{"id":15826,"date":"2009-05-08T22:08:56","date_gmt":"2009-05-08T22:08:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=15826"},"modified":"2009-05-08T16:05:58","modified_gmt":"2009-05-08T16:05:58","slug":"panorama-completo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2009\/05\/08\/panorama-completo\/","title":{"rendered":"Panorama completo"},"content":{"rendered":"<p>O uso do etanol e do biodiesel como combust\u00edveis promete revolucionar a matriz energ\u00e9tica mundial nos pr\u00f3ximos anos, trazendo vantagens econ\u00f4micas, sociais e ambientais \u2013 especialmente para o Brasil.&nbsp;<\/p>\n<p>Mas, dentro e fora do pa\u00eds, uma s\u00e9rie de preocupa\u00e7\u00f5es e cr\u00edticas ainda \u00e9 levantada em rela\u00e7\u00e3o a essas solu\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n<p>No livro Biocombust\u00edveis \u2013 A energia da controv\u00e9rsia, que acaba de ser lan\u00e7ado, os argumentos favor\u00e1veis e contr\u00e1rios ao uso dessas matrizes renov\u00e1veis s\u00e3o esmiu\u00e7ados e rebatidos por especialistas no tema.&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com o organizador da obra, Ricardo Abramovay, professor titular da Faculdade de Economia, Administra\u00e7\u00e3o e Contabilidade da Universidade de S\u00e3o Paulo (FEA-USP), o objetivo da publica\u00e7\u00e3o \u00e9 ampliar os pontos a serem debatidos a respeito dessas quest\u00f5es, hoje discutidas em \u00e2mbito global.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO livro \u00e9 voltado para o grande p\u00fablico \u2013 especialmente estudantes universit\u00e1rios e do ensino m\u00e9dio. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 expor com toda a consist\u00eancia o argumento de defesa de cada uma das partes, trazendo \u00e0 sociedade o debate que tem sido realizado pelos especialistas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viabilidade econ\u00f4mica e aos impactos socioambientais dessas novas fontes de energia\u201d, disse Abramovay \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.&nbsp;<\/p>\n<p>A obra re\u00fane textos de Ignacy Sachs, Marcos Jank, Jean Marc Von der Weide e Arnoldo de Campos. \u201cQuisemos compor um panorama amplo e heterog\u00eaneo. Os autores apresentam pontos de vista diferentes sobre o etanol e o biodiesel\u201d, disse Abramovay, que \u00e9 coordenador do N\u00facleo de Economia Socioambiental da USP (Nesa).&nbsp;<\/p>\n<p>O livro faz parte de uma s\u00e9rie da Editora Senac que trata de temas pol\u00eamicos \u2013 como transg\u00eanicos e aquecimento global \u2013 e convida especialistas para apresentar tr\u00eas opini\u00f5es diferentes: a favor, contra e uma terceira posi\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNo caso dos biocombust\u00edveis foi preciso trazer quatro pontos de vista, porque consideramos que a l\u00f3gica da defesa do etanol \u00e9 muito distinta daquela utilizada para defender o biodiesel \u2013 portanto os pontos de vista favor\u00e1veis aos biocombust\u00edveis foram expostos em dois textos\u201d, explicou.&nbsp;<\/p>\n<p>As diferen\u00e7as entre os argumentos favor\u00e1veis aos dois tipos de biocombustiveis, segundo Abramovay, decorrem do fato de que os atores envolvidos com a produ\u00e7\u00e3o de cada um deles s\u00e3o essencialmente diferentes.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNo caso do etanol, temos um conjunto de fatores virtuosos. Entre esses aspectos est\u00e3o a efici\u00eancia energ\u00e9tica reconhecida internacionalmente. Essa \u00e9 uma vantagem incontest\u00e1vel\u201d, disse.