{"id":17469,"date":"2010-01-29T22:34:32","date_gmt":"2010-01-29T22:34:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=17469"},"modified":"2010-01-29T14:19:43","modified_gmt":"2010-01-29T14:19:43","slug":"hitachi-fecha-acordo-para-monotrilho-em-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2010\/01\/29\/hitachi-fecha-acordo-para-monotrilho-em-sp\/","title":{"rendered":"Hitachi fecha acordo para monotrilho em SP"},"content":{"rendered":"<p>A companhia Hitachi, que construiu o monotrilho que liga a cidade de T\u00f3quio ao aeroporto de Haneda, entre outros, j\u00e1 fechou parceria com as construtoras brasileiras Camargo Corr\u00eaa e Odebrecht para participar da concorr\u00eancia para a constru\u00e7\u00e3o desse transporte em S\u00e3o Paulo, obra prevista em mais de R$ 6 bilh\u00f5es. Segundo Tetsuro Hori, gerente-geral de vendas globais da Hitachi, o cons\u00f3rcio tem condi\u00e7\u00f5es de apresentar um pre\u00e7o bastante competitivo nos editais da cidade. As exig\u00eancias de capacidade e seguran\u00e7a do governo e da prefeitura de S\u00e3o Paulo parecem se encaixar ao modelo de constru\u00e7\u00e3o da Hitachi. Procuradas, Camargo Corr\u00eaa e Odebrecht confirmaram a forma\u00e7\u00e3o do cons\u00f3rcio para S\u00e3o Paulo por meio de suas assessorias de imprensa. <\/p>\n<p>Fora de S\u00e3o Paulo, a empresa japonesa tamb\u00e9m pretende concorrer no monotrilho de Manaus, que dever\u00e1 ser inclu\u00eddo no pacote de transporte urbano com apoio do governo federal nas cidades-sede da Copa de 2014, e no Rio, onde a companhia imagina que ser\u00e3o necess\u00e1rios novos investimentos em mobilidade urbana para a Copa e a Olimp\u00edada de 2016. Para esses, a empresa ainda n\u00e3o tem exclusividade com as empreiteiras. <\/p>\n<p>Segundo Hori, toda a parte de constru\u00e7\u00e3o civil do monotrilho de S\u00e3o Paulo deve ficar a cargo das construtoras brasileiras, o que equivale a cerca de 60% do custo da obra. Dos 40% restantes, que se relacionam principalmente ao material rodante, tamb\u00e9m uma parte da cadeia de fabrica\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser feita no pa\u00eds, deixando apenas os itens de maior tecnologia e especificidade para serem exportados do Jap\u00e3o. <\/p>\n<p>Os transformadores el\u00e9tricos, por exemplo, poderiam ser adaptados dos existentes no metr\u00f4 paulista. O Metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo administrar\u00e1 o monotrilho, depois de pronto. &#8220;S\u00f3 o expressamente priorit\u00e1rio ser\u00e1 feito no Jap\u00e3o, como o sistema eletr\u00f4nico usado nas bifurca\u00e7\u00f5es&#8221;, diz Hori. A possibilidade de importa\u00e7\u00e3o quase total assusta a ind\u00fastria brasileira de equipamentos, que apresentou reclama\u00e7\u00f5es ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) de S\u00e3o Paulo. <\/p>\n<p>A Hitachi j\u00e1 fez mais de 80 quil\u00f4metros de linhas de monotrilho em sete diferentes obras, incluindo China, Cingapura e Dubai. Este, mais recente, terminado em agosto de 2008. <\/p>\n<p>Segundo a empresa, \u00e9 poss\u00edvel construir um monotrilho de 10 quil\u00f4metros, com dez esta\u00e7\u00f5es e capacidade para 10 mil passageiros por dia em prazo de 28 meses. Mas os de S\u00e3o Paulo devem ser maiores do que esse modelo. <\/p>\n<p>O cons\u00f3rcio Hitachi, Odebrecht e Camargo Corr\u00eaa n\u00e3o deve ser o \u00fanico concorrente nos editais de S\u00e3o Paulo. Conforme publicado pelo Valor, as duas empreiteiras nacionais tamb\u00e9m se aproximam em outros empreendimentos, como o