{"id":24211,"date":"2013-11-22T00:01:18","date_gmt":"2013-11-22T00:01:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=24211"},"modified":"2013-11-22T13:56:25","modified_gmt":"2013-11-22T13:56:25","slug":"o-no-da-mobilidade-urbana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2013\/11\/22\/o-no-da-mobilidade-urbana\/","title":{"rendered":"O n\u00f3 da mobilidade urbana"},"content":{"rendered":"<p>Os dados levantados pelos estudos feitos periodicamente sobre as dificuldades de deslocamento nos grandes centros urbanos mostram que esse problema continua um dos mais graves enfrentados pelo Pa\u00eds, pois t\u00eam sido t\u00edmidos os esfor\u00e7os para melhorar o transporte coletivo. Os brasileiros de todas as regi\u00f5es, com destaque para a Sudeste, parecem condenados a pagar, ainda por um bom tempo, um alto pre\u00e7o pelo atraso hist\u00f3rico na amplia\u00e7\u00e3o, principalmente, do sistema metroferrovi\u00e1rio, resultado da falta de vis\u00e3o dos governantes. <\/p>\n<p>Trabalhos apresentados durante o evento F\u00f3runs Estad\u00e3o Regi\u00f5es &#8211; realizado pelo Grupo Estado com a participa\u00e7\u00e3o de representantes do governo e da iniciativa privada &#8211; mostram que os quatro Estados do Sudeste ter\u00e3o de investir R$ 589,6 bilh\u00f5es nos pr\u00f3ximos cinco anos em infraestrutura, com destaque para a mobilidade em suas regi\u00f5es metropolitanas. Embora essa seja a regi\u00e3o mais rica do Pa\u00eds, respons\u00e1vel por 55,4% do PIB nacional, \u00e9 um esfor\u00e7o consider\u00e1vel. Mas que ainda fica longe do que \u00e9 necess\u00e1rio para resolver o problema com a brevidade desejada pela popula\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Um estudo feito pelo Ipea, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad) de 2012, revela dados impressionantes. \u00c9 de 30 minutos o tempo m\u00e9dio que o brasileiro gasta apenas para chegar ao trabalho. A m\u00e9dia sobe para 40 minutos nas \u00e1reas metropolitanas, e na Regi\u00e3o Sudeste chega a 43 minutos. Valores que devem ser multiplicados por dois para completar o tempo gasto diariamente para ir e voltar do trabalho. <\/p>\n<p>O porcentual de brasileiros das metr\u00f3poles do Sudeste que gastam mais de uma hora em seus deslocamentos di\u00e1rios \u00e9 o dobro do das outras grandes cidades do Pa\u00eds. Dos moradores das regi\u00f5es metropolitanas de S\u00e3o Paulo, Rio e Minas, 21,3% levam mais de uma hora para chegar ao trabalho. Esse \u00edndice cai para 11,5% em sete metr\u00f3poles de outras regi\u00f5es. <\/p>\n<p>Esse dado negativo est\u00e1 longe de ser uma exclusividade das \u00e1reas mais ricas. Infelizmente, ele est\u00e1 cada vez mais presente tamb\u00e9m nas grandes cidades do Norte e do Nordeste. Segundo um dos respons\u00e1veis pelo estudo do Ipea, Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho, isto se deve ao acentuado crescimento da frota de ve\u00edculos nessas regi\u00f5es, nos \u00faltimos anos, que ocorreu, &#8220;sobretudo, nas classes mais pobres&#8221;. Um exemplo disso \u00e9 a regi\u00e3o metropolitana de Bel\u00e9m, onde o tempo para chegar ao trabalho aumentou 35,4%, passando de 24,3 minutos em 1992 para 32,8 minutos em 2012. Outro \u00e9 Salvador, onde o aumento foi de 27,1%. <\/p>\n<p>A precariedade do transporte urbano afeta, al\u00e9m das v\u00e1rias regi\u00f5es, as diferentes camadas sociais. A popula\u00e7\u00e3o de baixa renda, principalmente porque a maior parte dela mora na periferia, longe dos locais de trabalho, \u00e9 evidentemente a mais prejudicada. Em seguida vem a classe m\u00e9dia que usa o transporte coletivo. E as pessoas que t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de usar o transporte individual tamb\u00e9m n\u00e3o escapam do tormento di\u00e1rio da demora para ir e voltar do trabalho, porque ficam presas nos congestionamentos que s\u00f3 fazem crescer. Andar de carro para chegar mais r\u00e1pido j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o, e o ser\u00e1 cada vez menos, \u00e0 medida que mais pessoas insistirem em apelar para ele. <\/p>\n<p>O que \u00e9 preciso fazer para resolver o problema \u00e9 sabido h\u00e1 muito tempo: implantar ou ampliar, conforme o caso, a rede de metr\u00f4 e de trens de sub\u00farbio e intermunicipais nas regi\u00f5es metropolitanas e, como isso demanda tempo, melhorar a curto prazo o servi\u00e7o de \u00f4nibus. O primeiro caso exige investimentos muito maiores que os que v\u00eam sendo feitos, para recuperar o atraso hist\u00f3rico, num esfor\u00e7o conjunto de munic\u00edpios, Estados e Uni\u00e3o. O segundo exige determina\u00e7\u00e3o das prefeituras para enfrentar o poderoso grupo de empresas que dominam o setor, ganham muito e oferecem servi\u00e7os de m\u00e1 qualidade. <\/p>\n<p>Essas s\u00e3o escolhas dif\u00edceis, que exigem dos governantes coragem e compromisso com o futuro, sem o imediatismo e a miopia dos interesses eleitorais. <\/p>\n<p><b>Autor: O Estado de S.Paulo<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os dados levantados pelos estudos feitos periodicamente sobre as dificuldades de deslocamento nos grandes centros urbanos mostram que esse problema continua um dos mais graves enfrentados pelo Pa\u00eds, pois t\u00eam sido t\u00edmidos os esfor\u00e7os para melhorar o transporte coletivo. 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