{"id":16762,"date":"2009-10-05T22:24:09","date_gmt":"2009-10-05T22:24:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=16762"},"modified":"2009-10-05T15:32:53","modified_gmt":"2009-10-05T15:32:53","slug":"pressao-verde-motiva-empresas-a-inovar-de-forma-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2009\/10\/05\/pressao-verde-motiva-empresas-a-inovar-de-forma-sustentavel\/","title":{"rendered":"Press\u00e3o verde motiva empresas a inovar de forma sustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos anos, principalmente ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o dos relat\u00f3rios do Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC, na sigla em ingl\u00eas), em 2007, detalhando a situa\u00e7\u00e3o ambiental ca\u00f3tica do nosso planeta, o tema \u201cmeio ambiente\u201d ganhou ampla visibilidade. Cada vez mais, consumidores est\u00e3o em busca de produtos menos agressivos ao meio ambiente: alimentos org\u00e2nicos, l\u00e2mpadas econ\u00f4micas, produtos de higiene e limpeza biodegrad\u00e1veis.\u00a0<\/p>\n<p>Hoje j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel substituir uma grande quantidade de produtos de uso di\u00e1rio por outros que respeitam mais o meio ambiente, desde suas mat\u00e9rias-primas &#8211; naturais ou recicladas &#8211; at\u00e9 seu processamento &#8211; como processos tecnol\u00f3gicos mais limpos e biotecnol\u00f3gicos n\u00e3o-transg\u00eanicos. O \u201cecologicamente correto\u201d est\u00e1 na moda e ganha mais espa\u00e7o nos lares e h\u00e1bitos das fam\u00edlias. Mesmo que sejam mais caros, como se constata em alguns casos, os bens e servi\u00e7os focados na preserva\u00e7\u00e3o da natureza come\u00e7am a fazer parte das prioridades das pessoas mais exigentes (e mais conscientes).\u00a0<\/p>\n<p>O desenvolvimento de inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas desse tipo j\u00e1 \u00e9 considerado uma alternativa econ\u00f4mica atraente para as empresas &#8211; tanto que fez emergir o lema \u201cinovar para sustentar a empresa e o planeta\u201d. Mas de acordo com Jacques Marcovitch, professor da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e um dos estudiosos do tema com foco no crescimento econ\u00f4mico e na distribui\u00e7\u00e3o de renda, ainda falta no pa\u00eds uma cultura de inova\u00e7\u00e3o para a sustentabilidade. \u201cA atividade de inova\u00e7\u00e3o do Brasil ter\u00e1 que se pautar por uma agenda internacional e fazer uma leitura de tend\u00eancias\u201d, afirma. <\/p>\n<p><strong>Ecologia industrial<\/strong> <\/p>\n<p>Marcovitch aborda o tema \u201csustentabilidade\u201d de uma maneira muito mais ampla do que a estritamente ambiental, alheia \u00e0s quest\u00f5es sociais. Ele destaca as pandemias e a quest\u00e3o da seguran\u00e7a alimentar (e da fome) como barreiras ao desenvolvimento sustent\u00e1vel. \u201cPrecisa-mos de uma mudan\u00e7a radical na cultura e nos valores da empresa para incluir o tema da sustentabilidade\u201d, destaca. <\/p>\n<p>Apesar dos problemas sociais e da latente necessidade de inser\u00e7\u00e3o da preocupa\u00e7\u00e3o ambiental na cultura inovativa, o cen\u00e1rio no Brasil \u00e9 promissor: o pa\u00eds tem sa\u00eddo na frente com tecnologias \u201cverdes\u201d. Um bom destaque s\u00e3o as energias limpas, que t\u00eam projetado o Brasil mundialmente, principalmente por causa do desenvolvimento do etanol (o \u00e1lcool polui menos do que a gasolina). <\/p>\n<p>Para Marcovitch, o Brasil agiu de forma inovadora e sustent\u00e1vel ao investir em produ\u00e7\u00e3o de etanol, mas nem por isso consegue disputar mercado nos Estados Unidos, que protegem o seu etanol \u00e0 base de milho. \u201cPor\u00e9m, se a produ\u00e7\u00e3o do etanol brasileiro n\u00e3o fosse limpa, estar\u00edamos fornecendo mais um pretexto para que os pa\u00edses mais desenvolvidos mantivessem subs\u00eddios \u00e0 produ\u00e7\u00e3o interna do biocombust\u00edvel\u201d, explica. <\/p>\n<p>Algumas empresas brasileiras e filiais de multinacionais j\u00e1 t\u00eam trabalhado com alta tecnologia em favor do meio ambiente. Mas \u00e9 preciso lembrar que n\u00e3o existe no mundo uma empresa ou produto sustent\u00e1vel por si. \u201cO que podemos dizer \u00e9 que um processo produtivo ou um produto contribuiu ou n\u00e3o para a sustentabilidade do planeta\u201d, explica o professor Biagio Fernando Giannetti, da Universidade Paulista (Unip), l\u00edder do Grupo de Estudos F\u00edsico-Qu\u00edmica Te\u00f3rica e Aplicada &#8211; que, dentre outros temas, estuda avalia\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o de eco-indicadores para desenvolvimento sustent\u00e1vel e temas ligados \u00e0 ecologia industrial. Ele acredita que as empresas est\u00e3o de fato assumindo compromissos com o meio ambiente, mas que ainda falta o desenvolvimento de mecanismos para avaliar adequadamente esse processo. <\/p>\n<p><strong>Selo de garantia verde<\/strong> <\/p>\n<p>Mesmo a\u00e7\u00f5es mais pontuais podem dar in\u00edcio a uma nova mentalidade e aos poucos ganhar densidade e ades\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Mas os especialistas lembram que \u00e9 preciso criar mecanismos eficientes para mensurar o quanto novos produtos e processos produtivos est\u00e3o, de fato, contribuindo para a manuten\u00e7\u00e3o do planeta. Os efeitos positivos das inova\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis j\u00e1 s\u00e3o alvo de uma s\u00e9rie de formas de mensura\u00e7\u00e3o. Existem hoje, no mundo, diversos tipos de certifica\u00e7\u00f5es e selos verdes para empresas comprometidas com a redu\u00e7\u00e3o de impactos negativos ao meio ambiente. Alguns deles s\u00e3o de iniciativa dos governos e outros s\u00e3o de origem privada ou do terceiro setor. <\/p>\n<p>Os selos verdes, que idealmente s\u00f3 devem ser aprovados ap\u00f3s uma criteriosa avalia\u00e7\u00e3o de especialistas, s\u00e3o concedidos na Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, Jap\u00e3o, Estados Unidos, Austr\u00e1lia e mesmo na Col\u00f4mbia. No Brasil, existem hoje selos verdes apenas para produtos da agricultura e pecu\u00e1ria org\u00e2nicas &#8211; certificados pelo IBD (Instituto Biodin\u00e2mico) &#8211; e para produtos de madeira &#8211; com certifica\u00e7\u00e3o de florestas plantadas com plano de manejo sustent\u00e1vel pelo Conselho de Manejo Florestal (FSC &#8211; Forest Stewardship Council). Mas ainda n\u00e3o h\u00e1 uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para orientar os procedimentos de certifica\u00e7\u00e3o. Nos Estados Unidos, a ONG Green Seal \u00e9 a concessora do mais importante selo verde. Na Europa, h\u00e1 mais de oito selos verdes, sendo o alem\u00e3o Anjo Azul o mais antigo e respeitado. <\/p>\n<p>Para atestar as