{"id":14674,"date":"2008-04-10T21:49:10","date_gmt":"2008-04-10T21:49:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/?p=14674"},"modified":"2008-04-22T17:52:49","modified_gmt":"2008-04-22T17:52:49","slug":"nova-tecnologia-de-bombeamento-submarino-podera-dobrar-producao-de-pocos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2008\/04\/10\/nova-tecnologia-de-bombeamento-submarino-podera-dobrar-producao-de-pocos\/","title":{"rendered":"Nova tecnologia de bombeamento submarino poder\u00e1 dobrar produ\u00e7\u00e3o de po\u00e7os"},"content":{"rendered":"<p>Com o petr\u00f3leo rompendo a barreira dos cem d\u00f3lares, as empresas correm contra o tempo para maximizar a extra\u00e7\u00e3o nas reservas existentes. Num quadro de demanda ainda crescente, especialistas calculam que, nos pr\u00f3ximos vinte anos, o petr\u00f3leo ainda estar\u00e1 na base da matriz energ\u00e9tica mundial. Geraldo Spinelli, gerente corporativo de Eleva\u00e7\u00e3o e Escoamento da Petrobras, explica que um dos principais desafios para viabilizar tecnologias que dispensem plataformas submarinas (subsea to shore) \u00e9 desenvolver sistemas de bombeamento suficientemente potentes, assim como encontrar a melhor forma de fazer a separa\u00e7\u00e3o dos fluidos produzidos. <\/p>\n<p>Para aumentar os limites de press\u00e3o necess\u00e1rios \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, a Petrobras est\u00e1 buscando novas tecnologias de bombeamento. Uma destas linhas tecnol\u00f3gicas \u00e9 o bombeamento multif\u00e1sico submarino por bombas volum\u00e9tricas (SBMS-500). Um prot\u00f3tipo desta bomba ser\u00e1 instalado este ano, na plataforma P-20, no campo de Marlim, na Bacia de Campos. <\/p>\n<p>A tecnologia garante a eleva\u00e7\u00e3o artificial e o transporte simult\u00e2neo de \u00f3leo e g\u00e1s, superando uma limita\u00e7\u00e3o das bombas centr\u00edfugas convencionais, que t\u00eam pouca toler\u00e2ncia ao g\u00e1s. O sistema \u00e9 adequado a \u00f3leos pesados, viscosos e que requerem altos incrementos de press\u00e3o para produ\u00e7\u00e3o. Como \u00e9 instalado no leito do mar, o SBMS-500 \u00e9 uma alternativa, tamb\u00e9m, para economizar espa\u00e7o nas plataformas, na produ\u00e7\u00e3o convencional. <\/p>\n<p>Outra linha tecnol\u00f3gica que vem sendo investigada, e que j\u00e1 apresenta resultados promissores, \u00e9 o uso de bombas centr\u00edfugas para a produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo em \u00e1guas profundas. <br \/>\n\u2013 Sistemas de bombeamento centr\u00edfugo submerso (BCS) n\u00e3o s\u00e3o novos e t\u00eam sido largamente empregados dentro de po\u00e7os de completa\u00e7\u00e3o seca, no mar e em terra, onde s\u00e3o muito efetivos. Nestes casos, seu custo de substitui\u00e7\u00e3o \u00e9 considerado barato na ind\u00fastria. Mas uma bomba defeituosa no fundo de um po\u00e7o com completa\u00e7\u00e3o molhada pode ser um problema log\u00edstico e de produ\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m dos custos de substitui\u00e7\u00e3o da bomba, a depend\u00eancia de recursos, como sonda mar\u00edtima, que nem sempre est\u00e3o prontamente dispon\u00edveis, podem significar a paralisa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. O desafio \u00e9 aumentar a confiabilidade destas bombas, e buscar arranjos alternativos que facilitem a interven\u00e7\u00e3o quando elas falham, como instalar as bombas em alojadores no leito marinho ao inv\u00e9s do po\u00e7o produtor \u2013 disse. <\/p>\n<p>A Petrobras j\u00e1 discute a utiliza\u00e7\u00e3o de bombas centr\u00edfugas submersas em po\u00e7os de completa\u00e7\u00e3o molhada (BCSS) desde o in\u00edcio da