{"id":113434,"date":"2023-10-09T15:54:50","date_gmt":"2023-10-09T18:54:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/?p=113434"},"modified":"2023-10-13T14:16:49","modified_gmt":"2023-10-13T17:16:49","slug":"porto-do-acu-mira-descarbonizacao-do-setor-maritimo-ofertas-de-minerio-de-ferro-e-fertilizantes-processados-com-h2v","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2023\/10\/09\/porto-do-acu-mira-descarbonizacao-do-setor-maritimo-ofertas-de-minerio-de-ferro-e-fertilizantes-processados-com-h2v\/","title":{"rendered":"Porto do A\u00e7u mira descarboniza\u00e7\u00e3o do setor mar\u00edtimo, ofertas de min\u00e9rio de ferro e fertilizantes processados com H2V"},"content":{"rendered":"<p>Um dos principais hubs de hidrog\u00eanio do Brasil, o Porto do A\u00e7u, no Rio de Janeiro, tem projetos estrat\u00e9gicos direcionados \u00e0 maximiza\u00e7\u00e3o do insumo junto \u00e0s cadeias \u2013 nacionais e internacionais &#8211; que necessitam trabalhar seus processos de descaborniza\u00e7\u00e3o ou suas transi\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas de baixo carbono.<\/p>\n<p>Uma dessas cadeias est\u00e1 nos chamados corredores verdes entre portos. \u201cNosso objetivo com a consolida\u00e7\u00e3o dos corredores verdes \u00e9 n\u00e3o apenas atender a demanda de combust\u00edveis mar\u00edtimos de baixo carbono entre portos, mas tamb\u00e9m exportar min\u00e9rio de ferro beneficiado a partir do hidrog\u00eanio verde\u201d, diz Eduardo Ferreira Kantz, Diretor do Porto de A\u00e7u (RJ).<\/p>\n<p>Em entrevista ao Instituto de Engenharia, Kantz destaca a possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o do H2V na produ\u00e7\u00e3o de am\u00f4nia verde voltada a fertilizantes direcionadas ao setor agr\u00edcola brasileiro.<\/p>\n<p>Outros pontos destacados pelo executivo para a constru\u00e7\u00e3o do mercado brasileiro de hidrog\u00eanio verde passam pela necessidade de constru\u00e7\u00e3o de um marco legal ao setor, est\u00edmulo \u00e0 demanda e uma tributa\u00e7\u00e3o diferenciada.<\/p>\n<p>Confira abaixo os principais destaques da entrevista:<\/p>\n<p><strong>O PORTF\u00d3LIO DE A\u00c7\u00d5ES COM FOCO NA TRANSI\u00c7\u00c3O ENERG\u00c9TICA CONCENTRA-SE EM: ETANOL, BIODIESEL, BIOG\u00c1S, BIOMETANO, E\u00d3LICA E SOLAR, G\u00c1S NATURAL, EL\u00c9TRICOS, DIESEL VERDE E HIDROG\u00caNIO. EM MEIO A TANTAS OP\u00c7\u00d5ES, COMO O PORTO DO A\u00c7U DEFINE SUAS ESTRAT\u00c9GIAS?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EDUARDO FERREIRA KANTZ<\/strong> \u2013 Sobre esta multiplicidade de alternativas de energias renov\u00e1veis e novas energias, o Brasil tem uma caracter\u00edstica \u00fanica em sua matriz energ\u00e9tica \u2013 e el\u00e9trica, principalmente -, tanto que, no ano passado fechou com mais de 90% de sua matriz baseada em fontes renov\u00e1veis. O que o Brasil j\u00e1 tem hoje \u00e9 o que muitos pa\u00edses querem alcan\u00e7ar em 2030, 2040 qui\u00e7\u00e1 2050.