{"id":23152,"date":"2013-02-19T23:47:49","date_gmt":"2013-02-19T23:47:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=23152"},"modified":"2013-02-19T15:27:48","modified_gmt":"2013-02-19T15:27:48","slug":"microapartamentos-o-futuro-chegou-a-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2013\/02\/19\/microapartamentos-o-futuro-chegou-a-sp\/","title":{"rendered":"Microapartamentos: o futuro chegou a SP?"},"content":{"rendered":"<p>Segundo um levantamento feito para a BBC Brasil pela Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrim\u00f4nio), em 2012 foram lan\u00e7ados na cidade de S\u00e3o Paulo um total de 2.818 unidades residenciais de menos de 35m\u00b2, um aumento de mais de 16 vezes em rela\u00e7\u00e3o a 2008 (quando os lan\u00e7amentos totalizaram 169 unidades). <\/p>\n<p>S\u00f3 para citar alguns exemplos, a incorporadora e construtora Vitacon acaba de lan\u00e7ar um im\u00f3vel de 25 m\u00b2 na Vila Ol\u00edmpia e outro de 21 m\u00b2 em Perdizes; a MAC lan\u00e7ou o empreendimento &#8220;Now&#8221; no Alto da Boa Vista, que tem alguns apartamentos de 31 m\u00b2; e a Fernandez Mera promete entregar em abril o Vila Nova Concept, na Vila Nova Concei\u00e7\u00e3o, que tem est\u00fadios de at\u00e9 30 m\u00b2 em edif\u00edcios com SPA, academia, home theater e espa\u00e7o gourmet. <\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os im\u00f3veis projetados para abrigar fam\u00edlias est\u00e3o cada vez menores. Hoje n\u00e3o \u00e9 raro encontrar um lan\u00e7amento de dois quartos com algo em torno de 55 m\u00b2, por exemplo, o que ajuda a movimentar o fil\u00e3o dos m\u00f3veis dobr\u00e1veis e das revistas especializadas nos &#8220;segredos&#8221; da decora\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os pequenos. <\/p>\n<p>&#8220;Por volta de 2007 e 2008 houve um grande n\u00famero de lan\u00e7amentos de apartamentos de tr\u00eas ou quatro dormit\u00f3rios&#8221;, explica Luiz Paulo Pomp\u00e9ia, diretor da Embraesp. &#8220;Agora, a surpresa s\u00e3o esses microapartamentos, que n\u00e3o raro se apresentam como empreendimentos de luxo, ficam em bairros bem localizados e oferecem servi\u00e7os e \u00e1rea de lazer.&#8221; <\/p>\n<p>Segundo Pomp\u00e9ia, os apartamentos de at\u00e9 35 m\u00b2 visam atender a uma demanda criada, de um lado, por mudan\u00e7as sociais e demogr\u00e1ficas, como a redu\u00e7\u00e3o do tamanho das fam\u00edlias brasileiras, o aumento do n\u00famero de solteiros e o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, que infla o grupo dos idosos morando sozinhos. <\/p>\n<p>Do outro, pelo aumento dos pre\u00e7os de im\u00f3veis e terrenos na cidade &#8211; que torna unidades maiores inacess\u00edveis a muitas parcelas da popula\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>O crescimento econ\u00f4mico dos \u00faltimos anos motivou mais pessoas a correrem atr\u00e1s do sonho da casa pr\u00f3pria. Mas em muitos casos &#8211; e principalmente se quiserem morar em regi\u00f5es centrais &#8211; o \u00fanico que elas podem bancar \u00e9 o microapartamento pr\u00f3prio. <\/p>\n<p>Muitos empreendimentos tamb\u00e9m s\u00e3o oferecidos como op\u00e7\u00e3o de investimento. Segundo as empresas, os compradores poderiam lucrar alugando os im\u00f3veis para estudantes, executivos e estrangeiros. Pomp\u00e9ia, por\u00e9m, recomenda cautela e diz que s\u00f3 uma an\u00e1lise caso a caso pode dizer se trata-se de um bom neg\u00f3cio. <\/p>\n<p>&#039;Futuro?