{"id":20452,"date":"2011-05-16T23:13:32","date_gmt":"2011-05-16T23:13:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=20452"},"modified":"2011-05-16T11:12:30","modified_gmt":"2011-05-16T11:12:30","slug":"cidades-compactas-podem-ser-solucao-para-o-transito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2011\/05\/16\/cidades-compactas-podem-ser-solucao-para-o-transito\/","title":{"rendered":"Cidades compactas podem ser solu\u00e7\u00e3o para o tr\u00e2nsito"},"content":{"rendered":"<p>Cidades mais compactas, com menores dist\u00e2ncias entre \u00e1reas residenciais, comerciais e a oferta de servi\u00e7os b\u00e1sicos, podem ser uma solu\u00e7\u00e3o a pequenas e m\u00e9dias cidades que enfrentam o j\u00e1 previs\u00edvel problema do tr\u00e2nsito. O n\u00famero de ve\u00edculos no Brasil cresceu vertiginosamente nos \u00faltimos anos, em maior propor\u00e7\u00e3o do que o aumento populacional, e isso n\u00e3o se d\u00e1 apenas nas grandes metr\u00f3poles. Mas como evitar o uso de carros se as cidades n\u00e3o s\u00e3o, em grande parte, organizadas para pequenos deslocamentos? <\/p>\n<p>O G1 consultou especialistas no assunto que indicaram medidas que deveriam ter sido tomadas por autoridades municipais para evitar o caos no tr\u00e2nsito. E as solu\u00e7\u00f5es, eles concordam, demandam, em geral, a\u00e7\u00f5es de longo prazo. <\/p>\n<p>\u201cEsse aumento da frota \u00e9 uma constante em quase todas as cidades do pa\u00eds, n\u00e3o \u00e9 um elemento surpresa. Com o aumento da frota, cidades m\u00e9dias passaram a enfrentar os mesmos problemas que as grandes metr\u00f3poles. Faltou entender essa din\u00e2mica e prever que o tr\u00e2nsito chegaria a esses locais\u201d, diz Juliana Carmo Antunes, diretora de gest\u00e3o da mobilidade do ITDP Brasil (Instituto de Pol\u00edtica de Transporte e Desenvolvimento, na sigla em ingl\u00eas) <\/p>\n<p>O Brasil tinha, em mar\u00e7o deste ano, segundo dados do Departamento Nacional de Tr\u00e2nsito (Denatran), 66.116.077 ve\u00edculos em circula\u00e7\u00e3o. Dados finais do Censo 2010 apontam uma popula\u00e7\u00e3o de 190,7 milh\u00f5es de brasileiros. Se comparados os dados de frota e popula\u00e7\u00e3o em 2010, o Brasil tinha, em dezembro, 2,9 habitantes por ve\u00edculo. A rela\u00e7\u00e3o era de 5,7, em 2000. <\/p>\n<p>\u201cO planejamento que fizemos foi imaginar que seria poss\u00edvel acomodar o autom\u00f3vel do ponto de vista individual. Mas usado de forma excessiva, o carro se torna um problema\u201d, diz Orlando Strambi, professor do Departamento de Engenharia de Transportes da Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo. <\/p>\n<p>Um estudo divulgado, na semana passada, pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), aponta que quase metade dos motoristas brasileiros (cerca de 43,5%) dizem que enfrentam diariamente congestionamentos no pa\u00eds. <\/p>\n<p>\u201cSegundo o levantamento, moradores de Regi\u00f5es Metropolitanas consideram o tr\u00e2nsito muito pior do que quem n\u00e3o mora em Regi\u00f5es Metropolitanas, e isso reflete o porte da cidade. Entre motoristas de Regi\u00f5es Metropolitanas, 17% consideram o tr\u00e2nsito bom ou muito bom e 53% consideram o tr\u00e2nsito ruim. J\u00e1 entre os motoristas de cidades que n\u00e3o pertencem a regi\u00f5es metropolitanas, o \u00edndice de quem considera o tr\u00e2nsito ruim \u00e9 melhor, mas existe&#8221;, afirma Ernesto Galindo, t\u00e9cnico de planejamento e pesquisa do Ipea. A pesquisa leva em conta a percep\u00e7\u00e3o dos motoristas e usu\u00e1rios de transporte p\u00fablico sobre o tr\u00e2nsito. <\/p>\n<p>\u201cQuando atingimos a frota de 40 milh\u00f5es j\u00e1 t\u00ednhamos um n\u00famero preocupante. Agora, com mais de 60 milh\u00f5es, os problemas est\u00e3o de graves a grav\u00edssimos. N\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e econ\u00f4mica para aumentar a capacidade de ruas e avenidas para atender \u00e0 demanda crescente de autom\u00f3veis\u201d, diz o professor do curso de Engenharia Civil do Centro Universit\u00e1rio da FEI (Funda\u00e7\u00e3o Educacional Inaciana) Creso de Franco Peixoto. <\/p>\n<p>Para Dario Rais Lopes, professor da Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, faltou organiza\u00e7\u00e3o das pequenas e m\u00e9dias cidades que receberam o excedente da popula\u00e7\u00e3o das metr\u00f3poles. \u201cEm 2011, quando foi criado o Estatuto da Cidade, que prev\u00ea que os munic\u00edpios tenham um plano diretor, parte significativa das cidades m\u00e9dias j\u00e1 tinham ocupa\u00e7\u00e3o acima do suport\u00e1vel. Na verdade, tem-se uma defasagem institucional no Brasil. A preocupa\u00e7\u00e3o com o plano diretor, em outros pa\u00edses, \u00e9 da metade do s\u00e9culo 19, e aqui isso ocorreu muito depois. Temos 150 anos de defasagem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o urbana.