<\/p>\n<p>O nosso desafio do ponto de vista de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases do efeito estufa \u00e9 muito distinto da maioria dos demais pa\u00edses. O desafio do Brasil, neste aspecto, e isso \u00e9 muito importante, est\u00e1 associado \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do desmatamento, quest\u00f5es associadas a agropecu\u00e1ria, redu\u00e7\u00e3o de metano e na maioria dos planos de NETZero, de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Os diversos pa\u00edses est\u00e3o ancorados em cima de uma mudan\u00e7a da matriz energ\u00e9tica e isso traz ao Brasil uma oportunidade muito grande, porque foi bem colocado, o Brasil tem um leque de alternativas, muitas delas j\u00e1 implementadas, outras em constru\u00e7\u00e3o. O biodiesel j\u00e1 \u00e9 uma realidade, por exemplo, a e\u00f3lica, a solar, nossa matriz hidrel\u00e9trica &#8211; \u00e9 historicamente eficiente -, ou seja, essa diversidade de fontes de energias renov\u00e1veis nos traz uma op\u00e7\u00e3o capaz de sermos protagonistas da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/p>\n<p><strong>E O PORTO DO A\u00c7U EM MEIO A TUDO ISSO?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EDUARDO FERREIRA KANTZ<\/strong> \u2013 Nossa percep\u00e7\u00e3o parte de uma vis\u00e3o de como podemos ser uma infraestrutura essencial e um modelo que conecta diferentes setores da economia em um \u00fanico territ\u00f3rio. N\u00f3s podemos nos beneficiar dessa sinergia para contribuir e ajudar setores que precisam fazer essa transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, de uma maneira mais longa (em longo prazo), que s\u00e3o os setores de dif\u00edcil descarboniza\u00e7\u00e3o. No caso, o hidrog\u00eanio \u00e9 um dos elementos que entra nessa equa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>NO MOMENTO DESTA ENTREVISTA, O GOVERNO FEDERAL ANUNCIA O PROJETO \u2018COMBUST\u00cdVEIS DO FUTURO\u2019, E, NELE, AS MEN\u00c7\u00d5ES AO HIDROG\u00caNIO, OU S\u00c3O POUCAS E QUANDO H\u00c1, NEGATIVAS.<\/strong><\/p>\n<p><strong>EDUARDO FERREIRA KANTZ<\/strong> \u2013 O desafio, n\u00e3o apenas do Brasil, mas do mundo \u2013 nessa agenda do hidrog\u00eanio \u2013 \u00e9 uma corrida de redu\u00e7\u00e3o de custos. Novamente, o importante \u00e9 que temos hoje uma oportunidade a qual est\u00e1 condicionada \u2013 dentro de uma matriz majoritariamente el\u00e9trica e acima de 90% renov\u00e1vel \u2013 a inser\u00e7\u00e3o do hidrog\u00eanio e essa inser\u00e7\u00e3o a esse contexto se prende muito pela necessidade de redu\u00e7\u00e3o de custos.<\/p>\n<p>O custo da energia representa grande parte do custo dos investimentos destinados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do hidrog\u00eanio. O ponto mais relevante a ser colocado hoje \u00e9 que o Brasil tem uma grande oportunidade com a agenda do hidrog\u00eanio, est\u00e1 muito bem posicionado, tem vantagens competitivas enormes em fun\u00e7\u00e3o de suas caracter\u00edsticas geogr\u00e1ficas e tudo o que temos.<\/p>\n<p>Me preocupa apenas uma quest\u00e3o: que o potencial que temos se converta em realidade. Temos um certo aspecto de urg\u00eancia a iniciativas que de fato possam liderar e preencher esse gap. Se temos todas as caracter\u00edsticas b\u00e1sicas e essenciais (e naturais) para liderar esse mercado global de hidrog\u00eanio, passa-se a mensagem de que voc\u00ea n\u00e3o precisa fazer nada, que talvez a estrutura\u00e7\u00e3o interna do mercado de hidrog\u00eanio v\u00e1 acontecer naturalmente e essa \u00e9 uma mensagem equivocada diante e mediante a tudo o que a gente precisa avan\u00e7ar, ainda.<\/p>\n<p><strong>EM QUE SE PRECISA AVAN\u00c7AR?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EDUARDO FERREIRA KANTZ<\/strong> \u2013 Precisamos avan\u00e7ar na quest\u00e3o de um marco legal para que possamos ancorar investimentos do setor privado, em especial e apenas para enumerar um dos desafios que temos no caminho. \u00c9 importante que possamos avan\u00e7ar em um marco legal de hidrog\u00eanio no Brasil.