. A experi\u00eancia levantou quest\u00f5es sobre a inova\u00e7\u00e3o em cirurgias, a aceita\u00e7\u00e3o de novos procedimentos e a pesquisa necess\u00e1ria para test\u00e1-los. E sinaliza a possibilidade de outros pacientes, que sofrem de outras doen\u00e7as, terem ideias similarmente engenhosas e radicais.<\/p>\n<p>Tal Golesworthy possui s\u00edndrome de Marfan. O dono do nome imortalizado pela doen\u00e7a, Antoine Bernard-Jean Marfan, era um pediatra parisiense. Em uma apresenta\u00e7\u00e3o de caso em 1896 ele descreveu uma menina de cinco anos de idade com membros estranhamente compridos, al\u00e9m de alongados dedos das m\u00e3os e dos p\u00e9s. N\u00e3o foi Marfan que batizou a condi\u00e7\u00e3o com seu nome, mas um de seus sucessores. Paradoxalmente, n\u00e3o \u00e9 certo que a menina sofresse do que agora \u00e9 chamado de s\u00edndrome de Marfan, mas o nome ficou. <\/p>\n<p>A s\u00edndrome \u00e9 gen\u00e9tica em origem, por heran\u00e7a ou muta\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea. Al\u00e9m dos compridos e finos ossos, por isso a altura incomum, pessoas com a s\u00edndrome podem perder a flexibilidade das juntas e ter v\u00e1rios problemas oculares. A causa \u00faltima de tudo isso \u00e9 um erro nos genes respons\u00e1veis por uma prote\u00edna chamada fibrilina, um componente essencial das fibras el\u00e1sticas encontradas, entre outros tecidos, nos vasos sangu\u00edneos. E isso \u00e9 respons\u00e1vel por uma das maiores amea\u00e7as que a s\u00edndrome de Marfan apresenta a Tal Golesworthy e outras pessoas que sofrem dela. A anormalidade deixa alguns dos seus maiores vasos sangu\u00edneos enfraquecidos e menos capazes de lidar com a press\u00e3o do sangue que passa por eles. <\/p>\n<p>Uma das maiores art\u00e9rias do nosso corpo, a aorta, recebe sangue diretamente do ventr\u00edculo esquerdo do cora\u00e7\u00e3o. O sangue flui n\u00e3o em um fluxo cont\u00ednuo, mas em pulsos. A aorta serve como um tipo de amortecedor hidr\u00e1ulico, sucessivamente expandindo e contraindo enquanto a press\u00e3o sobe e desce. Qualquer fraqueza nas paredes da aorta pode permitir o desenvolvimento de uma protuber\u00e2ncia, um aneurisma. Por algum motivo, o ponto mais fraco da aorta em pessoas com s\u00edndrome de Marfan \u00e9 em sua raiz, a se\u00e7\u00e3o adjacente \u00e0s v\u00e1lvulas que protegem a sa\u00edda do ventr\u00edculo esquerdo. Se um aneurisma rompe, o sangramento interno \u00e9 potencialmente fatal.<\/p>\n<p>Golesworthy tinha cinco ou seis anos de idade quando descobriu que tinha s\u00edndrome de Marfan. Seu pai tamb\u00e9m tinha, \u201cEle tinha dois metros de altura e tinha uma vis\u00e3o muito ruim\u201d, Golesworthy se lembra. Mas os m\u00e9dicos na \u00e9poca pareciam estar menos conscientes dos problemas da condi\u00e7\u00e3o. Nem mesmo Golesworthy sabia das implica\u00e7\u00f5es com sua aorta at\u00e9 ele ter trinta anos de idade. Nessa \u00e9poca seus vasos sangu\u00edneos j\u00e1 estavam dilatados, foi a\u00ed que disseram que ele precisava de uma cirurgia. <\/p>\n<p>Introduzida em 1968 e dependente de circula\u00e7\u00e3o extracorp\u00f3rea para manter temporariamente o fluxo de sangue atrav\u00e9s do corpo, a opera\u00e7\u00e3o padr\u00e3o envolve a remo\u00e7\u00e3o da primeira e mais fraca regi\u00e3o da aorta junto \u00e0s v\u00e1lvulas coron\u00e1rias adjacentes. O cirurgi\u00e3o ent\u00e3o substitui a aorta com um peda\u00e7o de tubula\u00e7\u00e3o feito do poli\u00e9ster Dr\u00e1con, e as v\u00e1lvulas naturais por vers\u00f5es mec\u00e2nicas. <\/p>\n<p>A desvantagem \u00e9 que as v\u00e1lvulas mec\u00e2nicas podem desenvolver co\u00e1gulos no sangue. Tratamento com drogas anticoagulantes pelo resto da vida minimiza o risco da embolia, mas cria seus pr\u00f3prios problemas. Pacientes tem um risco aumentado em qualquer doen\u00e7a ou ferimento que causa sangramento. \u201cVoc\u00ea est\u00e1 constantemente andando na corda bamba entre uma embolia e um sangramento\u201d, explica Golesworthy <\/p>\n<p>Dizer que ele n\u00e3o estava empolgado seria pouco. \u201cEu n\u00e3o estava feliz com a ideia da opera\u00e7\u00e3o\u201d, ele confessa, \u201cmas o que mais me incomodava era a ideia de viver a vida toda tomando drogas anticoagulantes\u201d. <\/p>\n<p>Apesar dele n\u00e3o saber na \u00e9poca, cirurgi\u00f5es j\u00e1 haviam desenvolvido uma vers\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o na qual as v\u00e1lvulas do paciente eram deixadas intactas, o que evitava a necessidade de anticoagulantes. Problema resolvido? Parece que n\u00e3o. Apesar dessa opera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ser eficiente, ela tem uma taxa de falha a longo prazo maior. Ent\u00e3o essas s\u00e3o as escolhas; uma boa taxa de sucesso com o pre\u00e7o dos anticoagulantes pro resto da vida; ou evitar os anticoagulantes mas encarar uma chance maior de passar por todo o procedimento mais uma vez. <\/p>\n<p>Golesworthy n\u00e3o sabe porque n\u00e3o ofereceram a ele a opera\u00e7\u00e3o alternativa, mas suspeita que teve mais a ver com as prefer\u00eancias subjetivas de cirurgi\u00f5es espec\u00edficos do que com os dados. De qualquer forma, ele j\u00e1 tinha come\u00e7ado a pensar se n\u00e3o haveria um terceiro caminho, melhor do que os dois j\u00e1 existentes.<\/p>\n<p>Golesworthy enxergou a fraqueza da aorta n\u00e3o pelos olhos de um m\u00e9dico, mas de um engenheiro. Porque substituir tubula\u00e7\u00e3o falha, ele se perguntou, quando \u00e9 mais f\u00e1cil fortalecer a que j\u00e1 existe? \u201cEu disse pra mim mesmo, espere, n\u00f3s podemo escanear a aorta, n\u00f3s podemos usar o CAD, n\u00f3s podemos produzir um suporte personalizado. N\u00f3s podemos fazer isso\u201d. <\/p>\n<p>Se existe tal coisa como um gene de engenheiro, voc\u00ea pode acreditar que Golesworthy o herdou. Seu pai era engenheiro aeron\u00e1utico. \u201cAssim que eu comecei a andar eu peguei uma chave de fendas e comecei a desmontar as coisas. Eu tirei a parte de tr\u00e1s da televis\u00e3o quando eu tinha seis anos.