{"id":22632,"date":"2012-08-22T23:41:04","date_gmt":"2012-08-22T23:41:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=22632"},"modified":"2012-08-22T16:41:28","modified_gmt":"2012-08-22T16:41:28","slug":"matriz-energetica-foi-o-tema-da-terceira-edicao-dos-caminhos-da-engenharia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2012\/08\/22\/matriz-energetica-foi-o-tema-da-terceira-edicao-dos-caminhos-da-engenharia-brasileira\/","title":{"rendered":"Matriz energ\u00e9tica foi o tema da terceira edi\u00e7\u00e3o dos Caminhos da Engenharia Brasileira"},"content":{"rendered":"<p>No dia 14 de agosto, o Instituto de Engenharia realizou a terceira edi\u00e7\u00e3o dos Semin\u00e1rios Caminhos da Engenharia Brasileira que, desta vez, abordou o tema Matriz Energ\u00e9tica- Setor El\u00e9trico. Durante todo o dia v\u00e1rios nomes do setor estiveram no audit\u00f3rio nobre da Casa para discutir os temas Energia Renov\u00e1vel \u2013 Biomassa \u2013E\u00f3lica- Solar- e Hidroel\u00e9trica.&nbsp;<\/p>\n<p>A mesa de abertura contou com a presen\u00e7a de Aluizio de Barros Fagundes, presidente do Instituto de Engenharia, Miguel Bucalem, secret\u00e1rio Municipal de Desenvolvimento Urbano, representando o prefeito Gilberto Kassab, Arnaldo Jardim, deputado federal, Francisco Kurimore, presidente regional Crea-SP, e Jean Cesari Negri, assessor da diretoria de Tecnologia e Empreendimentos e meio Ambiente representando Dilma Penna, presidente da Sabesp.&nbsp;<\/p>\n<p>Em seu pronunciamento Aluizio destacou a miss\u00e3o do Instituto em afirmar que a \u201cEngenharia tem de ser praticada em benef\u00edcio da humanidade e, assim, ser um instrumento de progresso, como base da Economia, da cidadania e da pol\u00edtica governamental\u201d.&nbsp;<\/p>\n<p>Ele lembrou que nos primeiros eventos foram discutidos os temas Inova\u00e7\u00e3o e Competitividade, Sustentabilidade, Log\u00edstica, sobre o ensino no Brasil e, no segundo, foram analisadas as quest\u00f5es do Conte\u00fado Nacional, na qual foi verificada a compet\u00eancia da classe.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cHoje debateremos a quest\u00e3o essencial da energia el\u00e9trica no Brasil, em busca de uma adequada an\u00e1lise deste fundamental setor da infraestrutura econ\u00f4mica\u201d, disse. Ele destacou ao final que a pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o dos Caminhos da Engenharia Brasileira trar\u00e1 como tema a Engenharia aplicada ao agroneg\u00f3cio.&nbsp;<\/p>\n<p>Jean Cesari Negri, assessor da diretoria de Tecnologia e Empreendimentos e Meio Ambiente, destacou que est\u00e1 h\u00e1 15 anos tentado estudar a quest\u00e3o do planejamento energ\u00e9tico e nos \u00faltimos cinco anos, desenvolve a matriz energ\u00e9tica do Estado de s\u00e3o Paulo. \u201cA matriz el\u00e9trica \u00e9 fundamental e \u00e9 uma parte do problema. Hoje a eletricidade do consumo final representa menos de 20%. A energia el\u00e9trica tem uma organiza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias d\u00e9cadas e tem import\u00e2ncia fundamental em v\u00e1rios setores de consumo final, com\u00e9rcio 90%, ind\u00fastria 20% e resid\u00eancias 40%\u201d, explica Jean.&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo ele, temos duas formas de avaliar a matriz energ\u00e9tica: a tendencial que, olhando o passado e com regras de acoplamento projetamos o futuro, \u201colhamos estruturalmente o futuro supondo que teremos uma ruptura, e n\u00f3s estamos em rupturas. O pr\u00e9-sal e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o rupturas que v\u00e3o influenciar a matriz energ\u00e9tica\u201d.