\u201d <\/p>\n<p>De acordo com a Constitui\u00e7\u00e3o Federal, o plano diretor \u00e9 obrigat\u00f3rio para cidades com mais de 20 mil habitantes, e \u00e9 o instrumento b\u00e1sico da pol\u00edtica de desenvolvimento e de expans\u00e3o urbana. O Estatuto da Cidade, de 2001, prev\u00ea que o plano diretor deve ser revisto, pelo menos, a cada dez anos. <\/p>\n<p>Cinco solu\u00e7\u00f5es para o tr\u00e2nsito <br \/>\nSugeridas por especialistas em tr\u00e2nsito e transporte, as solu\u00e7\u00f5es para o caos nas ruas de pequenas, m\u00e9dias e grandes cidades demandam a\u00e7\u00f5es de longo prazo. O prazo m\u00e9dio para que resultados comecem a ser percebidos, se as a\u00e7\u00f5es come\u00e7arem imediatamente, \u00e9 de dez anos. J\u00e1 a mudan\u00e7a completa de comportamento, segundo os estudiosos, pode levar cerca de 20 anos. <\/p>\n<p>\u201cPrecisaremos lan\u00e7ar m\u00e3o de tudo, n\u00e3o h\u00e1 uma \u00fanica medida para resolver todos os problemas\u201d, afirma Strambi, da Poli\/USP. <\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"530\" src=\"\/site\/userfiles\/cinco-solucoes.jpg\" \/><\/p>\n<p>\nA base das solu\u00e7\u00f5es \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de cidades mais compactas, em que as dist\u00e2ncias sejam menores entre casa e trabalho, por exemplo. Com isso ser\u00e1 poss\u00edvel aplicar medidas como o desest\u00edmulo ao uso de ve\u00edculo para pequenos deslocamentos e est\u00edmulo ao transporte n\u00e3o motorizado, como bicicletas e trajetos a p\u00e9. Tamb\u00e9m faz parte das solu\u00e7\u00f5es o investimento em melhoria nas condi\u00e7\u00f5es de transporte p\u00fablico. <\/p>\n<p>\u201c\u00c9 fundamental ter usos mistos do solo, favorecer que as pessoas fa\u00e7am suas atividades a p\u00e9. Uma caracter\u00edstica das cidades \u00e9 a setoriza\u00e7\u00e3o das coisas. Criam-se bols\u00f5es residenciais e as pessoas n\u00e3o conseguem realizar suas atividades dentro de um raio adequado, de at\u00e9 1 km. Isso acaba gerando a necessidade de grandes deslocamentos mesmo em cidades m\u00e9dias&#8221;, diz Juliana, do ITDP Brasil. <\/p>\n<p>A tecnologia tamb\u00e9m pode ser uma grande aliada para reduzir dist\u00e2ncias e evitar deslocamentos, segundo especialistas. Neste caso, op\u00e7\u00f5es de ensino \u00e0 dist\u00e2ncia ou videoconfer\u00eancias podem ser uma sa\u00edda, mas ainda sem alcance de grande impacto no tr\u00e2nsito, na pr\u00e1tica. <\/p>\n<p>&#8220;Todos os sistemas se completam, n\u00e3o podemos pensar em uma coisa apenas. Temos que entender o problema do tr\u00e2nsito como um sistema inteiro. O grande problema \u00e9 a falta da vis\u00e3o do todo&#8221;, diz o professor Lopes, do Mackenzie. <\/p>\n<p><b>Autor: G1<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confira cinco solu\u00e7\u00f5es propostas por especialistas no assunto.<br \/>\nBrasil tinha, em dezembro de 2010, 2,9 habitantes por ve\u00edculo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20453,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,42],"tags":[],"class_list":{"0":"post-20452","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-noticias","8":"category-urbanismo"},"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.2 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Cidades compactas podem ser solu\u00e7\u00e3o para o tr\u00e2nsito - Instituto de Engenharia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2011\/05\/16\/cidades-compactas-podem-ser-solucao-para-o-transito\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Cidades compactas podem ser solu\u00e7\u00e3o para o tr\u00e2nsito - Instituto de Engenharia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Confira cinco solu\u00e7\u00f5es propostas por especialistas no assunto. 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