\u201d<\/p>\n<p>Golesworthy conseguiu seu privilegiado status de engenheiro da forma mais dif\u00edcil. Ele come\u00e7ou a estudar Ci\u00eancia dos Materiais mas n\u00e3o gostou do curso, ele largou, se juntou ao Coal Research Establishment e descobriu a educa\u00e7\u00e3o em tempo parcial. \u201cEu n\u00e3o conseguia me comprometer com a universidade\u201d, ele diz. Ele trabalhou em uma variedade de campos, da qu\u00edmica de processo ao controle de polui\u00e7\u00e3o do ar; ele se familiarizou com diversos tipos de instrumentos e tecnologias, incluindo o uso de filtros de tecido. <\/p>\n<p>A inspira\u00e7\u00e3o para a inven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica de Golesworthy veio de um rem\u00e9dio b\u00e1sico para canos com vazamento: o cubra com alguma coisa. Esse simples artif\u00edcio j\u00e1 havia passado pela cabe\u00e7a dos cirurgi\u00f5es, mas eles usavam materiais mais duros; quando usados eles tendem a se movimentar e cortar os vasos que saem da aorta. <\/p>\n<p>Golesworthy n\u00e3o tinha ideia que os cirurgi\u00f5es j\u00e1 haviam testado e abandonado a ideia da cobertura. De qualquer forma o engenheiro dentro dele tamb\u00e9m a rejeitou. \u201cVoc\u00ea olha pro formato [da aorta] e sabe que precisa aplicar uma for\u00e7a uniforme nela inteira. Como fazer isso a cobrindo?\u201d ao inv\u00e9s, ele imaginou algo mais sofisticado: uma cobertura externa, feita sob medida, uma manga que prevenisse o perigoso incha\u00e7o da aorta. Obviamente, o procedimento precisava de um nome: PEARS, que significa \u2018personalised external aortic root support\u2019 [apoio personalizado da raiz aortica].<\/p>\n<p>\nDIY <br \/>\nO engenheiro que consertou seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o <br \/>\nPor: Geoff Watts <br \/>\n14 de janeiro de 2017 \u00e0s 13:30 <br \/>\n256103 <br \/>\nHora do almo\u00e7o em uma pequena companhia de engenharia m\u00e9dica em Tewkesbury. Para entreter as pessoas ao lado dos sandu\u00edches, est\u00e1 um colorido v\u00eddeo: um belo trecho de uma cirurgia cardiovascular mostrando o cora\u00e7\u00e3o e vasos sangu\u00edneos de algu\u00e9m. <\/p>\n<p>Algu\u00e9m, mas n\u00e3o qualquer um. O cora\u00e7\u00e3o batendo exposto que estamos vendo pertence a um dos companheiros de almo\u00e7o. Tal Golesworthy, 60 anos, est\u00e1 ficando careca, fala de maneira r\u00e1pida e eloquente. Ele tamb\u00e9m \u00e9, e esse \u00e9 um detalhe importante, alto, com dedos estranhamente compridos. <\/p>\n<p>H\u00e1 quinze anos Golesworthy descobriu que a n\u00e3o ser que estivesse preparado para uma s\u00e9ria cirurgia em um dos vasos que levam o sangue para fora do seu cora\u00e7\u00e3o, ele enfrentaria um crescente risco de morte prematura. Ele n\u00e3o gostou da ideia de ser operado, mas mais perturbador era saber o que essa cirurgia envolveria especificamente. <\/p>\n<p>Golesworthy n\u00e3o \u00e9 um m\u00e9dico nem qualquer outro tipo de pesquisador em medicina. Ele \u00e9 um engenheiro. Mas com uma autoconfian\u00e7a caracter\u00edstica, ele achou que poderia apresentar uma solu\u00e7\u00e3o mais simples e segura para resolver o seu problema. E ele o fez. Ele convenceu um cirurgi\u00e3o a lev\u00e1-lo a s\u00e9rio, virou a cobaia para a primeira opera\u00e7\u00e3o, e agora \u00e9 dono de uma empresa que fabrica implantes como o que ele guarda no seu peito. O implante est\u00e1 l\u00e1 h\u00e1 uma d\u00e9cada, e mant\u00e9m Golesworthy vivo. <\/p>\n<p>A experi\u00eancia de Golesworthy \u00e9 not\u00e1vel por sua persist\u00eancia e firme determina\u00e7\u00e3o. Mas h\u00e1 mais do que isso. A experi\u00eancia levantou quest\u00f5es sobre a inova\u00e7\u00e3o em cirurgias, a aceita\u00e7\u00e3o de novos procedimentos e a pesquisa necess\u00e1ria para test\u00e1-los. E sinaliza a possibilidade de outros pacientes, que sofrem de outras doen\u00e7as, terem ideias similarmente engenhosas e radicais. <\/p>\n<p>Se um aneurisma rompe, o sangramento interno \u00e9 potencialmente fatal. <\/p>\n<p>Tal Golesworthy possui s\u00edndrome de Marfan. O dono do nome imortalizado pela doen\u00e7a, Antoine Bernard-Jean Marfan, era um pediatra parisiense. Em uma apresenta\u00e7\u00e3o de caso em 1896 ele descreveu uma menina de cinco anos de idade com membros estranhamente compridos, al\u00e9m de alongados dedos das m\u00e3os e dos p\u00e9s. N\u00e3o foi Marfan que batizou a condi\u00e7\u00e3o com seu nome, mas um de seus sucessores. Paradoxalmente, n\u00e3o \u00e9 certo que a menina sofresse do que agora \u00e9 chamado de s\u00edndrome de Marfan, mas o nome ficou. <\/p>\n<p>A s\u00edndrome \u00e9 gen\u00e9tica em origem, por heran\u00e7a ou muta\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea. Al\u00e9m dos compridos e finos ossos, por isso a altura incomum, pessoas com a s\u00edndrome podem perder a flexibilidade das juntas e ter v\u00e1rios problemas oculares. A causa \u00faltima de tudo isso \u00e9 um erro nos genes respons\u00e1veis por uma prote\u00edna chamada fibrilina, um componente essencial das fibras el\u00e1sticas encontradas, entre outros tecidos, nos vasos sangu\u00edneos. E isso \u00e9 respons\u00e1vel por uma das maiores amea\u00e7as que a s\u00edndrome de Marfan apresenta a Tal Golesworthy e outras pessoas que sofrem dela. A anormalidade deixa alguns dos seus maiores vasos sangu\u00edneos enfraquecidos e menos capazes de lidar com a press\u00e3o do sangue que passa por eles. <\/p>\n<p>Uma das maiores art\u00e9rias do nosso corpo, a aorta, recebe sangue diretamente do ventr\u00edculo esquerdo do cora\u00e7\u00e3o. O sangue flui n\u00e3o em um fluxo cont\u00ednuo, mas em pulsos. A aorta serve como um tipo de amortecedor hidr\u00e1ulico, sucessivamente expandindo e contraindo enquanto a press\u00e3o sobe e desce. Qualquer fraqueza nas paredes da aorta pode permitir o desenvolvimento de uma protuber\u00e2ncia, um aneurisma. Por algum motivo, o ponto mais fraco da aorta em pessoas com s\u00edndrome de Marfan \u00e9 em sua raiz, a se\u00e7\u00e3o adjacente \u00e0s v\u00e1lvulas que protegem a sa\u00edda do ventr\u00edculo