&nbsp;<\/p>\n<p>O setor el\u00e9trico tradicionalmente sempre foi prodigo na quest\u00e3o do planejamento. Antes da reestrutura\u00e7\u00e3o t\u00ednhamos planos de 10, 15 e 30 anos. \u201cCom a reestrutura\u00e7\u00e3o teve uma descontinuidade recuperada depois com a cria\u00e7\u00e3o da empresa de pesquisa energ\u00e9tica. O que sentimos falta \u00e9 de planejamento a longo prazo at\u00e9 mesmo para definir trajet\u00f3rias\u201d, disse.&nbsp;<\/p>\n<p>Francisco Kurimore, presidente regional Crea-SP, destacou que o Brasil precisa da engenharia brasileira. \u201cN\u00f3s somos executores dos investimentos do Pa\u00eds, n\u00f3s somos os profissionais da produ\u00e7\u00e3o. Nossa pr\u00f3xima miss\u00e3o neste pa\u00eds \u00e9 uma miss\u00e3o \u00e9tica. Esse \u00e9 o nosso compromisso. N\u00f3s movimentamos 17% do PIB do Pa\u00eds. Estamos tendo uma invas\u00e3o de profissionais e tecnologias estrangeiras. \u00c9 ruim, n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 ruim, mas com planejamento, n\u00e3o podemos ficar fora agora\u201d, enfatizou.&nbsp;<\/p>\n<p>Miguel Bucalem falou sobre a perspectiva de S\u00e3o Paulo em rela\u00e7\u00e3o a energia. A cidade est\u00e1 comprometida com o desenvolvimento sustent\u00e1vel, que implica em um consumo racional de energia e pol\u00edticas que diminuam o consumo per capita. \u201cHoje 65% do consumo de energia no Estado se faz pela queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis no transporte. \u201c\u00c9 alarmante, pois h\u00e1 preju\u00edzo para o meio ambiente. Mudar esta matriz de consumo \u00e9 um dos grandes desafios que a cidade t\u00eam a m\u00e9dio e longo prazos\u201d, ressaltou.&nbsp;<\/p>\n<p>Ele enfatizou os esfor\u00e7os para criar condi\u00e7\u00f5es que a cidade cres\u00e7a em um padr\u00e3o de ocupa\u00e7\u00e3o urbana mais sustent\u00e1vel, o que chamamos de cidade compacta, aproveitando \u00e1reas com grande infraestrutura para abrigar o crescimento.&nbsp;<\/p>\n<p>O primeiro painel que tratou do tema \u201cEnergia renov\u00e1vel \u2013 biomassa \u2013e\u00f3lica\u2013 solar.&nbsp;<\/p>\n<p>A palestra foi do deputado Arnaldo Jardim, que falou sobre a \u201cLegisla\u00e7\u00e3o sobre energia renov\u00e1vel\u201d. <br \/>\nFalou sobre o apag\u00e3o, que aconteceu h\u00e1 11 anos. \u201cConstatou-se que no susto do processo o consumo residencial foi reduzido em 20%, com mediadas de economia. Hoje vivemos um momento de desafio que n\u00e3o vem por conta da escassez, vem no sentido da necessidade de nos prepararmos a m\u00e9dio prazo para que a oferta continue crescendo e seja diversificada, para n\u00e3o termos depend\u00eancia e vulnerabilidade\u201d, disse.&nbsp;<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m citou a possibilidade de os Estados Unidos usarem o g\u00e1s de xisto como alternativa como independ\u00eancia energ\u00e9tica.&nbsp;<\/p>\n<p>A segunda exposi\u00e7\u00e3o foi de Miracyr Marcato, diretor do departamento de Energia e Telecomunica\u00e7\u00f5es do Instituto de Engenharia, que falou sobre \u201cMatriz energ\u00e9tica \u2013 sistema el\u00e9trico brasileiro, planejamento e racionalidade\u201d.&nbsp;<\/p>\n<p>Ele iniciou mostrando um panorama energ\u00e9tico mundial, destacando que em 2010 o mundo, com 6,8 bilh\u00f5es de habitantes e 150 milh\u00f5es de km\u00b2 de \u00e1reas emersas terrestres, registrou um consumo total energ\u00e9tico de 12 bilh\u00f5es de TEP (toneladas equivalentes de petr\u00f3leo) contra 9,4 bilh\u00f5es de TEP em 2000.&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre o abastecimento no Brasil ele citou que deve-se manter e ampliar a presen\u00e7a na matriz energ\u00e9tica das fontes prim\u00e1rias renov\u00e1veis, com \u00eanfase na biomassa, energia e\u00f3lica e na utiliza\u00e7\u00e3o integral dos recursos h\u00eddricos, preservando a capacidade de armazenamento e a regula\u00e7\u00e3o plurianual dos reservat\u00f3rios hidrel\u00e9tricos.