{"id":24839,"date":"2014-07-14T00:09:48","date_gmt":"2014-07-14T00:09:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=24839"},"modified":"2014-07-14T10:34:50","modified_gmt":"2014-07-14T10:34:50","slug":"bemvindos-a-maior-cidade-fantasma-do-mundo-ordos-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2014\/07\/14\/bemvindos-a-maior-cidade-fantasma-do-mundo-ordos-china\/","title":{"rendered":"Bem-vindos \u00e0 maior cidade fantasma do mundo: Ordos, China"},"content":{"rendered":"<p>Constru\u00edda para mais de um milh\u00e3o de habitantes, a cidade de Ordos foi projetada para ser a gloriosa coroa\u00e7\u00e3o da Mong\u00f3lia Interior. Por\u00e9m, condenada \u00e0 incompletude, essa metr\u00f3pole futur\u00edstica agora reina vazia nos desertos ao norte da China. Apenas 2% dos seus edif\u00edcios foram preenchidos; o resto tem sido abandonado \u00e0 decad\u00eancia, abandonado no meio da constru\u00e7\u00e3o, dando a Ordos o t\u00edtulo de Cidade Fantasma da China. <\/p>\n<p>Ano passado eu viajei sozinho para a Mong\u00f3lia Interior, para olhar de perto a bizarra metr\u00f3pole fantasma de Ordos\u2026 e a experi\u00eancia, como eu vim a descobrir, foi mais estranha do que qualquer coisa que eu pudesse ter me preparado para viver. <\/p>\n<p>Este post apareceu originalmente no The Bohemian Blog, de Darmon Richter. Foi republicado aqui com a permiss\u00e3o de Darmon. <\/p>\n<p>A cidade fantasma da Mong\u00f3lia Interior <br \/>\nO mercado imobili\u00e1rio chin\u00eas \u00e9 um lugar estranho. <\/p>\n<p>Com uma popula\u00e7\u00e3o de 1.351.000.000 pessoas e crescendo, o consequente crescimento na incorpora\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria levou a novos milion\u00e1rios e uma elite rapidamente crescente; ao mesmo tempo, por\u00e9m, analistas temem que essa bolha imobili\u00e1ria esteja prestes a estourar. O pr\u00f3prio pa\u00eds tem quase um trilh\u00e3o de d\u00f3lares em d\u00edvidas. <\/p>\n<p>Enquanto isso, um bilh\u00e3o de pessoas est\u00e3o acordando para as possibilidades de carros velozes, smartphones, internet banda larga e cart\u00f5es de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Algumas das cidades chinesas que crescem mais r\u00e1pido s\u00e3o praticamente desconhecidas no Ocidente; mas para cada hist\u00f3ria de sucesso econ\u00f4mico repentino, parece haver uma faixa escondida de quases-l\u00e1s, becos sem sa\u00edda e fal\u00eancias. Dentre essas assombra\u00e7\u00f5es, no entanto, nenhuma se compara \u00e0 estranheza da \u201ccidade fantasma\u201d chinesa: Ordos. <\/p>\n<p>A cidade de Ordos \u00e9 um centro populacional fortemente estilizado, localizado pr\u00f3ximo ao Deserto de Ordos, e \u00e9 uma das maiores cidades da Mong\u00f3lia Interior. Essa \u00e1rea \u00e9 famosa por sua popula\u00e7\u00e3o rapidamente crescente e \u00e1reas urbanas em desenvolvimento: a regi\u00e3o da Mong\u00f3lia Interior ostenta um PIB maior do que a pr\u00f3pria Pequim. <\/p>\n<p>A Mong\u00f3lia Interior \u00e9 um lugar interessante. Local de nascimento de Gengis Khan, apenas 79% da popula\u00e7\u00e3o pertence \u00e0 etinia Han, predominante na China, enquanto 17% s\u00e3o de origem mongol. Antes parte da Grande Mong\u00f3lia, at\u00e9 consecutivos imp\u00e9rios chineses e, mais recentemente, a chegada ao poder do Partido Comunista, a Mong\u00f3lia Interior foi sendo moldada e fundida, de novo e de novo, como uma prov\u00edncia subordinada \u00e0 China.