constru\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas, o mais conhecido certificado no Brasil \u00e9 o LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), conferido pelo Green Building Council Brasil, associado ao norte-americano U.S Green Building Council (USGBC). Ele permite a classifica\u00e7\u00e3o em diversas categorias, segundo o grau de impacto relacionado, tanto para novos im\u00f3veis como para edifica\u00e7\u00f5es mais antigas. <\/p>\n<p>De acordo com o professor Gianetti, \u00e9 preciso criar com urg\u00eancia uma metodologia cient\u00edfica padronizada para avaliar os impactos ambientais de um processo produtivo &#8211; e, se poss\u00edvel, reduzi-los. \u201cUma empresa pode obter uma certifica\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00e3o de CO2 na produ\u00e7\u00e3o &#8211; e se promover com isso &#8211; sendo que o processo produtivo substituto pode ser muito mais poluente do que a emiss\u00e3o de CO2&#8243;, explica. Para ele, o consumidor vai ampliar suas a\u00e7\u00f5es respeitosas com o meio ambiente, e cobrar das empresas posturas mais conscientes. Mas algumas a\u00e7\u00f5es podem se desgastar com o tempo, quando vis\u00f5es mais abrangentes forem se impondo. Como, por exemplo, uma empresa anunciar que vai plantar \u00e1rvores para contribuir para a sustentabilidade do planeta. \u201c\u00c9 bom plantar \u00e1rvores, mas j\u00e1 se pensa numa perspectiva maior de mudan\u00e7a, como reduzir o desperd\u00edcio e o consumo\u201d, explica. <\/p>\n<p><strong>Nova perspectiva<\/strong> <\/p>\n<p>A \u201cmudan\u00e7a de perspectiva\u201d, citada por Gianetti, por\u00e9m, n\u00e3o parece t\u00e3o simples. Kip Garland, da Seed Innovation, empresa de consultoria em inova\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, garante que para se incluir o tema da sustentabilidade na agenda das empresas \u00e9 preciso alterar o foco da inova\u00e7\u00e3o mudando as perguntas, e n\u00e3o as respostas (para os mesmos questionamentos de sempre). Ele exemplifica sua teoria com uma hist\u00f3ria bem simples: quando os homens ainda pensavam em como criar armas de ca\u00e7a mais eficientes, algu\u00e9m pensou em ca\u00e7ar sem sair do lugar e criou a domestica\u00e7\u00e3o de animais. Isso foi uma mudan\u00e7a de perspectiva. \u201cHoje, ao inv\u00e9s de nos perguntarmos como fazer para nos transportarmos com energias mais limpas, devemos questionar por que estamos nos transportando tanto\u201d. Para Garland, n\u00e3o basta pensar em novas formas de economizar energia mantendo o padr\u00e3o vigente, \u00e9 preciso mudar o padr\u00e3o vigente (social, de trabalho etc). <\/p>\n<p>No mesmo sentido, G\u00fcnter Pauli, fundador e diretor da Zero Emissions Research and Initiatives (Funda\u00e7\u00e3o Zeri &#8211; rede de 3 mil estudiosos que buscam solu\u00e7\u00f5es criativas para problemas de ind\u00fastrias), argumenta que \u00e9 preciso pensar no processo de inova\u00e7\u00e3o para al\u00e9m do desenvolvimento de novos processos ou produtos em \u00e9pocas de crise. \u201cO processo inovativo deve ser constante e o foco na sustentabilidade deve fazer parte da cultura da inova\u00e7\u00e3o\u201d, diz. <\/p>\n<p>Pauli e Garland estiveram presentes na \u00faltima reuni\u00e3o anual da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Ino-vadoras (Anpei), realizada em junho, que tratou do tema. Maria \u00c2ngela do R\u00eago Barros, presidente da