{"id":153329,"date":"2026-04-15T11:55:47","date_gmt":"2026-04-15T14:55:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/?p=153329"},"modified":"2026-04-15T11:55:47","modified_gmt":"2026-04-15T14:55:47","slug":"por-francisco-christovam-a-transicao-do-esg-para-o-esg-2-0","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2026\/04\/15\/por-francisco-christovam-a-transicao-do-esg-para-o-esg-2-0\/","title":{"rendered":"Por Francisco Christovam &#8211; A transi\u00e7\u00e3o do ESG para o ESG 2.0"},"content":{"rendered":"<p><em>*Francisco Christovam<\/em><\/p>\n<p>ESG \u00e9 uma estrutura de avalia\u00e7\u00e3o que impulsiona organiza\u00e7\u00f5es rumo \u00e0 sustentabilidade, em seu sentido mais amplo. A sigla, que significa Ambiental, Social e Governan\u00e7a (Environmental, Social and Governance), surgiu em 2004, por iniciativa da <em>Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU)<\/em> e do <em>Banco Internacional para Reconstru\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento (BIRD)<\/em>. Na verdade, essas organiza\u00e7\u00f5es multilaterais desafiaram os CEO\u2019s de grandes bancos a integrar fatores ambientais, sociais e de governan\u00e7a ao mercado de capitais, transformando sustentabilidade em m\u00e9tricas financeiras e de investimento.<\/p>\n<p>Em ess\u00eancia, o ESG re\u00fane crit\u00e9rios para avaliar sustentabilidade e impacto \u00e9tico de empresas, indo al\u00e9m dos resultados financeiros. Analisa como a organiza\u00e7\u00e3o gerencia riscos e oportunidades ligados ao meio ambiente, \u00e0 sociedade e \u00e0 administra\u00e7\u00e3o, sendo fundamental para investimentos respons\u00e1veis, pois evidencia o compromisso da empresa com pr\u00e1ticas duradouras, transpar\u00eancia e responsabilidade perante todos os agentes da cadeia produtiva.<\/p>\n<p>No aspecto ambiental, avalia-se a gest\u00e3o de res\u00edduos, controle de emiss\u00f5es, uso de recursos naturais e preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. O pilar social examina rela\u00e7\u00f5es da empresa com pessoas e comunidades, considerando direitos humanos, diversidade, inclus\u00e3o, condi\u00e7\u00f5es de trabalho, sa\u00fade, seguran\u00e7a e satisfa\u00e7\u00e3o dos clientes. J\u00e1 a governan\u00e7a aborda administra\u00e7\u00e3o, transpar\u00eancia, \u00e9tica, estrutura de lideran\u00e7a, pol\u00edticas de remunera\u00e7\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o dos acionistas e combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O conceito se fortaleceu nas \u00faltimas d\u00e9cadas, impulsionado pela emerg\u00eancia clim\u00e1tica e maior press\u00e3o por transpar\u00eancia, tornando-se um diferencial competitivo essencial. Para as empresas, implementar pr\u00e1ticas ESG amplia competitividade, atrai talentos, fortalece reputa\u00e7\u00e3o, melhora o relacionamento com clientes e parceiros e assegura a continuidade dos neg\u00f3cios. Para a sociedade, estimula comportamentos empresariais respons\u00e1veis, colaborando para um mundo mais justo e sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Historicamente, as quest\u00f5es ambientais receberam maior destaque, impulsionadas pela preocupa\u00e7\u00e3o com mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e preserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais. Aspectos sociais tamb\u00e9m ganharam relev\u00e2ncia com a demanda por trabalho justo, respeito aos direitos humanos, diversidade, inclus\u00e3o e bem-estar das comunidades. Por outro lado, a governan\u00e7a corporativa ficou muitas vezes em um terceiro plano, vista apenas como uma exig\u00eancia formal. No entanto, \u00e9 um atributo essencial para garantir a ado\u00e7\u00e3o efetiva das pr\u00e1ticas ambientais e sociais, promovendo transpar\u00eancia, \u00e9tica e responsabilidade em todos os n\u00edveis.<\/p>\n<p>Uma governan\u00e7a robusta assegura mecanismos de controle, pol\u00edticas claras de remunera\u00e7\u00e3o, combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o dos acionistas e gest\u00e3o de riscos, fortalecendo a confian\u00e7a dos \u201cstakeholders\u201d e a viabilidade dos neg\u00f3cios. O equil\u00edbrio entre os tr\u00eas pilares \u00e9 cada vez mais reconhecido como fundamental para criar valor, reputa\u00e7\u00e3o e perenidade organizacionais.