<\/p>\n<p>Vou dar um exemplo: assim como precisamos de um marco legal para as e\u00f3licas offshore, que tamb\u00e9m tem um papel importante na disponibilidade de energia renov\u00e1vel em larga escala \u2013 requerida para a produ\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio \u2013 e esse seria o pontap\u00e9 inicial.<\/p>\n<p>\u00c9 importante que esse marco legal avance. J\u00e1 temos coisas muitos importantes acontecendo, como o Plano Nacional do Hidrog\u00eanio, recentemente lan\u00e7ado e que evoca um plano trienal e se configura como um dos marcos importantes, mas um marco legal \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>\u00c9 importante entender que na quest\u00e3o do hidrog\u00eanio n\u00f3s n\u00e3o competimos hoje entre n\u00f3s mesmos. O Porto do A\u00e7u n\u00e3o compete com o Porto do Pec\u00e9m e o projeto nacional de hidrog\u00eanio, seja a localidade em que estiver inserido, compete com o mundo. \u00c9 uma competi\u00e7\u00e3o por capital e o capital vai atr\u00e1s daquele local que representa e apresenta condi\u00e7\u00f5es seguras de investimento, de um ambiente de neg\u00f3cios atrativo, financiamento adequado. Esse \u00e9 outro aspecto importante. Isso ajuda a entender um pouco o panorama que devemos trilhar.<\/p>\n<p><strong>O GOVERNO DOS EUA E OS DA EUROPA OPERAM PESADAMENTE COM BASE EM SUBS\u00cdDIOS NAS ESTRUTURA\u00c7\u00d5ES DE SEUS PROJETOS DE HIDROG\u00caNIO. SUBS\u00cdDIO CABE NO BRASIL?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EDUARDO FERREIRA KANTZ<\/strong> \u2013 Para a realidade brasileira, subs\u00eddio \u00e9 encarado sempre como uma palavra demonizada. Os Estados Unidos sa\u00edram na frente do mercado de hidrog\u00eanio com planos e projetos pautados por subs\u00eddios fort\u00edssimos. No caso norte-americano, eles s\u00e3o e foram muito objetivos na cria\u00e7\u00e3o dessa estrat\u00e9gia do hidrog\u00eanio.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos querem, em uma d\u00e9cada, que um quilo de hidrog\u00eanio custe US$ 1. Qualquer um consegue explicar essa estrat\u00e9gia. Ou seja, uma estrat\u00e9gia clara, aliada a um marco legal, seguran\u00e7a jur\u00eddica, clareza ao investidor, \u00e0s empresas, ao setor privado e incentivos \u00e0 produ\u00e7\u00e3o. Sem d\u00favida que o Brasil n\u00e3o est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de conceder subs\u00eddios tais quais os Estados Unidos, mas precisamos encontrar mecanismos em que se incentive a inser\u00e7\u00e3o do hidrog\u00eanio no nosso ambiente.<\/p>\n<p><strong>EST\u00c1 EM CURSO UMA REFORMA TRIBUT\u00c1RIA QUE PREMIA UM IMPOSTO SELETIVO. O HIDROG\u00caNIO PODERIA TER NISSO UM \u2018SUBS\u00cdDIO\u201d?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EDUARDO FERREIRA KANTZ<\/strong> \u2013 Sem d\u00favida que, no ambiente que estamos tendo, de constru\u00e7\u00e3o dessa reforma tribut\u00e1ria, ter no hidrog\u00eanio uma condi\u00e7\u00e3o diferenciada em termos de tributa\u00e7\u00e3o, ou a utiliza\u00e7\u00e3o de mecanismos j\u00e1 previstos em setores como energia el\u00e9trica, \u00f3leo e g\u00e1s, minerais de projetos de P&amp;D, que possam ser direcionados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio, seria uma maneira de incentivar esse mercado.