esquerdo. Se um aneurisma rompe, o sangramento interno \u00e9 potencialmente fatal. <\/p>\n<p>Voc\u00ea est\u00e1 constantemente andando na corda bamba entre uma embolia e um sangramento. <\/p>\n<p>Golesworthy tinha cinco ou seis anos de idade quando descobriu que tinha s\u00edndrome de Marfan. Seu pai tamb\u00e9m tinha, \u201cEle tinha dois metros de altura e tinha uma vis\u00e3o muito ruim\u201d, Golesworthy se lembra. Mas os m\u00e9dicos na \u00e9poca pareciam estar menos conscientes dos problemas da condi\u00e7\u00e3o. Nem mesmo Golesworthy sabia das implica\u00e7\u00f5es com sua aorta at\u00e9 ele ter trinta anos de idade. Nessa \u00e9poca seus vasos sangu\u00edneos j\u00e1 estavam dilatados, foi a\u00ed que disseram que ele precisava de uma cirurgia. <\/p>\n<p>Introduzida em 1968 e dependente de circula\u00e7\u00e3o extracorp\u00f3rea para manter temporariamente o fluxo de sangue atrav\u00e9s do corpo, a opera\u00e7\u00e3o padr\u00e3o envolve a remo\u00e7\u00e3o da primeira e mais fraca regi\u00e3o da aorta junto \u00e0s v\u00e1lvulas coron\u00e1rias adjacentes. O cirurgi\u00e3o ent\u00e3o substitui a aorta com um peda\u00e7o de tubula\u00e7\u00e3o feito do poli\u00e9ster Dr\u00e1con, e as v\u00e1lvulas naturais por vers\u00f5es mec\u00e2nicas. <\/p>\n<p>A desvantagem \u00e9 que as v\u00e1lvulas mec\u00e2nicas podem desenvolver co\u00e1gulos no sangue. Tratamento com drogas anticoagulantes pelo resto da vida minimiza o risco da embolia, mas cria seus pr\u00f3prios problemas. Pacientes tem um risco aumentado em qualquer doen\u00e7a ou ferimento que causa sangramento. \u201cVoc\u00ea est\u00e1 constantemente andando na corda bamba entre uma embolia e um sangramento\u201d, explica Golesworthy <\/p>\n<p>Dizer que ele n\u00e3o estava empolgado seria pouco. \u201cEu n\u00e3o estava feliz com a ideia da opera\u00e7\u00e3o\u201d, ele confessa, \u201cmas o que mais me incomodava era a ideia de viver a vida toda tomando drogas anticoagulantes\u201d. <\/p>\n<p>Apesar dele n\u00e3o saber na \u00e9poca, cirurgi\u00f5es j\u00e1 haviam desenvolvido uma vers\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o na qual as v\u00e1lvulas do paciente eram deixadas intactas, o que evitava a necessidade de anticoagulantes. Problema resolvido? Parece que n\u00e3o. Apesar dessa opera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ser eficiente, ela tem uma taxa de falha a longo prazo maior. Ent\u00e3o essas s\u00e3o as escolhas; uma boa taxa de sucesso com o pre\u00e7o dos anticoagulantes pro resto da vida; ou evitar os anticoagulantes mas encarar uma chance maior de passar por todo o procedimento mais uma vez. <\/p>\n<p>Golesworthy n\u00e3o sabe porque n\u00e3o ofereceram a ele a opera\u00e7\u00e3o alternativa, mas suspeita que teve mais a ver com as prefer\u00eancias subjetivas de cirurgi\u00f5es espec\u00edficos do que com os dados. De qualquer forma, ele j\u00e1 tinha come\u00e7ado a pensar se n\u00e3o haveria um terceiro caminho, melhor do que os dois j\u00e1 existentes. <\/p>\n<p>Assim que eu comecei a andar eu peguei uma chave de fendas e comecei a desmontar as coisas. Eu tirei a parte de tr\u00e1s da televis\u00e3o quando eu tinha seis anos. <\/p>\n<p>Golesworthy enxergou a fraqueza da aorta n\u00e3o pelos olhos de um m\u00e9dico, mas de um engenheiro. Porque substituir tubula\u00e7\u00e3o falha, ele se perguntou, quando \u00e9 mais f\u00e1cil fortalecer a que j\u00e1 existe? \u201cEu disse pra mim mesmo, espere, n\u00f3s podemo escanear a aorta, n\u00f3s podemos usar o CAD, n\u00f3s podemos produzir um suporte personalizado. N\u00f3s podemos fazer isso\u201d. <\/p>\n<p>Se existe tal coisa como um gene de engenheiro, voc\u00ea pode acreditar que Golesworthy o herdou. Seu pai era engenheiro aeron\u00e1utico. \u201cAssim que eu comecei a andar eu peguei uma chave de fendas e comecei a desmontar as coisas. Eu tirei a parte de tr\u00e1s da televis\u00e3o quando eu tinha seis anos.\u201d <\/p>\n<p>ENGINEER,THYSELF_DETAIL_Aorta_0 <\/p>\n<p>Golesworthy conseguiu seu privilegiado status de engenheiro da forma mais dif\u00edcil. Ele come\u00e7ou a estudar Ci\u00eancia dos Materiais mas n\u00e3o gostou do curso, ele largou, se juntou ao Coal Research Establishment e descobriu a educa\u00e7\u00e3o em tempo parcial. \u201cEu n\u00e3o conseguia me comprometer com a universidade\u201d, ele diz. Ele trabalhou em uma variedade de campos, da qu\u00edmica de processo ao controle de polui\u00e7\u00e3o do ar; ele se familiarizou com diversos tipos de instrumentos e tecnologias, incluindo o uso de filtros de tecido. <\/p>\n<p>A inspira\u00e7\u00e3o para a inven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica de Golesworthy veio de um rem\u00e9dio b\u00e1sico para canos com vazamento: o cubra com alguma coisa. Esse simples artif\u00edcio j\u00e1 havia passado pela cabe\u00e7a dos cirurgi\u00f5es, mas eles usavam materiais mais duros; quando usados eles tendem a se movimentar e cortar os vasos que saem da aorta. <\/p>\n<p>Golesworthy n\u00e3o tinha ideia que os cirurgi\u00f5es j\u00e1 haviam testado e abandonado a ideia da cobertura. De qualquer forma o engenheiro dentro dele tamb\u00e9m a rejeitou. \u201cVoc\u00ea olha pro formato [da aorta] e sabe que precisa aplicar uma for\u00e7a uniforme nela inteira. Como fazer isso a cobrindo?