{"id":19603,"date":"2010-12-08T23:02:37","date_gmt":"2010-12-08T23:02:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=19603"},"modified":"2010-12-08T11:25:05","modified_gmt":"2010-12-08T11:25:05","slug":"engenharia-em-alta-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2010\/12\/08\/engenharia-em-alta-no-brasil\/","title":{"rendered":"Engenharia em alta no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Os engenheiros civis de todo o Pa\u00eds t\u00eam muito o que comemorar no pr\u00f3ximo dia 11 de dezembro. Nesse dia dedicado nacionalmente aos profissionais da engenharia, os profissionais do setor comemoram um momento hist\u00f3rico de crescimento da atividade da ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o, com gera\u00e7\u00e3o recorde de empregos e investimentos. As grandes obras de engenharia como as do PAC 2, do Programa Minha Casa Minha Vida, da Copa de 2014 e das Olimp\u00edadas de 2016, previstas para os pr\u00f3ximos anos no Pa\u00eds, colocam o mercado da engenharia como um dos mais promissores para os jovens brasileiros que buscam a forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo informa\u00e7\u00f5es da Base de Dados do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es do Confea, atualmente h\u00e1 cerca de 712.418 engenheiros no Brasil. Desse total, 169.019 s\u00e3o engenheiros civis. Segundo o presidente do Confea e vice-presidente do Conselho Mundial de Engenheiros Civis (WCCE), Marcos T\u00falio de Melo, cerca de 32 mil engenheiros, de todas as modalidades, se formam por ano no Brasil, mas se o ritmo de crescimento permanecer como est\u00e1, ser\u00e1 necess\u00e1rio formar o dobro de engenheiros, ou seja, 60 mil a cada ano. \u201cA engenharia sempre foi fundamental em todos os processos tecnol\u00f3gicos. Agora, com o grande desenvolvimento econ\u00f4mico e humano do Brasil, a profiss\u00e3o se tornou ainda mais importante\u201d, afirma Melo, acrescentando que a engenharia tem papel important\u00edssimo no planejamento, gerenciamento, execu\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de qualquer obra, por menor que ela seja.&nbsp;<\/p>\n<p>Infelizmente, o Brasil ainda forma um n\u00famero reduzido de engenheiros. De acordo com informa\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), apenas 5% dos alunos que completaram a gradua\u00e7\u00e3o no Brasil em 2007 formaram-se em cursos de engenharia. S\u00f3 para se ter uma ideia, na China, cerca de 35% dos egressos da gradua\u00e7\u00e3o cursaram uma das diferentes modalidades de engenharia. Isso coloca o d\u00e9ficit na forma\u00e7\u00e3o de novos como uma quest\u00e3o nacional estrat\u00e9gica que o pa\u00eds precisa resolver com urg\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n<p>O reitor da Unicamp, Fernando Costa, compartilha da mesma opini\u00e3o de Marcos T\u00falio de Melo. Para ele, as carreiras tecnol\u00f3gicas, e em especial as engenharias, s\u00e3o essenciais para o progresso de qualquer pa\u00eds. \u201cAl\u00e9m de atuar de forma decisiva nas atividades de pesquisa, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o das empresas, os engenheiros possuem conhecimentos e habilidades que os tornam aptos a ocupar posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a em \u00e1reas que tradicionalmente n\u00e3o est\u00e3o associadas \u00e0s engenharias\u201d. Fernando Costa acrescenta ainda que, no Brasil, a demanda por engenheiros nunca foi t\u00e3o alta. \u201cA explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal, por exemplo, s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel com a participa\u00e7\u00e3o de um grande n\u00famero de engenheiros altamente qualificados\u201d, alerta Costa, que est\u00e1 \u00e0 frente da Universidade que figurou em primeiro lugar na classifica\u00e7\u00e3o dos melhores cursos de engenharia e tecnologia no \u00e2mbito da Am\u00e9rica Latina, de acordo com o QS World University Rankings 2010, que foi publicado em setembro passado. <br \/>\nFalta Especializa\u00e7\u00e3o &#8211; Para o presidente do Crea-DF, Francisco Machado, o cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o negativo.