<\/p>\n<p>Eu acho tamb\u00e9m que \u00e9 preciso trabalhar a perspectiva da demanda. A quest\u00e3o do hidrog\u00eanio fica muito centrada na oferta, na produ\u00e7\u00e3o e quanto vamos disponibilizar de hidrog\u00eanio em abund\u00e2ncia no mercado. Precisamos, isto sim, trabalhar e incentivar o lado da demanda. Quem vai consumir esse hidrog\u00eanio e porque esse setor teria um incentivo em fazer essa migra\u00e7\u00e3o. Essas, na minha vis\u00e3o, s\u00e3o a\u00e7\u00f5es que precisam ser feitas no Brasil.<\/p>\n<p><strong>VOC\u00ca DESTACA A QUEST\u00c3O FINANCIAMENTO. QUAL O PAPEL DO BNDES E BNB QUE EST\u00c3O BASTANTE ATIVOS NA QUEST\u00c3O HIDROG\u00caNIO E COMO ISSO PODE APOIAR A DEMANDA.<\/strong><\/p>\n<p><strong>EDUARDO FERREIRA KANTZ<\/strong> \u2013 Precisamos olhar para determinados setores em que o incentivo \u00e0 convers\u00e3o de suas matrizes baseadas em combust\u00edveis f\u00f3sseis para o hidrog\u00eanio valha a pena e tenha peso ao contexto. Essa convers\u00e3o, essa decis\u00e3o, ela precisa ser premiada. Acreditamos muito na utiliza\u00e7\u00e3o do hidrog\u00eanio como vetor de descarboniza\u00e7\u00e3o de setores da economia e da ind\u00fastria no Brasil. A quest\u00e3o da exporta\u00e7\u00e3o do hidrog\u00eanio pode ser um incremento a esse papel principal que o hidrog\u00eanio teria na industrializa\u00e7\u00e3o do Brasil, uma industrializa\u00e7\u00e3o pautada pelo baixo carbono.<\/p>\n<p><strong>QUAIS SERIAM ENT\u00c3O ESSES SETORES FOCO?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EDUARDO FERREIRA KANTZ \u2013<\/strong> Vou dar um exemplo. O Brasil hoje \u00e9 um pa\u00eds exportador de alimentos, mas que importa mais de 90% dos fertilizantes nitrogenados que consome para sua produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. A condu\u00e7\u00e3o de fertilizantes de baixo carbono a partir do hidrog\u00eanio me parece uma pol\u00edtica correta no sentido de incentivo. Agora precisa ter um incentivo para que aquele que consome o fertilizante na ponta, onde est\u00e1 a demanda, de fato tenha, nessa primeira largada, incentivo. Feito isso, viabiliza-se a produ\u00e7\u00e3o de am\u00f4nia e mais importante, am\u00f4nia verde, que redundar\u00e1 em fertilizante verde. Essa deveria ser a nossa produ\u00e7\u00e3o, calcada exatamente a partir do hidrog\u00eanio, e mais, para atender ao mercado brasileiro. Esse \u00e9 um exemplo claro de como a gente acaba perdendo mais uma oportunidade, tendo um mercado interno bastante redundante e ativo no Brasil.<\/p>\n<p><strong>AO MESMO TEMPO MINIMIZANDO A DEPEND\u00caNCIA EXTERNA DO INSUMO?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EDUARDO FERREIRA KANTZ \u2013 <\/strong>A quest\u00e3o do fertilizante \u00e9 estrat\u00e9gica. Todos vimos o que aconteceu com a guerra na Ucr\u00e2nia e a ruptura de cadeias globais. Estar alicer\u00e7ado em 90% de importa\u00e7\u00e3o de um insumo essencial para sua ind\u00fastria \u00e9 sens\u00edvel. O Plano Nacional de Fertilizantes vai na dire\u00e7\u00e3o de incentivar a constru\u00e7\u00e3o de plantas de am\u00f4nia verde para atender ao mercado brasileiro, mas \u00e9 importante que isso se reflita, tamb\u00e9m, em uma tributa\u00e7\u00e3o diferenciada. Voc\u00ea n\u00e3o pode tributar um produto que j\u00e1 na largada ser\u00e1 mais caro, ou tribut\u00e1-lo como se tributa um combust\u00edvel f\u00f3ssil. Desse jeito n\u00e3o vai funcionar.<\/p>\n<p><strong>H\u00c1 EXEMPLOS DE PRODUTOS BRASILEIROS QUE HISTORICAMENTE ERAM MAIS CAROS AQUI QUE NO EXTERIOR, COMO A SOJA. O POTENCIAL GERADOR, PRODUTOR, DE DISTRIBUI\u00c7\u00c3O E CONSUMO DO HIDROG\u00caNIO PODEM SEGUIR O MESMO CAMINHO?