<\/p>\n<p>Curiosamente, apesar disso a Mong\u00f3lia Interior \u00e9 um dos poucos lugares no mundo que ainda usa a escrita tradicional mongol. Enquanto a pr\u00f3pria Mong\u00f3lia adotou o cir\u00edlico durante os tempos comunistas, talvez os mong\u00f3is da China sentiram que tinham mais a provar, se agarrando fortemente a sua heran\u00e7a e, como consequ\u00eancia, os antigos caracteres ainda hoje aparecem em placas de rua em Ordos e Kangbashi. <\/p>\n<p>Quando uma conglomera\u00e7\u00e3o de promotores imobili\u00e1rios come\u00e7aram a planejar um novo centro urbano do lado de fora da j\u00e1 existente cidade de Ordos, em 2003, a Kangbashi New Area, pareceu que Ordos estava pronta para se tornar a j\u00f3ia futur\u00edstica na coroa de cidades-estado chinesas. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, ningu\u00e9m realmente antecipou o qu\u00e3o r\u00e1pido esse novo projeto iria desabar. Os prazos n\u00e3o foram cumpridos, empr\u00e9stimos n\u00e3o foram pagos e investidores ca\u00edram fora antes que os projetos fossem terminados, deixando ali ruas inteiras de pr\u00e9dios inacabados. O custo absurdo de acomoda\u00e7\u00e3o nessa cidade dos sonhos espantava muitos poss\u00edveis habitantes, ent\u00e3o ficou dif\u00edcil vender at\u00e9 mesmo os apartamentos completos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" width=\"448\" height=\"299\" src=\"\/site\/userfiles\/2(18).jpg\" \/><\/p>\n<p>De acordo com um taxista local com quem conversei, muitos dos que chegaram a se mudar para Kangbashi j\u00e1 estavam abandonando suas casas e fugindo da cidade fantasma. <\/p>\n<p>Enquanto alguns desenvolvedores ainda trabalham em seus ingratos projetos de constru\u00e7\u00e3o, outros est\u00e3o ocupados baixando os pre\u00e7os. Pre\u00e7os t\u00edpicos de casas em Kangbashi ca\u00edram de 3666 d\u00f3lares para 1566 d\u00f3lares o metro quadrado, apenas nos \u00faltimos cinco anos. <\/p>\n<p>Hoje em dia no distrito de Kangbashi, planejado para acomodar uma popula\u00e7\u00e3o de mais de um millh\u00e3o, \u00e9 lar de 20 mil pessoas solit\u00e1rias, deixando 98% desse local de 355 quil\u00f4metros quadrados ainda sob constru\u00e7\u00e3o ou completamente abandonado. <\/p>\n<p>Uma reportagem da AlJazeera de novembro de 2009 mostrou a cidade de Ordos para uma audi\u00eancia mundia, e a hist\u00f3ria correu no ano seguinte at\u00e9 a Time Magazine. Rapidamente, Ordos ganhou o t\u00edtulo de \u201ccidade fantasma da China\u201d. <\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, jornalistas e fot\u00f3grafos, representando diversas publica\u00e7\u00f5es renomadas mundialmente, capturam as ruas vazias de Kangbashi, sua linha ap\u00f3s linha de blocos de apartamentos abandonados no meio da constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" width=\"448\" height=\"299\" src=\"\/site\/userfiles\/3(19).jpg\" \/><\/p>\n<p>No entanto, nenhum deles pareceu se aventurar para longe do centro da cidade e suas ruas adjacentes; o resultado s\u00e3o paisagens urbanas p\u00f3s-apocal\u00edpticas, amplas, que deixam muito \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o. Quanto mais eu lia sobre Ordos, mais eu queria saber o que se escondia atr\u00e1s dessas portas e janelas colocadas apressadamente; ver por dentro, de verdade, sob a pele da cidade que nunca aconteceu. <\/p>\n<p>Ano passado, meu sonho se tornou realidade. Eu me juntei ao Gareth do Young Pioneer Tours \u2013 um cara maluco o bastante para compartilhar minha fascina\u00e7\u00e3o por essa metr\u00f3pole fantasma de outro