\u201d ao inv\u00e9s, ele imaginou algo mais sofisticado: uma cobertura externa, feita sob medida, uma manga que prevenisse o perigoso incha\u00e7o da aorta. Obviamente, o procedimento precisava de um nome: PEARS, que significa \u2018personalised external aortic root support\u2019 [apoio personalizado da raiz aortica]. <\/p>\n<p>Foi preciso um engenheiro para dizer para n\u00f3s pobres m\u00e9dicos como fazer as coisas. <\/p>\n<p>Sua proposta era usar tomografia computadorizada para fazer o modelo tridimensional da raiz aortica. Com o software certo, a tecnologia de prototipagem r\u00e1pida (impress\u00e3o 3D) poderia ent\u00e3o ser usada para fazer um modelo em tamanho real do vaso. Isso serviria como um molde sobre o qual seria tecida uma malha t\u00eaxtil individualizada, do formato e tamanho certo para servir em volta da aorta assim prevenindo sua expans\u00e3o. E n\u00e3o uma malha r\u00edgida, mas uma malha suave, male\u00e1vel, porosa. Optando por esse caminho, Golesworthy pode usar o seu conhecimento adquirido usando filtros t\u00eaxteis durante seus dias na ind\u00fastria do carv\u00e3o. <\/p>\n<p>Mas ainda havia um empecilho: como apresentar uma inova\u00e7\u00e3o m\u00e9dica se voc\u00ea \u00e9 um engenheiro sem envolvimento profissional no sistema de sa\u00fade? Golesworthy decidiu fazer sua apresenta\u00e7\u00e3o durante um dos encontros anuais de informa\u00e7\u00e3o para pacientes da Marfan Association, quinze anos atr\u00e1s. Um dos palestrantes era Tom Treasure. Agora junto \u00e0 Clinical Operational Research Unit na Universidade de Londres, um grupo que busca solu\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas para problemas na medicina cl\u00ednica, Treasure era na \u00e9poca um cirurgi\u00e3o cardiotor\u00e1cico. <\/p>\n<p>Treasure se recorda como Golesworthy o abordou ao final de sua apresenta\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o professor, sobre todos esses cortes\u201d, ele disse. \u201cVoc\u00ea precisa se atualizar e usar um pouco de modelagem em CAD\u201d. Treasure n\u00e3o fazia ideia do que Golesworthy estava falando. \u201cTal estava usando jarg\u00e3o de engenharia. \u2018N\u00f3s podemos usar a prototipagem r\u00e1pida\u2019 Tal me disse. Eu n\u00e3o fazia ideia na \u00e9poca do que era prototipagem r\u00e1pida\u201d. Mas Treasure ficou curioso. Em conversas seguintes ele come\u00e7ou a entender e pensou que tinha os ingredientes de uma boa ideia. \u201cEu vou escutar esse homem o melhor que eu puder\u201d, ele decidiu. <\/p>\n<p>Ele fez isso, e a ideia come\u00e7ou a tomar for\u00e7a. \u201cEu dou o cr\u00e9dito para Tom\u201d, diz Golesworthy. \u201cEle abriu as portas para o mundo m\u00e9dico, e l\u00e1 fomos n\u00f3s.\u201d<\/p>\n<p>Treasure n\u00e3o estava na posi\u00e7\u00e3o de fazer a opera\u00e7\u00e3o pioneira ele mesmo, ent\u00e3o a pr\u00f3xima tarefa era encontrar um cirurgi\u00e3o que pudesse fazer. Ele estava consciente muitos cirurgi\u00f5es simplesmente ignorariam a proposta da nova t\u00e9cnica. Na verdade muitos o fizeram, e at\u00e9 hoje alguns n\u00e3o se convenceram. Treasure abordou John Pepper, um professor de cirurgia cardiotor\u00e1cica no National Heart and Lung Institute no Imperial College de Londres: algu\u00e9m que Treasure descreve como \u201cpreparado para inventar a tend\u00eancia\u201d. A resposta de Pepper foi positiva. <\/p>\n<p>Eu marquei um encontro com Pepper no Royal Brompton Hospital. Ele aparenta ser um homem s\u00f3lido, jovial e amig\u00e1vel, mas com a maneira decidida que voc\u00ea esperaria de um dos maiores cirurgi\u00f5es card\u00edacos do Reino Unido. Vindo de uma fam\u00edlia de engenheiros, ele claramente admira a carreira que, ao entrar na medicina, ele escolheu n\u00e3o seguir. \u201cN\u00f3s vivemos em mundos diferentes. Engenheiros se interessam pelas coisas at\u00e9 o \u00faltimo mil\u00edmetro. Na biologia n\u00f3s n\u00e3o chegamos nem perto dessa precis\u00e3o\u201d. N\u00e3o \u00e9 de surpreender que ele tamb\u00e9m tenha visto rapidamente as vantagens de criar um modelo da aorta do paciente feito sob medida. \u201cFoi preciso um engenheiro para dizer para n\u00f3s pobres m\u00e9dicos como fazer as coisas\u201d, ele disse. <\/p>\n<p>Ainda havia o problema de financiamento. Tendo falhado em conseguir o apoio de uma das maiores organiza\u00e7\u00f5es beneficentes para doen\u00e7as do cora\u00e7\u00e3o, Golesworthy come\u00e7ou a sentir a press\u00e3o. Ele ainda relutava em fazer a cirurgia tradicional, mas sua aorta estava precisando cada vez mais de reparos. Por fim ele conseguiu o financiamento ao come\u00e7ar uma empresa chamada Exstent Ltd para procurar investidores. Ele s\u00f3 tinha um cliente em potencial nesse momento, ele mesmo. <\/p>\n<p>Por ele n\u00e3o ter as habilidades de CAD necess\u00e1rias, ele tamb\u00e9m buscou a ajuda de engenheiros no Imperial College London. \u201cQuando voc\u00ea est\u00e1 t\u00e3o motivado quanto eu estava, voc\u00ea faz as coisas acontecerem. Se voc\u00ea precisa se meter nos lugares, voc\u00ea se mete\u2026 A minha aorta estava dilatando e eu precisava seguir em frente\u201d.<\/p>\n<p>Tal Golesworthy n\u00e3o \u00e9, obviamente, a primeira pessoa com a doen\u00e7a a desenvolver uma nova forma de lidar com ela. Algumas associa\u00e7\u00f5es de pacientes concordaram com sua ideia e fizeram o melhor que podiam para espalh\u00e1-la por a\u00ed. O que n\u00e3o existia era um reposit\u00f3rio que juntasse esse tipo de ideia. O que aconteceu. <\/p>\n<p>Patient Innovation \u00e9 um site mantido por um grupo na Cat\u00f3lica Lisbon School of Business and Economics. Ele permite que os pacientes desenvolvam suas pr\u00f3prias solu\u00e7\u00f5es para suas doen\u00e7as, e compartilhem o que aprenderam ou inventaram. O l\u00edder do projeto \u00e9 Pedro Oliveira. Seu interesse original era em inova\u00e7\u00e3o do usu\u00e1rio em geral: como as pessoas que usam produtos ou servi\u00e7os podem ter um papel em desenvolver novas estrat\u00e9gias e procedimentos. <\/p>\n<p>\u201cO que descobrimos em nossa pesquisa foi que pacientes muitas vezes desenvolvem dispositivos e estrat\u00e9gias incr\u00edveis\u201d, diz Oliveira. \u201cMas tamb\u00e9m descobrimos que essa informa\u00e7\u00e3o muitas vezes n\u00e3o se espalha. Seu foco principal \u00e9 resolver seus pr\u00f3prios problemas, n\u00e3o ajudar os outros. Mesmo que espalhar a ideia por a\u00ed passe por suas cabe\u00e7as, eles n\u00e3o sabem como fazer isso\u201d. <\/p>\n<p>Oliveira e seus colegas lan\u00e7aram o Patient Innovation em fevereiro de 2014, e ele me disse que eles receberam 1.200 projetos independentes. Um time m\u00e9dico olha eles todos; cerca de metade passou pelo teste e foi colocado no site. <\/p>\n<p>Golesworthy estava entre os palestrantes convidados para a reuni\u00e3o inicial do Patient