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EDUARDO FERREIRA KANTZ \u2013 <\/strong>Eu acredito que o Brasil tenha condi\u00e7\u00f5es de chegar a pre\u00e7os de hidrog\u00eanio muito competitivos sim. Temos um patamar de competitividade (global) de hidrog\u00eanio muito bom. Como eu disse: os EUA querem atingir 1k\/US$ 1 em uma d\u00e9cada. O Brasil tem condi\u00e7\u00f5es de chegar a isso? Tem, mas temos um caminho a percorrer, seja na estrutura\u00e7\u00e3o dos pontos j\u00e1 citados, seja na redu\u00e7\u00e3o de custos para quem entra nesse mercado. Quem entra (nesse mercado) deveria ter um pr\u00eamio, por estar tomando o risco de entrar e apostar numa matriz verde. A quest\u00e3o da tributa\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental e no \u00e2mbito da reforma tribut\u00e1ria, na linha em que est\u00e1 indo, deve-se ter essa sensibilidade \u2013 para iniciativas que privilegiem e prestigiem pol\u00edticas de baixo carbono.<\/p>\n<p>E precisamos pensar menos na produ\u00e7\u00e3o e mais na demanda. Vou produzir hidrog\u00eanio para o consumo de quem? Esse consumo, em minha vis\u00e3o, \u00e9 que precisa ter o mesmo tipo de dedica\u00e7\u00e3o para que essa equa\u00e7\u00e3o se feche. A ideia de que eu vou produzir hidrog\u00eanio e aqui temos outra perspectiva. Vou produzir hidrog\u00eanio no Brasil para exporta\u00e7\u00e3o e por quest\u00f5es f\u00edsicas &#8211; e a engenharia poder\u00e1 ajudar bastante &#8211; eu preciso transformar esse hidrog\u00eanio em uma am\u00f4nia, por exemplo, e, em todo esse processo, perde-se energia e coloca-se em um navio. A perspectiva apenas da exporta\u00e7\u00e3o abre o risco, digamos de uma pesada competi\u00e7\u00e3o internacional. Vai se enfrentar uma Austr\u00e1lia, Estados Unidos, China, que j\u00e1 est\u00e3o caminhando para pre\u00e7os bem competitivos e, portanto, essa \u00e9 a perspectiva internacional \u2013 de forte concorr\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>AL\u00c9M DE FERTILIZANTES, A\u00c7O VERDE SERIA UM CAMINHO PARA O CONTEXTO DA DEMANDA? O SETOR AUTOMOTIVO TAMB\u00c9M FALA EM \u00d4NIBUS, CAMINH\u00d5ES A HIDROG\u00caNIO.<\/strong><\/p>\n<p><strong>EDUARDO FERREIRA KANTZ \u2013 <\/strong>O Porto do A\u00e7u se credencia a abastecer os setores de fertilizantes, a\u00e7o de baixo carbono e transportes. Aqui, eu destacaria o transporte mar\u00edtimo. Lembre-se que 90% de toda a movimenta\u00e7\u00e3o de cargas no mundo corre em cima de navios, mas o setor mar\u00edtimo, sozinho, responde por 8% das emiss\u00f5es de gases do efeito estufa. \u00c9 um setor de dif\u00edcil descarboniza\u00e7\u00e3o, tanto que o combust\u00edvel mar\u00edtimo, falando em termos de am\u00f4nia, etanol, como substitutos dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, \u00e9 um mercado muito promissor.<\/p>\n<p>Temos rotas importantes de navega\u00e7\u00e3o abastecidas com combust\u00edveis f\u00f3sseis que permitiriam imaginar pontos de abastecimento, tal qual \u00e9 feito nos transportes terrestres, para o transporte mar\u00edtimo, naquilo que est\u00e1 se denominando como corredores verdes. Esses corredores s\u00e3o exatamente liga\u00e7\u00f5es entre portos em que h\u00e1 a disponibilidade de combust\u00edveis mar\u00edtimos de baixo carbono.<\/p>\n<p><strong>PEC\u00c9M DESTACA O CORREDOR VERDE COM ROTERD\u00c3. ESSE \u00c9 UM EXEMPLO DO QUE MENCIONOU?