{"id":101810,"date":"2023-01-18T11:01:17","date_gmt":"2023-01-18T14:01:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/?p=101810"},"modified":"2023-01-18T14:33:56","modified_gmt":"2023-01-18T17:33:56","slug":"por-francisco-christovam-ponto-de-inflexao-para-o-transporte-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/2023\/01\/18\/por-francisco-christovam-ponto-de-inflexao-para-o-transporte-publico\/","title":{"rendered":"Por Francisco Christovam \u2013 Ponto de inflex\u00e3o para o transporte p\u00fablico"},"content":{"rendered":"<p>O balan\u00e7o dos impactos da pandemia para o setor de transporte coletivo urbano impressiona pela dimens\u00e3o negativa: os sistemas organizados de transporte p\u00fablico por \u00f4nibus urbano, presentes em 2.703 munic\u00edpios brasileiros, tiveram uma perda acumulada de quase 30 bilh\u00f5es, durante a pandemia, conforme levantamento feito pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Empresas de Transportes Urbanos &#8211; NTU).<\/p>\n<p>As empresas tiveram que lidar com um impacto financeiro m\u00e9dio de R$ 1,07 bilh\u00e3o por m\u00eas, causado pela acelerada queda do n\u00famero de passageiros e pela obrigatoriedade de manuten\u00e7\u00e3o de uma oferta do servi\u00e7o superior \u00e0 demanda, para garantir o distanciamento social no transporte p\u00fablico.<\/p>\n<p>Em dois anos e meio de pandemia, o preju\u00edzo acumulado, equivalente a mais de 30% do faturamento mensal do setor at\u00e9 2019, contribuiu muito para a deteriora\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os. Suspens\u00e3o de atividades, pedidos de recupera\u00e7\u00e3o judicial, fim da opera\u00e7\u00e3o e outras consequ\u00eancias dram\u00e1ticas comprometeram at\u00e9 a economia do pa\u00eds: o segmento do \u00f4nibus urbano registrou redu\u00e7\u00e3o de quase 90 mil postos de trabalho, no per\u00edodo da pandemia, uma queda de 22,1% no n\u00edvel de emprego direto existente no setor, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Transporte (CNT).<\/p>\n<p>Apesar do forte impacto e das sequelas do per\u00edodo de emerg\u00eancia sanit\u00e1ria, a pandemia n\u00e3o foi a \u00fanica vil\u00e3. S\u00e9rie hist\u00f3rica do desempenho operacional revela que o setor j\u00e1 vinha acumulando perdas de demanda, da ordem de 24,4%, entre 1994 e 2012, acelerando para uma queda de 26,1%, entre 2013 e 2019. Ou seja, o transporte p\u00fablico j\u00e1 vinha de uma crise estrutural, de d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Mesmo resiliente, ao lidar com esse quadro alarmante, sem o apoio de medidas emergenciais amplas e consistentes do governo federal, o setor precisou enfrentar desafios adicionais, principalmente devido ao aumento dos custos da presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de transporte p\u00fablico, de quase 35%, em m\u00e9dia, decorrente da forte demanda por reajustes salariais dos rodovi\u00e1rios e, principalmente, dos sucessivos aumentos do diesel, que atingiram 67,9%, em 2022. S\u00e3o reajustes que miram as prestadoras do servi\u00e7o, mas acertam em cheio o passageiro, porque impactam diretamente nas tarifas.<\/p>\n<p>No entanto, a pandemia trouxe li\u00e7\u00f5es importantes que marcam um ponto de inflex\u00e3o para o transporte p\u00fablico. Basta observar a mudan\u00e7a de postura dos poderes p\u00fablicos, estadual e municipal, inicialmente na forma de a\u00e7\u00f5es emergenciais, adotadas durante o auge da crise, para manter o funcionamento dos sistemas de transporte. A\u00e7\u00f5es que, gradualmente, v\u00eam sendo transformadas em medidas permanentes. A NTU identificou 137 sistemas de transporte p\u00fablico por \u00f4nibus, respons\u00e1veis pelo atendimento de 268 cidades, que implementaram iniciativas de aportes de recursos p\u00fablicos, para garantir o subs\u00eddio aos passageiros.<\/p>\n<p>Entre os beneficiados, est\u00e3o 23 sistemas que atendem capitais e regi\u00f5es metropolitanas, e que re\u00fanem parcela expressiva do total de passageiros transportados em todo o Brasil. Destacam-se Bras\u00edlia, Curitiba e S\u00e3o Paulo, que aumentaram os aportes para remunerar a presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, de acordo com o custo da produ\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, em complementa\u00e7\u00e3o \u00e0s receitas tarif\u00e1rias.