{"id":26171,"date":"2015-11-16T00:27:47","date_gmt":"2015-11-16T00:27:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=26171"},"modified":"2015-11-16T15:22:15","modified_gmt":"2015-11-16T15:22:15","slug":"conheca-os-engenheiros-que-estao-tentando-impedir-a-destruicao-da-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2015\/11\/16\/conheca-os-engenheiros-que-estao-tentando-impedir-a-destruicao-da-humanidade\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a os engenheiros que est\u00e3o tentando impedir a destrui\u00e7\u00e3o da humanidade"},"content":{"rendered":"<p>Asteroides, ataques de rob\u00f4s e pandemias virais: esses s\u00e3o apenas alguns dos poss\u00edveis fatores que poderiam acabar com a humanidade. A maioria de n\u00f3s prefere n\u00e3o pensar muito sobre o fim dos tempos, mas para a equipe do Instituto Global de Risco Catastr\u00f3fico, o apocalipse \u00e9 s\u00f3 mais um dia de trabalho. <\/p>\n<p>Falamos com o diretor do Instituto Global de Risco Catastr\u00f3fico, Seth Baum, e com o pesquisador Dave Denkenberger para descobrir como a humanidade poder\u00e1 desaparecer. N\u00f3s tamb\u00e9m falamos sobre o que pode ser feito para impedir o apocalipse. Abaixo, segue uma vers\u00e3o resumida e levemente adaptada da nossa entrevista. <\/p>\n<p><strong>Gizmodo: O que seriam esses \u201criscos catastr\u00f3ficos\u201d, e como o Instituto Global de Risco Catastr\u00f3fico os avalia? <\/p>\n<p><\/strong>Baum: Em poucas palavras, um risco catastr\u00f3fico \u00e9 algo que poderia destruir permanentemente a civiliza\u00e7\u00e3o humana. Muitos desses riscos s\u00e3o coisas \u00f3bvias, como supervulc\u00f5es, asteroides, guerras nucleares, certas biotecnologias ou o aquecimento global. <\/p>\n<p>Para ser um pouco mais espec\u00edfico, meu interesse \u00e9 saber se a civiliza\u00e7\u00e3o humana poderia sobreviver ao fim do planeta Terra. Em alguns bilh\u00f5es de anos, nosso Sol ir\u00e1 ficar t\u00e3o quente que a Terra n\u00e3o ser\u00e1 mais um lugar prop\u00edcio \u00e0 vida. Eu me interesso especialmente por cat\u00e1strofes que podem impedir que os humanos saiam da Terra antes que isso aconte\u00e7a.<\/p>\n<p>No Instituto Global de Risco Catastr\u00f3fico, nossa miss\u00e3o \u00e9 compreender os riscos \u00e0 sobreviv\u00eancia humana e ajudar a humanidade a fazer escolhas adequadas frente a essas amea\u00e7as. N\u00f3s usamos uma abordagem de pesquisa baseada na an\u00e1lise de riscos, o que significa que n\u00f3s analisamos a probabilidade de diferentes cen\u00e1rios catastr\u00f3ficos e a severidade de seus impactos. Em seguida, n\u00f3s usamos essas informa\u00e7\u00f5es para identificar as melhores formas de minimizar esses riscos. <\/p>\n<p>Muitos de n\u00f3s possuem forma\u00e7\u00e3o em engenharia, incluindo eu e Dave, e tamb\u00e9m Tony Barrett, que me ajudou a fundar o Instituto h\u00e1 alguns anos. Nossa forma\u00e7\u00e3o em engenharia nos ensinou a analisar todos os detalhes t\u00e9cnicos de cada risco catastr\u00f3fico. Isso faz parte do nosso trabalho. <\/p>\n<p><strong>Vivemos em uma sociedade obcecada com o apocalipse. Voc\u00ea acha que isso indica um aumento real nas chances de aniquila\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a humana? <br \/>\n<\/strong><br \/>\nDenkenberger: O que importa \u00e9 que