&#039;A capital paulista n\u00e3o est\u00e1 sozinha nessa &#8220;onda dos microapartamentos&#8221;. <\/p>\n<p>At\u00e9 os anos 90, relatos sobre os &#8220;miniflats&#8221; japoneses ainda causavam espanto em diversos pa\u00edses. Hoje, a redu\u00e7\u00e3o progressiva do tamanho das moradias ocupadas por fam\u00edlias e profissionais de classe m\u00e9dia \u00e9 uma tend\u00eancia em regi\u00f5es centrais de metr\u00f3poles dos mais variados cantos do globo &#8211; dos EUA ao Canad\u00e1 e Gr\u00e3-Bretanha &#8211; o que vem alimentando uma s\u00e9rie de pol\u00eamicas e debates. <\/p>\n<p>Afinal, o homem est\u00e1 preparado para viver em espa\u00e7os que na gera\u00e7\u00e3o passada correspondiam a uma sala ou duas vagas grandes de garagem (25 m\u00b2)? Qual o limite para a redu\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os das moradias humanas? <\/p>\n<p>O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, \u00e9 um dos que acreditam que o miniapartamento \u00e9 o futuro inevit\u00e1vel do mercado imobili\u00e1rio das grandes metr\u00f3poles &#8211; ou a pequena solu\u00e7\u00e3o para os grandes problemas de falta de moradia e pre\u00e7os exorbitantes dos im\u00f3veis atualmente dispon\u00edveis. <\/p>\n<p>Hoje, o aluguel de um studio em Manhatan gira em torno de US$ 2.700 (R$ 5.300). Desde 1987, uma lei pro\u00edbe a constru\u00e7\u00e3o de moradias de menos de 37 m\u00b2 &#8211; e at\u00e9 pouco tempo a regra s\u00f3 podia ser quebrada para as &#8220;moradias sociais&#8221;, que abrigam popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis. <\/p>\n<p>Bloomberg, por\u00e9m, resolveu abrir uma exce\u00e7\u00e3o para um projeto piloto de cub\u00edculos habit\u00e1veis. Um concurso foi lan\u00e7ado no ano passado &#8211; o &#8220;adAPT&#8221; &#8211; e o microapartamento vencedor, um projeto com 55 unidades que t\u00eam de 23 m\u00b2 a 34 m\u00b2, deve ficar pronto em 2014. Se for bem recebido pelo mercado e a popula\u00e7\u00e3o, a ideia \u00e9 que a lei seja mudada. <\/p>\n<p>Inova\u00e7\u00f5esAntes disso, por\u00e9m, os finalistas do adAPT podem ser conferidos na exposi\u00e7\u00e3o Making Room (&#8220;Abrindo Espa\u00e7o&#8221;) organizado no Museu da Cidade de Nova York para exp\u00f4r as inova\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas e de design que fariam dos microapartamentos solu\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis para a quest\u00e3o da moradia no s\u00e9culo 21, segundo entusiastas. <\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o tem um modelo em escala natural de uma microquitinete com m\u00f3veis vers\u00e1teis &#8211; como uma cama que pode ser escondida na parede, liberando espa\u00e7o para uma sala. Tamb\u00e9m inclui o projeto de um apartamento especialmente desenhado para grupos de solteiros &#8211; dividido em \u00e1reas comuns compartilhadas e \u00e1reas privativas reduzidas. <\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m disso, expusemos projetos j\u00e1 constru\u00eddos em outras cidades e pa\u00edses&#8221;, disse \u00e0 BBC Brasil o curador da exposi\u00e7\u00e3o, Donald Albrecht, especialista em design e arquitetura. <\/p>\n<p>O arquiteto Gary Chang, por exemplo, projetou em Hong Kong um miniflat com paredes m\u00f3veis, que escondem utens\u00edlios e podem criar 24 ambientes diferentes em uma \u00e1rea m\u00ednima. Outros projetos exibem janelas amplas, p\u00e9s direitos altos e uma infinidade de estratagemas para ampliar a &#8220;sensa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o&#8221;. <\/p>\n<p>&#8220;Hoje h\u00e1 uma s\u00e9rie de profissionais trabalhando no aprimoramento de microapartamentos em lugares como Vancouver e Montreal, no Canad\u00e1, Seattle e San Diego, nos EUA, T\u00f3quio e Hong Kong, onde eles j\u00e1 s\u00e3o uma realidade&#8221;, diz Albrecht. <\/p>\n<p>A cidade de San Francisco em novembro mudou sua regulamenta\u00e7\u00e3o para reduzir o limite m\u00ednimo de tamanho dos im\u00f3veis para 20 m\u00b2. <\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 dif\u00edcil pensar em uma solu\u00e7\u00e3o para o problema de moradia nas metr\u00f3poles modernas, superpopuladas, que n\u00e3o passe pela quitinete&#8221;, acredita Albrecht. <\/p>\n<p>Cr\u00edticasH\u00e1 quem discorde. Nos EUA, por exemplo, diversos urbanistas se opuseram \u00e0 iniciativa de Bloomberg, entre eles Richard Forida. <\/p>\n<p>Na sua opini\u00e3o, para se fomentar comunidades mais din\u00e2micas