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EDUARDO FERREIRA KANTZ \u2013 <\/strong>Sim, esse \u00e9 um exemplo. No caso do Porto do A\u00e7u temos rotas muito semelhantes \u00e0 de Pec\u00e9m-Roterd\u00e3, mas com a \u00c1sia. O Porto do A\u00e7u tem um papel relevante na exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo cru \u2013 40% do petr\u00f3leo brasileiro exportado ao exterior sai pelo Porto do A\u00e7u -, e tem como destino majorit\u00e1rio o mercado asi\u00e1tico. Isso tamb\u00e9m \u00e9 v\u00e1lido para o min\u00e9rio de ferro, onde temos um volume significativamente grande com destino \u00e0 \u00c1sia. Essa rota \u2013 mercado asi\u00e1tico \u2013 e tamb\u00e9m a descarboniza\u00e7\u00e3o dos setores de \u00f3leo e g\u00e1s \u2013 uma ind\u00fastria que est\u00e1 fazendo sua transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica de uma maneira robusta -, \u00e9 outro setor que ser\u00e1 no A\u00e7u um ponto importante de demanda e de transporte mar\u00edtimo via corredores verdes.<\/p>\n<p><strong>\u00c1SIA \u00c9 MERCADO, MAS A CHINA \u00c9 UM DOS PA\u00cdSES QUE MAIS PRECISA DO CONTEXTO DA DESCARBONIZA\u00c7\u00c3O. ELA \u00c9 FOCO NO CASO DO HIDROG\u00caNIO?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EDUARDO FERREIRA KANTZ \u2013 <\/strong>Nosso objetivo com a consolida\u00e7\u00e3o dos corredores verdes \u00e9 n\u00e3o apenas atender a demanda de combust\u00edveis mar\u00edtimos de baixo carbono entre portos, mas tamb\u00e9m n\u00e3o queremos ser meros exportadores de am\u00f4nia ou combust\u00edvel de baixo carbono, que seja, mas \u00e9 poss\u00edvel exportar min\u00e9rio de ferro beneficiado a partir do hidrog\u00eanio. Esse tipo de produto, de maior valor agregado e beneficiado com hidrog\u00eanio \u00e9 que vai encontrar no mercado asi\u00e1tico e demais mercados globais uma demanda potencial associada \u00e0s necessidades (desses mercados) em trabalhar seus processos de descarboniza\u00e7\u00e3o e metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es \u2013 notadamente na siderurgia.<\/p>\n<p><strong>O SETOR AUTOMOTIVO TAMB\u00c9M TRABALHA NA QUEST\u00c3O DE PRODUZIR BENS DE MAIOR VALOR AGREGADO, TAL QUAL DESTACADO POR VOC\u00ca.<\/strong><\/p>\n<p><strong>EDUARDO FERREIRA KANTZ \u2013 <\/strong>Isso \u00e9 uma realidade e concorre positivamente a todo o contexto que estamos falando. Se valer de nossa energia renov\u00e1vel abundante, a pre\u00e7o competitivo, para gerar valor agregado a commodities diversas que produzimos e exportamos \u00e9 um caminho muito positivo. H\u00e1 como se agregar valor a essas commodities e atingir melhores pre\u00e7os e mais mercados l\u00e1 fora, como tamb\u00e9m desenvolver o mercado local de novos consumidores de hidrog\u00eanio verde.<\/p>\n<p><strong>EM QUE STATUS EST\u00c1 O PORTO DO A\u00c7\u00da HOJE?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EDUARDO FERREIRA KANTZ \u2013 <\/strong>Estamos localizados no Rio de Janeiro, temos hoje um papel relevante no mercado de petr\u00f3leo: 40% das exporta\u00e7\u00f5es passam por aqui. Somos um importante hub de g\u00e1s natural: geramos energia equivalente ao consumo residencial de 14 milh\u00f5es de consumidores (3 MW partindo do g\u00e1s natural). Tamb\u00e9m temos um papel muito relevante no segmento de min\u00e9rio de ferro. No contexto da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e a partir dessa infraestrutura j\u00e1 existente notamos uma grande oportunidade de agregar maior valor aos insumos j\u00e1 citados. O hidrog\u00eanio desempenha um papel essencial nessa trajet\u00f3ria na medida em que permite fazer esse papel catalizador desses insumos, gerando industrializa\u00e7\u00e3o no Brasil e maior valor agregado das exporta\u00e7\u00f5es que temos.