d\u00e9cada passada, paralelamente ao crescimento da explora\u00e7\u00e3o da Companhia em \u00e1guas profundas. Desde ent\u00e3o, a Petrobras vem realizando parcerias com empresas fabricantes de sistemas de BCS e de equipamentos submarinos para desenvolver sistemas. <\/p>\n<p>\u00c1GUAS PROFUNDAS <br \/>\nO primeiro teste de BCS instalado dentro de po\u00e7o com completa\u00e7\u00e3o molhada foi realizado em \u00e1guas rasas no campo de Carapeba, na Bacia de Campos, em meados dos anos noventa. Com resultados positivos, o pr\u00f3ximo passo foi testar a tecnologia no campo de Albacora, em \u00e1guas profundas, na mesma bacia. <br \/>\n\u2013 Investimos muito em planejamento e testes para garantir que a ESP tivesse a maior vida \u00fatil poss\u00edvel, o que de fato ocorreu. Fechamos o po\u00e7o depois de tr\u00eas anos devido mais a restri\u00e7\u00f5es do reservat\u00f3rio do que problemas com a bomba \u2013 analisou. <br \/>\nprimeira aplica\u00e7\u00e3o da tecnologia fora de um po\u00e7o produtor ocorreu num sistema de separa\u00e7\u00e3o g\u00e1s-l\u00edquido e bombeamento conhecido como VASPS, desenvolvido numa parceria entre a Petrobras, a Eni-Agip e a ExxonMobil. O prot\u00f3tipo foi instalado no campo de Marimb\u00e1, a uma profundidade de 395 metros. Nessa aplica\u00e7\u00e3o, o fluxo l\u00edquido era separado do g\u00e1s e bombeado atrav\u00e9s da BCSS para a plataforma. Isto impulsionou a produ\u00e7\u00e3o para aproximadamente 1.000 m\u00b3\/d \u2013 em compara\u00e7\u00e3o com os 800 m\u00b3\/d obtidos com a eleva\u00e7\u00e3o artificial de petr\u00f3leo com aux\u00edlio de g\u00e1s (gas lift). <\/p>\n<p>A partir de 2000, a Petrobras encarou novos desafios para explora\u00e7\u00e3o de reservas em \u00e1guas profundas e ultra-profundas, constitu\u00eddas de \u00f3leo pesado (17\u00ba API ou menos). Em raz\u00e3o disso, e pelo interesse do Brasil em alcan\u00e7ar e manter a auto-sufici\u00eancia em petr\u00f3leo, foi lan\u00e7ado o Programa de Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica para Produ\u00e7\u00e3o de \u00d3leos Pesados em \u00c1guas Profundas (PROPES). O PROPES direcionou muito de seu esfor\u00e7o de pesquisa para o desenvolvimento de tecnologia BCSS. <\/p>\n<p>\u2013 Com a experi\u00eancia adquirida em po\u00e7os com \u00f3leos leves, imaginamos que a tecnologia poderia ser economicamente competitiva comparada ao gas lift, que era nosso m\u00e9todo usual nesses casos. De fato, em po\u00e7os de alta produtividade com \u00f3leo pesado, verificamos que as taxas de vaz\u00e3o das bombas centr\u00edfugas eram bem superiores \u00e0s conseguidas com o gas lift. <\/p>\n<p>MAIS ENERGIA <br \/>\nDe acordo com a empresa, os testes com a nova tecnologia chegam a apontar para vaz\u00f5es maiores que 3,000 m\u00b3\/d de oleo viscoso (17\u00ba API) , em sistemas aptos a operar em profundidades de at\u00e9 2.500 m. As bombas desenvolvidas para testes em \u00e1guas profundas diferem das vers\u00f5es para \u00e1guas rasas pelas maiores necessidades de pot\u00eancia. <\/p>\n<p>\u2013 A pot\u00eancia necess\u00e1ria \u00e9 diretamente proporcional \u00e0 altura de eleva\u00e7\u00e3o do \u00f3leo. \u00c1guas mais profundas necessitam de mais energia \u2013 explicou Spinelli. <br \/>\nOs equipamentos para estes cen\u00e1rios desafiadores tamb\u00e9m merecem cuidados especiais, que buscam garantir um longo per\u00edodo de opera\u00e7\u00e3o sem falhas. Com isso, a Petrobras espera aumentar a vida \u00fatil das bombas para at\u00e9 quatro anos \u2013 hoje a dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de uma BCS oscila entre dois a tr\u00eas anos. <\/p>\n<p>\u2013 Antes de instalar uma bomba