&nbsp;<\/p>\n<p>Incentivo \u00e0 efici\u00eancia energ\u00e9tica (cogera\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria e melhoria nos rendimentos dos motores automotivos), apoio ao transporte coletivo e a outros modais de transporte: ferrovias e hidrovias.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO Brasil possui uma das matrizes energ\u00e9ticas mais limpas do mundo, 46% de sua energia prim\u00e1ria prov\u00e9m de fontes renov\u00e1veis contra 7,2 % de m\u00e9dia mundial (2010), 4,2 % (EUA), 8,9% (Europa) e 7,2 % (China). Um paradoxo brasileiro \u00e9 a sua depend\u00eancia de petr\u00f3leo (38%) maior que a m\u00e9dia mundial (33,5%), Europa (31,1%) e mesmo EUA (37,2%) devido \u00e0 sua matriz de transportes (80% a diesel e gasolina) e a subutiliza\u00e7\u00e3o do GN\u201d, explica.&nbsp;<\/p>\n<p>Ele destacou que outro paradoxo \u00e9 o fato de a ind\u00fastria automobil\u00edstica poder licenciar, sem qualquer oposi\u00e7\u00e3o ambiental, tr\u00eas milh\u00f5es de carros\/ano (165.000 MW), mais do que toda pot\u00eancia el\u00e9trica instalada do pa\u00eds, que poluem e congestionam a maioria das grandes cidades, ao passo que uma hidrel\u00e9trica de 3.000 MW requer prazos e compensa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas imprevis\u00edveis para sua implanta\u00e7\u00e3o que oneram o custo da energia.&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre a energia e\u00f3lica ele destacou que para maior integra\u00e7\u00e3o da energia e\u00f3lica e flexibilidade operacional do sistema el\u00e9trico os modernos aerogeradores devem permitir: controle e regula\u00e7\u00e3o de voltagem, fator de pot\u00eancia, frequ\u00eancia, varia\u00e7\u00f5es do despacho de carga, fornecer pot\u00eancia reativa capacitiva e indutiva e limitar as correntes de curto circuito do sistema e capacidade de suportar afundamentos tempor\u00e1rios de tens\u00e3o e frequ\u00eancia sem desligamentos (LVRT).&nbsp;<\/p>\n<p>Encerrando a primeira etapa do ciclo de palestras, Carlos Roberto Silvestrin, vice-presidente da Cogen, falou sobre \u201cOportunidade e prioridade da gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda cogera\u00e7\u00e3o biomassa e energia solar\u201d. <br \/>\nEle abriu sua palestra abordando as caracter\u00edsticas do parque hidr\u00e1ulico e os desafios das ofertas futuras, como: UHE \u201cfio d \u00e1gua\u201d distante do centro de carga; linhas de transmiss\u00e3o de longa dist\u00e2ncia e acentuada sazonalidade da oferta h\u00eddrica.&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre a matriz energ\u00e9tica, ele citou que a hidroeletricidade continuar\u00e1 como a principal fonte de gera\u00e7\u00e3o de energia, embora sua participa\u00e7\u00e3o no total da pot\u00eancia instalada do SIN &#8211; Sistema Interligado Nacional &#8211; ser\u00e1 reduzida de 79%, em 2011 para 70%, em 2016.&nbsp;<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 bioeletricidade as dire\u00e7\u00f5es expostas foram: realizar leil\u00e3o por regi\u00e3o \u201cgeo-el\u00e9trica\u201d; desonerar tributos na cadeia produtiva (ICMS, IPI) e REIDI (PIS\/COFINS); obter recursos para financiar a expans\u00e3o da moagem de cana e de bioeletricidade.&nbsp;<\/p>\n<p>Ele ressaltou, em rela\u00e7\u00e3o a energia solar, que o consumidor ser\u00e1 tamb\u00e9m o produtor. Que h\u00e1 micro e mini gera\u00e7\u00f5es desta energia que pode render em v\u00e1rias oportunidades de neg\u00f3cios.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA ind\u00fastria solar se desenvolveu com a demanda europeia. Agora busca neg\u00f3cios em pa\u00edses com irradia\u00e7\u00e3o solar e crescimento econ\u00f4mico sustentado\u201d, destacou Silvestrin.