quando n\u00e3o t\u00ednhamos tecnologia, s\u00f3 existiam os riscos naturais: coisas como asteroides, supervulc\u00f5es e pandemias. Mas agora que vivemos em uma civiliza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, existem uma s\u00e9rie de novos riscos, como a guerra nuclear e a manufatura molecular. Se cri\u00e1ssemos, digamos, um monte de rob\u00f4s min\u00fasculos que podem se replicar, poder\u00edamos perder o controle e sofrer grandes danos. N\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos essa amea\u00e7a h\u00e1 dez mil anos. <\/p>\n<p>Outra observa\u00e7\u00e3o importante \u00e9 que nossa sociedade \u00e9 muito mais integrada do que costumava ser. Um exemplo \u00e9 o com\u00e9rcio global. De certa forma, isso nos torna mais resilientes, porque uma cat\u00e1strofe local com uma seca n\u00e3o tem, necessariamente, consequ\u00eancias graves, j\u00e1 que podemos mandar comida de outro lugar. <\/p>\n<p>Mas essa integra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode ser uma desvantagem. As viagens internacionais nos deixam mais suscet\u00edveis a uma pandemia global. De certa forma, somos mais resistentes a desastres locais, mas estamos mais vulner\u00e1veis a desastres globais. <\/p>\n<p>Baum: Gostaria de acrescentar um ponto: conforme nossa civiliza\u00e7\u00e3o se torna mais moderna, urbana e especializada, n\u00f3s temos cada vez menos pessoas capazes de se sustentarem sozinhas. Poucas pessoas sabem plantar, e poucas sabem como limpar \u00e1gua ou construir m\u00e1quinas \u2014 conhecimentos b\u00e1sicos que s\u00e3o necess\u00e1rios na aus\u00eancia de uma civiliza\u00e7\u00e3o moderna e funcional. <\/p>\n<p>Mas hoje n\u00f3s temos os preppers, os adeptos do movimento sobrevivencialista. Muitos pensam que esses preppers s\u00e3o loucos, mas eu fico feliz por eles existirem. Fico feliz por existirem pessoas que est\u00e3o aprendendo a cultivar, pessoas que querem sobreviver da terra. Essas habilidades podem n\u00e3o ser \u00fateis em todos os cen\u00e1rios catastr\u00f3ficos, mas eu sinto que a humanidade \u00e9 mais resiliente gra\u00e7as a eles. <\/p>\n<p><strong>Na sua opini\u00e3o, qual \u00e9 a maior amea\u00e7a \u00e0 humanidade? <br \/>\n<\/strong><br \/>\nBaum: Isso depende de qual per\u00edodo n\u00f3s estamos falando. No pr\u00f3ximo ano, eu diria que o primeiro item da lista \u00e9, de longe, a guerra nuclear \u2014 a crise na Ucr\u00e2nia pode piorar, por exemplo \u2014 ou uma epidemia. Essas s\u00e3o as coisas que poderiam acabar com a humanidade no espa\u00e7o de um ano. Se estivermos falando de 20, 30, 40 anos no futuro, os cen\u00e1rios que envolvem novos tipos de tecnologia s\u00e3o mais prov\u00e1veis.<\/p>\n<p>Denkenberger: Eu concordo. Eu tamb\u00e9m incluiria outros riscos ainda n\u00e3o citados, incluindo coisas que poderiam causar uma queda de 10% na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, como uma erup\u00e7\u00e3o vulc\u00e2nica do tamanho da erup\u00e7\u00e3o de 1815, que resultou num ano sem ver\u00e3o; mudan\u00e7as clim\u00e1ticas abruptas e falhas de abastecimento simult\u00e2neas em v\u00e1rios pa\u00edses. Uma queda de 10% pode n\u00e3o parecer t\u00e3o ruim, mas o pre\u00e7o da comida aumentaria drasticamente e bilh\u00f5es de pessoas passariam fome. Isso poderia gerar p\u00e2nico e