{"id":23378,"date":"2013-05-06T23:50:54","date_gmt":"2013-05-06T23:50:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=23378"},"modified":"2013-05-06T12:22:28","modified_gmt":"2013-05-06T12:22:28","slug":"os-tracos-dos-tremores-uma-breve-historia-da-escala-richter","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2013\/05\/06\/os-tracos-dos-tremores-uma-breve-historia-da-escala-richter\/","title":{"rendered":"Os tra\u00e7os dos tremores: uma breve hist\u00f3ria da escala Richter"},"content":{"rendered":"<p>No estudo dos desastres naturais \u2014 sejam eles tornados, furac\u00f5es, nevascas ou idas ao shopping em v\u00e9spera de Natal \u2014, a magnitude de um evento \u00e9 vital para compreender sua dura\u00e7\u00e3o e frequ\u00eancia. Furac\u00f5es e tornados s\u00e3o medidos em classes, enquanto nevascas s\u00e3o demarcadas em classes de Killstorm. Terremotos, por outro lado, s\u00e3o medidos pela quantidade de energia que liberam \u2014 um sistema mais conhecido como escala Richter.&nbsp;<\/p>\n<p>Como funciona <br \/>\nConhecida oficialmente como escala de magnitude local, a escala Richter \u00e9 usada para medir a for\u00e7a de um tremor e express\u00e1-la em um n\u00famero que indique sua magnitude relativa. O sistema opera em escala logar\u00edtmica de base 10, medindo a amplitude das ondas s\u00edsmicas gravadas num sism\u00f3grafo. Sism\u00f3grafos b\u00e1sicos, ou sism\u00f4metros, usam uma massa inercial amortecida, que fica est\u00e1tica no lugar em rela\u00e7\u00e3o ao resto do instrumento (pense num p\u00eandulo suspenso sobre uma superf\u00edcie de grava\u00e7\u00e3o). Este peso, devido a sua in\u00e9rcia, tem menos tend\u00eancia a sair do lugar quando o ch\u00e3o treme, o que permite que os sism\u00f3logos possam medir o movimento do ch\u00e3o, comparando o movimento da estrutura versus o do peso em tr\u00eas eixos \u2014 norte-sul, leste-oeste e vertical.&nbsp;<\/p>\n<p>Como se trata de uma escala logar\u00edtmica, cada n\u00famero adicional na escala denota uma magnitude dez vezes maior \u2014 isto \u00e9, um tremor de 5,0 na escala Richter \u00e9 dez vezes maior, al\u00e9m de liberar 31,6 vezes mais energia cin\u00e9tica, que um medindo 4,0. A energia liberada dobra a cada 0,2 pontos na escala. Ilustrando: um onda s\u00edsmica de 1,0 \u00e9 t\u00e3o forte quando detonar 170 gramas de TNT, enquanto uma de 8,0 \u00e9 t\u00e3o poderosa quanto detonar 6 milh\u00f5es de toneladas de TNT.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"360\" alt=\"\" src=\"\/site\/userfiles\/r_2(1).jpg\" \/><\/p>\n<p>A escala de Richter&nbsp;<\/p>\n<p>O in\u00edcio do s\u00e9culo XX foi um per\u00edodo empolgante e espantoso para a sismologia. No ano de 1906, Richard Dixon Oldham identificou pela primeira vez as partes independentes de um terremoto \u2014 ondas P, ondas S e ondas de superf\u00edcie \u2014 e um tremor de 8,0 destruiu grande parte de San Francisco. Quatro anos depois, Harry Fielding Reid lan\u00e7ou as bases da tect\u00f4nica moderna, com sua \u201cteoria da recupera\u00e7\u00e3o el\u00e1stica\u201d, baseada no estudo daquele terremoto. Em 1935, Charles Richter e Beno Gutenberg, do California Institute of Technology, desenvolveram um m\u00e9todo de medir a intensidade de um terremoto: a escala de magnitude local (ML).&nbsp;<\/p>\n<p>A dupla desenvolveu a escala ML para medir terremotos de for\u00e7a m\u00e9dia no sul da Calif\u00f3rnia, pr\u00f3ximo ao campus da universidade, e comparar as magnitudes relativas. A escala classificava as magnitudes por um logaritmo da amplitude das ondas registradas pelos (e somente por eles) sism\u00f3grafos Wood-Anderson a 100km do epicentro. Richter atribu\u00eda \u00e0 base da escala (magnitude 0) qualquer evento que fizesse a agulha do sism\u00f3grafo se mover lateralmente pelo sismograma 1 \u00b5m (micr\u00f4metro, isto \u00e9, um milion\u00e9simo de metro, ou um mil\u00e9simo de mil\u00edmetro). Tremores precisam ser bruscamente mais fortes que isso para as pessoas notarem: mil vezes mais, registrando magnitude 3 (480kg de TNT). Para causar danos significativos, ele tem que ser 10 milh\u00f5es de vezes mais forte (magnitude 7 \u2013 480 kilotons de TNT). Este j\u00e1 \u00e9 considerado um grande terremoto. O maior de todos os tempos teve 9,5 e atingiu Valdivia, Chile, com 950 milh\u00f5es de vezes esta for\u00e7a (o equivalente a 2,7 gigatons de TNT) em 1960. 