<\/p>\n<p><strong>A FONTE DE ABASTECIMENTO AO HIDROG\u00caNIO VERDE VIRIA DA E\u00d3LICA OFFSHORE?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EDUARDO FERREIRA KANTZ \u2013 <\/strong>Temos uma planta solar \u2013 em nossa retro\u00e1rea dedicada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio -, e, principalmente a e\u00f3lica offshore. O Porto do A\u00e7u est\u00e1 localizado em uma das tr\u00eas maiores \u00e1reas de ventos offshore do Brasil e a e\u00f3lica offshore \u00e9 um casamento bastante simbi\u00f3tico entre e\u00f3lica e porto. Uma boa parte do custo de investimento de um projeto de e\u00f3lica offshore deriva ou est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 sua capacidade portu\u00e1ria, de fazer uma log\u00edstica muito eficiente, tanto na implanta\u00e7\u00e3o quanto na opera\u00e7\u00e3o. Essa infraestrutura j\u00e1 existente no A\u00e7u e que atende de forma eficiente ao setor de \u00f3leo e g\u00e1s vai ser decisiva para que a e\u00f3lica se insira de forma satisfat\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS. O QUE PRECISA PARA ORDENAR O MERCADO?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EDUARDO FERREIRA KANTZ \u2013 <\/strong>Avan\u00e7o do marco legal, est\u00edmulo \u00e0 demanda, tributa\u00e7\u00e3o diferenciada, agilidade, n\u00e3o apenas ao contexto do marco legal, mas da estrat\u00e9gia. O Brasil precisa ser bastante assertivo, tal qual os Estados Unidos, de onde ele quer chegar no \u00e2mbito e no contexto do hidrog\u00eanio verde, principalmente focado em sua ind\u00fastria.<\/p>\n<p><strong>QUEM \u00c9 EDUARDO FERREIRA KANTZ<\/strong><\/p>\n<p><em>Atual Diretor de Sustentabilidade e Rela\u00e7\u00f5es Institucionais da Prumo, Eduardo Kantz foi Diretor de Sustentabilidade da Porto do A\u00e7u, afiliada do Grupo. Com mais de 15 anos de atua\u00e7\u00e3o nos setores de energia, \u00f3leo e g\u00e1s e infraestrutura, Kantz trabalhou por 7 anos na Eneva, ocupando posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a nas \u00e1reas jur\u00eddica, regulat\u00f3ria e de sustentabilidade. Anteriormente, atuou no Grupo Michelin e em escrit\u00f3rio de advocacia. \u00c9 professor-convidado dos cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da FGV e do Centro de Estudos Jur\u00eddicos da Procuradoria do Estado do Rio de Janeiro. Ocupa a posi\u00e7\u00e3o de Chairperson do Comit\u00ea de Sustentabilidade da C\u00e2mara Americana de Com\u00e9rcio. Graduado em Direito pela PUC-Rio, possui p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Direito Ambiental pela PUC-Rio e em Direito Empresarial pela FGV.<\/em><\/p>\n<p><em>*Entrevista realizada por Fernando Bortolin<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos principais hubs de hidrog\u00eanio do Brasil, o Porto do A\u00e7u, no Rio de Janeiro, tem projetos estrat\u00e9gicos direcionados \u00e0 maximiza\u00e7\u00e3o do insumo junto \u00e0s cadeias \u2013 nacionais e internacionais &#8211; que necessitam trabalhar seus processos de descaborniza\u00e7\u00e3o ou suas transi\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas de baixo carbono. 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