Anpei, diz que a escolha do tema \u00e9 oportuna. Para ela, o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico depende da ado\u00e7\u00e3o imediata de pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis por todos os seres humanos, inclusive do setor produtivo. Isso significa que as a\u00e7\u00f5es em prol da sustentabilidade v\u00e3o do cidad\u00e3o comum \u00e0s megacorpora\u00e7\u00f5es e a todos os n\u00edveis de governo: \u201co lema deve ser economizar energia el\u00e9trica e \u00e1gua, reduzir a queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, evitar todo tipo de desperd\u00edcio, reciclar tanto quanto poss\u00edvel e possibilitar que outros reciclem\u201d, afirma a empres\u00e1ria. <\/p>\n<p><strong>O pl\u00e1stico verde<\/strong> <\/p>\n<p>A Braskem anunciou em 2007 o desenvolvimento do primeiro pl\u00e1stico verde (biopl\u00e1stico), feito a partir do etanol de cana-de-a\u00e7\u00facar e certificado mundialmente pela Beta analitic &#8211; que, a partir de ent\u00e3o, tornou-se refer\u00eancia na certifica\u00e7\u00e3o de pl\u00e1stico \u201cverde\u201d. O material &#8211; polietileno de alta densidade, 100% recicl\u00e1vel &#8211; \u00e9 resultado de um projeto de P&#038;D que j\u00e1 recebeu cerca de US$ 5 milh\u00f5es em investimentos. O projeto entra agora em fase de detalhamento t\u00e9cnico e econ\u00f4mico, e o in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o e em escala industrial est\u00e1 previsto para o final deste ano &#8211; uma das empresas que j\u00e1 anunciou parceria para o desenvolvimento de produtos \u00e9 a Estrela. No entanto, ele j\u00e1 foi usado at\u00e9 na composi\u00e7\u00e3o do trof\u00e9u do pr\u00eamio da F1 de 2008. <\/p>\n<p><strong>Da qu\u00edmica \u00e0 f\u00edsica<\/strong> <\/p>\n<p>Uma grande mudan\u00e7a de perspectiva no setor produtivo no sentido de preserva\u00e7\u00e3o ambiental est\u00e1 no que G\u00fcnter Pauli, chama de \u201csubstitui\u00e7\u00e3o da qu\u00edmica pela f\u00edsica\u201d, que consiste em evitar fen\u00f4menos qu\u00edmicos t\u00f3xicos e poluentes por meio do uso de processos f\u00edsicos. <\/p>\n<p>\u201cPodemos desenvolver sistemas e gerar energia sem uso de eletricidade ou qu\u00edmica, apenas com base na cria\u00e7\u00e3o de modelos sustent\u00e1veis a partir de apropria\u00e7\u00f5es de modelos naturais e biol\u00f3gicos\u201d, completa Pauli. Um exemplo \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o de energia pelos batimentos card\u00edacos e pela voz. \u201cPor que n\u00e3o desenvolver um telefone em que a bateria se carrega quando se usa?\u201d, questiona. Para ele, essa seria uma grande mudan\u00e7a de perspectiva: um modelo inverso ao atual, em que quando se usa, a bateria descarrega e h\u00e1 necessidade de energia el\u00e9trica. <\/p>\n<p><strong>Pensar macro, agir micro<\/strong> <\/p>\n<p>Numa perspectiva mais ampla, quando se fala em inova\u00e7\u00e3o para sustentabilidade, \u00e9 preciso considerar n\u00e3o apenas as empresas e seus produtos e processos, mas tamb\u00e9m as poss\u00edveis maneiras de tornar o ambiente das cidades e seu entorno &#8211; onde se localizam muitas empresas e onde vivem grandes contingentes populacionais &#8211; mais limpo, mais arejado, mais integrado aos ciclos naturais. Assim, tomando as cidades e arredores como eixo, pode-se analisar os diversos setores econ\u00f4micos que interagem com o