&nbsp;<\/p>\n<p>Outro fator importante para a defesa do etanol, segundo ele, \u00e9 a resili\u00eancia econ\u00f4mica. \u201cAo contr\u00e1rio de outras culturas, no caso do etanol extens\u00f5es de dezenas de milhares de hectares podem se manter ao longo do tempo sem rupturas decorrentes do ataque de pragas, por exemplo. E trata-se de um caso \u00fanico, resultado de um bem-sucedido esfor\u00e7o de pesquisa e uma inova\u00e7\u00e3o impressionante\u201d, afirmou.&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo ele, a produ\u00e7\u00e3o de etanol se baseia em verdadeiras biorrefinarias, com utiliza\u00e7\u00e3o da maior parte do que resulta da produ\u00e7\u00e3o. \u201cIsso significa que a produ\u00e7\u00e3o tende a ser limpa, com efeitos muito positivos sobre a matriz energ\u00e9tica brasileira \u2013 tanto para a energia el\u00e9trica como em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capta\u00e7\u00e3o de carbono.\u201d&nbsp;<\/p>\n<p>As principais cr\u00edticas feitas ao etanol, para Abramovay, s\u00e3o provenientes de duas vertentes. Uma delas faz eco \u00e0s cr\u00edticas internacionais que enfatizam a competi\u00e7\u00e3o com a produ\u00e7\u00e3o de alimentos. \u201cMas isso se aplica mais ao caso do etanol norte-americano. No caso brasileiro essa competi\u00e7\u00e3o geradora de crises alimentares n\u00e3o ocorre\u201d, disse.&nbsp;<\/p>\n<p>A outra vertente se deve ao fato de a produ\u00e7\u00e3o de etanol se apoiar sobre o latif\u00fandio, implicando na monotonia das paisagens rurais. \u201cO mais preocupante \u00e9 uma poss\u00edvel expans\u00e3o do etanol em dire\u00e7\u00e3o ao Cerrado, o que seria um problema ambiental importante\u201d, afirmou.&nbsp;<\/p>\n<p>Outro ponto cr\u00edtico se refere \u00e0s dimens\u00f5es do trabalho. \u201cAs condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o melhores do que em outras \u00e1reas da agricultura, mas ainda assim as jornadas de at\u00e9 12 horas di\u00e1rias s\u00e3o extremamente intensas. O trabalho manual dever\u00e1 ser extinto em S\u00e3o Paulo nos pr\u00f3ximos cinco anos, mas existe a preocupa\u00e7\u00e3o de que ele seja estendido a outros estados com a expans\u00e3o da cana-de-a\u00e7\u00facar\u201d, afirmou.&nbsp;<\/p>\n<p>Em sua contribui\u00e7\u00e3o para o livro, Ignacy Sachs, professor em\u00e9rito da \u00c9cole des Hautes \u00c9tudes en Sciences Sociales (Paris), matizou as cr\u00edticas, defendendo que nenhuma raz\u00e3o natural justifica o car\u00e1ter latifundi\u00e1rio da cultura de cana-de-a\u00e7\u00facar para a produ\u00e7\u00e3o de etanol.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEle acha que a cana-de-a\u00e7\u00facar poderia ser objeto de uma explora\u00e7\u00e3o bimodal, com integra\u00e7\u00e3o da agricultura familiar. A utiliza\u00e7\u00e3o da biomassa como alternativa energ\u00e9tica poderia ser uma forma de gerar renda para agricultores que vivem pr\u00f3ximos \u00e0 linha de pobreza\u201d, contou Abramovay. <br \/>\nIsso poderia ser feito, segundo Sachs, com uma mudan\u00e7a no padr\u00e3o tecnol\u00f3gico de explora\u00e7\u00e3o da cultura. \u201cNo lugar de uma usina para uma \u00e1rea plantada de 40 mil hectares, o professor Sachs sugere algo na dimens\u00e3o das usinas de produ\u00e7\u00e3o de leite \u2013 um pouco menos eficientes do ponto de vista de custo, mas socialmente muito mais construtivas\u201d, afirmou. <\/p>\n<p><strong>Desvio de rota<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>Quanto ao biodiesel, Abramovay destaca que o programa brasileiro nasceu como uma esp\u00e9cie de contraponto ao Programa Nacional do \u00c1lcool, ou Pr\u00f3-\u00c1lcool, lan\u00e7ando a tentativa de aproveitar o potencial de produtos t\u00edpicos da agricultura familiar na gera\u00e7\u00e3o de bioenergia.