{"id":23516,"date":"2013-06-12T23:52:29","date_gmt":"2013-06-12T23:52:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=23516"},"modified":"2013-06-12T14:26:36","modified_gmt":"2013-06-12T14:26:36","slug":"ventos-do-governo-nao-sopram-na-direcao-da-energia-eolica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2013\/06\/12\/ventos-do-governo-nao-sopram-na-direcao-da-energia-eolica\/","title":{"rendered":"Ventos do governo n\u00e3o sopram na dire\u00e7\u00e3o da energia e\u00f3lica"},"content":{"rendered":"<p>De qualquer lado que se olhe, o setor e\u00f3lico no Brasil \u00e9 um dos mais promissores na \u00e1rea energ\u00e9tica, segundo analistas e levantamentos recentes. <\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es de clima e relevo e os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos fizeram com que o Global Wind Energy Council, que agrupa organiza\u00e7\u00f5es e empresas do setor, elegesse o Brasil como um dos pa\u00edses de maior potencial na gera\u00e7\u00e3o de energia pelo vento. <\/p>\n<p>Sua participa\u00e7\u00e3o na matriz energ\u00e9tica brasileira deve obter o maior crescimento entre as diversas fontes de energia, saltando dos atuais 2% para 8% em oito anos, segundo Maur\u00edcio Tolmasquim, presidente Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE). <\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o uso do vento para gerar energia no pa\u00eds cresceu 73% em 2012, beneficiando 5 milh\u00f5es de brasileiros por m\u00eas. <\/p>\n<p>E a discuss\u00e3o sobre as fontes e\u00f3licas ganharam ainda mais f\u00f4lego no in\u00edcio do ano, quando, diante de baixos n\u00edveis de reservat\u00f3rios nas hidrel\u00e9tricas, o pa\u00eds passou pelo risco de novos apag\u00f5es ou racionamento. <\/p>\n<p>Para lidar com o problema, o governo usou as termoel\u00e9tricas, alimentadas por g\u00e1s natural. <\/p>\n<p>Esse recurso foi criticado por ser uma fonte de energia f\u00f3ssil, por isso n\u00e3o renov\u00e1vel, poluente e de gera\u00e7\u00e3o mais cara. Segundo um levantamento feito pela ONG ambiental Greenpeace, cada real gasto para operar as usinas t\u00e9rmicas poderia fornecer cinco vezes mais energia se esta fosse gerada em campos e\u00f3licos. <\/p>\n<p>Contudo, apesar dos argumentos ambientais e econ\u00f4micos favor\u00e1veis, uma s\u00e9rie de entraves continuam limitando a expans\u00e3o da energia e\u00f3lica e deixam seu aproveitamento no pa\u00eds muito aqu\u00e9m de todo seu potencial. <\/p>\n<p>Confira alguns dos empecilhos: <\/p>\n<p>Falta de planejamento a longo prazo <\/p>\n<p>Mudan\u00e7as em cima da hora, medidas imediatas apenas para lidar com problemas emergenciais e falta de transpar\u00eancia para as determina\u00e7\u00f5es futuras s\u00e3o alguns dos temores dos envolvidos na \u00e1rea de energia renov\u00e1veis. <\/p>\n<p>&#8220;O setor e\u00f3lico \u00e9 uma ind\u00fastria nascente, precisa de f\u00f4lego, n\u00e3o pode ser algo que come\u00e7a e depois \u00e9 interrompido, pois isso pode ser fulminante&#8221;, afirmou Elbia Melo, presidente-executiva da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Energia E\u00f3lica. <\/p>\n<p>Para ela, sem sinais claros do governo, o investimento a longo prazo vai arrefecer: &#8220;E isso poderia fazer essa ind\u00fastria morrer antes mesmo de seu nascimento para valer.&#8221; <\/p>\n<p>Na opini\u00e3o do professor Ildo Luis Sauer, diretor do Instituto de Eletrot\u00e9cnica e Energia da USP, o potencial competitivo da energia e\u00f3lica no Brasil \u00e9 desperdi\u00e7ado justamente por uma falta de planejamento e coordena\u00e7\u00e3o do governo. <\/p>\n<p>&#8220;Um mapeamento e\u00f3lico detalhado, por exemplo, organizaria melhor os investimentos e se criaria escala&#8221;, afirma o engenheiro, que foi diretor de G\u00e1s e Energia da Petrobras entre 2003 e 2007. &#8220;Mas o planejamento hoje \u00e9 vol\u00e1til e vol\u00favel, al\u00e9m de termos uma estrutura pouco funcional, como \u00f3rg\u00e3os demais atuando sobre o mesmo setor.