espa\u00e7o, afetando diretamente a vida de seus habitantes. <\/p>\n<p>Nesse sentido, trabalha, por exemplo, o Instituto para o Desenvolvimento da Habita\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica (Idhea), um centro brasileiro de pesquisa, uso, desenvolvimento, aplica\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o de ecoprodutos fabricados industrialmente e das t\u00e9cnicas e tecnologias ecol\u00f3gicas utilizadas em habita\u00e7\u00f5es. Sua aba de estudos concentra desde alimentos sem agrot\u00f3xicos, artigos de vestu\u00e1rio com fibra vegetal e l\u00e1tex (imitando o couro), cosm\u00e9ticos n\u00e3o-testados em animais, produtos de limpeza e inseticidas biol\u00f3gicos, pl\u00e1sticos biodegrad\u00e1veis, combust\u00edvel vegetal (biodiesel) at\u00e9 biog\u00e1s e tantos outros produtos que podem ser facilmente incorporados ao cotidiano de qualquer pessoa (ver exemplos nos destaques). <\/p>\n<p>Ao se pensar no sistema urbano como um organismo integrado, onde se articulam as diferentes dimens\u00f5es que o comp\u00f5em, verifica-se que, tanto nas resid\u00eancias como nos edif\u00edcios comerciais e mesmo industriais ou p\u00fablicos, \u00e9 poss\u00edvel encontrar novas solu\u00e7\u00f5es ambientalmente mais favor\u00e1veis. Evidentemente, o ideal \u00e9 poder de antem\u00e3o atuar localmente tendo em mente todo o sistema, como ressaltam os especialistas defensores da ado\u00e7\u00e3o de uma nova perspectiva: Pauli, Garland e Marcovich. <\/p>\n<p><strong>Celular reciclado<\/strong> <\/p>\n<p>A Motorola, uma das l\u00edderes mundiais em telecomunica\u00e7\u00f5es, com lucro de cerca de US$30 bi em vendas em 2008, acaba de lan\u00e7ar o primeiro aparelho celular com certificado de neutraliza\u00e7\u00e3o de carbono (pela CarbonFund.orgTM). \u201cIsso significa que todo o carbono emitido na fabrica\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o do celular ser\u00e1 compensado com investimentos em projetos de preserva\u00e7\u00e3o, reflorestamento e captura de gases do efeito estufa\u201d, explica S\u00e9rgio Buniac, vice-presidente de Produtos M\u00f3veis da Motorola Brasil. No pa\u00eds, os recursos ser\u00e3o destinados para um projeto localizado em Vargem Bonita (SC), que prev\u00ea a coleta do g\u00e1s metano em uma esta\u00e7\u00e3o de tratamento de \u00e1gua. O Moto w233eco \u00e9 feito de pl\u00e1stico reciclado de garrafas pl\u00e1sticas. Al\u00e9m disso, a bateria tem uma maior vida \u00fatil, com at\u00e9 nove horas de conversa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p><strong>Arquitetura e constru\u00e7\u00e3o<\/strong> <\/p>\n<p>O setor de constru\u00e7\u00e3o civil respons\u00e1vel pelo delineamento da paisagem urbana e foco do Idhea, envolve uma s\u00e9rie de outros setores a reboque e tem se beneficiado cada vez mais dos desenvolvimentos da arquitetura \u201cverde\u201d. A arquitetura, um segmento que envolve muita criatividade em busca da beleza e do aproveitamento de espa\u00e7os, serve tamb\u00e9m a inova\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter ecol\u00f3gico. <\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 1970, durante a crise mundial do petr\u00f3leo, o setor de constru\u00e7\u00e3o voltou-se para a experimenta\u00e7\u00e3o de alternativas que reduzissem custos, aproveitando materiais antes destinados ao descarte. De l\u00e1 para c\u00e1, a \u201conda