Innovation, e desde ent\u00e3o foi escolhido para um dos seus pr\u00eamios anuais. Outro foi Louis Plante, um canadense de 26 anos de idade com fibrose c\u00edstica. Sua ideia foi um dispositivo ac\u00fastico port\u00e1til para ajudar na drenagem das vias respirat\u00f3rias. <\/p>\n<p>Os pulm\u00f5es de pessoas com fibrose c\u00edstica tendem a produzir uma grande quantidade de muco, e v\u00e1rios m\u00e9todos foram desenvolvidos para remover ou desalojar o muco para permitir que ele seja tossido para fora. Ele imaginou se isso n\u00e3o poderia ser induzido com o desalojamento do muco como uma consequ\u00eancia de vibra\u00e7\u00f5es de baixa frequ\u00eancia em seu peito. Como um t\u00e9cnico em eletr\u00f4nica, ele desenvolveu uma m\u00e1quina para simular esse efeito. Funcionou. Ele usou seu pr\u00f3prio conhecimento para diminuir seu problema, ent\u00e3o comercializou a ideia. <\/p>\n<p>Outro pr\u00eamio foi concedido a um sensor que manda sinais para um celular quando um saco de ostomia est\u00e1 cheio, outro para uma bengala para cegos que pode detectar objetos na altura da cabe\u00e7a, cintura e p\u00e9s, outro para rodas dobr\u00e1veis de cadeiras de roda. Quantas mais ideias engenhosas dessas podem existir por a\u00ed, prontas para serem disseminadas?<\/p>\n<p>Em 2004 Golesworthy havia convencido os investidores a dar dinheiro o bastante, e os \u00faltimos problemas no processo de fabrica\u00e7\u00e3o j\u00e1 estavam sendo resolvidos. Era hora de ir para a mesa de opera\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>\u201cEu sempre falei que seria o primeiro paciente\u201d, Golesworthy se recorda. \u201cEnt\u00e3o me convenceram que eu deveria estar l\u00e1 na opera\u00e7\u00e3o junto com o cirurgi\u00e3o, John Pepper, caso algo desse errado. Mas o cara que estava marcado saltou fora no \u00faltimo minuto\u201d. Ent\u00e3o Golesworthy conseguiu o que queria; ele foi a cobaia no final das contas. <\/p>\n<p>Apesar de ser feliz em ser o paciente n\u00famero um, Golesworthy n\u00e3o gostou da sua espera de dez dias para a opera\u00e7\u00e3o. \u201cEu estava completamente desligado. Eu n\u00e3o conseguia trabalhar, eu n\u00e3o conseguia comer, eu estava completamente agitado. Foi horr\u00edvel\u201d. Ele descobriu como era estressante era a ideia da cirurgia, mas no seu dispositivo ele tinha total confian\u00e7a. Completamente justificada, de acordo com como as coisas aconteceram. <\/p>\n<p>Quando eu perguntei para Golesworthy se eu n\u00e3o poderia visitar as instala\u00e7\u00f5es da companhia em Tewkesbury onde os implantes s\u00e3o feitos, ele nos disse que n\u00e3o tem quase nada o que ver. Ele estava certo. \u00c9 menos empolgante at\u00e9 do que os nossos sandu\u00edches de almo\u00e7o. Tudo o que eu posso fazer \u00e9 observar pelos pain\u00e9is de vidro a sala onde os implantes s\u00e3o feitos, por Golesworthy em pessoa. <\/p>\n<p>Cada um \u00e9 cortado de uma folha de tereftalato de polietileno, uma resina de pol\u00edmero termopl\u00e1stico quimicamente similar ao D\u00e1cron mas transformado em um tecido macio. Mais ou menos do tamanho de uma lingui\u00e7a, apesar de mais comprido e largo, o formato \u00e9 criado ao moldar o tecido em volta da forma customizada, e finalizada com uma costura de um dos lados, que o cirurgi\u00e3o descostura na sala de cirurgia e costura de novo quando a malha \u00e9 colocada em volta da aorta. Leva cerca de um dia para Golesworthy fazer dois deles, e \u00e9 bem complexo. Apesar do dispositivo ser protegido por uma patente, ele se mant\u00e9m reticente quanto aos detalhes da fabrica\u00e7\u00e3o. Talvez exista um elemento de habilidade manual no processo. <\/p>\n<p>A malha, batizada de ExoVasc, chega na sala de cirurgia envolta no molde. Quando ela \u00e9 colocada em volta da aorta o cirurgi\u00e3o a prende refazendo sua \u00fanica costura axial. Mais r\u00e1pido, simples e seguro, sem a necessidade de interromper o fluxo normal do sangue. <\/p>\n<p>Lembrando daquela primeira opera\u00e7\u00e3o, Pepper diz que estava 95 por cento confiante que o procedimento seria um sucesso. \u201c\u00c9 claro\u201d, ele diz, \u201ceu tive uma longa convers com o paciente\u201d. Ele ent\u00e3o ri, pensando no absurdo que \u00e9 discutir os pr\u00f3s e contras do implante com o homem que o inventou. <\/p>\n<p>At\u00e9 esse ponto, Golesworthy estava focado em resolver o seu pr\u00f3prio problema. \u201cAssim que eu me consertei\u201d, ele diz, \u201ceu pensei, agora posso ajudar os outros\u201d. Se o implante de Golesworthy tivesse falhado, a companhia que ele criou teria ficado sozinha com suas d\u00edvidas. At\u00e9 o sucesso foi dif\u00edcil: \u201cEst\u00e1 virando um neg\u00f3cio vi\u00e1vel. Mas de 2004 a 2014 tinhamos n\u00fameros ris\u00edveis de pacientes e lut\u00e1vamos para sobreviver\u2026 Se eu voltasse no tempo, eu duvido que eu faria isso de novo\u201d, ele admite. <\/p>\n<p>Para fazer qualquer coisa funcionar voc\u00ea precisa ter paix\u00e3o. <\/p>\n<p>At\u00e9 agora os resultados do PEARS tem sido impressionantes. O procedimento \u00e9 mais r\u00e1pido do que qualquer uma das cirurgias convencionais, e n\u00e3o precisa interromper a circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea do paciente. <\/p>\n<p>Das duas varia\u00e7\u00f5es da opera\u00e7\u00e3o convencional, a que envolve a remo\u00e7\u00e3o das v\u00e1lvulas naturais do cora\u00e7\u00e3o \u00e9 a mais dur\u00e1vel, mas os riscos combinados de um sangramento ou do tromboembolismo criado pela necessidade vital\u00edcia de drogas anticoagulantes vem com uma taxa percentual de 0.7. N\u00e3o soa t\u00e3o ruim, at\u00e9 voc\u00ea notar que um paciente que vive mais 40 anos ap\u00f3s a opera\u00e7\u00e3o encara um risco mais preocupante do que cerca de um em quatro. A varia\u00e7\u00e3o que poupa as v\u00e1lvulas n\u00e3o precisa de drogas anticoagulantes, mas \u00e9 menos dur\u00e1vel. A taxa de reopera\u00e7\u00e3o anual parece ser cerca de 1,3 por cento, ent\u00e3o se um paciente viver mais 40 anos o risco geral seria mais de dois em