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cFoi estabelecido muito rapidamente um conjunto de incentivos ao aumento da produ\u00e7\u00e3o e ao relacionamento entre as f\u00e1bricas e os agricultores familiares \u2013 ao utilizar os produtos desses trabalhadores, as f\u00e1bricas teriam vantagens fiscais\u201d, disse.&nbsp;<\/p>\n<p>Mas na pr\u00e1tica, segundo o professor, se o programa obteve sucesso por um lado \u2013o biodiesel corresponde a 4% do diesel utilizado no pa\u00eds \u2013, por outro lado a meta de beneficiar os agricultores pobres n\u00e3o foi alcan\u00e7ada, uma vez que a maior parte da produ\u00e7\u00e3o se baseia em soja e sebo bovino.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se inventa um mercado de uma hora para outra. A id\u00e9ia do programa era estimular firmemente a produ\u00e7\u00e3o de mamona no Nordeste. Mas at\u00e9 aqui a participa\u00e7\u00e3o desse vegetal \u00e9 irris\u00f3ria. A grande li\u00e7\u00e3o cr\u00edtica que se tira dessa experi\u00eancia se refere \u00e0 dificuldade de se estabelecer mercados espec\u00edficos, pois determinados atores \u2013 os industriais da soja, no caso \u2013 come\u00e7am a tomar conta do que estava destinado a outros\u201d, afirmou.&nbsp;<\/p>\n<p>Pelas diferentes an\u00e1lises presentes no livro, \u00e9 poss\u00edvel concluir que, no Brasil, o uso da agricultura para a produ\u00e7\u00e3o de energia \u00e9 um caminho importante tanto para enfrentar problemas ambientais como sociais, estimulando a descarboniza\u00e7\u00e3o da matriz energ\u00e9tica e gerando renda para agricultores pobres.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNo entanto, a maneira como isso est\u00e1 sendo levado adiante atualmente faz com que os objetivos sociais ligados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de bioenergia n\u00e3o estejam sendo alcan\u00e7ados, ampliando tamb\u00e9m os riscos ambientais ligados \u00e0 expans\u00e3o dessas culturas. Tudo isso tem sido muito discutido em mesas-redondas, mas o acesso desse debate ao grande p\u00fablico \u00e9 muito lento. Esperamos que o livro contribua para esclarecer todos os pontos de vista\u201d, disse.&nbsp;<\/p>\n<p>\u2022 Biocombust\u00edveis &#8211; A energia da controv\u00e9rsia <br \/>\nOrganizador: Ricardo Abramovay <br \/>\nLan\u00e7amento: 2009 <br \/>\nN\u00famero de p\u00e1ginas: 180 <br \/>\nPre\u00e7o: R$ 35 <br \/>\nMais informa\u00e7\u00f5es: <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.editorasenacsp.com.br \">www.editorasenacsp.com.br <br \/>\n<\/a><\/p>\n<p><b>Autor: Ag\u00eancia FAPESP<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O uso do etanol e do biodiesel como combust\u00edveis promete revolucionar a matriz energ\u00e9tica mundial nos pr\u00f3ximos anos, trazendo vantagens econ\u00f4micas, sociais e ambientais \u2013 especialmente para o Brasil.&nbsp; Mas, dentro e fora do pa\u00eds, uma s\u00e9rie de preocupa\u00e7\u00f5es e cr\u00edticas ainda \u00e9 levantada em rela\u00e7\u00e3o a essas solu\u00e7\u00f5es.&nbsp; No livro Biocombust\u00edveis \u2013 A energia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,35],"tags":[],"class_list":{"0":"post-15826","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-noticias","7":"category-pesquisa-e-desenvolvimento"},"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - 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