{"id":18350,"date":"2010-06-10T22:46:49","date_gmt":"2010-06-10T22:46:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=18350"},"modified":"2010-06-10T16:38:05","modified_gmt":"2010-06-10T16:38:05","slug":"dez-aeronaves-militares-que-quase-deram-certo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2010\/06\/10\/dez-aeronaves-militares-que-quase-deram-certo\/","title":{"rendered":"Dez aeronaves militares que quase deram certo"},"content":{"rendered":"<p>Ao longo dos anos, principalmente durante a Guerra Fria, os americanos desenvolveram muitas aeronaves formid\u00e1veis. Contudo, por v\u00e1rias raz\u00f5es muitas delas jamais sa\u00edram de perto dos rascunhos. Algumas simplesmente estavam muito \u00e0 frente de seu tempo, enquanto outras n\u00e3o tiveram tempo &#8211; ou talvez n\u00e3o deveriam ter existido, mesmo. Outras, ainda, parecem ter sido desenhadas para um filme de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p><strong>X-13 Vertijet&nbsp;<br \/>\n<\/strong><br \/>\nEm 1947 a Marinha americana fechou um contrato com a Ryan Company para saber se um avi\u00e3o de combate poderia decolar na posi\u00e7\u00e3o vertical. O resultado, depois que a For\u00e7a A\u00e9rea assumiu o projeto em 1943, foi o X-13. No come\u00e7o o objetivo era avaliar se uma aeronave baseada em um submarino seria vi\u00e1vel, e \u00e9 f\u00e1cil imaginar essa beleza emergindo dos mares. Com o envolvimento da For\u00e7a A\u00e9rea, o objetivo passou a ser o desenvolvimento de uma aeronave a jato VTOL (sigla em ingl\u00eas para &#8220;decolagem e pouso vertical&#8221;). O X-13 era impulsionado por um turbojato Avon da Rolls-Royce e teve um relativo sucesso. Durante um teste em 1957, ele decolou em posi\u00e7\u00e3o vertical, mudou para o voo horizontal e ent\u00e3o pousou na vertical novamente. Foi exibido em Washington, onde cruzou o rio Potomac e pousou no Pent\u00e1gono. Infelizmente a For\u00e7a A\u00e9rea optou por n\u00e3o desenvolver o projeto, alegando falta de recursos operacionais. Dito isso, os atuais Harrier e F-35 podem tra\u00e7ar sua linha geneal\u00f3gica direto ao X-13.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"448\" height=\"305\" alt=\"\" src=\"\/site\/userfiles\/aeronave_2.jpg\" \/><\/p>\n<p>\n<strong>HZ-1 Aerocycle<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>O reconhecimento \u00e9 importante no campo de batalha. Nos anos 50 o ex\u00e9rcito americano queria um helic\u00f3ptero para uma pessoa, simples, que pudesse ser operado por pilotos com experi\u00eancia limitada de voo e pouca instru\u00e7\u00e3o. O HZ-1 foi visto como uma potencial &#8220;motocicleta&#8221; do ar, e os testes iniciais mostraram-se promissores. Os pilotos podiam manobrar a m\u00e1quina simplesmente inclinando-se para a dire\u00e7\u00e3o desejada. Infelizmente, estudos mais avan\u00e7ados mostraram que o HZ-1 era muito dif\u00edcil de ser controlado por m\u00e3os destreinadas. O projeto foi cancelado.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/site\/userfiles\/aeronave_3.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>F2Y Sea Dart<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>Somente cinco prot\u00f3tipos do Convair F2Y Sea Dart foram feitos, um resultado da competi\u00e7\u00e3o de 1948 da Marinha dos EUA que tinha como objetivo desenvolver um avi\u00e3o supers\u00f4nico de intercepta\u00e7\u00e3o capaz de pousar e decolar na \u00e1gua. Embora a vida do F2Y tenha sido relativamente curta, ele det\u00e9m um recorde &#8211; \u00e9 o \u00fanico hidroavi\u00e3o a viajar mais r\u00e1pido que o som. Em novembro de 1954 desintegrou-se no ar durante uma demostra\u00e7\u00e3o para a Marinha e para a m\u00eddia, matando seu piloto de testes. Foi o fim do programa, mas a Marinha j\u00e1 vinha perdendo o interesse h\u00e1 algum tempo &#8211; problemas com ca\u00e7as supers\u00f4nicos em porta-avi\u00f5es haviam sido solucionados, e coisas como o Sea Dart j\u00e1 n\u00e3o eram mais necess\u00e1rios.