<\/p>\n<p>V\u00e1rios casos evolu\u00edram para a chamada separa\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria, que distingue a tarifa p\u00fablica, cobrada do passageiro, da tarifa de remunera\u00e7\u00e3o, que cobre todos os custos da produ\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os. Essa \u00e9 a diretriz preconizada na Pol\u00edtica Nacional de Mobilidade Urbana, de 2012, que come\u00e7a a ser colocada, efetivamente, em pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Os subs\u00eddios permanentes j\u00e1 s\u00e3o realidade no pa\u00eds para 55 sistemas, que atendem 155 cidades. Este n\u00famero \u00e9 mais que o dobro do que existia antes da pandemia. A\u00e7\u00f5es nesse sentido reduziram os desequil\u00edbrios econ\u00f4mico-financeiros dos contratos e evitaram uma onda de fal\u00eancias das operadoras, al\u00e9m de garantir a continuidade da presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os e beneficiar os passageiros com tarifas p\u00fablicas mais baixas. Outra boa not\u00edcia foi o aux\u00edlio emergencial de R$ 2,5 bilh\u00f5es, provenientes do or\u00e7amento da Uni\u00e3o, para o custeio das gratuidades de idosos, com pagamentos a estados e munic\u00edpios finalizados em outubro do ano passado.<\/p>\n<p>O enorme desafio \u00e9 converter em pol\u00edtica permanente o que funcionou de forma emergencial. Isso s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel por meio da atualiza\u00e7\u00e3o do Marco Legal do Transporte P\u00fablico e da reestrutura\u00e7\u00e3o do setor, conforme propostas em discuss\u00e3o no Legislativo (Projeto de Lei 3278\/21, em tramita\u00e7\u00e3o no Senado) e no Executivo (minuta do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Regional, submetida \u00e0 consulta p\u00fablica). Esta \u00e9 a \u00fanica sa\u00edda para alcan\u00e7armos uma melhor qualidade nos servi\u00e7os prestados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, com um custo realmente acess\u00edvel a todas as classes sociais.<\/p>\n<p>_______________________________________________________________________<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"td-animation-stack-type0-2\" src=\"https:\/\/www.institutodeengenharia.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Francisco-Christovam-e1570795701677.jpg\" width=\"148\" height=\"222\" \/><\/p>\n<p><em>Francisco Christovam \u00e9 presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Empresas de Transportes Urbanos \u2013 NTU e vice-presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado de S\u00e3o Paulo \u2013 FETPESP. \u00c9 tamb\u00e9m, vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Transportes P\u00fablicos \u2013 ANTP, bem como membro da comiss\u00e3o de transporte de passageiros da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Transportes \u2013 CNT e do Conselho Consultivo do Instituto de Engenharia.<\/em><\/p>\n<div class=\"td-pb-span8 td-main-content\" role=\"main\">\n<div class=\"td-ss-main-content\">\n<article id=\"post-93621\" class=\"post-93621 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail category-articulistas category-francisco-christovam\">\n<div class=\"td-post-content tagdiv-type\">\n<div class=\"td-pb-span8 td-main-content\" role=\"main\">\n<div class=\"td-ss-main-content\">\n<article id=\"post-71688\" class=\"post-71688 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail category-articulistas category-francisco-christovam\">\n<div class=\"td-post-content tagdiv-type\">\n<p>*<em>Os artigos publicados com assinatura, n\u00e3o traduzem necessariamente a opini\u00e3o do Instituto de Engenharia. Sua publica\u00e7\u00e3o obedece ao prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O balan\u00e7o dos impactos da pandemia para o setor de transporte coletivo urbano impressiona pela dimens\u00e3o negativa: os sistemas organizados de transporte p\u00fablico por \u00f4nibus urbano, presentes em 2.703 munic\u00edpios brasileiros, tiveram uma perda acumulada de quase 30 bilh\u00f5es, durante a pandemia, conforme levantamento feito pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Empresas de Transportes Urbanos &#8211; NTU). 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