{"id":24838,"date":"2014-07-14T00:09:47","date_gmt":"2014-07-14T00:09:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=24838"},"modified":"2014-07-14T10:13:40","modified_gmt":"2014-07-14T10:13:40","slug":"o-plano-b-para-o-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2014\/07\/14\/o-plano-b-para-o-seculo-xxi\/","title":{"rendered":"O Plano B para o S\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Assim, o mercador ou comerciante, movido apenas pelo seu pr\u00f3prio interesse ego\u00edsta (self-interest), \u00e9 levado por uma m\u00e3o invis\u00edvel a prover algo que nunca fez parte do interesse dele: o bem-estar da sociedade.&#8221;&nbsp;<\/p>\n<p>Essa express\u00e3o de Adam Smith, extra\u00edda do livro a \u201cRiqueza das Na\u00e7\u00f5es\u201d surgiu como uma b\u00fassola num determinado contexto em uma \u00e9poca. No entanto, diante de ineg\u00e1veis injusti\u00e7as deflagradas na revolu\u00e7\u00e3o industrial, a teoria marxista ganhou espa\u00e7o nesse ambiente de desconforto social, levando seguidores a uma exacerbada vis\u00e3o antiliberalista, que desaguou aonde todos n\u00f3s sabemos (excetuando umas centenas de aloprados e correligion\u00e1rios que n\u00e3o aprenderam ainda as li\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo passado).&nbsp;<\/p>\n<p>Contudo a brilhante vis\u00e3o liberal de Smith (1723\/1790) enseja um racioc\u00ednio grandioso com rela\u00e7\u00e3o ao progresso do planeta: a \u201cm\u00e3o invis\u00edvel\u201d n\u00e3o \u00e9 humana, \u00e9 de outrem e pertence \u00e0 natureza das coisas, que caminham independente da boa vontade humana. Um certo arranjo natural que termina por corrigindo rotas.&nbsp;<\/p>\n<p>Logo em seguida a essa vis\u00e3o cl\u00e1ssica, surgiu na Fran\u00e7a a escola fisiocrata representada pela express\u00e3o Laissez faire, laissez passer, le monde va de lui m\u00eame (\u201cDeixe fazer, deixe passar, o mundo vai por si s\u00f3), muito semelhante e complementar ao modelo do economista escoc\u00eas. <br \/>\nConsiderando para fins de an\u00e1lise esses pressupostos como verdadeiros, aqueles pensadores entendiam que, quando o progresso n\u00e3o acontece, \u00e9 resultado da interfer\u00eancia humana de forma inadequada, e n\u00e3o porque o sistema liberal seja inadequado na ess\u00eancia ou na natureza das coisas.&nbsp;<\/p>\n<p>Exemplo: pre\u00e7os. A din\u00e2mica \u00e9 simples, oferta baixa e procura alta resulta em pre\u00e7o alto, que naturalmente atrair\u00e1 novos concorrentes a ponto de levar a oferta na dimens\u00e3o exata dos interesses s\u00f3cio empresarias. N\u00e3o h\u00e1 interfer\u00eancia humana que mude esta lei natural (forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os), exceto se houver a utiliza\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios ou algum tipo de protecionismo sempre com custos para a sociedade. Logo toda corre\u00e7\u00e3o de rota implicaria, na vis\u00e3o cl\u00e1ssica, em substituir a interfer\u00eancia equivocada humana, por uma interfer\u00eancia \u201cqualitativa\u201d, de forma a contribuir no rompimento de barreiras surgidas e n\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o de outras.