{"id":26170,"date":"2015-11-16T00:27:46","date_gmt":"2015-11-16T00:27:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=26170"},"modified":"2015-11-16T14:30:06","modified_gmt":"2015-11-16T14:30:06","slug":"como-o-nordeste-virou-polo-da-energia-eolica-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2015\/11\/16\/como-o-nordeste-virou-polo-da-energia-eolica-no-brasil\/","title":{"rendered":"Como o Nordeste virou polo da energia e\u00f3lica no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Em menos de uma d\u00e9cada, o Brasil passou de um pa\u00eds nulo em energia e\u00f3lica para se tornar o 10\u00ba maior produtor do mundo &#8211; e, no centro desta mudan\u00e7a, a regi\u00e3o Nordeste \u00e9 protagonista. <\/p>\n<p>At\u00e9 2006, a gera\u00e7\u00e3o de eletricidade a partir do vento era inexpressiva no Brasil. Isso havia come\u00e7ado a mudar antes, em 2002, com o lan\u00e7amento de um programa de incentivo a fontes de energia renov\u00e1vel pelo governo federal. <\/p>\n<p>E ganhou for\u00e7a a partir de 2009, quando passaram a ocorrer leil\u00f5es para a cria\u00e7\u00e3o de usinas e a contrata\u00e7\u00e3o do fornecimento desse tipo de energia, como o que foi realizado pela Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel) nesta sexta-feira. <\/p>\n<p>Mas a gera\u00e7\u00e3o de energia e\u00f3lica \u00e9 alvo de cr\u00edticos que veem preju\u00edzos ambientais e privatiza\u00e7\u00e3o de \u00e1reas comunit\u00e1rias para a cria\u00e7\u00e3o dos parques. Al\u00e9m disso, ainda h\u00e1 dificuldades na transmiss\u00e3o da energia gerada at\u00e9 as linhas de distribui\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Leil\u00f5es de energia e\u00f3lica e solar <\/p>\n<p>Vinte projetos de gera\u00e7\u00e3o de energia e\u00f3lica foram contratados no 2\u00ba Leil\u00e3o de Energia de Reserva 2015, realizado na \u00faltima sexta-feira. <\/p>\n<p>O leil\u00e3o ainda contratou outros 33 empreendimentos de gera\u00e7\u00e3o de energia solar. <\/p>\n<p>Ao todo, estes projetos representam R$ 6,8 bilh\u00f5es em investimentos em gera\u00e7\u00e3o de energia solar e e\u00f3lica no pa\u00eds nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos. Eles ser\u00e3o constru\u00eddos em nove Estados (BA, MG, PE, CE, TO, SP, RN, MA e PB). <\/p>\n<p>Os projetos ter\u00e3o capacidade instalada de 548,2 megawatts, no caso da energia e\u00f3lica, e 1.115 megawatts para a energia solar. <\/p>\n<p>Com a disputa entre empresas, o valor da energia solar atingiu R$ 297,75\/MWh, uma queda de 21% em rela\u00e7\u00e3o ao pre\u00e7o inicial, de R$ 381,00\/MWh. No caso da energia e\u00f3lica, a redu\u00e7\u00e3o foi de 4,5%. O pre\u00e7o ficou em R$ 203,46\/MWh, diante de um valor inicial de R$ 213,00\/MWh. <\/p>\n<p>Os empreendimentos entrar\u00e3o em opera\u00e7\u00e3o a partir de 1\u00ba de novembro de 2018, com prazo contratual de 20 anos de fornecimento.<\/p>\n<p>Energia e\u00f3lica no Brasil <\/p>\n<p>H\u00e1 hoje no pa\u00eds 322 usinas, com capacidade de produ\u00e7\u00e3o de 8,12 gigawatts, o equivalente \u00e0 usina hidrel\u00e9trica de Tucuru\u00ed, no Par\u00e1, a segunda maior em opera\u00e7\u00e3o no Brasil, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Energia E\u00f3lica (Abee\u00f3lica). Essa fonte de energia responde atualmente por 5,8% da matriz nacional e abastece 6 milh\u00f5es de resid\u00eancias. <\/p>\n<p>De acordo com o Conselho Global de Energia E\u00f3lica, o Brasil tem a 10\u00aa maior capacidade de gera\u00e7\u00e3o do mundo e, em 2014, foi o quarto que mais ampliou esse potencial, atr\u00e1s de China, Alemanha e Estados Unidos. <\/p>\n<p>Essa transforma\u00e7\u00e3o fez do Nordeste o polo da energia e\u00f3lica no Brasil: a regi\u00e3o responde por 75% da capacidade de produ\u00e7\u00e3o nacional (o restante se concentra no Sul do pa\u00eds) e 85% da energia gerada de fato no pa\u00eds por essa fonte. Dos cinco maiores Estados produtores, quatro s\u00e3o da regi\u00e3o: Rio Grande do Norte, Cear\u00e1, Bahia e Piau\u00ed &#8211; o Rio Grande do Sul completa a lista.<\/p>\n<p>Nordeste e\u00f3lico <\/p>\n<p>O que torna o Nordeste t\u00e3o atraente para esse tipo de atividade? <\/p>\n<p>Trata-se de uma voca\u00e7\u00e3o natural da regi\u00e3o, segundo o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, opini\u00e3o compartilhada por especialistas. <\/p>\n<p>&#8220;O vento brasileiro est\u00e1 predominantemente localizado na parte setentrional do Nordeste, com potencial identificado de 300 gigawatts,&#8221; disse Braga \u00e0 BBC Brasil. &#8220;Esse potencial tem-se revelado cada vez mais eficiente, levando a um investimento significativo nessa regi\u00e3o.