{"id":15476,"date":"2008-12-04T22:02:58","date_gmt":"2008-12-04T22:02:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=15476"},"modified":"2008-12-04T15:53:33","modified_gmt":"2008-12-04T15:53:33","slug":"queremos-linha-de-credito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2008\/12\/04\/queremos-linha-de-credito\/","title":{"rendered":"&#8220;Queremos linha de cr\u00e9dito&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><em>Sergio Watanabe, presidente do SindusCon-SP, debate reivindica\u00e7\u00f5es da entidade junto ao governo e antecipa os desafios do setor em 2009&nbsp;<\/p>\n<p><\/em>Esta entrevista foi produzida em meio a um cen\u00e1rio ainda de incertezas sobre as reais propor\u00e7\u00f5es dos efeitos da crise financeira internacional na constru\u00e7\u00e3o civil. Tamb\u00e9m n\u00e3o havia defini\u00e7\u00f5es claras das medidas de incentivo ao setor da constru\u00e7\u00e3o civil, tomadas por entidades governamentais. Por fim, ainda n\u00e3o era poss\u00edvel mensurar as rea\u00e7\u00f5es do mercado, uma vez que careciam dados compilados do consumo e das vendas depois do in\u00edcio do ciclo de queda continuada das bolsas brasileiras, em outubro. <\/p>\n<p>No exerc\u00edcio de se deslocar desse cen\u00e1rio de incertezas e se projetar nos pr\u00f3ximos meses, antevendo desafios, entrevistamos o rec\u00e9m-empossado presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o Civil do Estado de S\u00e3o Paulo), o engenheiro Sergio Watanabe. <\/p>\n<p>Na \u00e9poca em que assumiu o cargo do ent\u00e3o presidente da entidade Jo\u00e3o Cl\u00e1udio Robusti, em cinco de agosto deste ano, o empres\u00e1rio tinha pela frente dois problemas por enfrentar: o aumento dos custos da constru\u00e7\u00e3o e a alta dos juros. Pouco mais de um m\u00eas depois, as propor\u00e7\u00f5es dos enfrentamentos de sua gest\u00e3o se mostraram ainda maiores, com o agravamento da crise financeira mundial. <\/p>\n<p>Nesta entrevista, Watanabe debate os conflitos da medida provis\u00f3ria 443, o risco da capta\u00e7\u00e3o de recursos, os custos dos insumos e os pre\u00e7os dos terrenos, al\u00e9m de esclarecer as medidas do sindicato frente ao novo cen\u00e1rio. <\/p>\n<p><strong>Quais as medidas que o SindusCon-SP vem reivindicando, junto ao governo, para subsidiar as incorporadoras e construtoras nesse cen\u00e1rio de escassez de cr\u00e9dito?&nbsp;<br \/>\n<\/strong><br \/>\nO governo autorizou que os bancos utilizem at\u00e9 5% do estoque da caderneta de poupan\u00e7a para financiar a constru\u00e7\u00e3o civil. Isso pode representar de R$ 10 a R$ 11 bilh\u00f5es, e era uma reivindica\u00e7\u00e3o nossa. A Caixa Econ\u00f4mica disponibilizou R$ 3 bilh\u00f5es para o setor exatamente para financiar a execu\u00e7\u00e3o das obras em andamento. A primeira linha antecipa at\u00e9 20% dos custos do empreendimento, o que \u00e9 muito importante porque permite que o incorporador tenha recursos para tocar seus empreendimentos. Como o financiamento normalmente contempla 80% da obra, 20% fica por conta do incorporador. A Caixa fez isso porque, claro, \u00e9 uma entidade do governo. Mas as institui\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito imobili\u00e1rio privadas v\u00e3o ter mais resist\u00eancia para emprestar. <\/p>\n<p><strong>Resist\u00eancia por qu\u00ea?<\/strong> <br \/>\nO exemplo foi o dep\u00f3sito compuls\u00f3rio. O governo liberou o compuls\u00f3rio, mas os bancos maiores n\u00e3o repassaram para as institui\u00e7\u00f5es menores porque, no m\u00eas passado, a prioridade era a liquidez. Os bancos, ent\u00e3o, preferiram comprar t\u00edtulos do pr\u00f3prio governo, que rende Selic [m\u00e9dia de juros que o governo brasileiro paga por empr\u00e9stimos tomados dos bancos] sem nenhum risco, do que emprestar esse recurso como capital de giro e cujo custo era da ordem de 10%, 11% ao ano mais TR. Mas, enfim, \u00e9 uma boa linha de cr\u00e9dito. <\/p>\n<p><strong>E qual o problema da Medida Provis\u00f3ria 443, que supostamente autoriza o Banco do Brasil e a Caixa Econ\u00f4mica a comprarem ativos de institui\u00e7\u00f5es financeiras. No \u00faltimo m\u00eas, o SindusCon-SP fez duras cr\u00edticas \u00e0 medida.