{"id":22919,"date":"2012-11-12T23:44:41","date_gmt":"2012-11-12T23:44:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=22919"},"modified":"2012-11-12T11:49:45","modified_gmt":"2012-11-12T11:49:45","slug":"brasil-comeca-a-se-preparar-para-internet-do-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2012\/11\/12\/brasil-comeca-a-se-preparar-para-internet-do-futuro\/","title":{"rendered":"Brasil come\u00e7a a se preparar para internet do futuro"},"content":{"rendered":"<p>No primeiro semestre de 2013, universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa brasileiras ser\u00e3o interligadas em duas redes experimentais nas quais ser\u00e3o testadas aplica\u00e7\u00f5es de novas tecnologias que poder\u00e3o definir a internet do futuro. <\/p>\n<p>As duas redes experimentais acad\u00eamicas brasileiras se somar\u00e3o a algumas outras estabelecidas nos \u00faltimos anos em outros pa\u00edses com o objetivo de preparar universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa para uma mudan\u00e7a de paradigma na tecnologia de internet, prevista para ocorrer nos pr\u00f3ximos anos. <\/p>\n<p>Baseada atualmente na troca (chaveamento) de pacotes de dados, a tecnologia da internet dever\u00e1 migrar para o chaveamento de fluxos &#8211; conjuntos de pacotes de dados que t\u00eam alguma caracter\u00edstica em comum. <\/p>\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o dessa mudan\u00e7a, as redes deixar\u00e3o de ser definidas pelos equipamentos de rede (como os switches e os roteadores) e pelos softwares contidos neles, como ocorre hoje, e passar\u00e3o a ser gerenciadas por aplicativos externos, que determinar\u00e3o o comportamento dos fluxos de dados. <\/p>\n<p>Fluxo Aberto <\/p>\n<p>Em 2008, um grupo de pesquisadores de redes das universidades Stanford e da Calif\u00f3rnia em Berkeley, ambas nos Estados Unidos, publicou um artigo descrevendo a implementa\u00e7\u00e3o de um novo protocolo para gerenciamento de tr\u00e1fego. <\/p>\n<p>Chamada &#8220;OpenFlow&#8221; (fluxo aberto), a tecnologia abriu as portas para que as &#8220;redes definidas por software&#8221; se tornem realidade. <\/p>\n<p>O protocolo permite transferir o controle do tr\u00e1fego de dados em uma rede, antes realizado por switches e roteadores, para servidores externos. <\/p>\n<p>Com isso, abriu- se a possibilidade de desenvolvimento de softwares de controle de tr\u00e1fego de redes, com c\u00f3digo aberto e executados por esses servidores, conforme come\u00e7aram a fazer algumas empresas de base tecnol\u00f3gica criadas por pesquisadores da pr\u00f3pria Universidade de Stanford e por outras institui\u00e7\u00f5es de pesquisa em todo o mundo. <\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, muitas empresas de tecnologia de computa\u00e7\u00e3o come\u00e7aram a fabricar e a disponibilizar switches e roteadores com OpenFlow para serem testados inicialmente em redes experimentais, dado que seria imposs\u00edvel interromper a Word Wide Web para avaliar a nova tecnologia. <\/p>\n<p>&#8220;A internet \u00e9 uma commodity fundamental na vida das pessoas, e n\u00e3o se pode parar o funcionamento dela para experimentar coisas novas. Por isso, est\u00e3o sendo desenvolvidos projetos de redes experimentais para suportar a internet do futuro&#8221;, disse Cesar Marcondes, professor do Departamento de Computa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar). <\/p>\n<p>De acordo com Marcondes, algumas empresas de tecnologia, como o Google, j\u00e1 desenvolveram c\u00f3digos e est\u00e3o operando suas redes de data centers com OpenFlow. <\/p>\n<p>Redes acad\u00eamicas <\/p>\n<p>Atentas a esse movimento, universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa nos Estados Unidos e na Europa, que foram o &#8220;ber\u00e7o&#8221; da internet, tamb\u00e9m j\u00e1 montaram redes nacionais para possibilitar que seus pesquisadores possam fazer experimentos com a tecnologia OpenFlow. <\/p>\n<p>Seguindo o mesmo caminho, a Rede Acad\u00eamica do Estado de S\u00e3o Paulo (ANSP), tamb\u00e9m pretende come\u00e7ar a realizar no primeiro semestre de 2013 um teste inicial de implementa\u00e7\u00e3o de OpenFlow em uma rede experimental. <\/p>\n<p>O teste na rede experimental paulista ter\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o de algumas das mais de 50 universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa filiadas \u00e0 ANSP. <\/p>\n<p>J\u00e1 em escala nacional, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) &#8211; que interconecta as universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa brasileiras e prov\u00ea o acesso internacional \u00e0 internet &#8211; tamb\u00e9m coordena a cria\u00e7\u00e3o de uma rede experimental em parceria com a Uni\u00e3o Europeia para realiza\u00e7\u00e3o de experimentos de novas aplica\u00e7\u00f5es baseadas em OpenFlow. <\/p>\n<p>Denominado Fibre, o projeto \u00e9 realizado com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) e do 7th Framework Programme (FP7) da Uni\u00e3o Europeia. <\/p>\n<p>&#8220;As universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa brasileiras t\u00eam que se preparar agora, porque n\u00e3o se sabe quando ocorrer\u00e1 essa transi\u00e7\u00e3o de paradigma na tecnologia da internet e quanto antes elas estiverem preparadas ser\u00e1 melhor&#8221;, disse Luis Fernandez Lopez, coordenador geral da ANSP. <\/p>\n<p>&#8220;Seria terr\u00edvel se os sistemas de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o criados nas universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa do pa\u00eds para dar suporte aos seus processos educacionais e de pesquisa parassem em um determinado momento porque n\u00e3o acompanharam a evolu\u00e7\u00e3o das pesquisas em TI&#8221;, avaliou Lopez. <\/p>\n<p>Inova\u00e7\u00f5es na internet <\/p>\n<p>Segundo especialistas na \u00e1rea, as redes experimentais brasileiras possibilitar\u00e3o aos pesquisadores em rede do pa\u00eds desenvolver e testar diversas solu\u00e7\u00f5es locais baseadas em OpenFlow que, eventualmente, poder\u00e3o ser implementadas nas redes acad\u00eamicas para suportar tanto o atual tr\u00e1fego de dados entre elas como tamb\u00e9m novas funcionalidades. <\/p>\n<p>Como se ter\u00e1 acesso \u00e0 interface de programa\u00e7\u00e3o dos switches com protocolo OpenFlow que comp\u00f5em as redes experimentais, \u00e9 poss\u00edvel desenvolver e implantar diversas solu\u00e7\u00f5es no servidor que os controla. <\/p>\n<p>Entre elas est\u00e3o inova\u00e7\u00f5es voltadas para racionalizar a utiliza\u00e7\u00e3o das redes, tornando-as mais seguras e menos sujeitas a falhas. <\/p>\n<p>Hoje, normalmente as redes utilizam os mesmos roteadores &#8211; que s\u00e3o equipamentos sofisticados e caros, que funcionam como servidores &#8211; tanto nos pontos por onde passa muito tr\u00e1fego como naqueles onde o tr\u00e1fego \u00e9 muito pequeno. <\/p>\n<p>Por outro lado, o OpenFlow permite usar, nos pontos de pouco tr\u00e1fego, switches mais simples, que consomem menos energia, mas com as mesmas funcionalidades dos outros dispositivos, por serem controlados por um mesmo servidor externo. <\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, solu\u00e7\u00f5es de computa\u00e7\u00e3o em nuvem &#8211; caracterizadas pelo compartilhamento, por meio da rede, de computadores e servidores instalados em um data center -, cujo gerenciamento \u00e9 muito dif\u00edcil e complicado com a tecnologia utilizada hoje, poderiam ser gerenciadas por m\u00faltiplos usu\u00e1rios, de maneira bem mais simples, usando OpenFlow. <\/p>\n<p>&#8220;O OpenFlow abre a possibilidade de se programar uma rede, em vez de apenas configur\u00e1-la, que \u00e9 o que s\u00f3 se consegue fazer hoje. Em fun\u00e7\u00e3o disso, dever\u00e1 surgir uma s\u00e9rie de empresas que desenvolvem software para redes, a exemplo do que j\u00e1 est\u00e1 ocorrendo nos Estados Unidos&#8221;, estimou Marcondes, que participa do projeto Fibre. <\/p>\n<p>Paradigma da tecnologia da internet <\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Marcondes e outros especialistas, a comunidade cient\u00edfica brasileira tem muito mais condi\u00e7\u00f5es de participar ativamente e desempenhar um papel mais relevante nessa mudan\u00e7a de paradigma da tecnologia da internet para redes baseadas em software do que quando entrou em cena a web, a vers\u00e3o &#8220;moderna&#8221; da internet. <\/p>\n<p>Quando a internet come\u00e7ou a se popularizar no Brasil, na d\u00e9cada de 1990, sua tecnologia era baseada no desenvolvimento de equipamentos que permitem fazer chaveamento de pacotes de dados, como os switches e roteadores &#8211; que exigem grandes investimentos e o envolvimento de muitas pessoas. O desenvolvimento de software demanda menos recursos e menor n\u00famero de profissionais. <\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito mais f\u00e1cil interferir em uma ind\u00fastria de software que depende, basicamente, de boas ideias trazidas por bons pesquisadores do que na ind\u00fastria de hardware&#8221;, comparou Lopez. <\/p>\n<p>&#8220;Temos uma oportunidade de ouro com as redes definidas por software. Ao contr\u00e1rio de 1990, quando n\u00e3o havia pesquisa em hardware nas universidades brasileiras e ind\u00fastrias preparadas para desenvolver esses equipamentos, hoje temos boa pesquisa na \u00e1rea de software e boa ci\u00eancia e engenharia de computa\u00e7\u00e3o&#8221;, avaliou. <\/p>\n<p>&#8220;Se existe a perspectiva de que a internet deve caminhar na dire\u00e7\u00e3o de redes definidas por software &#8211; e estamos convencidos de que ir\u00e1 -, \u00e9 necess\u00e1rio que as universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa estejam prontas para fazer essa transi\u00e7\u00e3o a partir de agora&#8221;, disse Lopez. <\/p>\n<p><b>Autor: Ag\u00eancia Fapesp <\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No primeiro semestre de 2013, universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa brasileiras ser\u00e3o interligadas em duas redes experimentais nas quais ser\u00e3o testadas aplica\u00e7\u00f5es de novas tecnologias que poder\u00e3o definir a internet do futuro. 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