conflitos, o que poderia dar in\u00edcio a uma guerra nuclear. Algumas cat\u00e1strofes de porte m\u00e9dio poderiam desencadear crises muito maiores. <\/p>\n<p>Uma grave mudan\u00e7a clim\u00e1tica parece ser um risco maior do que um asteroide gigantesco; mas este teria repercuss\u00f5es enormes, imediatas e devastadoras. Em qual desses riscos devemos nos focar? <\/p>\n<p>Baum: Um ponto que eu gostaria de levantar \u00e9 que n\u00f3s n\u00e3o precisamos escolher. Muitas medidas espec\u00edficas que nos protegem de um risco podem tamb\u00e9m nos proteger de outros. O trabalho de Dave sobre a prote\u00e7\u00e3o contra cat\u00e1strofes aliment\u00edcias \u00e9 um \u00f3timo exemplo. N\u00f3s seguir\u00edamos os mesmos passos para solucionar a crise aliment\u00edcia decorrente de uma erup\u00e7\u00e3o vulc\u00e2nica ou de um impacto de asteroide, por exemplo. <\/p>\n<p><strong>Dave, voc\u00ea pode nos falar um pouco mais sobre sua pesquisa? <\/p>\n<p><\/strong>Denkenberger: O foco original do meu trabalho era analisar as cat\u00e1strofes que poderiam bloquear a luz do sol e destruir a agricultura convencional. N\u00f3s s\u00f3 temos alguns meses de estoque de comida global, o que significa que a maioria das pessoas morreria e a humanidade entraria em extin\u00e7\u00e3o. Eu estava lendo um artigo cient\u00edfico sobre como os fungos dominaram o planeta ap\u00f3s uma extin\u00e7\u00e3o em massa. O artigo conclu\u00eda que, quando os humanos entrarem em extin\u00e7\u00e3o, talvez o mundo seja dominado mais uma vez pelos cogumelos. Enquanto eu lia isso, s\u00f3 conseguia pensar \u201cespera a\u00ed, e se n\u00f3s comermos cogumelos para sobreviver?\u201d <\/p>\n<p>A\u00ed eu pensei, como poder\u00edamos conseguir comida sem luz? N\u00f3s precisar\u00edamos de coisas que crescem r\u00e1pido e se alimentam de fontes de energia das quais n\u00f3s n\u00e3o podemos nos alimentar. Cogumelos que digerem madeira s\u00e3o uma das poss\u00edveis respostas. Tamb\u00e9m existem bact\u00e9rias que se alimentam de g\u00e1s natural. Eu descobri que existe uma empresa que usa g\u00e1s natural como fonte de energia para certas bact\u00e9rias, que em seguida s\u00e3o transformadas em ra\u00e7\u00e3o de peixe. <\/p>\n<p>Durante minha pesquisa, escrevi um livro chamado Feeding Everyone No Matter What. Eu e um colega fizemos alguns c\u00e1lculos, e n\u00f3s acreditamos que \u00e9 poss\u00edvel estabelecer essas fontes de comida alternativas em apenas um ano, isso se todos os pa\u00edses colaborarem. Essas medidas n\u00e3o custariam muito dinheiro, especialmente se n\u00f3s reutilizarmos equipamentos j\u00e1 existentes, como alguns pa\u00edses fizeram durante a Segunda Guerra Mundial. [Nota do editor: Durante a Segunda Guerra Mundial, as empresas automobil\u00edsticas se uniram \u00e0s for\u00e7as militares para produzir pe\u00e7as de avi\u00f5es, ajudando os EUA a produzir centenas de milhares de avi\u00f5es em apenas alguns anos.] <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m vale mencionar que, se bilh\u00f5es de pessoas estivessem passando fome, n\u00f3s n\u00e3o ligar\u00edamos para a preserva\u00e7\u00e3o de outras esp\u00e9cies. Estimo que, para preservar 100 esp\u00e9cimes de todas as 5.000 esp\u00e9cies de mam\u00edferos, seria necess\u00e1rio um mil\u00e9simo da comida