1.900 pessoas morreram e o preju\u00edzo foi de 4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"360\" alt=\"\" src=\"\/site\/userfiles\/r_3(1).gif\" \/><\/p>\n<p>Como a escala ML foi desenvolvida, na verdade, apenas para estudar os tremores no sul da Calif\u00f3rnia, h\u00e1 limita\u00e7\u00f5es no que ela pode medir. Por um lado, a magnitude 0 foi fixada para evitar que o sistema retornasse valores negativos. Entretanto, equipamentos modernos mais sens\u00edveis podem detectar microtremores, pequenos o suficiente para registrar valores negativos da escala. A outra ponta tamb\u00e9m \u00e9 limitada. Como o sistema foi feito para estudar tremores de magnitudes entre 3 e 7, tremores muito fortes sempre marcam 7,0, independente da energia liberada. Al\u00e9m disso, o sistema \u00e9 limitado por uma dist\u00e2ncia m\u00e1xima do epicentro \u2014 leituras feitas a mais de 600km simplesmente n\u00e3o s\u00e3o fortes o suficiente para fornecer uma estimativa confi\u00e1vel da magnitude \u2014 e pelo comprimento da falha geol\u00f3gica que sofreu o impacto \u2014 terremotos que ocorrem em falhas de 1000 km, como o de 1952 nas Ilhas Fox, no Alasca, ou o de 1960 no Chile, s\u00e3o simplesmente grandes demais para serem caracterizados de maneira precisa.&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar desses inconvenientes, a escala Richter fornece uma medida s\u00f3bria da for\u00e7a de um terremoto e permite compara\u00e7\u00f5es dos impactos \u2014 tudo isso sem precisar se basear nas testemunhas oculares ou variar de acordo com a composi\u00e7\u00e3o do solo ou a arquitetura, como ocorria com o antigo sistema Mercalli, desenvolvido pelo vulcan\u00f3logo italiano Giuseppe Mercalli em 1902. A escala ML permitiu o desenvolvimento de formas mais resistentes de constru\u00e7\u00e3o. Por exemplo, voc\u00ea n\u00e3o vai achar uma funda\u00e7\u00e3o feita de tijolos em San Francisco que n\u00e3o tenha sido refor\u00e7ada. E mesmo que aperfei\u00e7oamentos no sistema de escalas tenham a superado em precis\u00e3o, a escala ML original continua sendo a vers\u00e3o mais conhecida pelo p\u00fablico em geral e \u00e9 usada regularmente para calcular a severidade de um tremor logo ap\u00f3s a ocorr\u00eancia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"360\" alt=\"\" src=\"\/site\/userfiles\/r_4.jpg\" \/><\/p>\n<p>Melhorias na escala&nbsp;<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1970, nosso entendimento de sismologia tinha avan\u00e7ado o suficiente para Richter e Gutenberg repensarem o sistema local de escala. A dupla desenvolveu a nova escala Ms de magnitude, baseada em ondas de superf\u00edcie, que se movem como ondas d\u2019\u00e1gua ao longo da superf\u00edcie da Terra, e a escala mb para ondas de corpo, aquelas que se movem pelo interior da Terra. Como ambas ondas podem ser medidas a mais de 100km do epicentro, nenhum dos dois m\u00e9todos tem as mesmas limita\u00e7\u00f5es de dist\u00e2ncia da escala ML, embora elas precisem de ajustes para que se possa obter resultados consistentes.&nbsp;<\/p>\n<p>Como estas duas escalas ainda n\u00e3o eram perfeitas, j\u00e1 que chegavam at\u00e9 a magnitude 8, foi desenvolvida a escala de magnitude de momento, Mw. Muita gente se refere incorretamente a ela como escala Richter, mas suas bases v\u00eam de uma teoria tect\u00f4nica diferente \u2014 a do deslocamento el\u00e1stico, publicada pela primeira vez por F. A. Dahlen em 1972, que postula que a energia liberada por um tremor \u00e9 proporcional \u00e0 \u00e1rea de superf\u00edcie que se solta, \u00e0 dist\u00e2ncia m\u00e9dia do deslocamento (quanto a falha se move) e \u00e0 estrutura do terreno que cerca a falha. Isto \u00e9, a magnitude \u00e9 derivada da rigidez da Terra vezes a quantidade de deslize da falha vezes a quantidade de \u00e1rea que se mexeu. Este sistema \u00e9 baseado em anos de leituras s\u00edsmicas e marcou um avan\u00e7o enorme na nossa compreens\u00e3o do tema. A USG (US Geological Survey) mede todos os grandes terremotos usando essa escala.<\/p>\n<p><b>Autor: GizModo<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No estudo dos desastres naturais \u2014 sejam eles tornados, furac\u00f5es, nevascas ou idas ao shopping em v\u00e9spera de Natal \u2014, a magnitude de um evento \u00e9 vital para compreender sua dura\u00e7\u00e3o e frequ\u00eancia. 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