&nbsp;<\/p>\n<p>No per\u00edodo da tarde o tema abordado foi energia hidroel\u00e9trica. S\u00e9rgio Anauate, diretor geral da Tacta Enercom, come\u00e7ou a apresenta\u00e7\u00e3o falando que no Brasil o sistema de hidroel\u00e9tricas \u00e9 o mais utilizado. \u201cO sistema el\u00e9trico brasileiro foi constru\u00eddo com usinas hidroel\u00e9tricas de grande porte (com reservat\u00f3rio) e linhas de transmiss\u00e3o de longa dist\u00e2ncia para suprimento e interliga\u00e7\u00e3o. O advento das fontes alternativas de energia trouxe consigo o conceito de energia vari\u00e1vel, sujeita aos caprichos da natureza e sem possibilidade de armazenamento (at\u00e9 hoje). As crescentes restri\u00e7\u00f5es ambientais impostas aos empreendimentos de energia levaram o sistema a dar prefer\u00eancia ao sistema fio d \u00e1gua para a gera\u00e7\u00e3o hidroel\u00e9trica\u201d, explicou Anauate.&nbsp;<\/p>\n<p>Desta forma, a energia vari\u00e1vel resultante da gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica, solar e biomassa ganha a companhia da gera\u00e7\u00e3o hidroel\u00e9trica, aumentando sua participa\u00e7\u00e3o na matriz energ\u00e9tica brasileira. Todas as centrais geradoras precisam ser conectadas ao sistema para permitir o escoamento de energia, e isso \u00e9 feito atrav\u00e9s de linhas de transmiss\u00e3o ou distribui\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com Anauate, nas centrais e\u00f3licas a pot\u00eancia de cada gerador \u00e9 coletada por uma rede de m\u00e9dia tens\u00e3o (em geral 34,5kV) e levada at\u00e9 uma subesta\u00e7\u00e3o coletora, que recebe a pot\u00eancia dos diversos geradores ou parques e eleva a tens\u00e3o para que a energia possa ser entregue ao sistema. A tens\u00e3o de transmiss\u00e3o para conex\u00e3o ao sistema pode ser de 69kV at\u00e9 500kV, em fun\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios fatores, inclusive a disponibilidade de pontos de conex\u00e3o pr\u00f3ximos e da tens\u00e3o dos mesmos. O tipo de linha a ser usada para conex\u00e3o depende tamb\u00e9m do porte da central geradora.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cTodas as centrais geradoras precisam ser conectadas ao sistema. Nas centrais e\u00f3licas a pot\u00eancia de cada gerador \u00e9 coletada por uma rede de m\u00e9dia tens\u00e3o. A tens\u00e3o da transmiss\u00e3o para conex\u00e3o ao sistema pode ser de 69kV at\u00e9 500kV, em fun\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios fatores, inclusive a disponibilidade de pontos de conex\u00e3o pr\u00f3ximos. Mas no caso de grandes centrais um sistema de transmiss\u00e3o espec\u00edfico. J\u00e1 nas centrais de porte m\u00e9dio ou pequeno, \u00e9 necess\u00e1ria a identifica\u00e7\u00e3o de um ponto de conex\u00e3o ao sistema\u201d, contou o engenheiro.&nbsp;<\/p>\n<p>Walter Coronado Antunes, conselheiro do Instituto de Engenharia, falou sobre os aproveitamentos hidrel\u00e9tricos na Amaz\u00f4nia. Ele come\u00e7ou sua explana\u00e7\u00e3o mostrando um mapa onde eram apresentados os biomas do Brasil e sua preserva\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEntre a reserva legal e a \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, que s\u00e3o as \u00e1reas junto dos rios, ribeir\u00f5es, o territ\u00f3rio brasileiro vai ter aproximadamente 55% de ocupa\u00e7\u00e3o, o restante, 45%, ficam para tudo, para ocupa\u00e7\u00e3o geral. Argumenta-se de um lado que \u00e9 imposs\u00edvel viver mais que dois habitantes por m\u00b2 em \u00e1rea onde n\u00e3o haja agricultura e pecu\u00e1ria, e por outro lado n\u00f3s estamos com tecnologias que podem baixar a necessidade de terras, mas a gente n\u00e3o pode pensar que a tecnologia vai resolver o problema de alimenta\u00e7\u00e3o do mundo, com menor \u00e1rea de terra poss\u00edvel como imaginam os ambientalistas brasileiros\u201d, afirmou Antunes.