<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa quest\u00e3o da Caixa PAR \u00e9 uma conversa que acho que saiu atravessada pelo ministro Guido Mantega. Numa noite, ele foi \u00e0 TV dizendo que o Caixa PAR era para estatizar o setor! O setor foi contra por causa disso. Ningu\u00e9m estava querendo isso. Queremos linha de cr\u00e9dito. A gente at\u00e9 falava no BNDES, porque o BNDES tem o BNDES PAR [holding de investimentos, de propriedade do BNDES, que investe quase a totalidade de seus recursos em sociedades constitu\u00eddas no Brasil], cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 participar do capital de empresas privadas e p\u00fablicas. <\/p>\n<p><strong>Mas se o BNDES PAR \u00e9 razo\u00e1vel, porque a mesma iniciativa, se viabilizada pela Caixa ou pelo Banco do Brasil, n\u00e3o seria?<\/strong> <br \/>\nEssa MP n\u00e3o tem nada a ver com a Constru\u00e7\u00e3o. A MP \u00e9 para o banco, para o mercado financeiro. O Mantega colocou a constru\u00e7\u00e3o no Caixa PAR e disse que ela iria comprar participa\u00e7\u00e3o de empresas do setor. Naquela ocasi\u00e3o est\u00e1vamos no Enic (Encontro Nacional da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o), unidos, e todo mundo criticou essa quest\u00e3o. Primeiro, ningu\u00e9m quer a estatiza\u00e7\u00e3o. Segundo, a medida do governo s\u00f3 atende as empresas S.A.s, e n\u00e3o o resto das empresas da constru\u00e7\u00e3o civil. <\/p>\n<p><strong>Mas a MP diz que os neg\u00f3cios poder\u00e3o ocorrer por meio de incorpora\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria, e isso n\u00e3o exclui empresas de capital fechado.<\/strong> <br \/>\nMas sabe por que isso acontece? Vou te dar um exemplo: o BNDES PAR empresta R$ 1 bilh\u00e3o para uma incorporadora. Da\u00ed o incorporador emite o mesmo equivalente de deb\u00eantures convers\u00edveis em a\u00e7\u00e3o e as sujeitam como garantia. Se o incorporador n\u00e3o honrar o pagamento, a deb\u00eanture vira a\u00e7\u00e3o e o BNDES PAR passa a ter a\u00e7\u00e3o\/participa\u00e7\u00e3o da empresa. \u00c9 assim que funciona. Esse \u00e9 o mecanismo do empr\u00e9stimo. <\/p>\n<p><strong>Ok, existiria ent\u00e3o, em sua opini\u00e3o, uma propens\u00e3o maior do mercado por essas empresas abertas.&nbsp;<br \/>\n<\/strong><br \/>\nClaro. <\/p>\n<p><strong>Mas quando se compra parte de a\u00e7\u00f5es &#8211; n\u00e3o necessariamente em volume superior a 50% &#8211; n\u00e3o se conjectura uma situa\u00e7\u00e3o de estatiza\u00e7\u00e3o, e sim de uma participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria minorit\u00e1ria que pode aumentar a liquidez da empresa. Isso n\u00e3o seria um fomento?<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>Sim, esse seria um recurso, mas da\u00ed as empresas podem fazer pelo BNDES PAR, a linha de cr\u00e9dito j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1. N\u00e3o precisaria da Caixa. Com a Caixa, h\u00e1 conflitos de interesses s\u00e9rios. Ela \u00e9 o maior agente financeiro das construtoras. Ent\u00e3o, se essa medida se concretizar, ela seria acionista da construtora, ofereceria financiamento para essa mesma construtora, fiscalizaria essa mesma construtora&#8230; n\u00e3o faz sentido. No caso do Banco do Brasil tamb\u00e9m, j\u00e1 que ele vai financiar com recursos seja do fundo de garantia ou da poupan\u00e7a, da mesma forma. <\/p>\n<p><strong>Como as empresas est\u00e3o lidando com uma diminui\u00e7\u00e3o na oferta de cr\u00e9dito?