mundo \u2013 e juntos come\u00e7amos a planejar nossa jornada para a Mong\u00f3lia Interior. <\/p>\n<p>Chegada em Ordos <br \/>\nA cidade de Ordos \u00e9 servida pelo nov\u00edssimo aeroporto Eerduosi. Do momento que n\u00f3s sa\u00edmos do avi\u00e3o, era \u00f3bvio que algu\u00e9m, em algum momento, teve grandes planos para essa cidade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"667\" src=\"\/site\/userfiles\/4(13).jpg\" \/><\/p>\n<p>Esculpido futuristicamente, o pr\u00e9dio do aeroporto \u00e9 enfeitado com fontes e plantas, caf\u00e9s chiques e escadas rolantes iluminadas brilhando em tons de verde e azul. <\/p>\n<p>Enquanto a popula\u00e7\u00e3o de Ordos \u00e9 agora apenas 10% mongol para 90% de chineses, ainda assim o aeroporto resplandece com \u00edcones orgulhosos da origem mongol; ef\u00edgies de cavalos e menestr\u00e9is olhando para baixo atrav\u00e9s do sagu\u00e3o central, enquanto o sal\u00e3o de embarque possui um vasto mural, um anel de pinturas retratando a vida de Gengis Khan. <\/p>\n<p>Para toda essa opul\u00eancia, contudo, o aeroporto estava quase vazio.<\/p>\n<p>N\u00f3s pegamos o segundo dos dois voos di\u00e1rios de Pequim para Eerduosi; partindo do campo de pouso pequeno, antigamente militar, nos sub\u00farbios da capital. Ele nos trouxe para a Mong\u00f3lia Interior depois de escurecer e n\u00f3s pulamos para o \u00f4nibus de transfer\u00eancia em dire\u00e7\u00e3o ao centro de Ordos. <\/p>\n<p>N\u00f3s estivemos nesse \u00f4nibus luxuoso por cerca de meia hora, sentados em poltronas macias reclin\u00e1veis como se fossem tronos, completos com seguradores de copos, descansos para as pernas e um canal de filmes\u2026 enquanto isso, cascos de concreto e metal passavam r\u00e1pido em nossas janelas, meio vistos, distantes, formas sombrias aparecendo e desaparecendo na escurid\u00e3o. <\/p>\n<p>Me senti cercado por canteiros de obras invisiveis por todos os lados. Era dif\u00edcil definir muito do que havia \u00e0 nossa volta, por causa do interior brilhante do \u00f4nibus. No trecho final at\u00e9 Ordos, n\u00f3s passamos pela casca de um futuro est\u00e1dio; as vastas, esquel\u00e9ticas arquibancadas circulando o campo de jogos central, aceso por holofotes industriais, e as regulares e reveladoras chamas de centenas de ma\u00e7aricos. <\/p>\n<p>Nunca em minha vida eu vi nada t\u00e3o parecido com a segunda Estrela da Morte.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" width=\"448\" height=\"299\" src=\"\/site\/userfiles\/5(12).jpg\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" width=\"448\" height=\"299\" src=\"\/site\/userfiles\/6(10).jpg\" \/><\/p>\n<p>N\u00f3s chegamos em Ordos nas primeiras horas da manh\u00e3, deixamos as malas no hotel e pegamos uma cerveja para ir bebendo no caminho. O centro da cidade n\u00e3o estava longe de ser finalizado: tem lojas e apartamentos, caf\u00e9s, bares e restaurantes. Para toda essa aparente normalidade, no entanto, o centro de Ordos \u00e9 presidido por uma s\u00e9rie de torres sinistras, pr\u00e9dios de escrit\u00f3rios cinzas, apartamentos e shoppings, quase todos completamente vazios. <\/p>\n<p>N\u00f3s andamos por algumas horas, passando por restaurantes, bares, cassinos e sex shops. As luzes brilhavam fortes em todos os estabelecimentos, mas n\u00e3o havia ningu\u00e9m. Cortando caminho por um beco, passamos pelas luzes pink de um bordel. A frente dele era toda em vidro, expondo uma trupe de jovens garotas estavam como em um desfile de um guarda-roupa de lingeries combinando. Essa cerca de meia d\u00fazia de prostitutas somavam mais gente do que todos os pedestres que encontramos durante toda a tarde.