&nbsp;<\/p>\n<p>Assim sendo os caminhos da evolu\u00e7\u00e3o do pensamento liberal, ao longo dos tempos, vem necessitando (como tudo na vida) de corre\u00e7\u00f5es de rota, ensinado \u00e0 humanidade, a cuidar da natureza das coisas e na forma de interferir com qualidade, na economia, no meio ambiente, enfim na vida. <br \/>\nNa verdade, vale destacar que interfer\u00eancia \u00e9 sempre uma palavra de vi\u00e9s negativo, pois prov\u00e9m de \u201cferir\u201d ou de inter&#8230;ferir. Ou seja, \u00e9 uma pr\u00e1tica de uma ou mais pessoas que fere a outrem, logo, interfer\u00eancia tem custo por si s\u00f3, portanto \u00e9 sempre algo inadequada.&nbsp;<\/p>\n<p>E nos tempos e pa\u00edses modernos, estes caminhos liberais est\u00e3o sendo ajustados, de certa forma, com mais liberalismo ainda, investindo nas positivas conquistas obtidas ao longo dos s\u00e9culos pela vis\u00e3o assertiva. E atrav\u00e9s deste olhar de 360&#8304;, h\u00e1 hoje um combate ainda maior ao \u201cinterferir\u201d que continua inaceit\u00e1vel e entra em campo o \u201cinterceder\u201d que combate a desigualdade social. <br \/>\nEsta vis\u00e3o abre novas oportunidades, onde grandes empresas cedem espa\u00e7o \u00e0s pequenas no mercado global, al\u00e9m de surgir dentro das empresas envolvidas neste processo estilos de gerenciamento corporativo mais eficientes e liberais.&nbsp;<\/p>\n<p>Verifica-se portanto nos mercados do primeiro mundo, basicamente, novos ventos que nos trazem essas boas novas. Lan\u00e7am luz na assertividade do liberalismo renovado e avan\u00e7am por sobre o modelo capitalista tradicional. Nesses mercados (EUA e parte da Europa), \u00e9 onde se enterra cada vez mais os escombros marxistas, atrav\u00e9s da pr\u00e1tica do capitalismo virtuoso, mantendo os aspectos sociais respeitados. Nestes ambientes, uma significativa parcela da atividade econ\u00f4mica \u00e9 gerida por l\u00edderes empresariais que englobam uma linha econ\u00f4mica denominada \u201cSistema B\u201d, uma esp\u00e9cie de corre\u00e7\u00e3o de rota do capitalismo. O Sistema B, \u00e9 assim chamado por partilhar \u201cB\u2019 ou Benefits , ou uma distribui\u00e7\u00e3o adequada deles.&nbsp;<\/p>\n<p>Isto implicou investir numa esp\u00e9cie de \u201cinterven\u00e7\u00e3o qualitativa ou assertiva\u201d dentro das empresas, mantendo aquilo que melhor representa o capitalismo: foco no lucro, agora com responsabilidade social. Na verdade Andrew Savitz, entre outros, j\u00e1 houvera diagnosticado esta necessidade no seu livro Triple Bottom Line de 2006 contudo o momento atual mostra um avan\u00e7o e uma consolida\u00e7\u00e3o destas correntes ancoradas no espantoso crescimento do com\u00e9rcio eletr\u00f4nico, onde se verifica sinergia com redes sociais e tudo que envolve liberdade, modernidade e respeito aos direitos individuais. As empresas modernas e engajadas no Sistema B (redund\u00e2ncia?), est\u00e3o reestruturando a vis\u00e3o de neg\u00f3cio sustent\u00e1vel, onde o \u201cinterferir\u201d \u00e9 substitu\u00eddo pelo \u201cinterceder\u201d. Cria portanto um ambiente de trabalho prop\u00edcio ao bem estar e (inter)cedendo espa\u00e7o para a criatividade, liberdade e consequentemente maior produtividade.&nbsp;<\/p>\n<p>Um grande representante desse pensamento empresarial \u00e9 a rede de varejo norte americana de alimentos org\u00e2nicos Whole Foods, que fatura cerca US$ 12 bilh\u00f5es ano, e que viu o lucro crescer em 500% no per\u00edodo de 2008\/12, no auge da crise. O pensamento do seu l\u00edder, John Mackey \u00e9 de se destacar: \u201ca melhor forma de aumentar lucros \u00e9 n\u00e3o fazer disso o principal objetivo\u201d. \u00c9 a pr\u00f3pria reinven\u00e7\u00e3o da escola fisiocrata, nos tempos modernos. Mackey, ao fundar a companhia em 1980, definiu a miss\u00e3o da empresa desta forma: Vender Sa\u00fade.