<\/p>\n<p>Recentemente, com mercados mais din\u00e2micos e competitivos, as empresas passaram a reavaliar, em profundidade, a aplica\u00e7\u00e3o dos conceitos ESG, considerando n\u00e3o s\u00f3 custos e benef\u00edcios, mas tamb\u00e9m o impacto estrat\u00e9gico dessas pr\u00e1ticas no posicionamento corporativo. Esse processo envolve an\u00e1lise detalhada sobre como iniciativas ambientais, sociais e de governan\u00e7a geram respeito, fortalecem imagem, mitigam riscos e atraem investimentos, al\u00e9m de promover inova\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o a novas demandas regulat\u00f3rias e sociais.<\/p>\n<p>Em debate promovido pela plataforma de v\u00eddeos YouTube, o cientista social, diplomata e economista brasileiro Marcos Prado Troyjo, autor de v\u00e1rios livros e, atualmente, Co-Chairman do LIDE (Grupo de L\u00edderes Empresariais) e membro do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, defendeu a necessidade urgente da evolu\u00e7\u00e3o do tradicional ESG para o ESG 2.0. Segundo ele, esse novo est\u00e1gio representa uma reforma estrutural imprescind\u00edvel, para evitar a perda de relev\u00e2ncia do ESG no universo corporativo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>O ESG 2.0, como proposto por Troyjo, vai al\u00e9m da ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas ambientais, sociais e de governan\u00e7a, integrando esses pilares, de forma estrat\u00e9gica, \u00e0s opera\u00e7\u00f5es empresariais, com foco em <em>Economia, Seguran\u00e7a e Geopol\u00edtica<\/em>. Essa abordagem exige m\u00e9tricas mais precisas e transparentes, capazes de demonstrar o impacto das a\u00e7\u00f5es corporativas na \u00e9tica nos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Troyjo destaca a import\u00e2ncia de envolver todos os agentes na transforma\u00e7\u00e3o, promovendo uma cultura organizacional baseada em responsabilidade, inova\u00e7\u00e3o e perenidade. A evolu\u00e7\u00e3o exige revis\u00e3o de estrat\u00e9gias, pol\u00edticas internas e mecanismos de governan\u00e7a, assegurando implementa\u00e7\u00e3o e aprimoramento cont\u00ednuo das pr\u00e1ticas ambientais e sociais. O ESG deve ser visto como motor do desenvolvimento sustent\u00e1vel, capaz de fortalecer reputa\u00e7\u00e3o, atrair investimentos, mitigar riscos e contribuir para um mundo mais justo.<\/p>\n<p>Essa transforma\u00e7\u00e3o decorre de uma profunda reconfigura\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica global, com mudan\u00e7as substanciais nas rela\u00e7\u00f5es entre governos, empresas e sociedade civil. Novos acordos multilaterais, conflitos e press\u00f5es regulat\u00f3rias internacionais alteram o ambiente de neg\u00f3cios, exigindo postura mais estrat\u00e9gica e adapt\u00e1vel aos desafios globais.<\/p>\n<p>As empresas deixam de ser apenas agentes econ\u00f4micos, tornando-se protagonistas em temas como seguran\u00e7a energ\u00e9tica, \u00e9tica na cadeia de suprimentos, prote\u00e7\u00e3o de dados transnacionais, responsabilidade social ampliada e inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. A t\u00edtulo de exemplo vale citar que, diante da demanda por energias renov\u00e1veis, assunto t\u00e3o importante para o setor dos transportes, corpora\u00e7\u00f5es do setor el\u00e9trico precisam investir em tecnologias limpas e garantir transpar\u00eancia sobre impactos ambientais.<\/p>\n<p>Muitas empresas multinacionais enfrentam o desafio de alinhar pr\u00e1ticas de governan\u00e7a e responsabilidade social a exig\u00eancias regulat\u00f3rias de diferentes pa\u00edses, como a Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados (LGPD), no Brasil, e o General Data Protection Regulation (GDPR), na Uni\u00e3o Europeia. O setor financeiro passou a incorporar crit\u00e9rios ESG na an\u00e1lise de risco, influenciando decis\u00f5es de cr\u00e9dito e investimentos ao considerar impacto social, conformidade \u00e9tica e resist\u00eancia diante de crises geopol\u00edticas.<\/p>\n<p>O ESG 2.0 deve ser visto como uma evolu\u00e7\u00e3o do atual sistema e n\u00e3o uma mera substitui\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas e conceitos. Diferente de uma simples atualiza\u00e7\u00e3o, o ESG 2.0 prop\u00f5e uma integra\u00e7\u00e3o mais profunda e estrat\u00e9gica dos pilares ambiental, social e de governan\u00e7a, ampliando seu escopo para incorporar tamb\u00e9m aspectos econ\u00f4micos, de seguran\u00e7a e de geopol\u00edtica. Essa evolu\u00e7\u00e3o implica que empresas n\u00e3o apenas adotem pr\u00e1ticas respons\u00e1veis, mas as alinhem diretamente aos objetivos estrat\u00e9gicos do neg\u00f3cio, promovendo uma cultura organizacional voltada para a inova\u00e7\u00e3o, a perenidade e a gera\u00e7\u00e3o de valor.