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/site\/userfiles\/aeronave_4.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>Northrop YB-49<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>Voc\u00ea ser\u00e1 desculpado por pensar que a asa voadora da foto acima foi feita nos anos 80 ou 90. Na verdade, o YB-49 foi projetado e constru\u00eddo logo depois da Segunda Guerra Mundial. Foi abandonado em favor de um projeto muito mais convencional da Convair, o B-36. <br \/>\nO primeiro prot\u00f3tipo sofreu uma grande pane no motor e o segundo caiu em 1948, matando seu piloto, o capit\u00e3o Glen Edwards. A aeronave sofreu uma falha estrutural, com as asas destacando-se da se\u00e7\u00e3o central do avi\u00e3o, colocando um fim ao programa. Ainda assim o projeto teve uma conclus\u00e3o simples:em 1980 Jack Northrop, o fundador da empresa, foi levado \u00e0 sede da empresa. L\u00e1 ele foi levado a uma \u00e1rea ultrassecreta e apresentado a um modelo dos planos da For\u00e7a A\u00e9rea para o ent\u00e3o novo B-2A. Era uma asa voadora. Na ocasi\u00e3o, Northrop &#8211; que havia sido ridicularizado por defender a ideia da asa voadora &#8211; teria dito:&#8221;Agora eu sei por que Deus me manteve vivo nos \u00faltimos 25 anos&#8221;.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"448\" height=\"298\" alt=\"\" src=\"\/site\/userfiles\/aeronave_5.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>XC-120 Packplane<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando foi desenvolvido em 1950, o XC-120 era algo \u00fanico. Seu enorme compartimento de carga era posicionado sob sua fuselagem e pretendia agilizar o embarque de cargas &#8211; o compartimento poderia ser removido, um novo colocado em seu lugar, deixando o avi\u00e3o pronto para decolar em relativamente pouco tempo. Tr\u00eas tipos de compartimento foram propostos: um para transporte de tropas e a\u00e7\u00e3o de paraquedistas, um somente para cargas e outro que poderia ser lan\u00e7ado durante o voo com ajuda de paraquedas. O XC-120 foi testado extensamente e exibido em um sem-n\u00famero de mostras a\u00e9reas na d\u00e9cada de 50, mas foi descartado em favor de uma cargueiro mais tradicional.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/site\/userfiles\/aeronave_6(1).jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>F-85 Goblin&nbsp;<br \/>\n<\/strong><br \/>\nO Goblin, apelidade de &#8220;ovo voador&#8221;, foi concebido durante a Segunda Guerra e deveria ser um avi\u00e3o dentro de um avi\u00e3o. A inten\u00e7\u00e3o era carreg\u00e1-lo no compartimento de m\u00edsseis do enorme Convair B-36. Deveria atuar em sua defesa &#8211; um ca\u00e7a parasita que seria lan\u00e7ado em caso de necessidade, lidando com os ca\u00e7as inimigos enquanto o B-36 seguia a rota. Quando a miss\u00e3o era completada, o Goblin era guinchado por um sistema instalado sob o B-36, retornando ao seu &#8220;hangar&#8221;. Devido ao seu procedimendo de &#8220;pouso&#8221;, o F-85 nunca foi equipado com algum tipo de trem de pouso. <br \/>\nNo final das contas era uma ideia bem legal, mas o projeto logo desandou. A raz\u00e3o era quase dolorosamente \u00f3bvia: a For\u00e7a A\u00e9rea decidiu que o reabastecimento a\u00e9reo era uma forma muito mais segura de aumentar a autonomia dos ca\u00e7as.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"448\" height=\"281\" alt=\"\" src=\"\/site\/userfiles\/aeronave_7.