cinco. <\/p>\n<p>Um estudo preliminar mostrou que a malha t\u00eaxtil de fato impede o progressivo e perigoso aumento da raiz aortica. Uma an\u00e1lise de 2013 dos primeiros 34 pacientes, com per\u00edodos desde a cirurgia entre 3 a 103 meses, n\u00e3o mostrou problemas com o vaso. Um paciente morreu, mas n\u00e3o foi relacionado ao procedimento em si, <\/p>\n<p>Contr\u00e1rio aos primeiros medos, a malha permanece exatamente onde foi colocada. Melhor ainda, as descobertas da aut\u00f3psia feita em um dos pacientes feita cinco anos ap\u00f3s a cirurgia mostrou que ela parece ter sido incorporada \u00e0s paredes do vaso, que ficou consideravelmente mais robusto. O patologista comparou a apar\u00eancia da se\u00e7\u00e3o da aorta dentro da manga com uma regi\u00e3o adjacente fora dela, diz Pepper. \u201cA parte dentro parecia normal\u2026 Talvez ao tirar um pouco da press\u00e3o da aorta tenha permitido que ela se recuperasse\u201d. At\u00e9 agora, no entanto essa perspectiva atraente continua sendo uma especula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O processo pelo qual os cirurgi\u00f5es bret\u00f5es desenvolveram novos procedimentos e resolveram adot\u00e1-los, \u00e9 menos claro do que o que envolve novas drogas. Mas o estado de quase anarquia que j\u00e1 existiu foi substitu\u00eddo por regulamenta\u00e7\u00f5es de comit\u00eas de \u00e9tica m\u00e9dica, e por um conjunto de guias e protocolos desenvolvidos pelo Royal College of Surgeons. Uma companhia que pretende avaliar um novo dispositivo em teste cl\u00ednico tamb\u00e9m precisa buscar a aprova\u00e7\u00e3o do Medicines and Healthcare Products Regulatory Agency (MHRA). A Exstent fez isso logo no come\u00e7o do projeto PEARS. Para uso de rotina dentro do NHS, um dispositivo ou procedimento precisa passar pelo escrut\u00ednio do National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Sua avalia\u00e7\u00e3o do PEARS, feita em 2011, foi cautelosamente acolhedora, sujeita, obviamente, ao ac\u00famulo de pr\u00f3ximas evid\u00eancias. <\/p>\n<p>Como Pepper e Treasure ambos s\u00e3o conscientes, a prova ideal do valor do PEARS seria por um teste randomizado controlado (RCT na sigla em ingl\u00eas). O que \u00e9 bem dif\u00edcil quando se trata de cirurgias; cirurgi\u00f5es individualmente diferem na habilidade com a qual eles realizam a mesma opera\u00e7\u00e3o, por exemplo. \u201cTom Treasure e eu discutimos isso em detalhe e consultamos pessoas em dois centros de testes randomizados\u201d, diz Pepper. \u201cN\u00f3s achamos que [um RCT] n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel\u201d. Por motivos que incluem a relativa raridade de indiv\u00edduos com a s\u00edndrome de Marfan e na dificuldade de encontrar cirurgi\u00f5es qualificados nos tr\u00eas procedimentos, esse alto padr\u00e3o muito provavelmente n\u00e3o ser\u00e1 alcan\u00e7ado. Tudo o que Treasure e Pepper podem fazer \u00e9 encorajar cirurgi\u00f5es a acompanhar seus pacientes e relatar o que descobrirem. \u201cN\u00f3s fizemos a cirurgia no paciente n\u00famero 76 ontem\u201d, Pepper me diz. \u201cMeu plano \u00e9 que quando conseguirmos 100 pacientes n\u00f3s possamos observar cada um deles muito cuidadosamente e relatar os resultados\u201d. <\/p>\n<p>Apesar da evid\u00eancia dos benef\u00edcios apresentados, ganhar a aceita\u00e7\u00e3o do PEARS n\u00e3o tem sido f\u00e1cil. Por que? Alguns cirurgi\u00f5es ainda est\u00e3o rejeitando sem ouvir, de acordo com Pepper. \u201cEles n\u00e3o reconhecem as vantagens do design assistido por computadores e prototipagem r\u00e1pida. Eles acham que \u00e9 s\u00f3 outra cobertura, o que n\u00e3o funcionou antes e n\u00e3o vai funcionar agora\u201d.<\/p>\n<p>Impelido em parte por essa resposta negativa inicial, Treasure olhou para outras inova\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas. Sua conclus\u00e3o mais ampla \u00e9 que os cirurgi\u00f5es acatam uma nova ideia quando n\u00e3o existe outro rem\u00e9dio para o problema. Quando j\u00e1 existe uma solu\u00e7\u00e3o presente, um procedimento que pode ter levado anos para ser inventado e muito mais para ser aperfei\u00e7oado, eles s\u00e3o menos receptivos \u00e0s vantagens de uma abordagem alternativa que implica em revisar ou at\u00e9 mesmo abandonar uma habilidade que foi adquirida com dificuldade. Se a alternativa parecer mais simples e f\u00e1cil, Treasure diz, eles s\u00e3o ainda mais c\u00e9ticos. Mas quanto ao PEARS, ele acha que a recep\u00e7\u00e3o est\u00e1 mudando.<\/p>\n<p>Surpreendentemente, para um homem que depende de ganhar o apoio de cirurgi\u00f5es, Golesworthy n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e3 deles. \u201cArrogantes, de mente fechada, cegados pelo seu monop\u00f3lio do conhecimento\u201d, ele diz. Ele n\u00e3o seria, obviamente, o primeiro a sugerir que os cirurgi\u00f5es costumam apresentar um ego poderoso. E antes de repudiar as reclama\u00e7\u00f5es de Golesworthy, \u00e9 bom notar que Treasure, apesar de falar em termos mais amenos, apoia algumas delas; \u201cN\u00f3s fomos em reuni\u00e3o atr\u00e1s de reuni\u00e3o, e as pessoas dizem as mesmas inverdades. Eles n\u00e3o leram as pesquisas, eles geralmente n\u00e3o ouvem o que voc\u00ea tem a dizer\u201d. <\/p>\n<p>Pepper tamb\u00e9m \u00e9 ciente dos ocasionais coment\u00e1rios de Golesworthy sobre os cirurgi\u00f5es, mas parece achar eles mais engra\u00e7ados do que irritantes. E n\u00e3o apenas por ele e Treasure estarem especificamente fora dessas cr\u00edticas, mas tamb\u00e9m por ele achar que Golesworthy n\u00e3o aceita completamente o mundo onde vivemos: um mundo que gera cautela extrema. \u201cN\u00f3s somos completamente obcecados com a seguran\u00e7a, e \u00e9 como a maternidade ou torta de ma\u00e7\u00e3. N\u00e3o d\u00e1 pra ser contra\u201d, ele diz, ficando cada vez mais empolgado com seu argumento. \u201cN\u00f3s somos incrivelmente aversos ao risco, no entanto o p\u00fablico quer ver novos tratamentos\u201d. A avers\u00e3o ao risco entre seus colegas, ele insiste, tem sido alimentada pela publica\u00e7\u00e3o