<\/p>\n<p>Em todos os lugares, parecia haver uma demonstra\u00e7\u00e3o de que tudo estava pronto; de estabelecimentos com as portas bem abertas, n\u00e3o apenas como boas vindas mas, talvez, para provar um ponto. Para mostrar essa cidade como o destino funcional e hospitaleiro que quer t\u00e3o desesperadamente ser. <\/p>\n<p>N\u00f3s tentamos conseguir algo para comer em um restaurante, nos aproximando da porta onde crian\u00e7as locais lutavam com uma mangueira d\u2019\u00e1gua. <\/p>\n<p>\u201cVoc\u00eas t\u00eam comida?\u201d n\u00f3s perguntamos. <\/p>\n<p>\u201cEntrem, entrem\u201d, elas responderam, apontando para a cabine mal iluminada, para a geladeira estocada com refrigerantes e macarr\u00e3o frio. N\u00e3o havia sinal de um adulto ali, nem sinal ou cheiro de um cozinheiro trabalhando. Como era comum em Ordos, as luzes estavam acesas mas n\u00e3o havia ningu\u00e9m em casa. <\/p>\n<p>Quando voltamos ao hotel, para as camas grandes e luxuosas e bares no quarto com u\u00edsque, amendoim e m\u00e1scaras de g\u00e1s, n\u00f3s ainda est\u00e1vamos lutando para apreender o lugar, para entender a cidade. <\/p>\n<p>Tudo parecia com um canteiro de obras: uma cantina de pedreiros esticada at\u00e9 acomodar toda uma cidade. Para os homens a trabalho, havia muito dos confortos mais primitivos \u2013 bares, lanches e bord\u00e9is \u2013 mas enquanto restaurantes chiques e cassinos se mostravam como prontos para turistas, pol\u00edticos ou, ainda melhor, investidores, a maioria n\u00e3o era mais do que fachadas vazias e letreiros sem significado. <\/p>\n<p>Quando amanheceu o diz seguinte, n\u00f3s tivemos nossa primeira impress\u00e3o da escala real do abandono. N\u00f3s sa\u00edmos para um caf\u00e9 da manh\u00e3 r\u00e1pido, o restaurante coberto pela sombra do centro comercial da cidade. Por\u00e9m, no lugar de pr\u00e9dios de escrit\u00f3rios, uma s\u00e9rie de dedos vazios se erguia para o c\u00e9u; as cascas de futuras torres, uma depois da outra, fileira ap\u00f3s fileira, desaparecendo na dist\u00e2ncia. <\/p>\n<p>Logo acima de n\u00f3s se erguia o que poderia ser a sede de um banco \u2013 quarenta andares de escrit\u00f3rios, embrulhados em uma casca de pain\u00e9is espelhados. Sem manuten\u00e7\u00e3o, no entanto, essas escamas reflexivas estavam caindo em grandes extens\u00f5es, revelando o concreto nu embaixo. Nem finalizado estava, e j\u00e1 precisava de uma reforma.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"448\" height=\"299\" alt=\"\" src=\"\/site\/userfiles\/7(8).jpg\" \/><\/p>\n<p>N\u00f3s encontramos uma mesquita pr\u00f3xima ao centro, uma estrutura moderna e cubista formada de blocos brancos e limpos. Em uma inspe\u00e7\u00e3o mais profunda, pareceu que o templo nunca tinha sido utilizado; olhando pelas janelas de vidro n\u00e3o vimos nada al\u00e9m de espa\u00e7o vazio, enquanto as portas em si ainda estavam embaladas em pl\u00e1stico, como se rec\u00e9m sa\u00eddas \u00e0s pressas de algum armaz\u00e9m. <\/p>\n<p>Antes de irmos para nosso destino principal, decidimos dar uma olhada melhor por ali, o centro de Ordos mais antigo e mais densamente populoso. <\/p>\n<p>N\u00f3s encontramos um taxista amig\u00e1vel, que estava muito feliz em nos levar para ver alguns dos principais pontos da cidade. Ele nos levou por um longo boulevard, iluminado por l\u00e2mpadas