necess\u00e1ria para alimentar todos os 7 bilh\u00f5es de humanos. Se n\u00f3s podemos alimentar humanos, n\u00f3s tamb\u00e9m podemos proteger a biodiversidade. <\/p>\n<p><strong>Se voc\u00ea tivesse a aten\u00e7\u00e3o do Congresso americano, o que voc\u00ea pediria? <br \/>\n<\/strong><br \/>\nDenkenberger: Eu pediria dinheiro para planejar, pesquisar e desenvolver alimentos alternativos. Na verdade, se n\u00f3s tiv\u00e9ssemos uma verba de US$ 100 milh\u00f5es, talvez o envolvimento do Congresso n\u00e3o fosse necess\u00e1rio. Eu planejo pesquisar o qu\u00e3o eficiente essa medida seria, e tamb\u00e9m avaliar a sua urg\u00eancia. A cada dia, o risco de extin\u00e7\u00e3o aumenta. <\/p>\n<p>Baum: Eu evitaria pensar nisso em termos de uma solu\u00e7\u00e3o m\u00e1gica que pode resolver tudo. Se eu tivesse a aten\u00e7\u00e3o do Congresso, eu promoveria um esfor\u00e7o mais amplo para avaliar todos os aspectos desses riscos. N\u00f3s podemos fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo!<\/p>\n<p>Por exemplo, n\u00f3s temos certeza de que o risco de asteroides \u00e9 um pouco menor do que o risco de, digamos, uma guerra. Mas ao mesmo tempo, quando se trabalha na NASA, descobrir como impedir que um asteroide atinja a Terra \u00e9 uma \u00f3tima forma de gastar seu tempo. Creio que o ideal seria ter uma rede de programas tomando conta de tudo que precisa ser feito de forma coordenada, para que n\u00e3o dupliquemos nossos esfor\u00e7os. <\/p>\n<p><strong>Pensar na destrui\u00e7\u00e3o da humanidade todos os dias deixa voc\u00eas meio deprimidos? <br \/>\n<\/strong><br \/>\nDenkenberger: Os otimistas tendem a ignorar os riscos. Os pessimistas tendem a levar esses riscos a s\u00e9rio demais, e por isso deixam de pensar nas poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es. Os dois lados s\u00e3o contraproducentes. Eu diria que estou mais para um otimista: embora eu leve os riscos a s\u00e9rio, acredito que n\u00f3s podemos nos prevenir. <\/p>\n<p>Baum: Sim, tenho momentos em que sinto exatamente isso que voc\u00ea descreveu. Mas no dia a dia, esse \u00e9 s\u00f3 um trabalho, e voc\u00ea acaba se acostumando. Uma boa compara\u00e7\u00e3o s\u00e3o os m\u00e9dicos. Eles passam por situa\u00e7\u00f5es de vida e morte todos os dias, e muitas dessas situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito mais exaustivas emocionalmente do que as an\u00e1lises que fazemos em nossos computadores. Mesmo assim, eles s\u00e3o capazes de se distanciar emocionalmente de tudo aquilo. Se voc\u00ea n\u00e3o fizer isso, voc\u00ea simplesmente se esgota. Al\u00e9m disso, este \u00e9 um trabalho muito fascinante.<\/p>\n<p>&nbsp;<iframe loading=\"lazy\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3UkEximY6lc\" frameborder=\"0\" width=\"560\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/p>\n<p><b>Autor: GizModo<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Asteroides, ataques de rob\u00f4s e pandemias virais: esses s\u00e3o apenas alguns dos poss\u00edveis fatores que poderiam acabar com a humanidade. A maioria de n\u00f3s prefere n\u00e3o pensar muito sobre o fim dos tempos, mas para a equipe do Instituto Global de Risco Catastr\u00f3fico, o apocalipse \u00e9 s\u00f3 mais um dia de trabalho. 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