{"id":25530,"date":"2015-05-11T00:19:00","date_gmt":"2015-05-11T00:19:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=25530"},"modified":"2015-05-11T10:47:51","modified_gmt":"2015-05-11T10:47:51","slug":"o-diabo-mora-nos-detalhes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2015\/05\/11\/o-diabo-mora-nos-detalhes\/","title":{"rendered":"O Diabo mora nos detalhes &#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Quem n\u00e3o se lembra, l\u00e1 pelos meados de 2006, da imagem sorridente do ent\u00e3o Presidente da Rep\u00fablica com as m\u00e3os manchadas de \u00f3leo cru, vestido num macac\u00e3o cor de laranja anunciando a descoberta do pr\u00e9-sal? Aquela imagem, convenhamos, animava o mais pessimista dos seres.&nbsp;<\/p>\n<p>Naquela oportunidade, o pre\u00e7o do barril, oscilava na faixa de US$ 65,00. Por\u00e9m as perguntas fundamentais eram, quanto custaria extrair a 7.000 metros de profundidade ? Como prever as oscila\u00e7\u00f5es do mercado que justificasse a rela\u00e7\u00e3o custo\/benef\u00edcio ? Qual o vi\u00e9s tecnol\u00f3gico no campo energ\u00e9tico para o s\u00e9culo XXI ?&nbsp;<\/p>\n<p>Os mais otimistas destacavam a relatividade dos custos de produ\u00e7\u00e3o por conta do ganho de escala futuro e do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico para extra\u00e7\u00e3o, desqualificando portanto o eventual problema de custo, classificando como detalhe pouco significativo. A referendar esta l\u00f3gica, temos o exemplo dom\u00e9stico do Pro\u00e1lcool, invi\u00e1vel nos anos 70 e fundamental nos anos subsequentes. Contudo, recordamos que nos anos 70 n\u00e3o havia nenhuma alternativa, cara ou barata, para substituir o ouro negro. Mergulhar naquela alternativa foi uma escolha que se mostrou acertada, por\u00e9m \u00fanica, mas lembrando que passamos a produzir um outro produto, substituto do petr\u00f3leo, que revolveu e renovou toda ind\u00fastria, especialmente de motores.&nbsp;<\/p>\n<p>O que se viu de l\u00e1 para c\u00e1 na pol\u00edtica dos pa\u00edses avan\u00e7ados, foi justamente buscar outras alternativas, substitutas, cada um a sua maneira, criando e desenvolvendo novos produtos e utilizando fontes energ\u00e9ticas diferenciadas.&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto isso, a grosso modo, entre 2007 e 2008 o pre\u00e7o do barril aproximava-se de US$ 90,00 e nos anos de 2009 at\u00e9 2012 superava levemente o US$ 100,00, com oscila\u00e7\u00f5es para cima e para baixo, na mais pura lei de mercado, a chamada oferta e procura, t\u00e3o desconhecida da esquerda caviar e seus seguidores. A expectativa sonhatica dos envolvidos, aqui no Brasil, era que o pre\u00e7o do petr\u00f3leo poderia chegar a US$ 120,00 o barril no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI.&nbsp;<\/p>\n<p>Isto posto, a Petrobras estimou a necessidade de investimento de US$ 400 bilh\u00f5es no per\u00edodo 2012\/2020 , somente para o pr\u00e9-sal. Este valor, mesmo considerando um per\u00edodo de 8 anos, \u00e9 semelhante ao PIB anual de muito pa\u00eds, mundo afora. N\u00e3o \u00e9 pouca coisa. Mas tudo parecia normal.&nbsp;<\/p>\n<p>Mas o mundo foi seguindo sua trajet\u00f3ria, onde o ser humano as voltas com a incessante busca de solu\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas, foi testando e usando de tudo. \u00d3leo de cozinha reciclado em avi\u00e3o. Energia solar em pa\u00edses europeus com intensidade muito inferior ao hemisf\u00e9rio sul. E\u00f3lica em locais com costa mar\u00edtima insignificante, quando comparada com a brasileira, por exemplo. Isto para n\u00e3o dizer na popula\u00e7\u00e3o de bois no Brasil, que representa 1\/3 de TODA popula\u00e7\u00e3o humana da Europa, na produ\u00e7\u00e3o de biomassa.