{"id":18640,"date":"2010-07-20T22:50:40","date_gmt":"2010-07-20T22:50:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=18640"},"modified":"2010-07-20T14:29:29","modified_gmt":"2010-07-20T14:29:29","slug":"reformar-predios-abandonados-de-sp-e-opcao-util-e-lucrativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2010\/07\/20\/reformar-predios-abandonados-de-sp-e-opcao-util-e-lucrativa\/","title":{"rendered":"Reformar pr\u00e9dios abandonados de SP \u00e9 op\u00e7\u00e3o \u00fatil e lucrativa"},"content":{"rendered":"<p>A reforma de edif\u00edcios abandonados no centro de S\u00e3o Paulo pode transform\u00e1-los em empreendimentos lucrativos e reabilitar as \u00e1reas subutilizadas da regi\u00e3o central da cidade. Uma pol\u00edtica de reforma tamb\u00e9m possibilita a re-estrutura\u00e7\u00e3o produtiva da ind\u00fastria de constru\u00e7\u00e3o civil. Segundo estudos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP optar pela reforma, e n\u00e3o pela constru\u00e7\u00e3o de novos pr\u00e9dios, seria uma solu\u00e7\u00e3o vantajosa para empreendedores e vi\u00e1vel economicamente.<\/p>\n<p>Existem hoje, nos bairros da S\u00e9 e Rep\u00fablica, cerca de 1.740 edif\u00edcios com mais de cinco andares. Desse total, em torno de 350 est\u00e3o subutilizados e 68 est\u00e3o totalmente desocupados. \u201cSe considerarmos os distritos mais antigos da cidade de S\u00e3o Paulo \u2014 Santa Cec\u00edlia, Br\u00e1s, Mo\u00f3ca, Pari, Bom Retiro, Bela Vista \u2014 temos 28 milh\u00f5es de metros quadrados constru\u00eddos abandonados. Isso equivale ao que seria constru\u00eddo em sete anos\u201d, explica a arquiteta Alejandra Maria Devecchi.<\/p>\n<p>As constru\u00e7\u00f5es abandonadas foram, em sua maioria, constru\u00eddas entre 1925 e 1950 e funcionaram como edif\u00edcios comerciais at\u00e9 meados da d\u00e9cada de 1970. Por\u00e9m, mudan\u00e7as na forma de trabalhar, tanto espacial, quanto operacional, tornaram os im\u00f3veis obsoletos e eles acabaram caindo em desuso. \u201cHoje eles n\u00e3o t\u00eam mercado, pois s\u00e3o muito fragmentados, com salas pequenas, de tr\u00eas por quatro metros. Elas n\u00e3o servem mais, n\u00e3o atendem mais \u00e0s demandas\u201d, descreve Alejandra.<\/p>\n<p>A proposta do estudo Reformar n\u00e3o \u00e9 construir. A reabilita\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios verticais: novas formas de morar em S\u00e3o Paulo no s\u00e9culo XXI, de autoria de Alejandra e orientado pela professora Maria Ruth Amaral de Sampaio, do Departamento de Historia da Arquitetura e Est\u00e9tica do Projeto da FAU, \u00e9 adaptar os edif\u00edcios abandonados para uso habitacional, n\u00e3o comercial. De acordo com Alejandra, os produtos colocados no mercado a partir da reforma dos pr\u00e9dios seriam unidades habitacionais para jovens fam\u00edlias, idosos e pessoas que moram sozinhas. <\/p>\n<p><strong>Benef\u00edcios<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>Optar por reformar os pr\u00e9dios abandonados traria grandes vantagens para a cidade e para os pr\u00f3prios investidores, j\u00e1 que o tempo necess\u00e1rio a uma reforma \u00e9 inferior ao de uma nova constru\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o potencial construtivo de edifica\u00e7\u00f5es antigas \u00e9 enorme, se comparado com o de atuais, o que torna o empreendimento lucrativo. Alejandra explica: \u201cAtualmente, a legisla\u00e7\u00e3o permite construir quatro vezes a \u00e1rea do terreno. As edifica\u00e7\u00f5es antigas, por\u00e9m, t\u00eam uma \u00e1rea constru\u00edda de sete a dez vezes maior que a \u00e1rea de seu terreno.\u201d <\/p>\n<p>As pesquisas tamb\u00e9m apontam para a import\u00e2ncia da chamada compacta\u00e7\u00e3o da cidade, que consiste em aumentar a densidade demogr\u00e1fica da regi\u00e3o ao fazer com que \u00e1reas subutilizadas fiquem mais habitadas. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o pode continuar expandindo e abandonar a \u00e1rea da cidade com infra-estrutura para receber moradores\u201d, declara a arquiteta. <\/p>\n<p><strong>Proposta de Interven\u00e7\u00f5es<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo Alejandra, a reforma dos pr\u00e9dios em desuso depende de duas quest\u00f5es: entender a planta dos locais a serem reformados e verificar a tipologia predominante. Ao longo das pesquisas, foi verificada a exist\u00eancia de uma organiza\u00e7\u00e3o espacial particular. \u201cDuas formas predominam nos edif\u00edcios subutilizados da S\u00e9 e da Rep\u00fablica: a tipologia em H e a em esquina\u201d, afirma. Com as tipologias determinadas, a reforma pode ser feita de maneira mais simples, pois n\u00e3o \u00e9 preciso que cada empreendimento tenha um projeto espec\u00edfico. <\/p>\n<p>Assim, o estudo prop\u00f5e um m\u00e9todo de trabalho de divis\u00e3o da obra em duas partes: o suporte e o recheio. Os servi\u00e7os relativos ao suporte \u2014 paredes, janelas, portas \u2014 se referem a demoli\u00e7\u00f5es e desmontagens de todos os elementos desnecess\u00e1rios \u00e0 nova obra. A ala tradicional da ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o civil se responsabilizaria por essa etapa. J\u00e1 os servi\u00e7os relativos aos sistemas de recheio \u2014 mangueiras, pisos elevados, dispositivos desconect\u00e1veis \u2014 se referem a simplifica\u00e7\u00f5es das instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas e hidr\u00e1ulicas. Um novo nicho industrial poderia surgir para suprir \u00e0s necessidades dessa etapa. \u201cAs industrias poderiam montar kits que facilitassem a montagem dos componentes das instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas e hidr\u00e1ulicas, por exemplo, agilizando ainda mais a reforma\u201d, declara a arquiteta. <\/p>\n<p>As pesquisas atentam para a quest\u00e3o de que reformar n\u00e3o \u00e9 construir. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o pode tratar a reforma da mesma maneira que trata uma constru\u00e7\u00e3o nova, entrando no local com \u00e1gua, cimento, areia. Isso estraga o que j\u00e1 existe\u201d, aponta Alejandra. O foco da reforma, ent\u00e3o, deve ser interven\u00e7\u00f5es menos agressivas e mais justapostas, que primem por conex\u00f5es, sobreposi\u00e7\u00f5es e simplifica\u00e7\u00f5es. \u201cAssim, voc\u00ea consegue lidar melhor com ela\u201d, completa.<\/p>\n<p><b>Autor: Ag\u00eancia USP<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reforma de edif\u00edcios abandonados no centro de S\u00e3o Paulo pode transform\u00e1-los em empreendimentos lucrativos e reabilitar as \u00e1reas subutilizadas da regi\u00e3o central da cidade. Uma pol\u00edtica de reforma tamb\u00e9m possibilita a re-estrutura\u00e7\u00e3o produtiva da ind\u00fastria de constru\u00e7\u00e3o civil. 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