{"id":23965,"date":"2013-09-19T23:58:10","date_gmt":"2013-09-19T23:58:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=23965"},"modified":"2013-09-19T14:49:44","modified_gmt":"2013-09-19T14:49:44","slug":"como-empresas-podem-ajudar-a-aliviar-o-transito-de-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2013\/09\/19\/como-empresas-podem-ajudar-a-aliviar-o-transito-de-sp\/","title":{"rendered":"Como empresas podem ajudar a aliviar o tr\u00e2nsito de SP"},"content":{"rendered":"<p>O estudo acompanhou por um ano um grupo de empresas na regi\u00e3o da avenida Luis Carlos Berrini (polo empresarial na zona sul de S\u00e3o Paulo) e prop\u00f4s um plano de mobilidade que abrangeu 1,5 mil funcion\u00e1rios \u2014 incentivando o uso de transportes p\u00fablico e alternativo e flexibilizando turnos de trabalho.<\/p>\n<p>&#8220;O impacto quantitativo ainda n\u00e3o foi t\u00e3o grande. Mas houve um impacto qualitativo em v\u00e1rios funcion\u00e1rios&#8221;, diz \u00e0 BBC Brasil Andrea Leal, consultora do Banco Mundial e coordenadora do estudo. <br \/>\nSe mais empresas aderirem a iniciativas do tipo, &#8220;haver\u00e1 um efeito maior no tr\u00e2nsito da regi\u00e3o&#8221;, avalia Leal.&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 vimos algo semelhante nos Estados Unidos, em Estados como Washington e Calif\u00f3rnia, onde h\u00e1 dados mostrando redu\u00e7\u00e3o de congestionamentos e de viagens de carro por causa de programas de mobilidade corporativos&#8221;, diz.&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Algumas cidades t\u00eam leis obrigando empresas com mais de cem funcion\u00e1rios a ter um plano de mobilidade e meta de reduzir o n\u00famero de funcion\u00e1rios dirigindo sozinhos.&#8221;&nbsp;<\/p>\n<p>Medidas&nbsp;<\/p>\n<p>O estudo de Leal listou algumas iniciativas que podem ser adotadas por empresas e pelo poder p\u00fablico para impactar o tr\u00e2nsito sem a necessidade de grandes obras vi\u00e1rias. <br \/>\nMesmo com as defici\u00eancias de redes de transporte como a paulistana, que tem pontos de satura\u00e7\u00e3o e notadamente precisa de mais investimentos, Leal diz acreditar que \u00e9 poss\u00edvel aproveitar melhor os recursos p\u00fablicos j\u00e1 dispon\u00edveis e evitar viagens de carros.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A seguir, as sugest\u00f5es aplicadas no projeto do Banco Mundial na Berrini:&nbsp;<br \/>\n<\/strong><br \/>\n1. Estimular o uso do transporte p\u00fablico entre os funcion\u00e1rios, por exemplo oferecendo linhas de \u00f4nibus fretados e eliminando a cobran\u00e7a de 6% sobre o sal\u00e1rio para custear o vale-transporte.&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Muitas empresas custeiam estacionamento para funcion\u00e1rios, mas cobram os 6% do vale-transporte&#8221;, opina Leal. &#8220;\u00c9 um desest\u00edmulo que parte do pressuposto de que que todos preferem ir de carro.&#8221; <br \/>\nA pesquisadora diz que o poder p\u00fablico pode ter papel fundamental nesse ponto, dando incentivos fiscais para empresas que renunciarem da cobran\u00e7a. <br \/>\nFuncion\u00e1ria do Instituto Brasileiro de Governan\u00e7a Corporativa, uma das participantes do estudo, a assistente de opera\u00e7\u00f5es Natalia Sorrentino Silva, 26, trocou o carro pelo \u00f4nibus quando sua empresa abriu m\u00e3o da cobran\u00e7a do vale-transporte.&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;O tempo de viagem de carro ou de \u00f4nibus \u00e9 praticamente o mesmo, mas n\u00e3o aguentava mais o tr\u00e2nsito&#8221;, diz Natalia \u2014 lembrando que, na hora do rush, carros levam at\u00e9 30 minutos para conseguir sair da garagem, de t\u00e3o congestionada que fica a Berrini. &#8220;Nos dias que venho de carro, volto mais tarde, em hor\u00e1rios que n\u00e3o sejam de pico.&#8221;&nbsp;<\/p>\n<p>2. Ajudar os funcion\u00e1rios a conhecer suas op\u00e7\u00f5es de transporte. Segundo Leal, o hotel Hilton, outro participante do estudo, conseguiu incentivar o uso de transporte p\u00fablico produzindo um documento, entregue aos funcion\u00e1rios novos, detalhando todas as op\u00e7\u00f5es de linhas de trens, \u00f4nibus e metr\u00f4 pr\u00f3ximas.&nbsp;<\/p>\n<p>3. Flexibilizar hor\u00e1rios de trabalho, permitindo que funcion\u00e1rios fa\u00e7am sua jornada de forma a evitar&nbsp;<br \/>\ndeslocamentos em hor\u00e1rios de rush e possam usar o transporte p\u00fablico em per\u00edodos menos congestionados.