dos resultados pessoais individuais dos cirurgi\u00f5es, com a consequente queda da vontade de pegar casos dif\u00edceis onde a probabilidade de falha \u00e9 inevitavelmente maior. <\/p>\n<p>Paradoxalmente, se gabando provavelmente com raz\u00e3o, Golesworthy reconhece que sua apresenta\u00e7\u00e3o pessoal do procedimento \u00e9 um fator que pode mudar a cabe\u00e7a dos cirurgi\u00f5es sobre o PEARS; ele fala com a convic\u00e7\u00e3o nascida dele ser quem \u00e9: parte da prova viva do PEARS. \u201cEle tem uma paix\u00e3o por isso\u201d, acrescenta Pepper. \u201cE para fazer qualquer coisa funcionar voc\u00ea precisa ter paix\u00e3o\u201d. <\/p>\n<p>Os custos relativamente altos da manga faz a opera\u00e7\u00e3o inicial ser mais cara. Mas com menores dura\u00e7\u00f5es de cirurgia, e a longo prazo a elimina\u00e7\u00e3o do tratamento com os rem\u00e9dios e os exames m\u00e9dicos associados, e uma probabilidade reduzida de repetir a opera\u00e7\u00e3o, o PEARS provavelmente fica mais barato no final das contas. <\/p>\n<p>O n\u00famero de pacientes est\u00e1 aumentando. No ano passado 17 passaram pelo procedimento; esse ano ser\u00e3o mais de 20. Vai demorar um tempo at\u00e9 o implante pagar de volta o investimento, mas Golesworthy est\u00e1 otimista. \u201cEst\u00e1 come\u00e7ando a dar certo\u201d, ele diz empolgado. \u201cN\u00f3s temos novos cirurgi\u00f5es e novos centros. Acabamos de fazer quatro pacientes na Nova Zel\u00e2ndia, e eles est\u00e3o bem satisfeitos. N\u00f3s temos centros na Rep\u00fablica Tcheca, dois na Pol\u00f4nia est\u00e3o prestes a serem inaugurados, e estamos conseguindo mais dois no Reino Unido\u201d. <\/p>\n<p>Sobre o futuro a longo prazo do PEARS, Peppers est\u00e1 confiante. \u201cN\u00f3s provamos o conceito\u201d, ele diz. Ele n\u00e3o enxerga o procedimento superar as outras duas opera\u00e7\u00f5es. Pacientes que n\u00e3o herdaram a s\u00edndrome de Marfan podem ser menos informados, e consequentemente menos prov\u00e1veis de procurar ajuda at\u00e9 sua condi\u00e7\u00e3o j\u00e1 estar bem avan\u00e7ada. Tentar usar a malha em uma aorta terrivelmente dilata e consequentemente mais fr\u00e1gil pode causar a pr\u00f3pria calamidade que PEARS busca evitar. Mas abaixo do tamanho cr\u00edtico, Pepper pode ver ele virar o tratamento preferido: \u201cSe o paciente chega a voc\u00ea em um est\u00e1gio inicial da doen\u00e7a, e a aorta est\u00e1 aumentada, mas n\u00e3o muito, PEARS \u00e9 um bom procedimento\u201d. <\/p>\n<p>Futuros pacientes da s\u00edndrome de Marfan que devem sua vida gra\u00e7as \u00e0 modesta malha de tecido que os est\u00e1 mantendo suas aortas, certamente ficar\u00e3o curiosos em saber as suas origens. Qualquer gratid\u00e3o que eles possam sentir, eles devem n\u00e3o apenas aos seus cirurgi\u00f5es, mas a um engenheiro cabe\u00e7a dura e persistente: um colega que sofreu e achou que sabia mais do que seus m\u00e9dicos em como consertar seu problema, e tinha a raz\u00e3o no final.<\/p>\n<p><b>Autor: GizModo<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hora do almo\u00e7o em uma pequena companhia de engenharia m\u00e9dica em Tewkesbury. Para entreter as pessoas ao lado dos sandu\u00edches, est\u00e1 um colorido v\u00eddeo: um belo trecho de uma cirurgia cardiovascular mostrando o cora\u00e7\u00e3o e vasos sangu\u00edneos de algu\u00e9m. Algu\u00e9m, mas n\u00e3o qualquer um. O cora\u00e7\u00e3o batendo exposto que estamos vendo pertence a um dos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,35],"tags":[],"class_list":{"0":"post-27281","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-noticias","7":"category-pesquisa-e-desenvolvimento"},"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.2 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>O engenheiro que consertou seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o - Instituto de Engenharia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O engenheiro que consertou seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o - Instituto de Engenharia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Hora do almo\u00e7o em uma pequena companhia de engenharia m\u00e9dica em Tewkesbury. Para entreter as pessoas ao lado dos sandu\u00edches, est\u00e1 um colorido v\u00eddeo: um belo trecho de uma cirurgia cardiovascular mostrando o cora\u00e7\u00e3o e vasos sangu\u00edneos de algu\u00e9m. Algu\u00e9m, mas n\u00e3o qualquer um. O cora\u00e7\u00e3o batendo exposto que estamos vendo pertence a um dos [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Instituto de Engenharia\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/institutodeengenharia\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-01-17T00:42:57+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2017-01-17T12:21:17+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"TMax Tecnologia\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@iengenharia\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@iengenharia\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"TMax Tecnologia\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"31 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/\"},\"author\":{\"name\":\"TMax Tecnologia\",\"@id\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/#\/schema\/person\/3b1ff109facef084739fc2edcb9a127f\"},\"headline\":\"O engenheiro que consertou seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o\",\"datePublished\":\"2017-01-17T00:42:57+00:00\",\"dateModified\":\"2017-01-17T12:21:17+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/\"},\"wordCount\":6224,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/#organization\"},\"articleSection\":[\"Not\u00edcias\",\"Pesquisa e Desenvolvimento\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/\",\"url\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/\",\"name\":\"O engenheiro que consertou seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o - Instituto de Engenharia\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/#website\"},\"datePublished\":\"2017-01-17T00:42:57+00:00\",\"dateModified\":\"2017-01-17T12:21:17+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"O engenheiro que consertou seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/#website\",\"url\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/\",\"name\":\"Instituto de Engenharia\",\"description\":\"O Instituto de Engenharia promove a Engenharia em benef\u00edcio do desenvolvimento e da qualidade de vida da sociedade.