&#8221; <\/p>\n<p>\u00c9lbia Gannoum, presidente da Abee\u00f3lica, explica que, enquanto a m\u00e9dia de produtividade de um gerador e\u00f3lico \u00e9 de 28% a 30% no mundo e supera 50% no Brasil, este \u00edndice atinge picos de 83% no Nordeste. <\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m de ter uma velocidade bem superior \u00e0 necess\u00e1ria para gera\u00e7\u00e3o de energia, o vento na regi\u00e3o \u00e9 unidirecional e est\u00e1vel, sem rajadas. Isso significa que a energia \u00e9 produzida o tempo todo,&#8221; afirma Gannoum. &#8220;Este tipo de vento vem do Atl\u00e2ntico e chega a mais tr\u00eas outros pa\u00edses: Eti\u00f3pia, Venezuela e Som\u00e1lia. Mas eles n\u00e3o t\u00eam parques e\u00f3licos para aproveit\u00e1-lo.&#8221;<\/p>\n<p>Maur\u00edcio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE), que \u00e9 vinculada ao Minist\u00e9rio de Minas e Energia, afirma que a produ\u00e7\u00e3o e\u00f3lica faz do Brasil e, por consequ\u00eancia, do Nordeste, um &#8220;caso de sucesso em energia e\u00f3lica no mundo&#8221; que seria estudado &#8220;por pa\u00edses da Europa, como a Alemanha, e outros da Am\u00e9rica Latina&#8221;. <\/p>\n<p>&#8220;Fui convidado para integrar a mesa de abertura do semin\u00e1rio da associa\u00e7\u00e3o europeia de energia e\u00f3lica. Ser\u00e1 emblem\u00e1tico ter um brasileiro participando de um evento feito por europeus e para europeus. Isso mostra o interesse do mundo por n\u00f3s,&#8221; disse Tolmasquim. <\/p>\n<p>Tecnologia e\u00f3lica <\/p>\n<p>Avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos tamb\u00e9m contribu\u00edram para tornar o processo mais competitivo no Brasil. Nos \u00faltimos dez anos, as torres de geradores ficaram mais altas, passando de 50 metros para os 100 a 120 metros atuais, o que permite captar ventos mais velozes. Ao mesmo tempo, a pot\u00eancia das m\u00e1quinas triplicou, alcan\u00e7ando 3 megawatts.<\/p>\n<p>Os geradores mais eficientes reduziram o custo da energia e\u00f3lica. Hoje, o pre\u00e7o m\u00e9dio \u00e9 45% menor do que h\u00e1 dez anos, fazendo com a e\u00f3lica seja a segunda energia mais barata no pa\u00eds, s\u00f3 atr\u00e1s da hidrel\u00e9trica.<\/p>\n<p>Ventos contr\u00e1rios <\/p>\n<p>Especialistas apontam, no entanto, problemas e desafios para a expans\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o de energia e\u00f3lica no Nordeste. Jorge Ant\u00f4nio Villar, coordenador do Centro de Energia E\u00f3lica da PUC-RS, alerta ser preciso ter aten\u00e7\u00e3o aos preju\u00edzos ambientais que ela pode causar. <\/p>\n<p>&#8220;Estudos realizados no Cear\u00e1 mostram que os parques instalados no Estado desestruturaram a din\u00e2mica ambiental e ecol\u00f3gica de dunas locais, al\u00e9m de privatizarem \u00e1reas localizadas entre comunidades litor\u00e2neas e as praias sobre as quais elas tinham direito natural&#8221;, afirma Villar. &#8220;O crescimento da atividade deveria contar com uma maior preocupa\u00e7\u00e3o relativa aos m\u00e9todos e procedimentos e uma avalia\u00e7\u00e3o mais rigorosa dos impactos socioambientais.&#8221; <\/p>\n<p>Outro aspecto diz respeito \u00e0 infraestrutura. O ritmo de expans\u00e3o de parques e usinas n\u00e3o tem sido acompanhado na mesma medida pela constru\u00e7\u00e3o de linhas de transmiss\u00e3o para levar esta energia at\u00e9 a popula\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Em 2014, uma auditoria do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o estimou que a falta de linhas impediu, entre julho de 2012 e dezembro de 2013, que 48 parques e usinas no Rio Grande do Norte e na Bahia escoassem sua produ\u00e7\u00e3o, gerando um preju\u00edzo de R$ 929 milh\u00f5es.<\/p>\n<p><b>Autor: BBC<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em menos de uma d\u00e9cada, o Brasil passou de um pa\u00eds nulo em energia e\u00f3lica para se tornar o 10\u00ba maior produtor do mundo &#8211; e, no centro desta mudan\u00e7a, a regi\u00e3o Nordeste \u00e9 protagonista. At\u00e9 2006, a gera\u00e7\u00e3o de eletricidade a partir do vento era inexpressiva no Brasil. 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