&nbsp;<\/p>\n<p>Naturalmente que este grupo de empres\u00e1rios, n\u00e3o representa a maioria do perfil empresarial mundo afora, por\u00e9m o fato de obterem resultados indiscut\u00edveis come\u00e7a a for\u00e7ar uma transforma\u00e7\u00e3o em empresas centen\u00e1rias e gigantes nascidas e (bem) crescidas no capitalismo tradicional. Algumas delas, como a Unilever (1929) definiu metas saud\u00e1veis para 2020, que visa incluir 500 mil pequenos agricultores na cadeia produtiva em todo mundo<em> (Fonte: Revista Exame).<\/p>\n<p><\/em>Evidente que este processo ser\u00e1 lento e gradativo, pois a natureza n\u00e3o d\u00e1 saltos, mas o fato destes gigantes empresariais migrarem paulatinamente para uma gest\u00e3o diferenciada, aponta para o surgimento de um s\u00e9culo XXI verdadeiramente animador.&nbsp;<\/p>\n<p>As empresas j\u00e1 nascidas com este DNA moderno, como a Zappos na Calif\u00f3rnia, certamente ir\u00e3o investir cada vez mais no \u201cinterceder\u201d. Assim sendo, a criatividade e o bem estar nas equipes de trabalho est\u00e3o garantidos, e claro, mantendo o foco no respeito externo (prospects\/fornecedores) e interno (colegas de trabalho). Da\u00ed para frente vale tudo dentro da empresa (vide foto). <br \/>\nIsto pode significar que cada vez mais organiza\u00e7\u00f5es criadas e crescidas neste s\u00e9culo dever\u00e3o obter e distribuir benef\u00edcios, absorvendo este novo modelo que permeia, agricultura org\u00e2nica, respeito na cadeia produtiva na ind\u00fastria e com\u00e9rcio, oportunidades de crescimento partilhadas, com\u00e9rcio justo, prote\u00e7\u00e3o ambiental, responsabilidade social, enfim o capitalismo do bem.&nbsp;<\/p>\n<p>Esta nova vis\u00e3o de neg\u00f3cio nesses mercados com resultados financeiros indiscut\u00edveis, exorciza a linha de pensamento arcaica, a saber, que para corrigir a inefici\u00eancia humana na condu\u00e7\u00e3o da liberdade econ\u00f4mica, seria necess\u00e1rio produzir um arb\u00edtrio maior e rumar para desastrosas experi\u00eancias intervencionistas, onde homens podem se achar deuses, com poder de coibir o que deve ou n\u00e3o deve ser feito.&nbsp;<\/p>\n<p>L\u00f3gico que sempre haver\u00e1, especialmente em pa\u00edses e mentes subdesenvolvidas, arautos que h\u00e3o de proclamar as \u201cmazelas\u201d que a liberdade proporciona, propondo intervir no mercado, nas empresas, nos neg\u00f3cios e nas propriedades (dos outros). <br \/>\nPara esta \u201celite\u201c desinformada, um pouquinho da ess\u00eancia do liberalismo :&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cPouco mais \u00e9 necess\u00e1rio para erguer um Estado, da mais primitiva barb\u00e1rie at\u00e9 o mais alto grau de opul\u00eancia, al\u00e9m de paz, de baixos impostos e de boa administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a: todo o resto corre por conta do curso natural das coisas\u201d <em>(Adam Smith)<\/em>. <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os artigos publicados com assinatura, n\u00e3o traduzem necessariamente a opini\u00e3o do Instituto de Engenharia. 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