cons\u00f3rcio para disputar a constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica de Belo Monte. <\/p>\n<p>Do pr\u00f3prio Jap\u00e3o poder\u00e1 surgir outro grupo competitivo, composto pela Mitsubishi, que j\u00e1 fez linhas em Chiba, na grande T\u00f3quio, em Shonan e Ueno. O monotrilho da Hitachi tem uma diferen\u00e7a visual grande em rela\u00e7\u00e3o ao da Mitsubishi, porque corre sobre trilhos colocados ao longo das vias. O da Mitsubishi corre sob vigas, como se estivessem pendurados. Tamb\u00e9m a francesa Alstom, a canadense Bombardier e a alem\u00e3 Siemens j\u00e1 manifestaram interesse em concorrer no monotrilho paulista. <\/p>\n<p>Atualmente, a Hitachi j\u00e1 disputa para construir uma linha em Bombaim, na \u00cdndia. Para S\u00e3o Paulo, por\u00e9m, por causa da forte demanda e da falta de alternativas de transporte, seria constru\u00eddo um ve\u00edculo com a maior capacidade j\u00e1 feito pela companhia, capaz de transportar at\u00e9 1200 passageiros de uma s\u00f3 vez, ou at\u00e9 600 mil pessoas por dia, em carro com velocidade m\u00e1xima de 90 km\/h. &#8220;O projeto de S\u00e3o Paulo \u00e9 muito desafiador&#8221;, diz Hori. <\/p>\n<p>S\u00e3o tr\u00eas diferentes projetos para a cidade de S\u00e3o Paulo. Dois est\u00e3o em audi\u00eancia p\u00fablica. Os projetos envolvem o Metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo, a prefeitura e governo estadual. Um prev\u00ea 23,8 quil\u00f4metros de linha do monotrilho, ligando a esta\u00e7\u00e3o Vila Prudente at\u00e9 a Cidade Tiradentes. Nesse, a prefeitura prev\u00ea or\u00e7amento de R$ 2,8 bilh\u00f5es e m\u00e9dia de 510 mil usu\u00e1rios por dia. Nessa linha, \u00e9 exigida capacidade m\u00ednima de mil passageiros por viagem e extens\u00e3o m\u00e1xima de 90 metros. <\/p>\n<p>O segundo edital em audi\u00eancia \u00e9 o do monotrilho de 21,5 quil\u00f4metros, que ligar\u00e1 o aeroporto de Congonhas a tr\u00eas diferentes linhas do metr\u00f4, previsto em R$ 3,1 bilh\u00f5es. Ser\u00e3o 20 esta\u00e7\u00f5es nesse sistema, que deve ter demanda menor do que o primeiro. Ele poder\u00e1 ter recursos federais, se houver expans\u00e3o at\u00e9 o est\u00e1dio do Morumbi, para facilitar o acesso durante a Copa. <\/p>\n<p>O terceiro projeto, em fase mais embrion\u00e1ria, ter\u00e1 8,4 km de extens\u00e3o e ligar\u00e1 os bairros da Cachoeirinha e Lapa, por onde passam trens da CPTM. Este tem custo estimado em R$ 1 bilh\u00e3o. <\/p>\n<p>Uma a\u00e7\u00e3o do Tribunal de Contas do Estado (TCE), por\u00e9m, mantem suspenso temporariamente o edital do monotrilho que vai estender a linha verde do metr\u00f4 \u00e0 Cidade Tiradentes. No tribunal, havia reclama\u00e7\u00e3o do Sindicato Interestadual da Ind\u00fastria de Materiais e Equipamentos Ferrovi\u00e1rios e Rodovi\u00e1rios (Simefre), que teme que grande parte dos recursos da obra v\u00e1 para fora. <\/p>\n<p>O prefeito de S\u00e3o Paulo, Gilberto Kassab (DEM), j\u00e1 visitou o sistema de monotrilhos de T\u00f3quio e os japoneses estiveram no Brasil em novembro. Em T\u00f3quio, o monotrilho liga a malha do metr\u00f4 ao aeroporto de Haneda, o mais antigo. O aeroporto passa por um projeto de amplia\u00e7\u00e3o, que dever\u00e1 ser acompanhado pela expans\u00e3o da linha do monotrilho at\u00e9 outubro. <\/p>\n<p>O monotrilho japon\u00eas permite inclina\u00e7\u00e3o de 6% no trilho (a cada 100 metros, sobe ou desce 6 metros) e curvas de raio de at\u00e9 50 metros, combinando com as exig\u00eancias brasileiras. O material rodante tem suspens\u00e3o a ar e rodas s\u00f3lidas. Uma