ornamentais, com figuras no estilo art deco dos anos de 1930; passou por um parque se tornando selvagem e por fileira ap\u00f3s fileira de cascos de concreto. Cedo ou tarde chegamos a uma parada, diate da grande est\u00e1tua de um cavalo posicionado no meio de uma esfera. <\/p>\n<p>\u201cOrdos\u201d, a inscri\u00e7\u00e3o da est\u00e1tua proclamava para ningu\u00e9m em particular, \u201cA Ilustre Cidade Tur\u00edstica da China\u201d. <\/p>\n<p>Era quase demais pra n\u00f3s\u2026 mas descobrir\u00edamos que era s\u00f3 o topo do iceberg. Nada poderia ter nos preparado para a aut\u00eantica estranheza do distrito de Kangbashi. <\/p>\n<p>Kangbashi New Area <br \/>\nA nova zona residencial de Kangbashi foi constru\u00edda na margem norte do rio Wulan Mulun, onde sua plan\u00edcie espa\u00e7osa, monumentos inovadores e arranha-c\u00e9us marcantes pareciam em tudo uma metr\u00f3pole do s\u00e9culo 21; ou pareceria, se tivesse algu\u00e9m vivendo por l\u00e1. <\/p>\n<p>\u201cEles vir\u00e3o\u201d, nosso taxista insistia, passando pelo antigo cora\u00e7\u00e3o de Ordos. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o acha que nossa cidade \u00e9 linda? Voc\u00ea vai ver. As pessoas vir\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"448\" height=\"299\" alt=\"\" src=\"\/site\/userfiles\/8(6).jpg\" \/><\/p>\n<p>Sua confian\u00e7a era parafraseada por quase todos os locais com quem conversamos em nossa viagem; uma reafirma\u00e7\u00e3o cega de que essas belas constru\u00e7\u00f5es n\u00e3o ficar\u00e3o vazias para sempre. Era inconceb\u00edvel que todo aquele trabalho duro tenha sido para nada. <\/p>\n<p>N\u00f3s seguimos pela autoestrada, que liga Ordos a Kangbashi, antes de continuar a norderte em dire\u00e7\u00e3o ao aeroporto em Dongsheng. No caminho, passamos pelo est\u00e1dio novamente, menos dram\u00e1tico sob a luz do dia, atr\u00e1s de uma floresta de poeira, torres inacabadas se espalhando pelos dois lados da rodovida. Guindastes permanecem de sentinelas sobre alguns desses canteiros de obras, muitos altos como quarenta, cinquenta andares acima do deserto. Em contraste, a rodovia em sia era suave e com boa manuten\u00e7\u00e3o; seus acostamentos e canteiros centrais decorados com arbustos bem regados e motivos art\u00edsticos de cavalos. <\/p>\n<p>O t\u00e1xi nos deixou no topo da pra\u00e7a Gengis Khan, de onde n\u00f3s pudemos observar atrav\u00e9s de toda a desola\u00e7\u00e3o de Kangbashi. Em volta de n\u00f3s se erguiam figuras de khans e seus conselheiros reais, de homens, mulheres e cavalos vestidos na tradicional eleg\u00e2ncia mongol.<\/p>\n<p>Mais ou menos 180 metros para o sul, no cora\u00e7\u00e3o de um p\u00e1tio aberto e espa\u00e7oso, empinam-se dois cavalos colossais, no que talvez seja o mais ic\u00f4nico dos monumentos de Kangbashi. Al\u00e9m dos cavalos, esta vasta pra\u00e7a central d\u00e1 em um parque, com areia empoeirada no lugar de grama e caminhos que se espalham na forma de raios de sol. <\/p>\n<p>Edif\u00edcios residenciais e corporativos se erguem em todas as dire\u00f5es \u2013 um alinhamento de blocos e arranha-c\u00e9us satisfatoriamente sim\u00e9trico \u2013 enquanto antes disso, \u00e0s margens, os mais not\u00e1veis trabalhos de arquitetura de Kangbashi acompanhavam os caminhos da pra\u00e7a Gengis Khan. Seguindo o lado direito, passando dos dois cavalos, est\u00e1 o Teatro Kangbashi: uma constru\u00e7\u00e3o curiosa, com formatos supostamente baseados em enfeites de cabe\u00e7a mong\u00f3is.