&nbsp;<\/p>\n<p>4. Incentivar o trabalho \u00e0 dist\u00e2ncia &#8211; algo que n\u00e3o se aplica a todas as empresas e funcion\u00e1rios, mas que pode aumentar satisfa\u00e7\u00e3o e produtividade, argumenta Leal. <br \/>\nO Banco Mundial custeou parte dos custos de um projeto-piloto entre as empresas participantes, ajudando-as a implementar a tecnologia necess\u00e1ria e a definir metas para avaliar o trabalho feito por funcion\u00e1rios remotamente.O Instituto Brasileiro de Governan\u00e7a Corporativa \u00e9 um dos que est\u00e3o implementando o trabalho \u00e0 dist\u00e2ncia, que at\u00e9 o ano que vem deve ser viabilizado para metade dos 43 empregados de sua sede em S\u00e3o Paulo.&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;O funcion\u00e1rio ainda precisa participar de reuni\u00f5es e eventualmente vir ao escrit\u00f3rio, mas sem a carga de estresse de diariamente levar horas para ir e voltar do trabalho&#8221;, diz Emilio Martos, superintendente de opera\u00e7\u00f5es da empresa.&nbsp;<\/p>\n<p>5. Estimular caronas, registrando-se em softwares e sites como www.caronetas.com.br ou montando p\u00e1ginas no Facebook nas quais funcion\u00e1rios possam organizar caronas entre si.&nbsp;<\/p>\n<p>6. Melhorar a infraestrutura para quem quiser ir de bicicleta ao trabalho, como vesti\u00e1rios e biciclet\u00e1rios. <br \/>\n&#8220;\u00c9 algo controverso, porque muitos n\u00e3o acham seguro pedalar na cidade&#8221;, diz Leal. &#8220;Mas em todas as empresas do estudo, ao menos 40% dos funcion\u00e1rios demonstraram interesse em pedalar ao trabalho.&#8221;&nbsp;<\/p>\n<p>No projeto, o jeito foi reduzir os riscos organizando palestras com o grupo Bike Anjos, que disponibiliza ciclistas experientes para acompanhar novatos em seu trajeto casa-trabalho, buscar rotas mais seguras e ensinar cuidados de seguran\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n<p>7. Pol\u00edtica de semana comprimida de trabalho: algumas empresas permitiram aos funcion\u00e1rios trabalhar uma ou duas horas a mais por dia e folgar um dia por semana ou a cada 15 dias.&nbsp;<\/p>\n<p>8. Pensar em alternativas \u00e0 lei de polos geradores de tr\u00e1fego, que prev\u00ea que grandes empreendimentos que geram muito tr\u00e2nsito ao seu redor devem oferecer alguma contrapartida para mitigar seu impacto.&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 hoje, essas contrapartidas s\u00e3o geralmente investimentos em obras vi\u00e1rias (novas pontes, acessos etc)&#8221;, diz Leal. <br \/>\n&#8220;Mas isso incentiva o uso de carros. Esse dinheiro poderia ser usado para custear um corredor de \u00f4nibus ou ciclovia e outras formas de transporte alternativo. \u00c9 preciso parar de partir do pressuposto de que as pessoas ter\u00e3o de chegar de carro ao local.&#8221;&nbsp;<\/p>\n<p>Resist\u00eancia <br \/>\nO estudo deve fomentar o j\u00e1 aquecido debate sobre o transporte p\u00fablico em S\u00e3o Paulo e no Brasil, sobretudo ap\u00f3s a onda de protestos de junho e julho \u2013 cujo estopim foi o pre\u00e7o da passagem. Pesquisa recente do Ibope indica aprova\u00e7\u00e3o de 93% \u00e0s faixas exclusivas de \u00f4nibus ampliadas pela Prefeitura de S\u00e3o Paulo.&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar disso, Leal enfrentou resist\u00eancias em muitas empresas para criar um plano de mobilidade. O estudo do Banco Mundial, que come\u00e7ou com 80 firmas da Berrini, acabou com apenas dez implementando medidas reais.&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Muitas empresas n\u00e3o consideraram isso uma prioridade, ou suas chefias n\u00e3o se envolveram diretamente no projeto&#8221;, diz ela. <br \/>\nA segunda fase do projeto ter\u00e1 empresas que j\u00e1 t\u00eam manifestado interesse em implementar planos de mobilidade \u2014 algo que, segundo Leal, deve gerar efeito mais pr\u00e1tico no tr\u00e2nsito paulistano.&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Defendemos (a necessidade) inquestion\u00e1vel de mais trens e metr\u00f4s, mas s\u00e3o solu\u00e7\u00f5es de longo prazo&#8221;, argumenta Leal. &#8220;\u00c9 importante que as empresas percebam que, se abrigam muitos funcion\u00e1rios, obviamente ter\u00e3o um impacto no tr\u00e2nsito da regi\u00e3o. Elas tamb\u00e9m t\u00eam de ser chamadas a pensar em como mitigar esse impacto.&#8221; <br \/>\nA coordenadora do estudo diz que as conclus\u00f5es do projeto ser\u00e3o apresentado ao prefeito Fernando Haddad. <\/p>\n<p><b>Autor: BBC<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A\u00e7\u00f5es promovidas por empresas e funcion\u00e1rios podem ter um impacto significativo sobre o tr\u00e2nsito de cidades como S\u00e3o Paulo, argumenta um estudo do Banco Mundial que ser\u00e1 apresentado nesta quinta-feira na capital paulista.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,41],"tags":[],"class_list":{"0":"post-23965","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-noticias","7":"category-transportes"},"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Como empresas podem ajudar a aliviar o tr\u00e2nsito de SP - 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