sala de controle monitora eletronicamente e via c\u00e2meras todas as esta\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Segundo a Hitachi, o custo de constru\u00e7\u00e3o desse ve\u00edculo \u00e9 cerca de um ter\u00e7o da do metr\u00f4, de 5 bilh\u00f5es a 15 bilh\u00f5es de ienes por quil\u00f4metro (entre R$ 100 e R$ 300 milh\u00f5es), em compara\u00e7\u00e3o ao do metr\u00f4, que \u00e9 de 15 bilh\u00f5es a 30 bilh\u00f5es de ienes por quil\u00f4metro. Kassab estimou o custo dos monotrilhos em S\u00e3o Paulo em mais de R$ 100 milh\u00f5es por quil\u00f4metro. O metr\u00f4, por\u00e9m, tem capacidade para transportar quatro vezes mais passageiros. <\/p>\n<p>Os japoneses destacam, ainda, que a emiss\u00e3o de CO2 do monotrilho \u00e9 um quarto da feita pelos \u00f4nibus. <\/p>\n<p>s monotrilhos urbanos t\u00eam sido introduzidos no espa\u00e7o das rodovias existentes e desempenham um papel suplementar no tr\u00e2nsito das rodovias. No Jap\u00e3o, o estado subsidia a obra por n\u00e3o cobrar pelas \u00e1reas de constru\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Os projetos japoneses costumam vir acompanhados de um investimento nos arredores das esta\u00e7\u00f5es, para facilitar o acesso dos usu\u00e1rios. S\u00e3o instalados, por exemplo, estacionamentos para autom\u00f3veis e bicicletas nas esta\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de fazer com que mais linha de \u00f4nibus passem por elas. O governo japon\u00eas tamb\u00e9m controla o desenvolvimento imobili\u00e1rio nos arredores, para evitar expans\u00e3o desordenada. S\u00e3o Paulo j\u00e1 prev\u00ea biciclet\u00e1rios nas esta\u00e7\u00f5es do monotrilho. <\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de uma linha de vem acompanhada, no Jap\u00e3o, por novos planejamentos urbanos, tanto em infraestrutura e capital humano. Na parte de infraestrutura, normalmente, s\u00e3o constru\u00eddos hospitais, universidades e outros \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, al\u00e9m de projetos para educar os cidad\u00e3os a usar mais os sistemas de transporte p\u00fablico no lugar do autom\u00f3vel, apresentando suas vantagens particulares e sociais. <\/p>\n<p>O monotrilho tamb\u00e9m foi um dos modais de transporte p\u00fablico adotado no planejamento da cidade de Tama, na grande T\u00f3quio. Com o crescimento da capital, a cidade vizinha foi uma alternativa para expans\u00e3o. O desenvolvimento em grande escala de &#8220;Tama Newtown&#8221; foi promovido pelo governo nacional e local. Com o monotrilho e outros sistemas de transporte ali, cresceram os n\u00fameros de condom\u00ednios e estabelecimentos comerciais na cidade, enquanto a \u00e1rea agr\u00edcola ficou bastante reduzida. <\/p>\n<p>Falar em n\u00fameros crescentes no Jap\u00e3o costuma ser exce\u00e7\u00e3o, num pa\u00eds onde a economia, apesar de desenvolvida, est\u00e1 estagnada h\u00e1 d\u00e9cadas e a popula\u00e7\u00e3o tende a cair pela baixa taxa de natalidade. Ainda assim, em Tama, o n\u00famero de condom\u00ednios cresceu 40% entre 1986 e 2002. <\/p>\n<p><b>Autor: Valor Econ\u00f4mico<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A companhia Hitachi, que construiu o monotrilho que liga a cidade de T\u00f3quio ao aeroporto de Haneda, entre outros, j\u00e1 fechou parceria com as construtoras brasileiras Camargo Corr\u00eaa e Odebrecht para participar da concorr\u00eancia para a constru\u00e7\u00e3o desse transporte em S\u00e3o Paulo, obra prevista em mais de R$ 6 bilh\u00f5es. 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