<\/p>\n<p>\u00c0 nossa direita, o pr\u00e9dio da biblioteca parece um apinhado de livros, enquanto ao lado dele, o Museu de Ordos parece\u2026 bom, dif\u00edcil dizer exatamente. Mad Architects, a empresa de nome t\u00e3o adequado por tr\u00e1s do projeto, sugeriu que o design reflete \u201cos cruzamentos encontrados pela comunidade ao redor, que est\u00e1 se esfor\u00e7ando para interpretar suas tradi\u00e7\u00f5es locais ao rec\u00e9m-constru\u00eddo contexto urbano\u201d. <\/p>\n<p>Fa\u00e7a o que quiser com essa informa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A pra\u00e7a \u00e0 nossa volta n\u00e3o estava completamente vazia. Um homem observava seu filho, que soltava pipa ali perto, a rabiola reluzente bem acima das cabe\u00e7as dos nobre khans. Havia bem pouco tr\u00e2nsito, ocasionalmente um carro ou bicicleta atravessava nosso caminho, nenhum deles parecendo ter muita pressa. <\/p>\n<p>Um pequeno fluxo constante de pessoas entrava e sa\u00eda do Museu de Ordos, observamos mais algumas perto dos cascos dos cavalos; conforme nos aproxim\u00e1vamos, notamos que usavam os mon\u00f3tonos uniformes dos varredores de rua. Com o passar do dia, perceber\u00edamos que havia dez vezes mais pessoas as equipes de manuten\u00e7\u00e3o nas ruas de Kangbashi do que pedestres comuns.<\/p>\n<p>Caminhando lentamente ao redor dos caminhos que cobriam o centro da cidade, n\u00f3s passamos por pequenas caixas de som montadas em hastes, tocando m\u00fasica folcl\u00f3rica mongol para ningu\u00e9m em particular. Descendo a pra\u00e7a, ap\u00f3s os cavalos e o teatro, placas impressas anunciavam um caf\u00e9 e decidimos dar uma olhada nele. Pegamos o elevador at\u00e9 o \u00faltimo andar, onde as portas se abriram revelando uma confus\u00e3o de risadinhas de garotas em idade escolar paradas em linha para nos receber. Era bem parecido com o bordel que vimos na noite anterior, s\u00f3 que agora as garotas estavam completamente vestidas. <\/p>\n<p>Uma onda de surpresa e curiosidade passou atrav\u00e9s delas quando dois esrangeiros sa\u00edram do elevador. N\u00f3s fomos levados at\u00e9 nossos lugares, pr\u00f3ximos \u00e0 janela, de onde pod\u00edamos ver toda a vasta extens\u00e3o da pra\u00e7a Gengis Khan. Kangbashi, sem d\u00favidas, era a cidade mais estranha que eu j\u00e1 tinha visto.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"448\" height=\"299\" alt=\"\" src=\"\/site\/userfiles\/9(5).jpg\" \/><\/p>\n<p>\nN\u00f3s tomamos um caf\u00e9, depois uma cerveja, enquanto convers\u00e1vamos excitadamente sobre as ruas vazias e os monumentos bizarros sob n\u00f3s. Isso era tudo que t\u00ednhamos visto nas fotografias, uma metr\u00f3pole surreal e desolada; a Mong\u00f3lia antiga enla\u00e7adas a cenas de um futuro distante, posicionado contra as areias turbilhantes do deserto de Mu Us. At\u00e9 esse ponto, entretanto, n\u00f3s s\u00f3 t\u00ednhamos visto a cidade das ruas, das estradas e dos caminhos de pedestres\u2026 era hora de ir mais fundo. N\u00f3s terminamos nossos drinques e sa\u00edmos para a explora\u00e7\u00e3o de verdade.<\/p>\n<p><b>Autor: GizModo<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Constru\u00edda para mais de um milh\u00e3o de habitantes, a cidade de Ordos foi projetada para ser a gloriosa coroa\u00e7\u00e3o da Mong\u00f3lia Interior. Por\u00e9m, condenada \u00e0 incompletude, essa metr\u00f3pole futur\u00edstica agora reina vazia nos desertos ao norte da China. 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