verde\u201d j\u00e1 teve seus altos e baixos, contou com reuni\u00f5es e acordos internacionais para a preserva\u00e7\u00e3o ambiental, como a Rio 92 e o Protocolo de Kyoto, e certamente avan\u00e7ou em termos de conscientiza\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00f5es. Entretanto, ela ainda pode &#8211; e deve &#8211; disseminar-se com mais vigor mundo afora. <\/p>\n<p>A uni\u00e3o do termo sustent\u00e1vel \u00e0 arquitetura, constru\u00e7\u00e3o, urbanismo e paisagismo \u00e9 relativamente recente, mas muitos princ\u00edpios fundamentais de projetos e constru\u00e7\u00f5es s\u00e3o antigos. H\u00e1 formas ecol\u00f3gicas de constru\u00e7\u00e3o milenares, como lembra Antonio Mac\u00eado Filho, diretor da A+C Desenvolvimento Profissional, poupadoras de energia e de baixo impacto ambiental. \u201c\u00c9 o caso dos iglus, habita\u00e7\u00f5es t\u00edpicas das regi\u00f5es polares do planeta, perfeitamente adequadas ao clima e constru\u00eddas com o isolante t\u00e9rmico perfeito para o contexto: o gelo\u201d, diz. O arquiteto cita tamb\u00e9m as ocas ind\u00edgenas como exemplos de resid\u00eancias ambientalmente sustent\u00e1veis. Para ele, \u201co mais importante \u00e9 a integra\u00e7\u00e3o com o meio, o reaproveitamento de recursos e o uso eficiente da energia\u201d. <\/p>\n<p>Antonio Mac\u00eado ainda explica que as novas constru\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais facilmente ajust\u00e1veis aos crit\u00e9rios de sustentabilidade, mas \u00e9 poss\u00edvel bons resultados nos trabalhos de \u201cretrofitagem\u201d, isto \u00e9, na adapta\u00e7\u00e3o das constru\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes, tornando-as mais adequadas \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o ambiental. <\/p>\n<p>Nas constru\u00e7\u00f5es, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel a utiliza\u00e7\u00e3o de sistemas de aproveitamento de \u00e1gua de chuva, miniesta\u00e7\u00f5es de tratamento de \u00e1gua, areia reciclada, argamassa mineral, impregnante para madeiras, massa corrida ecol\u00f3gica, al\u00e9m de adesivos, vernizes, resinas, pisos, tintas, telhas e at\u00e9 telhados verdes &#8211; os \u201cjardins suspensos\u201d estruturados sobre as edifica\u00e7\u00f5es. Equipamen-tos poupadores de energia, n\u00e3o-poluentes, que fazem uso de tecnologias limpas ou renov\u00e1veis, tais como sistemas de energia e\u00f3lica e solar, entre outros, tamb\u00e9m s\u00e3o adequados \u00e0s constru\u00e7\u00f5es que visam a sustentabilidade, pois s\u00e3o capazes de atender \u00e0 demanda energ\u00e9tica sem comprometer os recursos naturais locais nem alterar drasticamente a geografia dos ecossistemas. <\/p>\n<p>Em termos de custos, algumas solu\u00e7\u00f5es n\u00e3o representam despesas adicionais, mas outras j\u00e1 exigem um investimento maior, como os pain\u00e9is fotovoltaicos que captam e transformam a energia solar. Vale notar que o Brasil conta com apenas uma empresa nacional fabricante de pain\u00e9is solares fotovoltaicos, sendo os demais dispon\u00edveis no mercado produzidos no exterior. O arquiteto Antonio Mac\u00eado Filho, ressalta que \u201cimpactos da a\u00e7\u00e3o humana sempre haver\u00e1, n\u00e3o h\u00e1 como evitar, mas minimiz\u00e1-los \u00e9 poss\u00edvel e \u00e9 o que cada um deve procurar fazer\u201d.