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o ESG 2.0 exige a revis\u00e3o constante das pol\u00edticas internas e dos mecanismos de governan\u00e7a, assegurando que as a\u00e7\u00f5es sejam mensur\u00e1veis por meio de m\u00e9tricas cada vez mais precisas e transparentes. O novo modelo demanda o engajamento de todos os agentes na constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es que respondam de maneira \u00e1gil aos desafios contempor\u00e2neos, como mudan\u00e7as regulat\u00f3rias, crises geopol\u00edticas e exig\u00eancias sociais crescentes. Dessa forma, o ESG 2.0 transforma as empresas em protagonistas de temas cruciais como seguran\u00e7a energ\u00e9tica, prote\u00e7\u00e3o de dados, \u00e9tica nas cadeias de suprimentos e inova\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel, fortalecendo sua reputa\u00e7\u00e3o e capacidade de adapta\u00e7\u00e3o diante de um cen\u00e1rio global em constante transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos debates havidos no F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, realizado em Davos, em janeiro deste ano, sob o tema &#8220;A Spirit of Dialogue&#8221; (Um Esp\u00edrito de Di\u00e1logo), o tema ESG foi tratado como um imperativo estrat\u00e9gico e regulat\u00f3rio, para garantir a efici\u00eancia empresarial e impulsionar o crescimento econ\u00f4mico, diante dos atuais riscos geopol\u00edticos e clim\u00e1ticos. O evento marcou uma transi\u00e7\u00e3o do enfoque tradicional de divulga\u00e7\u00e3o \u2013 relat\u00f3rio de conformidades \u2013 para a incorpora\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica de a\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis, elevando-as ao patamar de diferencial competitivo e parte integrante da infraestrutura econ\u00f4mica das organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Assim, a sustentabilidade deixa de ser apenas uma exig\u00eancia de atendimento a padr\u00f5es estabelecidos para se consolidar como base s\u00f3lida na gera\u00e7\u00e3o de valor. A discuss\u00e3o sobre transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, por exemplo, dever\u00e1 ser conduzida de maneira mais estrat\u00e9gica e objetiva, com foco no mercado de energia e na gest\u00e3o efetiva de riscos, em vez de uma abordagem de car\u00e1ter mais ideol\u00f3gico.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-116747 alignleft\" src=\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Foto-Latin-Seminar-232x300.jpg\" alt=\"\" width=\"160\" height=\"207\" srcset=\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Foto-Latin-Seminar-232x300.jpg 232w, https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Foto-Latin-Seminar-792x1024.jpg 792w, https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Foto-Latin-Seminar-768x993.jpg 768w, https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Foto-Latin-Seminar-696x900.jpg 696w, https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Foto-Latin-Seminar-325x420.jpg 325w, https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Foto-Latin-Seminar-600x776.jpg 600w, https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Foto-Latin-Seminar.jpg 981w\" sizes=\"auto, (max-width: 160px) 100vw, 160px\" \/><em>(*) Francisco Christovam \u00e9 diretor-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), vice-presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado de S\u00e3o Paulo (FETPESP) e da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Transportes P\u00fablicos (ANTP), bem como membro do Conselho Diretor da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Transportes (CNT) e do Conselho Deliberativo do Instituto de Engenharia.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><em>*Os artigos publicados com assinatura, n\u00e3o traduzem necessariamente a opini\u00e3o do Instituto de Engenharia. Sua publica\u00e7\u00e3o obedece ao prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo<\/em><br \/>\n<em>Este artigo \u00e9 de exclusiva responsabilidade do autor.<\/em><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Francisco Christovam ESG \u00e9 uma estrutura de avalia\u00e7\u00e3o que impulsiona organiza\u00e7\u00f5es rumo \u00e0 sustentabilidade, em seu sentido mais amplo. A sigla, que significa Ambiental, Social e Governan\u00e7a (Environmental, Social and Governance), surgiu em 2004, por iniciativa da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e do Banco Internacional para Reconstru\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento (BIRD). 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