<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>A falta de cr\u00e9dito para lan\u00e7amentos de a\u00e7\u00f5es no mercado de capitais vem desde o in\u00edcio do ano. N\u00e3o houve quem abrisse capital em 2008. A crise derrubou todas as bolsas de valores, inclusive a brasileira. E as empresas de capital aberto do setor da constru\u00e7\u00e3o civil sofreram significativamente. O seu valor nominal desde a \u00e9poca das IPOs [oferta inicial de a\u00e7\u00f5es] caiu da ordem de 70% &#8211; isso s\u00e3o dados de outubro. Ent\u00e3o, a crise de liquidez levou a uma movimenta\u00e7\u00e3o de mercado de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es de forma que essas empresas se tornassem mais l\u00edquidas e com melhor capacidade de operacionaliza\u00e7\u00e3o. Com o estouro da crise mundial, o \u00e1pice observado em setembro, a liquidez estourou de uma vez no mundo inteiro e essa incapacidade ou inexist\u00eancia de recursos para tocar a produ\u00e7\u00e3o promoveu algum tipo de aquisi\u00e7\u00e3o. A \u00faltima que vimos foi a Tenda pela Gafisa. <\/p>\n<p><strong>Poder\u00e1 haver outras fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es, agora que h\u00e1 uma distor\u00e7\u00e3o grande entre o valor das empresas e suas cota\u00e7\u00f5es? Fala-se at\u00e9 que a Inpar valeria hoje cerca de 20% do seu patrim\u00f4nio l\u00edquido.&nbsp;<br \/>\n<\/strong><br \/>\nPois \u00e9, a Inpar estava pr\u00f3xima de fazer uma negocia\u00e7\u00e3o [at\u00e9 o fechamento desta edi\u00e7\u00e3o]&#8230; esse movimento de aquisi\u00e7\u00e3o e fus\u00e3o \u00e9, na verdade, uma forma da empresa se estruturar melhor inclusive financeiramente para continuar em sua opera\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea n\u00e3o tem como financiar sua opera\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser com essas fontes ou linhas de cr\u00e9ditos que o governo ainda est\u00e1 formatando, mas que n\u00e3o seriam suficientes para resolver o problema de todas as empresas imobili\u00e1rias da constru\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m de menos cr\u00e9dito, as empresas do setor estavam sendo pressionadas por aumentos cont\u00ednuos de pre\u00e7o. O SindusCon-SP vem agindo para controlar essas altas?<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>A gente acredita que essa crise v\u00e1 desacelerar a constru\u00e7\u00e3o. A demanda estava andando na frente da oferta, tanto que faltou cimento, equipamento, servi\u00e7os especializados, m\u00e3o-de-obra, materiais. \u00c9 claro que o setor n\u00e3o ag\u00fcentaria esse processo de crescimento uma vez que os produtores de insumo n\u00e3o iam conseguir acompanhar o crescimento vertiginoso da constru\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, como \u00e9 que a demanda e a oferta v\u00e3o se equilibrar? A gente vai ter que aguardar um pouco. <\/p>\n<p><strong>Os pre\u00e7os, ent\u00e3o, n\u00e3o necessariamente est\u00e3o vinculados aos custos de produ\u00e7\u00e3o nem aos oligop\u00f3lios?<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>A gente tem v\u00e1rios oligop\u00f3lios no setor da constru\u00e7\u00e3o, seja de a\u00e7o, de cimento. Mas mesmo os produtos concorrenciais subiram de pre\u00e7o. Basta ver areia e pedra. S\u00e3o dois itens que n\u00e3o t\u00eam nada com oligop\u00f3lio. \u00c9 claro que ningu\u00e9m vai vir aqui dizer que aumentou o pre\u00e7o porque n\u00e3o teve aumento de custo. Aumento de custo teve sim. Mas a movimenta\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o que a gente tava vendo de agosto para frente era basicamente de demanda. <\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o, se a constru\u00e7\u00e3o tende a desaquecer, o pre\u00e7o tende a cair?