&nbsp;<\/p>\n<p>Ele defende a ideia de que h\u00e1, sim, engenheiros dispon\u00edveis no mercado brasileiro, mas falta especializa\u00e7\u00e3o, capacita\u00e7\u00e3o. \u201cAcho que n\u00e3o est\u00e3o faltando engenheiros gen\u00e9ricos. O que est\u00e1 faltando \u00e9 engenheiro especialista. Ou seja, engenheiro civil especialista em saneamento, em infraestrutura, em&nbsp;<br \/>\nedifica\u00e7\u00f5es, em inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica\u201d, refor\u00e7a Machado. Ele diz ainda que se h\u00e1 falta de profissionais em alguns ramos da engenharia, o setor produtivo deve dizer quais as \u00e1reas onde existe essa car\u00eancia para que o sistema Confea\/Crea promova, em parceria com as universidades, cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. \u201cA capacita\u00e7\u00e3o \u00e9 r\u00e1pida, leva cerca de seis meses a um ano\u201d, diz, refor\u00e7ando a ideia de que se construa uma parceria entre o sistema produtivo e o sistema profissional para detectar onde est\u00e1 tendo car\u00eancia e, a partir da\u00ed, elaborar uma estrat\u00e9gia eficiente.&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Machado chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que o governo deve assumir, a partir de agora, uma postura mais desenvolvimentista. \u201cAli\u00e1s, j\u00e1 est\u00e1 tendo com o presidente Lula e deve continuar com a presidente eleita Dilma Rousseff, no aspecto de valorizar a engenharia\u201d, comemora. Para ele, esta valoriza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o faz com que os estudantes de segundo grau tenham interesse em cursar uma das modalidades de engenharia. Machado lembra que uma pesquisa feita recentemente verificou que a engenharia n\u00e3o tem sido procurada pelos estudantes porque \u00e9 um curso dif\u00edcil e os sal\u00e1rios s\u00e3o baixos.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cSe houver prioriza\u00e7\u00e3o do desenvolvimento nacional haver\u00e1 tamb\u00e9m mais valoriza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o, o que aumenta a procura pelo curso e os sal\u00e1rios pagos\u201d, observa. Atualmente, segundo informa\u00e7\u00f5es do Confea, o sal\u00e1rio m\u00e9dio de um rec\u00e9m-formado em engenharia \u00e9 de R$ 6 mil e de um especialista s\u00eanior em gerenciar projetos na \u00e1rea varia de R$ 25 a R$ 30 mil, e existe grande disputa no mercado por esses profissionais. De modo geral, todas as \u00e1reas como infraestrutura, saneamento b\u00e1sico, habita\u00e7\u00e3o devem precisar de mais engenheiros num curto espa\u00e7o de tempo.&nbsp;<\/p>\n<p>Novo perfil da profiss\u00e3o &#8211; Segundo Marcos T\u00falio de Melo, hoje existe de fato uma preocupa\u00e7\u00e3o grande do setor produtivo em atrair jovens para a profiss\u00e3o. Ele explica que a baixa procura pelo curso pode estar tamb\u00e9m diretamente relacionada ao fato dos jovens associarem a constru\u00e7\u00e3o civil com a degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente. \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 verdade. Ali\u00e1s, a ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o ajuda a construir o pa\u00eds, a desenvolv\u00ea-lo\u201d. Melo comenta que recentemente o Conselho Mundial de Engenheiros Civis (WCCE) decidiu adotar uma estrat\u00e9gia de marketing para mudar a percep\u00e7\u00e3o da juventude em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 profiss\u00e3o. \u201cVamos fazer parcerias com empresas privadas para viabilizar programas com o objetivo de captar jovens para a \u00e1rea de engenharia. Acho fundamental este trabalho, pois vamos ter uma demanda crescente nos pr\u00f3ximos anos no Brasil, o que n\u00e3o deve ocorrer no restante do mundo. Al\u00e9m disso, o mercado \u00e9 promissor do ponto de vista de remunera\u00e7\u00e3o\u201d, diz.&nbsp;<\/p>\n<p>Embora ainda n\u00e3o haja dados consistentes, alguns especialistas j\u00e1 arriscam em dizer que os cursos de engenharia civil come\u00e7am a ser mais procurados. Na USP S\u00e3o Carlos, a rela\u00e7\u00e3o candidato\/vaga subiu mais de 30% em rela\u00e7\u00e3o ao \u00faltimo vestibular. No Centro Universit\u00e1rio da FEI (Funda\u00e7\u00e3o Educacional Inaciana), onde a op\u00e7\u00e3o pela habilita\u00e7\u00e3o ocorre no final do segundo per\u00edodo do curso, o incremento na procura pela engenharia civil foi de quase 80% em compara\u00e7\u00e3o ao semestre passado.