e com mais qualidade de vida, as cidades deveriam se expandir &#8220;para fora&#8221;, n\u00e3o adotar solu\u00e7\u00f5es que permitam o seu adensamento populacional, como os microflats e a expans\u00e3o &#8220;para o alto&#8221;. <\/p>\n<p>Entre as estrat\u00e9gias que poderiam dar apoio a essa solu\u00e7\u00e3o alternativa est\u00e3o, por exemplo, o investimento em sistemas de transporte para conectar \u00e1reas centrais a perif\u00e9ricas e incentivos para o trabalho de casa. <\/p>\n<p>No Brasil, Paulo Fabrianni, vice-presidente da ADEMI (Associa\u00e7\u00e3o de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobili\u00e1rio) do Rio de Janeiro apresenta argumentos semelhantes aos de cr\u00edticos de Bloomberg para justificar o atual limite de 50 m\u00b2 para os im\u00f3veis novos da capital carioca. <\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 poss\u00edvel que esse limite seja flexibilizado para a Zona Norte e regi\u00f5es do Centro, onde h\u00e1 espa\u00e7o para construir e a densidade populacional ainda n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande&#8221;, diz Fabrianni, ao ser questionado sobre o interesse do mercado carioca pelos microapartamentos&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Para a maior parte da cidade, por\u00e9m, a restri\u00e7\u00e3o faz sentido porque tais \u00e1reas j\u00e1 est\u00e3o no limite de sua capacidade de absor\u00e7\u00e3o e adensamento populacional. N\u00e3o haveria mais espa\u00e7o nas ruas para mais carros, nem uma oferta suficiente de servi\u00e7os p\u00fablicos.&#8221; <\/p>\n<p>LondresNo Reino Unido, o debate sobre os &#8220;apartamenticos&#8221; tamb\u00e9m \u00e9 acalorado, como explica Sean Griffiths, diretor do est\u00fadio de arquitetura Fashion Architecture Taste, em Londres, e professor visitante da Universidade de Yale. <\/p>\n<p>Griffiths diz que uma tentativa de lan\u00e7ar microapartamentos novos no mercado londrino na d\u00e9cada passada teve relativamente pouco sucesso e que haveria uma suposta resist\u00eancia de agentes financiadores a esse produto. H\u00e1 algum tempo, por\u00e9m, casas e edif\u00edcios centen\u00e1rios da cidade t\u00eam sido divididos em diversas unidades imobili\u00e1rias. <\/p>\n<p>Em 2010, um c\u00f4modo de 8 m\u00b2 usado para guardar vassouras e esfreg\u00f5es em um edif\u00edcio no bairro exclusivo de Knightsbridge (perto da famosa loja de departamentos Harrods) chegou a ter seu valor estimado em 200.000 libras (R$ 607 mil) ao ser convertido em microapartamento. <\/p>\n<p>Segundo analistas, tal supervaloriza\u00e7\u00e3o \u00e9 impulsionada tanto pela especula\u00e7\u00e3o de investidores quanto pelo aumento de 12% no n\u00famero de habitantes da cidade na \u00faltima d\u00e9cada. Para completar, a legisla\u00e7\u00e3o vigente impede que Londres se expanda para al\u00e9m do que \u00e9 conhecido como seu &#8220;cintur\u00e3o verde&#8221;. <\/p>\n<p>&#8220;Por uma quest\u00e3o cultural, os brit\u00e2nicos n\u00e3o gostam nem sequer de morar em apartamento &#8211; s\u00f3 uma casa com jardim \u00e9 vista como um verdadeiro &#039;lar&#039;. Por outro lado, tamb\u00e9m h\u00e1 muita resist\u00eancia \u00e0 expans\u00e3o vertical das cidades por causa do impacto ambiental potencial dessa solu\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Griffiths. <\/p>\n<p>&#8220;Se todos quisessem morar em pequenas comunidades em \u00e1reas verdes n\u00e3o haveria mais \u00e1reas verdes. Por isso, n\u00e3o vejo muito como fugir de um futuro marcado pela expans\u00e3o dos microapartamentos tamb\u00e9m por aqui. Ao menos at\u00e9 uma poss\u00edvel revers\u00e3o das atuais tend\u00eancias demogr\u00e1ficas da cidade&#8221;, opina. <\/p>\n<p><b>Autor: BBC<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela lei brasileira, cada preso deve ter um m\u00ednimo de 6m\u00b2 nos centros de deten\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. 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