&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo ele, a pot\u00eancia total prevista avaliada para a Amaz\u00f4nia seria de 95.000 megawatts. Ele tamb\u00e9m disse que nos estudos divulgados pela \u201cSuperintend\u00eancia de Projetos da Companhia Furnas\u201d, nas justificativas para a parti\u00e7\u00e3o da Usina Santo Ant\u00f4nio, no Rio Madeira, em duas usinas, a conclus\u00e3o leva \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de usinas de baixa queda. Com isso, em vez de construir uma barragem com 40 metros de altura, ser\u00e3o constru\u00eddas duas barragens de 20 metros de altura cada uma. Isso levou a duas contrata\u00e7\u00f5es de grande porte, 3.500 em Jirau e 3.500 em Santo Ant\u00f4nio. O problema \u00e9 que o leil\u00e3o que levou a contrata\u00e7\u00e3o dos cons\u00f3rcios e PPPs estabeleceu pre\u00e7os relativamente baixos para a energia produzida.&nbsp;<\/p>\n<p>Silvio Binato, da empresa PSR, veio representando o palestrante Mario Veiga da mesma empresa. Ele falou sobre \u201cPlanejamento e opera\u00e7\u00e3o do sistema integrado brasileiro\u201d. \u201cA capacidade instalada do sistema brasileiro \u00e9 de 120 GW sendo 75% dessa capacidade instalada de origem hidroel\u00e9trica e 25% de origem t\u00e9rmica, g\u00e1s natural, \u00f3leo, nuclear, biomassa, carv\u00e3o e e\u00f3lica, entre outras. Estes 75% s\u00e3o respons\u00e1veis por cerca de 90% da energia produzida e varia de ano para ano, dependendo se o ano \u00e9 mais seco ou mais \u00famido. Essas usinas est\u00e3o localizadas em diferentes bacias, o sistema el\u00e9trico brasileiro \u00e9 caracterizado por ser um sistema de grandes reservat\u00f3rios ou com uma capacidade de regulariza\u00e7\u00e3o bastante razo\u00e1vel. Uma dificuldade a mais \u00e9 que essas usinas cascatas pertencem a propriet\u00e1rios diferentes\u201d, destacou Binato.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cAs usinas hidroel\u00e9tricas t\u00eam um custo de oportunidade. Um modelo que ilustra bem as usinas com reservat\u00f3rio \u00e9, por exemplo, se sou dono de um reservat\u00f3rio, vendo \u00e1gua ao sistema, eu vendo energia ao sistema atrav\u00e9s da \u00e1gua. Portanto, vou procurar maximizar a minha rentabilidade. Se o pre\u00e7o da energia futura ou pre\u00e7o esperado da energia futura for maior amanh\u00e3 eu vou guardar a minha \u00e1gua hoje, n\u00e3o vou vender a \u00e1gua hoje ao sistema para deixar para vender amanh\u00e3. Se o pre\u00e7o da energia for maior hoje, eu vou produzir a energia hoje e n\u00e3o vou ter \u00e1gua amanh\u00e3 para gerar energia. Ent\u00e3o, com a \u00f3tima opera\u00e7\u00e3o do sistema h\u00e1 uma igualdade de pre\u00e7os entre o pre\u00e7o de hoje e o de amanh\u00e3 de forma que seja poss\u00edvel otimizar o uso da \u00e1gua dos reservat\u00f3rios\u201d, exemplificou Silvio Binato.&nbsp;<\/p>\n<p>O engenheiro Paulo Pedrosa, presidente da Abrace, falou sobre as \u201cVantagens do Brasil \u2013 da geografia ao modelo de concess\u00f5es\u201d. Segundo o engenheiro \u201co Brasil aproveita apenas 34% de seu potencial h\u00eddrico. \u00c9 feita a escolha por expans\u00e3o a partir de usinas a fio d \u00e1gua e as e\u00f3licas exigem contrata\u00e7\u00e3o de usinas t\u00e9rmicas para garantir seguran\u00e7a do abastecimento. A energia de usinas termel\u00e9tricas \u00e9 mais cara e mais poluente. O resultado disso tudo, ser\u00e1 uma matriz energ\u00e9tica mais suja e mais cara\u201d, finalizou.&nbsp;<\/p>\n<p>Para ver o material t\u00e9cnico completo acesse: <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.iengenharia.org.br\/site\/noticias\/index\/id_sessao\/7 \">http:\/\/www.iengenharia.org.br\/site\/noticias\/index\/id_sessao\/7 <br \/>\n<\/a><\/p>\n<p><b>Autor: Instituto de Engenharia<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 14 de agosto, o Instituto de Engenharia realizou a terceira edi\u00e7\u00e3o dos Semin\u00e1rios Caminhos da Engenharia Brasileira que, desta vez, abordou o tema Matriz Energ\u00e9tica- Setor El\u00e9trico. 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