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Carro que se abastece na tomada <br \/>\n<\/strong><br \/>\nA Fiat criou um carro conceito movido a energia el\u00e9trica e constru\u00eddo com material reciclado. Al\u00e9m disso, j\u00e1 tem no mercado, em pequena escala, 25 Palios el\u00e9tricos, desenvolvidos em parceria com a Itaipu Binacional. O carro tem autonomia para rodar 100km, que \u00e9 a m\u00e9dia rodada em per\u00edmetro urbano, e pode ser carregado na tomada, durante a noite (por 8 horas). Segundo Toshi Noce, engenheiro de produtos da Fiat, os custos do carro el\u00e9trico no Brasil ainda s\u00e3o altos porque s\u00e3o produzidos apenas dois por m\u00eas. O custo do km rodado, diz a Fiat, \u00e9 de R$ 0,08, comparado a R$ 0,18 no carro a \u00e1lcool. As baterias t\u00eam autonomia de 80 quil\u00f4metros, e levam oito horas para serem recarregadas. De acordo com Noce, a ideia do carro el\u00e9trico \u00e9 antiga e os primeiros come\u00e7aram a ser desenvolvidos j\u00e1 no in\u00edcio da ind\u00fastria automotiva (s\u00e9culo XIX). No entanto, o combust\u00edvel f\u00f3ssil foi mais atraente. <\/p>\n<p><strong>\u00d4nibus brasileiro movido a hidrog\u00eanio<\/strong> <\/p>\n<p>Constru\u00eddo em Caxias do Sul (RS) pela Tuttotrasporti e pela Marcopolo, o primeiro \u00f4nibus brasileiro movido a hidrog\u00eanio passa a circular para testes nas ruas paulistanas neste segundo semestre. Na verdade, o \u00f4nibus \u00e9 movido a tra\u00e7\u00e3o el\u00e9trica. O hidrog\u00eanio armazenado nos tanques do \u00f4nibus \u00e9 injetado na c\u00e9lula a combust\u00edvel, onde ocorre um processo eletroqu\u00edmico que produz energia el\u00e9trica por meio da fus\u00e3o do hidrog\u00eanio com o oxig\u00eanio do ar. A inova\u00e7\u00e3o tem impactos reduzidos sobre o meio ambiente porque o hidrog\u00eanio usado como combust\u00edvel libera apenas vapor de \u00e1gua pelo escapamento. Apesar de ser o elemento qu\u00edmico mais abundante da Terra, o hidrog\u00eanio n\u00e3o se encontra livremente na atmosfera, e deve ser produzido industrialmente. A fabrica\u00e7\u00e3o desse ve\u00edculo destaca o Brasil entre os pa\u00edses que j\u00e1 det\u00eam essa tecnologia, como EUA, Alemanha e China. <\/p>\n<p><strong>Sistemas aut\u00f4nomos<\/strong> <\/p>\n<p>O ideal seria que viv\u00eassemos de uma forma totalmente sustent\u00e1vel, segundo a qual as pessoas e institui\u00e7\u00f5es pudessem produzir tudo o que consomem sem agredir o meio ambiente. Utopia? N\u00e3o \u00e9 o que mostra o norte-americano Michael Reynolds, pioneiro na constru\u00e7\u00e3o de habita\u00e7\u00f5es auto-sustent\u00e1veis, que chamou de earthships, termo da l\u00edngua inglesa que associa os conceitos de embarca\u00e7\u00e3o &#8211; ship &#8211; e planeta Terra &#8211; earth. Os princ\u00edpios dessas mais de mil constru\u00e7\u00f5es empreendidas por Reynolds no mundo s\u00e3o o aproveitamento da energia solar e e\u00f3lica, ventila\u00e7\u00e3o e ilumina\u00e7\u00e3o naturais, reciclagem de materiais, uso de sistemas ecol\u00f3gicos de capta\u00e7\u00e3o e armazenamento de \u00e1gua, bem como de controle t\u00e9rmico e tratamento de esgoto. <\/p>\n<p>A maior inova\u00e7\u00e3o dessas constru\u00e7\u00f5es est\u00e1 no uso que se faz de materiais j\u00e1 conhecidos h\u00e1 muito tempo e considerados lixo depois de usados, como latas de alum\u00ednio, garrafas e pneus. Segundo Michael Reynolds, as t\u00e9cnicas de constru\u00e7\u00e3o de