\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/#organization\",\"name\":\"Instituto de Engenharia\",\"url\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/logo-novo-IE2018-1.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/logo-novo-IE2018-1.jpg\",\"width\":1486,\"height\":1879,\"caption\":\"Instituto de Engenharia\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/#\/schema\/logo\/image\/\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/www.facebook.com\/institutodeengenharia\",\"https:\/\/x.com\/iengenharia\",\"https:\/\/www.instagram.com\/institutodeengenharia\/\",\"https:\/\/www.linkedin.com\/company\/instituto-de-engenharia\/\",\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCXiCAlsSMe977vamW915HxA\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/#\/schema\/person\/3b1ff109facef084739fc2edcb9a127f\",\"name\":\"TMax Tecnologia\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/f912434ef7f389c92cb311fcdae346af848465d638912574b3c669070f797701?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/f912434ef7f389c92cb311fcdae346af848465d638912574b3c669070f797701?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/f912434ef7f389c92cb311fcdae346af848465d638912574b3c669070f797701?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"TMax Tecnologia\"},\"url\":\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/author\/tmax\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"O engenheiro que consertou seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o - Instituto de Engenharia","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"O engenheiro que consertou seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o - Instituto de Engenharia","og_description":"Hora do almo\u00e7o em uma pequena companhia de engenharia m\u00e9dica em Tewkesbury. Para entreter as pessoas ao lado dos sandu\u00edches, est\u00e1 um colorido v\u00eddeo: um belo trecho de uma cirurgia cardiovascular mostrando o cora\u00e7\u00e3o e vasos sangu\u00edneos de algu\u00e9m. Algu\u00e9m, mas n\u00e3o qualquer um. O cora\u00e7\u00e3o batendo exposto que estamos vendo pertence a um dos [&hellip;]","og_url":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/","og_site_name":"Instituto de Engenharia","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/institutodeengenharia","article_published_time":"2017-01-17T00:42:57+00:00","article_modified_time":"2017-01-17T12:21:17+00:00","author":"TMax Tecnologia","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@iengenharia","twitter_site":"@iengenharia","twitter_misc":{"Escrito por":"TMax Tecnologia","Est. tempo de leitura":"31 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/"},"author":{"name":"TMax Tecnologia","@id":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/#\/schema\/person\/3b1ff109facef084739fc2edcb9a127f"},"headline":"O engenheiro que consertou seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o","datePublished":"2017-01-17T00:42:57+00:00","dateModified":"2017-01-17T12:21:17+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/"},"wordCount":6224,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/#organization"},"articleSection":["Not\u00edcias","Pesquisa e Desenvolvimento"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/","url":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/","name":"O engenheiro que consertou seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o - Instituto de Engenharia","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/#website"},"datePublished":"2017-01-17T00:42:57+00:00","dateModified":"2017-01-17T12:21:17+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2017\/01\/17\/o-engenheiro-que-consertou-seu-proprio-coracao\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"O engenheiro que consertou seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/#website","url":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/","name":"Instituto de Engenharia","description":"O Instituto de Engenharia promove a Engenharia em benef\u00edcio do desenvolvimento e da qualidade de vida da sociedade.","publisher":{"@id":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/#organization","name":"Instituto de Engenharia","url":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/logo-novo-IE2018-1.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/logo-novo-IE2018-1.jpg","width":1486,"height":1879,"caption":"Instituto de Engenharia"},"image":{"@id":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/institutodeengenharia","https:\/\/x.com\/iengenharia","https:\/\/www.instagram.com\/institutodeengenharia\/","https:\/\/www.linkedin.com\/company\/instituto-de-engenharia\/","https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCXiCAlsSMe977vamW915HxA"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/#\/schema\/person\/3b1ff109facef084739fc2edcb9a127f","name":"TMax Tecnologia","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/f912434ef7f389c92cb311fcdae346af848465d638912574b3c669070f797701?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/f912434ef7f389c92cb311fcdae346af848465d638912574b3c669070f797701?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/f912434ef7f389c92cb311fcdae346af848465d638912574b3c669070f797701?s=96&d=mm&r=g","caption":"TMax Tecnologia"},"url":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/author\/tmax\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27281","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27281"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27281\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}