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>Republic XF-103 Thunderwarrior<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>O Thunderwarrior foi desenvolvido no come\u00e7o da Guerra Fria como um interceptador de bombardeiros, mas nunca passou da fase de modelos em escala. O trabalho em prot\u00f3tipos era sempre atrasado por problemas com motores. O bico da aeronave era completamente consumido por um enorme radar que oferecia detec\u00e7\u00e3o de longo alcance para a \u00e9poca. Seus m\u00edsseis eram carregados em compartimentos na lateral da fuselagem. O projeto foi cancelado em 1957.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"448\" height=\"336\" alt=\"\" src=\"\/site\/userfiles\/aeronave_8.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>A-12 Avenger II<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>O Avenger II ainda consegue parecer futurista. Foi parte de um programa conjunto entre McDonnel Douglas e a General Dynamics. A inten\u00e7\u00e3o era base\u00e1-lo em porta-avi\u00f5es para que atuasse como um bombardeiro capaz de enfrentar qualquer tempo. Foi planejado para substituir o envelhecido A-6 Intruder. <br \/>\nO conceito de asa voadora voltou \u00e0 cena na d\u00e9cada de 90; o Avenger tinha a forma de um tri\u00e2ngulo is\u00f3sceles com o cockpit em seu \u00e1pice. O compartimento de armas podia carregar bombas inteligentes e outros dispositivos de lan\u00e7amento. N\u00e3o foi surpresa que o pessoal envolvido no projeto A-12 tenha o apelidado de &#8220;dorito voador&#8221;. O projeto foi cancelado em 1991 devido ao custo elevado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"448\" height=\"336\" alt=\"\" src=\"\/site\/userfiles\/aeronave_10.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>Convair XFY Pogo<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>O Pogo foi um experimento em decolagem e pouso vertical conhecido como &#8220;tailsitter&#8221; (sentar sobre a cauda, em uma tradu\u00e7\u00e3o livre). Decolou e pousou sobre sua cauda e foi feito para operar em pequenos navios de guerra. A decolagem foi f\u00e1cil, mas os problemas apareceram com o pouso: o piloto precisava olhar para tr\u00e1s, sobre seu ombro, para julgar a dist\u00e2ncia entre o avi\u00e3o e o ch\u00e3o ao mesmo tempo em que controlava o acelerador para levar o avi\u00e3o \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o de decolagem. <br \/>\nDeixando problemas t\u00e9cnicos como este de lado, se o projeto tivesse continuado, somente os pilotos mais experientes poderiam voar com o Pogo &#8211; e colocar um desses pilotos em cada navio seria invi\u00e1vel. Contudo, com somente metade da velocidade dos ca\u00e7as a jato contempor\u00e2neos (Mach 2, na \u00e9poca), o projeto interrompido em 1954.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"448\" height=\"336\" alt=\"\" src=\"\/site\/userfiles\/aeronave_11.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>Lockheed YF-12<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>Vamos encerrar a lista com um sucesso &#8211; bem&#8230; quase. O Lockheed YF-12 foi um prot\u00f3tipo interceptador descendente do SR-71 Blackbird. Entretanto, apesar da quebra de in\u00fameros recordes durante os testes (inclusive a velocidade recorde de 3.331,5 km\/h e a altitude recorde de 24.463 metros, ambos em 1\u00ba de maio de 1965), o programa foi encerrado em 1968. Uma palavra diz tudo: Vietn\u00e3. Na \u00e9poca, a defesa continental dos EUA n\u00e3o era priorit\u00e1ria, e o projeto foi engavetado.<\/p>\n<p><b>Autor: Jalopnik<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao longo dos anos, principalmente durante a Guerra Fria, os americanos desenvolveram muitas aeronaves formid\u00e1veis. Contudo, por v\u00e1rias raz\u00f5es muitas delas jamais sa\u00edram de perto dos rascunhos. Algumas simplesmente estavam muito \u00e0 frente de seu tempo, enquanto outras n\u00e3o tiveram tempo &#8211; ou talvez n\u00e3o deveriam ter existido, mesmo. 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