&nbsp;<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o importante a ser avaliada, na vis\u00e3o dos especialistas, \u00e9 a revis\u00e3o das grades curriculares. Marcos T\u00falio relata que algumas universidades j\u00e1 est\u00e3o pensando nisso. Segundo ele, os docentes est\u00e3o readequando seus curr\u00edculos, pensando em novas disciplinas que tratem de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, responsabilidade social e sustentabilidade. \u201cOs tempos mudaram e essas quest\u00f5es s\u00e3o fundamentais. Ali\u00e1s, o que garante o reconhecimento da profiss\u00e3o \u00e9 a compet\u00eancia do profissional e, claro, a conson\u00e2ncia com as mudan\u00e7as e exig\u00eancias do atual mercado de trabalho\u2019, diz..<\/p>\n<p>A consultora t\u00e9cnica da C\u00e2mara Brasileira da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o (CBIC), Ge\u00f3rgia Grace Bernardes, que tamb\u00e9m \u00e9 engenheira, comenta que h\u00e1 muitos fatores de evas\u00e3o na profiss\u00e3o. Ou seja, muitos engenheiros formados migram para outras carreiras por considerarem mais interessantes que a \u00e1rea da sua forma\u00e7\u00e3o inicial. \u201cOs empres\u00e1rios reconhecem o potencial executivo de um engenheiro em fun\u00e7\u00e3o dele ser um solucionador de problemas de muitas vari\u00e1veis. Normalmente, esses profissionais s\u00e3o bem racionais na tomada de decis\u00e3o\u201d, avalia. Ela acrescenta que, em sua opini\u00e3o, falta na grade curricular dos cursos de engenharia, mat\u00e9rias b\u00e1sicas como de cultura organizacional, gest\u00e3o de processos e gest\u00e3o de pessoas.&nbsp;<\/p>\n<p>Ge\u00f3rgia lembra ainda do Programa Pr\u00f3-Engenharia, que objetiva dobrar o n\u00famero de profissionais formados no Brasil. A a\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo preparada pela Capes (Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior) e a ideia \u00e9, em cinco anos, dobrar o n\u00famero de formados. Segundo especialistas, a principal estrat\u00e9gia \u00e9 diminuir o \u00edndice de evas\u00e3o dos cursos de engenharia que hoje \u00e9 muito grande, cerca de 60%. De acordo com o diretor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Capes, Sandoval Carneiro J\u00fanior, o Plano Nacional Pr\u00f3-Engenharia deve come\u00e7ar em 2011.&nbsp;<\/p>\n<p>Migra\u00e7\u00e3o &#8211; Engenheiros de outros pa\u00edses est\u00e3o migrando para o Brasil para suprir a demanda crescente do Pa\u00eds. Para o presidente do CREA-DF, Francisco Machado, esses profissionais s\u00e3o bem vindos, mas desde que validem seus diplomas e que tenham a capacita\u00e7\u00e3o devida para a fun\u00e7\u00e3o que v\u00e3o exercer.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cSou a favor do rigor na averba\u00e7\u00e3o dos diplomas, pois sen\u00e3o haver\u00e1 uma importa\u00e7\u00e3o indevida. Abrimos a porta, sim, mas dentro da legalidade. N\u00e3o vamos barrar a entrada, mas por outro lado temos que acender o sinal amarelo para come\u00e7ar a preparar engenheiros brasileiros qualificados, que possam dar continuidade ao excelente desenvolvimento econ\u00f4mico e humano que o Brasil est\u00e1 vivenciando\u201d, alerta Machado.&nbsp;<\/p>\n<p>O presidente da C\u00e2mara Brasileira da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o, Paulo Safady Sim\u00e3o, chama a aten\u00e7\u00e3o, em especial, para a atua\u00e7\u00e3o de empresas \u2013 em particular as chinesas \u2013 que t\u00eam atuado em todos os continentes, reproduzindo uma pr\u00e1tica de importar trabalhadores ilegalmente, sem os pagamentos de impostos e de direitos trabalhistas. Essa concorr\u00eancia desleal precisa ser denunciada e proibida a todo custo, sob o risco de comprometermos o futuro das nossas empresas e a empregabilidade das nossas pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p><b>Autor: Assessoria de imprensa CBIC<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os engenheiros civis de todo o Pa\u00eds t\u00eam muito o que comemorar no pr\u00f3ximo dia 11 de dezembro. Nesse dia dedicado nacionalmente aos profissionais da engenharia, os profissionais do setor comemoram um momento hist\u00f3rico de crescimento da atividade da ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o, com gera\u00e7\u00e3o recorde de empregos e investimentos. 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