&nbsp;<\/p>\n<p>Para a desgra\u00e7a geral da na\u00e7\u00e3o, os EUA (por conta do xisto) reduziram em 2014, as importa\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo em torno de US$ 600 bilh\u00f5es ano. Ou seja, num \u00fanico ano, os norte americanos por conta de um novo produto, empurraram o mercado de petr\u00f3leo para baixo, equivalente a 1 \u00bd pr\u00e9-sal de investimentos para uma d\u00e9cada.&nbsp;<\/p>\n<p>E n\u00e3o param por ai. A Tesla Motors, lan\u00e7ar\u00e1 um modelo de carro el\u00e9trico (EUA), com nome muito significativo: Powerwall. Este veiculo permite deslocar a bateria do autom\u00f3vel para a parede de uma resid\u00eancia, possibilitando recarregar as baterias das placas solares de um im\u00f3vel . \u00c9 a incr\u00edvel fus\u00e3o dos conceitos de utilidade do im\u00f3vel com o m\u00f3vel no campo energ\u00e9tico. E tem mais ! A General Motors lan\u00e7ar\u00e1 em 2016, um modelo el\u00e9trico batizado de \u201cBolt\u201d, com pre\u00e7o de venda de US$ 30 mil. Estes novos conceitos (pre\u00e7o baixo dos ve\u00edculos e alternativas tecnol\u00f3gicas) impulsionaram o mercado norte americano, levando os consumidores a adquirirem 64.000 unidades de el\u00e9tricos em 2014. E o Brasil ? Nanicos 855 autom\u00f3veis.&nbsp;<\/p>\n<p>Fica claro portanto que enquanto fazemos mais do mesmo no Brasil, o mundo faz menos do mesmo e mais de outras coisas. Enquanto diversos pa\u00edses tentam reduzir o consumo de petr\u00f3leo e de outras fontes ditas tradicionais (carv\u00e3o e nuclear), seguimos inversamente, cavando petr\u00f3leo a 7.000 metros e retomando Angra 3, interrompida h\u00e1 20 anos, um contra senso quando comparado com a Alemanha (fornecedora das nossas turbinas nucleares), que desligar\u00e1 at\u00e9 2025, todas suas usinas nucleares.&nbsp;<\/p>\n<p>O que est\u00e1 claro e indiscut\u00edvel nos dias de hoje, \u00e9 que a Petrobr\u00e1s extrai petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal a um custo de cerca de US$ 50 o barril, igual ao pre\u00e7o atual do mercado. N\u00e3o tem mais capacidade isolada de investimento e est\u00e1 buscando novos parceiros para esta aventura subaqu\u00e1tica . Por\u00e9m o site da empresa em 2015, continua festejando, como se estivesse estacionado em 2006, dizendo \u201cDe 2010 a 2014, a m\u00e9dia anual de produ\u00e7\u00e3o di\u00e1ria do pr\u00e9-sal cresceu quase 12 vezes, avan\u00e7ando de uma m\u00e9dia de 42 mil barris por dia em 2010 para 492 mil barris por dia em 2014. Atualmente, essa produ\u00e7\u00e3o corresponde a aproximadamente 20% do nosso total de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e em 2018 chegar\u00e1 a 52%\u201d. Somente esqueceram de citar um m\u00edsero detalhe : custo ! Sobre as perspectivas do futuro (reais) ent\u00e3o ? Nem pensar !&nbsp;<\/p>\n<p>Do nosso otimismo do passado recente, portanto, pouco tem restado. Daquela imagem das m\u00e3os manchadas de 2006, a \u00fanica coisa que nos restou s\u00e3o as m\u00e3os manchadas &#8230; e n\u00e3o s\u00e3o de petr\u00f3leo. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os artigos publicados com assinatura, n\u00e3o traduzem necessariamente a opini\u00e3o do Instituto de Engenharia. 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