earthships s\u00e3o de f\u00e1cil compreens\u00e3o quando h\u00e1 uma equipe experiente de treinadores, e lembra que os treinamentos promovidos por seu grupo (a empresa Earthship Biotecture) capacitam profissionais e os tornam meios para disseminar esses conhecimentos mundo afora. \u201cAs t\u00e9cnicas mais complexas relacionam-se aos sistemas de \u00e1gua e energia\u201d, complementa. Como se v\u00ea nas fotos que ilustram esta reportagem, essas constru\u00e7\u00f5es, feitas com aproximadamente 45% de materiais reciclados, est\u00e3o longe de serem casas rudimentares de sucatas e sem beleza ou conforto. \u201cMesmo em lugares des\u00e9rticos, nossas habita\u00e7\u00f5es mant\u00eam sua autonomia, sem que seus habitantes tenham de se privar das facilidades de televis\u00e3o e internet\u201d, ressalta Reynolds. Em um ponto, earthships e constru\u00e7\u00f5es comuns s\u00e3o equivalentes: o custo. Por\u00e9m, afora os benef\u00edcios ambientais, a grande vantagem financeira das earthships para o construtor, enfatiza o especialista, \u00e9 a economia em despesas de uso e manuten\u00e7\u00e3o, como as contas de energia, \u00e1gua, tratamento de esgoto etc. <\/p>\n<p>Outro exemplo de sustentabilidade, desta vez em organismos maiores, tanto urbanos como rurais, s\u00e3o as ecovilas. Seguindo o mesmo princ\u00edpio das earthships, as ecovilas s\u00e3o comunidades que utilizam amplamente as inova\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o ambiental. Em 1998, foram introduzidas oficialmente na lista da ONU das 100 melhores pr\u00e1ticas para o desenvolvimento sustent\u00e1vel, como modelos excelentes de vida sustent\u00e1vel. Realidades como as aqui descritas, apesar de ainda em n\u00famero modesto, denotam a enorme capacidade das inova\u00e7\u00f5es como formas de contribuir com a preserva\u00e7\u00e3o ambiental. <\/p>\n<p><strong>Produtos eco: menos \u00e1gua e energia <br \/>\n<\/strong><br \/>\nNo segmento de linha branca, a preocupa\u00e7\u00e3o com o meio ambiente resultou na fabrica\u00e7\u00e3o de produtos que utilizam menos \u00e1gua e energia. Com esse foco, a Brastemp e a C\u00f4nsul (que, juntas, formam a Whirlpool) j\u00e1 possuem uma s\u00e9rie de produtos ecoeficientes, que consomem metade da energia de dez anos atr\u00e1s. O refrigerador Brastemp Club (395L), por exemplo, utiliza 39% menos energia do que o modelo similar lan\u00e7ado h\u00e1 11 anos, com capacidade de 384 litros. Todos os fog\u00f5es da Brastemp consomem hoje 24% menos energia do que em 2003. As lavadoras de roupa s\u00e3o recordistas em economia: funcionam com 60% menos \u00e1gua que os modelos de 18 atr\u00e1s, (consumo m\u00e9dio de 28,5 litros de \u00e1gua por quilo de roupa. O modelo de lavadora Brastemp Sexto Sentido utiliza at\u00e9 54% menos \u00e1gua e 39 % menos energia, comparado ao modelo Brastemp Luxo Plus de 1989, o que pode representar uma economia de 37 mil litros por ano. <\/p>\n<p><b>Autor: Revista Conhecimento e Inova\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos anos, principalmente ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o dos relat\u00f3rios do Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC, na sigla em ingl\u00eas), em 2007, detalhando a situa\u00e7\u00e3o ambiental ca\u00f3tica do nosso planeta, o tema \u201cmeio ambiente\u201d ganhou ampla visibilidade. 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