<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>De alguma forma ou de outra, acredito que vamos ter uma acomoda\u00e7\u00e3o ou uma redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o sim, at\u00e9 porque essa crise n\u00e3o \u00e9 pequena. Os pre\u00e7os v\u00e3o cair na hora em que a gente estiver equilibrado entre a oferta e a procura. Esse movimento tamb\u00e9m n\u00e3o acontece do dia para a noite. A partir do momento que come\u00e7ar a sobrar estoque no dep\u00f3sito dos produtores, automaticamente os pre\u00e7os v\u00e3o cair. <\/p>\n<p><strong>O SindusCon-SP chegou a amea\u00e7ar a ind\u00fastria cimenteira de come\u00e7ar a importar cimento. Em que resultou essa negocia\u00e7\u00e3o?<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse n\u00e3o foi o nosso discurso. O que dissemos \u00e9 que a responsabilidade de abastecer o mercado \u00e9 da ind\u00fastria cimenteira e se ela n\u00e3o estava conseguindo produzir para atender a demanda do mercado, que ela pr\u00f3pria importasse o cimento. N\u00e3o poderia dizer que o setor da constru\u00e7\u00e3o importaria porque n\u00e3o \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o simples. Inclusive o Sinduscon tentou importar e n\u00e3o conseguiu. Em resposta a essa nossa reivindica\u00e7\u00e3o, a Votorantim at\u00e9 chegou a importar 400 mil toneladas de cimento.&nbsp;<\/p>\n<p><strong><br \/>\nE esses comuns problemas de abastecimento que o mercado estava observando, devem se regularizar a partir do in\u00edcio do ano?<\/strong> <br \/>\nA ind\u00fastria de uma maneira geral est\u00e1 investindo muito forte. Mas alguns j\u00e1 tiveram a coragem de dizer &#8220;estou suspendendo meus investimentos para 2009&#8221;, o que eu considero at\u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o sensata porque, numa turbul\u00eancia dessa, manter os investimentos acreditando que o mercado interno vai consumir isso tudo&#8230; n\u00e3o sei n\u00e3o. A exporta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 dif\u00edcil por causa do c\u00e2mbio. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 complexa. Mas acredito que a rela\u00e7\u00e3o oferta x demanda se estabilize. <\/p>\n<p><strong>A demanda por m\u00e3o-de-obra tamb\u00e9m desacelera?<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>O desafio da m\u00e3o-de-obra \u00e9 maior ainda. O consumo de materiais est\u00e1 crescendo na ordem de 15% ao ano, enquanto o de m\u00e3o-de-obra, a 20%. E a m\u00e3o-de-obra est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o. Mas teremos que esperar para mensurar, e a\u00ed identificar quanto vai desacelerar. <\/p>\n<p><strong>E o pre\u00e7o dos terrenos, que antes estavam alt\u00edssimos? Agora o valor se mant\u00e9m?&nbsp;<br \/>\n<\/strong><br \/>\nEm 2007 de fato houve uma febre dos bancos de terrenos. Todo mundo saiu para imobilizar terrenos, tendo em vista que o terreno \u00e9 o produto mais importante para voc\u00ea continuar na sua atividade, que \u00e9 construir resid\u00eancias ou coisa parecida. Essa estrat\u00e9gia de comprar terrenos basicamente foi generalizada, nenhuma empresa queria ficar sem terrenos para os futuros lan\u00e7amentos, j\u00e1 que visavam ir novamente ao mercado de capitais, captar mais recurso e financiar a produ\u00e7\u00e3o. E o que aconteceu? Como o mercado de capitais secou, as empresas foram vender seus empreendimentos e provavelmente algumas est\u00e3o com problemas de caixa para executar agora a produ\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p><strong>Isso for\u00e7a a redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os?<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>Os pre\u00e7os dos terrenos tiveram uma alta significativa em vista dessa demanda. E hoje os terrenos provavelmente v\u00e3o recuar no pre\u00e7o. Al\u00e9m disso, acho raro que os terrenos voltem a ser comprados praticamente \u00e0 vista. <\/p>\n<p><strong>Voltam as permutas para aquisi\u00e7\u00e3o de terrenos?