&#8221; <\/p>\n<p>Insufici\u00eancia nas linhas de transmiss\u00e3o <\/p>\n<p>Depois de ser gerada nos campos e\u00f3licos, a energia depende de linhas de transmiss\u00e3o para chegar aos consumidores. O que, na teoria, parece l\u00f3gico, na pr\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o claro assim. Atualmente, essas redes n\u00e3o s\u00e3o de responsabilidade das mesmas empresas que mant\u00e9m os parques em si. E isso vem gerando uma falta de sincronia nos prazos de entrega. <\/p>\n<p>&#8220;O problema das linhas de acesso \u00e9 um enorme entrave. O prazo de tr\u00eas anos para um empreendimento (estipulado em muitos leil\u00f5es) acaba sendo curto, j\u00e1 que com todos os tr\u00e2mites, o tempo real de constru\u00e7\u00e3o acaba sendo menor que tr\u00eas anos&#8221;, afirma Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha Clima e Energia do Greenpeace Brasil. <\/p>\n<p>Um bom exemplo desse cen\u00e1rio ocorre no Nordeste, onde tr\u00eas usinas est\u00e3o prontas, mas sem gerar energia h\u00e1 quase um ano por falta de linhas. Essa falta de sincronia na regi\u00e3o &#8211; que abriga 60 das 92 usinas e\u00f3licas &#8211; provoca um desperd\u00edcio de energia que, por sua vez, representa um preju\u00edzo para o governo que j\u00e1 ultrapassou os R$ 260 milh\u00f5es, segundo a Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel). Esse \u00e9 o valor que o governo j\u00e1 pagou \u00e0s empresas, uma vez que elas entregaram o empreendimento no prazo. <\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, de acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Energia E\u00f3lica (ABEE\u00f3lica) essa produ\u00e7\u00e3o desperdi\u00e7ada seria suficiente para abastecer, por m\u00eas, cerca de 3,3 milh\u00f5es de habitantes. <\/p>\n<p>Questionado, o Minist\u00e9rio de Minas e Energia afirmou que vai implementar altera\u00e7\u00f5es nesse modelo no pr\u00f3ximo leil\u00e3o do setor, que est\u00e1 marcado para agosto. &#8220;No intuito de promover a redu\u00e7\u00e3o de incertezas quanto ao escoamento da gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica contratada no Ambiente Regulado, o Leil\u00e3o de Reserva apresentar\u00e1 consider\u00e1veis mudan\u00e7as na sistem\u00e1tica adotada&#8221;, afirma a nota do minist\u00e9rio, esclarecendo que o tr\u00e2mite agora ser\u00e1 feito em duas fases, atrelando \u00e0s concess\u00f5es \u00e0 capacidade de distribui\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Baixo investimento em pesquisas e desenvolvimento tecnol\u00f3gico <\/p>\n<p>&#8220;Depois da descoberta do pr\u00e9-sal, o investimento n\u00e3o apenas em e\u00f3lica, mas em todas as outras energias renov\u00e1veis, diminuiu no pa\u00eds&#8221;, afirma o professor do departamento de energia da Unesp Jos\u00e9 Luz Silveira. &#8220;Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 subs\u00eddio do governo, especialmente aos pequenos produtores, como acontece na Europa.&#8221; <\/p>\n<p>Baitelo, do Greenpeace, concorda que a prioridade \u00e9 para o petr\u00f3leo, se compararmos como qualquer outra \u00e1rea do campo energ\u00e9tico. <\/p>\n<p>&#8220;Na academia, se v\u00ea uma produ\u00e7\u00e3o maior em temas ligados ao pr\u00e9-sal do que \u00e0 energia e\u00f3lica ou fotovoltaica&#8221;, afirma, acrescentando que mais investimentos nesse setor poderia, por exemplo, desenvolver turbinas mais apropriadas para os ventos brasileiros. <\/p>\n<p>Prefer\u00eancia pelo carv\u00e3o <\/p>\n<p>De acordo com os especialistas, o governo indicou no in\u00edcio do ano que gostaria de ter mais termoel\u00e9tricas para complementar sua matriz e garantir o abastecimento. <\/p>\n<p>&#8220;Pudemos ver que o lobby do carv\u00e3o se organizou e nessa ocasi\u00e3o acabou conseguindo o que queria&#8221;, afirma Baitelo. <\/p>\n<p>&#8220;Esse \u00e9 o momento de equilibrarmos a matriz e darmos mais espa\u00e7o para as t\u00e9rmicas&#8221;, disse Tolmasquim, da EPE, ao anunciar no m\u00eas passado a contrata\u00e7\u00e3o de usinas termoel\u00e9tricas no leil\u00e3o que contratar\u00e1 a demanda das distribuidoras a partir de 2018. <\/p>\n<p>O an\u00fancio causou euforia no setor das carvoarias. Uma das empresas l\u00edderes neste mercado, a Tractebel, divulgou que estudaria incluir seus projetos no leil\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Autor: BBC <\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De qualquer lado que se olhe, o setor e\u00f3lico no Brasil \u00e9 um dos mais promissores na \u00e1rea energ\u00e9tica, segundo analistas e levantamentos recentes. 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