em po\u00e7os de completa\u00e7\u00e3o molhada, realizamos uma s\u00e9rie de testes adicionais de integra\u00e7\u00e3o, na parte el\u00e9trica e de vibra\u00e7\u00f5es. Em maio de 2007, ultrapassamos pela primeira vez a casa dos mil HP de pot\u00eancia, com a instala\u00e7\u00e3o no campo de Jubarte (\u00f3leo pesado), na Bacia de Campos, de uma bomba Baker Centrilift de 1.200 HP. A bomba t\u00eam trabalhado continuamente numa profundidade pr\u00f3xima de 2.300 m, dentro do po\u00e7o JUB-6 \u2013 disse. <br \/>\nA expectativa m\u00e1xima de produ\u00e7\u00e3o com o sistema de eleva\u00e7\u00e3o por g\u00e1s era de 10,000 B\/D. Com a nova tecnologia, atingiu a marca de 24,000 B\/D \u2013 um acr\u00e9scimo de 140%. <\/p>\n<p>Uma outra BCSS de 1.200 HP, fornecida pela Schlumberger-REDA, foi instalada num alojador no leito marinho, na linha de produ\u00e7\u00e3o do po\u00e7o JUB-2, a uma profundidade de 1.300 m. O equipamento est\u00e1 previsto para iniciar sua opera\u00e7\u00e3o no primeiro semestre de 2008. Com este conceito inovador, no caso de uma falha da bomba, os custos de interven\u00e7\u00e3o s\u00e3o substancialmente reduzidos. <\/p>\n<p>RESULTADOS CONCRETOS E NOVAS PERSPECTIVAS <br \/>\nAl\u00e9m dos prot\u00f3tipos em Jubarte, no campo de Golfinho, a Petrobras instalou tr\u00eas bombas centr\u00edfugas de 1.500 HP em alojadores no leito marinho, a quase 1.400 m. Duas destas bombas, alimentadas por 4 kV de tens\u00e3o, j\u00e1 est\u00e3o funcionando com excelentes resultados desde o final de 2007. A terceira bomba entrar\u00e1 em funcionamento ainda em 2008. <\/p>\n<p>\u2013 Instalando as bombas no leito marinho, ao inv\u00e9s de coloc\u00e1-las no fundo de po\u00e7os, conseguimos reduzir bastante os custos de interven\u00e7\u00e3o e as perdas de produ\u00e7\u00e3o associadas. Al\u00e9m do conceito da bomba colocada em um alojador no leito marinho, estamos desenvolvendo uma alternativa na qual a BCS \u00e9 instalada numa estrutura de suporte tamb\u00e9m no leito do mar \u2013 detalhou. Agora, buscamos numa segunda fase do projeto alternativas para instala\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o destas BCS localizadas no fundo do mar por meio de cabo e de embarca\u00e7\u00f5es mais simples, sem a utiliza\u00e7\u00e3o de sondas mar\u00edtimas, que al\u00e9m de apresentar altos custos, atualmente s\u00e3o um recurso extremamente cr\u00edtico e escasso no mercado. <\/p>\n<p>Outras iniciativas para expandir os limites da tecnologia est\u00e3o em curso, incluindo uma bomba de 2.000 HP, alimentada por 7 kV de tens\u00e3o no campo de Marlim Leste, na Bacia de Campos. Aumentando a capacidade de pot\u00eancia e tens\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel bombear a produ\u00e7\u00e3o em po\u00e7os cada vez mais distantes da plataforma. Segundo Spinelli, a Petrobras est\u00e1 otimista com os resultados alcan\u00e7ados, mas tamb\u00e9m ciente de que todos estes avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos est\u00e3o em seus prim\u00f3rdios. <\/p>\n<p>\u2013 H\u00e1 v\u00e1rios aspectos que precisam ser examinados com cautela nos pr\u00f3ximos anos, mas os resultados iniciais s\u00e3o encorajadores. <\/p>\n<p><b>Autor: Site do Clube de Engenharia<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o petr\u00f3leo rompendo a barreira dos cem d\u00f3lares, as empresas correm contra o tempo para maximizar a extra\u00e7\u00e3o nas reservas existentes. Num quadro de demanda ainda crescente, especialistas calculam que, nos pr\u00f3ximos vinte anos, o petr\u00f3leo ainda estar\u00e1 na base da matriz energ\u00e9tica mundial. 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