&nbsp;<br \/>\n<\/strong><br \/>\nSim, mesmo porque as empresas de um modo geral est\u00e3o estocadas de terrenos. Hoje terreno j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais prioridade e, sim, a liquidez e um fluxo de caixa que consiga atender as opera\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p><strong>As empresas j\u00e1 cogitam vender terrenos para levantar capital, ou ent\u00e3o, diminuir o valor dos im\u00f3veis para aumentar a venda?&nbsp;<br \/>\n<\/strong><br \/>\nAs empresas que estiverem com problema de liquidez v\u00e3o vender alguns ativos sim, embora essa ainda n\u00e3o seja a melhor \u00e9poca para isso, tendo em vista que os terrenos est\u00e3o perdendo pre\u00e7o. Quanto \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o de im\u00f3vel&#8230; bom, poderemos ver algum movimento sim, mas a infla\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o civil n\u00e3o vai dar muito espa\u00e7o para isso. <\/p>\n<p><strong>E quanto ao PAC. O governo j\u00e1 sinalizou a continuidade dos investimentos?<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>O PAC est\u00e1 com muita dificuldade em termo de gest\u00e3o. A burocracia que se criou para gerir esses empreendimentos \u00e9 enorme. Mas, de qualquer forma, o PAC vai ser muito importante no ano que vem. Se o governo assegurar os volumes de recursos a serem investidos e se a gest\u00e3o for mais \u00e1gil e eficiente, o PAC poder\u00e1 ser um segmento importante na composi\u00e7\u00e3o do crescimento da constru\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p><strong>Esses desafios todos poder\u00e3o impactar o desempenho da constru\u00e7\u00e3o civil em 2009?<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s queremos que o Brasil cres\u00e7a no ano que vem e que, com o PIB geral crescendo, a constru\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m cres\u00e7a. O setor imobili\u00e1rio, que vinha num processo muito forte, evidentemente vai sofrer uma desacelera\u00e7\u00e3o. Mas se a gente considerar que os empreendimentos vendidos em 2008 s\u00e3o maiores do que os de 2007, considerando a\u00ed que as vendas em 2007 executam em 2008 e o que vendeu em 2008 executa entre 2008 e 2010, essas chances s\u00e3o razo\u00e1veis. O segmento imobili\u00e1rio deve levar um carregamento para 2009, que o pessoal da FGV acredita que ser\u00e1 da ordem de 3,5% de crescimento no PIB da constru\u00e7\u00e3o. Portanto, em princ\u00edpio, a gente teria um crescimento da constru\u00e7\u00e3o acima dos 3,5%, 4%, em fun\u00e7\u00e3o desse carregamento, seja da \u00e1rea imobili\u00e1ria, seja do setor p\u00fablico. <\/p>\n<p><strong>O que significaria um aumento de quanto na constru\u00e7\u00e3o, no total?<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>A gente estima que se o PIB brasileiro crescer na ordem de 3%, o PIB da constru\u00e7\u00e3o poderia crescer na ordem de 5%. No in\u00edcio do ano, nossa previs\u00e3o era de que o PIB da constru\u00e7\u00e3o cresceria cerca de 10% em 2008. Esses n\u00fameros basicamente foram confirmados. O IBGE mostrou o crescimento do PIB da constru\u00e7\u00e3o em 9,4% para o primeiro semestre de 2008. \u00c9 claro que essa crise vai afetar, mas a gente n\u00e3o considera que ter\u00e1 uma influ\u00eancia significativa, uma vez que as obras est\u00e3o vendidas, contratadas e precisam terminar. <\/p>\n<p><b>Autor: Constru\u00e7\u00e3o Mercado<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sergio Watanabe, presidente do SindusCon-SP, debate reivindica\u00e7\u00f5es da entidade junto ao governo e antecipa os desafios do setor em 2009&nbsp; Esta entrevista foi produzida em meio a um cen\u00e1rio ainda de incertezas sobre as reais propor\u00e7\u00f5es dos efeitos da crise financeira internacional na constru\u00e7\u00e3o civil. 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