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A POLUIÇÂO DIFUSA E A REQUALIFICAÇÂO DO RIO PINHEIROS

Por José Eduardo Cavalcanti

Publicado em 1 de setembro de 2017

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Se todos os esgotos sanitários e não sanitários de uma bacia hidrográfica fossem coletados e interceptados de forma a não alcançarem “in natura” os cursos de água haveria poluição hídrica?

Sim, muito provavelmente. A poluição hídrica se manifestaria, porém de uma outra forma como o resultado do carreamento das águas pluviais que ao escoarem pelas áreas impermeabilizadas da bacia se contaminariam devido ao arraste e dissolução de toda e qualquer sujidade que encontrassem pelo caminho em direção aos corpos d’água.

Esta é a chamada poluição difusa, cuja maior ou menor intensidade, está, em última análise, associada ao grau de educação sanitária da população.

O rio Pinheiros é um exemplo emblemático da poluição difusa, uma vez que ela é preponderante uma vez que advém praticamente de toda a bacia do Alto Tietê, e não somente da sua própria bacia, em virtude das regras operacionais do sistema Tietê Billings que prevê a introdução das águas do Tietê a montante da confluência com o Pinheiros em condições excepcionais por ocasião das grandes chuvas, justamente o grande agente indutor desta modalidade de poluição.

Como logicamente é difícil controlar a poluição difusa na fonte, somente possível mercê a um grande esforço focado principalmente na educação ambiental, a recuperação da qualidade das águas de rios contaminados a exemplo do que ocorre na Europa e nos Estados Unidos passa também por intervenções no próprio curso de água mediante a utilização de tecnologias que acelerem sua depuração natural. Logicamente, a ampliação da rede de esgotos incluindo coletores tronco e interceptores ao longo de toda a bacia é também fundamental.

No caso específico do canal Pinheiros, a Cetesb em 2013, tomou essa iniciativa, através de um chamamento a empresas privadas em testar, em modelos reduzidos do canal Pinheiros, diferentes tecnologias que pudessem tratar as águas do próprio canal mediante a utilização de métodos avançados de tratamento e de produtos biológicos que acabaram por se revelar capazes de melhorar a qualidade da água do rio a ponto de ter criado condições para o seu potencial enquadramento na Classe 4 do Decreto 8468/76. (Veja artigo a respeito em https://institutodeengenharia.org.br/site/noticias/exibe/id_sessao/70/id_colunista/4/id_noticia/10721/O-projeto-de-requalifica%C3%A7%C3%A3o-do-Rio-Pinheiros).

Esta também será a tônica desta outra iniciativa do Governo do Estado através da EMAE em cooperação com a SABESP, de uma nova tentativa de recuperar as águas do Pinheiros porem segundo um maior grau de depuração de modo a permitir o bombeamento perene á represa Billings de forma a valorizar o espaço urbano, aumentar a oferta de água para fins de abastecimento e geração de energia.

Até o final deste ano estará concluída a modelagem técnica-econômica-operacional e jurídica-institucional de uma parceria pública-privada que propiciará à iniciativa privada investir de imediato nas tratativas de requalificação do rio Pinheiros aos fins propostos.

 

José Eduardo Cavalcanti

Engenheiro Químico, associado ao Instituto de Engenharia Outros artigos de José Eduardo Cavalcanti



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